A mulher certa para mim
10 Eu te espero
Notas iniciais
As duas estavam na sala de espera, Maura estava sentada do lado direito de Jane, ela lia uma revista de moda enquanto Jane cansada de esperar começou a balançar a perna, até que Maura colocou a mão sobre a perna da morena, que parou de balançar no mesmo instante, depois Jane começou a tamborilar os dedos na cadeira, Maura segurou firme a mão dela enquanto estava olhando sapatos.
— Parece que estamos aqui uma vida!
— Jane, não faz nem uma hora.
— Eu não gosto de hospitais.
— Nem de médicos, nem da cor branco, nem do cheiro do lugar, agulhas... Você me disso tudo isso antes de sair de casa e quando chegamos aqui.
Uma mulher abriu a porta da sala e chamou.
— Jane Rizzoli!
Jane saiu puxando Maura que nem teve tempo de fechar a revista, ou coloca-la onde achou. A médica sorriu para elas e fechou à porta, ela é uma mulher linda, seus olhares expressivos, seu cabelo curto expondo o pescoço e o seu sorriso encantavam qualquer pessoa.
— Bom dia_ Disse ela sorrindo_ Sente-se aqui_ Ela pegou a ficha da Jane e deu uma olhada_ Bom senhorita Rizzoli, pode tirar a blusa para que eu veja seu ombro?
Jane retirou a tipoia primeiro e depois começou a tirar a blusa.
— Se quiser pode esperar lá fora_ Disse a médica para Maura.
— Não obrigada, eu não quero_ Maura percebeu os olhares da mulher para Jane logo que entrou na sala, sendo assim ela não poderia deixar a ovelha perto do lobo, ainda mais porque ela não sabia quem ali desempenhava o papel de lobo.
A mulher tocou o ombro de Jane_ Sente dor?
— Não muito.
— Está movimentando o braço, fazendo exercícios leves?
— Sim, Maura é muito insistente_ Jane disse olhando para a loira.
— Muito bem, pode se vestir.
— É...doutora...
— Louise.
— Louise, ainda vou precisar usar isso?_ Jane indicou a tipoia.
— Não, seu ombro está ótimo, mas quero que continue os exercícios em casa e se possível vá a algumas sessões de fisioterapia ok?_ Ela pegou um bloquinho de papel_ Vou anotar meu número, pode me ligar se precisar de algo_ Jane pegou o papel das mãos de Louise que continuou segurando firme_ Sério senhorita Rizzoli não hesite em me ligar_ Depois de dizer isso ela soltou o papel.
Maura saiu da sala primeiro e seguiu na frente, ela ficou todo o tempo calada.
Ela está quieta, Maura nunca está quieta, a não ser que esteja lendo ou dormindo... Não, nem mesmo dormindo. –Pensou Jane.
— O que foi Maura?
— Não sei sobre o que está falando.
— Maura, eu só perguntei porque você está calada desde que saiu daquela sala, quero saber porque está irritada.
— Não estou irritada Jane.
— Como não? Estou olhando para o seu rosto e vejo sobrancelhas franzidas, seus braços também estão cruzados.
Maura descruzou os braços.
— E você está com um enorme sorriso no rosto_ Apontou Maura.
— Porque estou bem, posso movimentar o braço, em breve estarei trabalhando, logo após a fisioterapia.
— Pensei que fosse por causa da Louise_ Maura estava olhando para frente ainda irritada.
Jane olhou para Maura de boca aberta, depois sorriu, um sorriso malicioso.
Isso é... Maura está com ciúmes de mim, eu não posso estar enganada.
Jane pensou em dizer algo, mas desistiu, ela ainda olhou para Maura uma vez e depois olhou para frente, as duas entraram no carro de Maura e seguiram para o apartamento da detetive.
A tarde passou rápido, já era quase noite quando Jane recebeu uma mensagem de Frankie convidando ela e Maura para o Dirty Robber, Jane entrou no quarto e bateu na porta, ela entrou devagar, não queria deixar Maura ainda mais brava.
_ Maura?
— Aqui_ A voz de Maura era baixa e demonstrava um pouco de dor, Jane se alarmou ao ouvir isso e correu em direção à voz, encontrou Maura no chão, ajudou a loira a levantar e assim que Maura levantou ela beliscou o braço de Jane.
— Ai Maura! O que foi que eu fiz?
— Deixou uma fatia de pizza no chão!
Maura virou de costas e Jane tapou a boca com a mão para não rir, havia queijo e calabresa grudados na sua blusa, mas logo a morena concentrou seu olhar nas curvas de Maura, na bunda dela, de forma espontânea Jane mordeu os lábios, a loira virou-se de frente e Jane olhou-a nos olhos, quase sempre desviando para os lábios ou os seios.
— O que queria me dizer? Jane!?
— O que?
— Você entrou aqui me chamando.
— Ah foi, Frankie ligou e perguntou se poderíamos nos encontrar, ele disse que a Lucy quer conhecer os colegas do trabalho perguntou se você poderia ir, Korsak também estará lá.
— Claro que sim_ Maura sorriu, empolgada, Jane ficou alguns segundos olhando para a loira, depois seguiu em direção ao guarda roupa, pegou rapidamente algumas peças, sem demora e foi em direção a porta_ Eu vou trocar de roupa e sugiro que você faça o mesmo.
Maura olhou para a roupa e não vendo nada de errado olhou novamente para Jane.
— O que tem de errado com a minha roupa?
Jane não respondeu, mas saiu do quarto rindo.
***
Korsak, Jane e Maura estavam esperado Frankie e a Lucy chegarem, Jane tomava suco, o que não a agradava, a ideia de ir a um bar sem estar em serviço e não tomar nada com álcool era desanimadora, Maura acompanhou Jane na escolha da bebida porque voltaria dirigindo, Korsak bebia a boa e velha cerveja.
— Então... Você voltar a trabalhar logo_ Disse Korsak para Jane.
— Sim Korsak, e reclamo do trabalho, mas ficar em casa sem fazer nada é angustiante, se não fosse pela Maura, eu já estaria louca, ela sempre inventa algo pra gente fazer.
— Doutora Isles tem lhe visitado?
— Pode me chamar de Maura.
— Ela está passando alguns dias no meu apartamento, a mãe viajou e pediu para a Maura cuidar de mim.
— Angela viajou?_ Korsak estava confuso, ele havia visto Angela pela manhã no café, ele deu de ombros, melhor não se meter, olhou para Maura_ Como você está lhe dando com ela? Nunca vi alguém mais bagunceira do que a Jane.
— Hoje mesmo eu cai quando pisei em uma fatia de pizza, Jane tem uma terrível mania de jogar tudo no chão e....
O celular de Jane tocou_ pronto, agora vocês podem conspirar em paz_ Jane lançou um olhar expressivo para ambos e saiu da mesa, quando voltou parecia um pouco chateada, ela começou a andar mais devagar, pois se surpreendeu com o que viu, Maura estava relaxada e rindo com as piadas do Korsak. Ela sentou novamente em seu lugar, ao lado de Maura.
— Frankie está vindo?
— Não, Lucy não está se sentindo bem, ele pediu desculpas, mas você pode conhecê-la no jantar, aliás, Korsak, a mãe te convidou?
— Sim, antes de viajar_ Na verdade foi aquela mesma manhã quando se encontraram no café.
Eles começaram a conversar sobre o trabalho, nada trágico, apenas a parte engraçada, as perseguições que davam errado e ás vezes que se deram bem.
— Korsak já pulou em um caminhão de lixo para prender um suspeito, os dois ficaram podres, para interrogar o cara eu tive que usar uma máscara, o Korsak teve que ir para casa tomar banho, mas não ajudou muito, a gente recomendou molho de tomate, e no outro dia nada de cheiro de lixo, mas sim um cheiro forte de tomate.
As duas mulheres riram bastante do detetive.
— Então é assim que você quer jogar hein?_ Korsak mexeu no celular meio sem jeito e mostrou uma foto de para Maura_ Reconhece essa pessoa Maura?
— Não.
— Olhe bem para o rosto dela_ Maura deu uma boa olhada_ Jane!?_ Ela virou para Jane e caiu na gargalhada.
— Obrigada Korsak_ Jane falou com um tom irônico.
— Disponha_ Respondeu Korsak_ Jane trabalhava na narcóticos, esse era o disfarce dela.
— Sabe_ Maura falou ainda olhando a foto, depois devolveu o celular para Korsak_ Uma vez eu discuti em um café com uma prostituta, ela não tinha dinheiro para pagar o café e eu me ofereci para pagar, por gentileza, mas ela se ofendeu.
— Maura_ Jane disse olhando para loira_ Era eu.
— Como assim?
— Eu estava na fila comprando um café, mas estava sem dinheiro porque deixei minha carteira na minha roupa, eu estava quase conseguindo convencer o cara de que eu pagaria depois, mas ai uma loira apareceu e ficou balançando uma nota_ Jane fez o gesto com a mão_ E depois disse que pagava o café, eu pensei essa mulher é daquelas que paga um café para alguém só para não estar em uma fila, então eu recusei o dinheiro e fiquei enrolando, para demorar mais ainda.
— Não foi isso, eu poderia sim esperar, eu só queria te ajudar a pagar o café, só isso.
— Como eu não lembrei de você?
— Eu não sei Jane, estou tão surpresa quanto você.
Korsak percebeu que estava sobrando, deixou dinheiro na mesa e se despediu das duas, mas elas estavam tão concentrada uma na outra, que nem perceberam quando ele saiu. Alguns segundos depois Maura desviou o olhar, uma mulher muito bonita entrou no bar e piscou para Jane, depois sorriu com seus lábios vermelhos e carnudos, a mulher sentou em uma banqueta próxima ao balcão e continuava olhando para Jane.
— Ela está bastante interessada em você, e isso é compreensível... Se quiser eu posso ir embora sozinha.
— Não Maura, não estou interessada.
Maura baixou um pouco a cabeça e tomou um gole do seu suco. Jane sabia exatamente o que queria, ela queria ficar com Maura, ela queria um relacionamento com a loira, queria beija-la, toca-la, a indecisão de Maura no entanto colocava uma barreira entre as duas, Jane no entanto compreendia a situação, se foi difícil para ela se assumir quando adolescente, imagina uma mulher como Maura, toda certinha, introvertida e que nunca havia beijado outra mulher antes, Jane não entendia o porque de tanta má sorte, alguém aparece na sua vida, alguém com quem ela quer algo sério depois de tanto tempo e ela é hetero, isso significava quebrar a cara, apesar daquele beijo e de alguns sinais de que Maura sentia ciúmes dela, isso poderia ser apenas curiosidade por parte da legista e então seria uma grande decepção para Jane, seus pensamentos e teorias foram quebrados quando Maura disse uma única frase.
— Você... poderia me esperar?
— Ãh? Não entendi.
— Você seria capaz de me esperar Jane? Esperar que eu resolva essa mistura de sentimentos confusos que sinto? Eu não tenho tido muitas certezas ultimamente, mas eu sinto algo por você, eu só não sei exatamente o que é e eu não posso me ariscar antes de saber, entende?
Jane entendia, e o que Maura estava pedindo poderia não resultar em nada, mas ainda sim Jane estava disposta a esperar, sim ela esperaria, só não sabia por quanto tempo.
Jane segurou firme a mão de Maura, esse gesto havia se tornado algo só delas, esse aperto de mão e entrelaçar de dedos significava um “ Eu estou aqui por você, pode confiar em mim”.
— Sim Maura, eu te espero_ A morena sorriu quando viu o rosto da legista ficar vermelho, “ Talvez meu rosto também esteja assim”_ Pensou Jane_ “ Jane Rizzoli você com certeza, definitivamente está ferrada, mas é tão bom estar assim”_ Jane voltou a sorrir, Maura fazia o mesmo.
Logo que chegou no seu apartamento Jane ligou a TV e deitou no sofá.
— O que está vendo?_ Perguntou Maura.
— Grey’s Anatomy.
— Jane, essas séries fazem tudo parecer mais interessante e fácil, tem cirurgias, casos que não existem e ..._ Maura parou olhando uma cirurgia que vários médicos estavam envolvidos, era a separação de dois gêmeos siameses_ Isso é interessante_ Jane levantou a cabeça, Maura sentou e a morena deitou a cabeça no colo da legista_ Você se interessou pela ortopedista?
— Quem a Calli ?
— Não a Louise.
— Que Louise?
Maura beliscou o braço de Jane. A morena massageou o braço rindo, elas continuaram a ver Grey’s Anatomy com uma ou outra interrupção de Maura, que desmentia algo ou até mesmo tentava explicar. Houve um momento em que Jane olhou para cima e a legista olhou para o rosto de Jane, os olhares se cruzaram, Jane quis desviar, mas os olhos de Maura eram como imãs, as duas ficaram longos segundos presas nesse estado quase hipnótico.
— Quem é ela?_ Jane virou-se .
— Meredith Grey, ela é a personagem principal e ela sempre escapa das piores situações, como quando ela colocou a mão em uma bomba, ou quase se afogou...
***
Quando Jane acordou no sofá, ela procurou Maura pela casa e não a encontrou, Maura precisou sair rápido porque foi chamada para a cena de um crime, a mala ficou por fazer, Jane abriu o guarda roupa e ainda pôde ver a as roupas da loira “ coagindo” as suas, Jane olhou de relance para uma certa gaveta, mas decidiu não abrir, pegou um cachecol azul da loira e trouxe para peto do rosto, cheirou o cachecol e sentiu o cheiro de Maura.
— Acho que você não irá se incomodar se eu ficar com isso_ Jane disse para si.
Antes de fazer a autopsia Maura passou na sua sala e encontrou um cola de pelúcia na sua mesa, com um cartãozinho dizendo “ Bom trabalho!”. Ninguém ali sabia que ela gostava de coalas, a não ser... Jane. Maura pegou o coala e o abraçou, depois colocou novamente na mesa sorrindo.
— Como não ama-la?
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