A mata do silêncio
1 Capítulo 1
—Amiga, sua louca, quanta mensagem é essa no celular? Não para de vibrar! É melhor responder logo — Sheslyene cutucava a amiga sentada ao lado discretamente
—Tá falando com quem? Eu mesma que não to recebendo mensagem — Elvira tentou responder, mas teve sua fala ligeiramente atropelada pela amiga
—É cla-ro que es-tá vi-bran-do, eu senti na minha coxa! Deve ser a sua tia Rogéria. — Sheslyene insistia
— Vai Elvira, responde logo que tá tudo bem e que a gente chega ja já no aeroporto — O caçador de talentos, Vagner Martim falou com tom incisivo sem tirar os olhos de seu whatsapp.
14:23h — Sheshê diz: miga, diz que precisa ir no banheiro, naum me pergunta nada, só faz isso agora! Te explico depois ~emoji de explosão~
Lendo a mensagem e mesmo não entendendo o que estava acontecendo Elvira jogou o cabelo longo e com mechas loiras por trás do ombro, começou a se abanar e falou — Meninaa, to me mijando, chega preciso descer — enquanto apertava a perna da amiga.
—Só no próximo posto de gasolina — Vagner respondeu seco
—Vixe, não é que eu to me mijando também? Moço vou me mijar aqui, vai sujar o banco todo, já to até sentindo escorrer uma gotinha bem quentinha, moço pare que eu mijo do lado do carro mesmo, pelo amor de deus — Sheslyene desatou a falar feito uma metralhadora
—Valeime — Vagner revirava os olhos — Motorista, dê uma encostadinha aí por favor
Sem agradecer ou esperar mais um só minuto as duas desceram da van que tinha parado em uma rodovia deserta, com muito mato ao redor e um ponto de ônibus velho que dava pra ver de longe. Não estavam passando outros carros na rodovia naquele momento, parecia que a van era o único carro em quilômetros. As meninas estavam no acostamento, mas foram andando para detrás do carro para ter mais privacidade enquanto ouviam o Vagner Martim gritando pra andar rápido.
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— Dá pra me explicar o que tá acontecendo? — indagou Elvira, cochichando agachada em posição de fazer xixi
— A gente tem que fugir, agora — Sheslyene cochichou de volta, ofegante
— Uai, porque? — Elvira tentou perguntar, mas foi tomada por Sheslyene puxando seu braço com força
— Corre! — Ela disse baixinho, mas com força
Nesse momento, mesmo sem entender nada as duas começaram a correr como nunca correram em suas vidas e por mais que estivessem indo rápido elas ainda continuavam vendo o carro, já que estavam em uma rodovia comprida e reta como uma régua. Sem nenhum plano as duas continuavam correndo e formando um diálogo gritado sem muita compreensão
—O QUE TÁ ACONTECENDO?
— SEQUESTRAR A GENTE!
— O QUE!?
— ERA TUDO FAKE!
Nesse momento Sheslyene virou a cabeça para olhar pra trás tentando conferir se já estava distante o suficiente para parar de correr, mas acabou percebendo uma luz vermelha acendendo detrás do carro e ele se movendo em ré. Isso era um alarme.
—NÃO TO ENTENDENDO NADA!
—MULHER, DEPOIS EU FALO!
—EU QUERO SABER AGORA
—O VAGNER É UM SEQUESTRADOR
O barulho do carro andando em marcha ré era cada vez mais alto e aterrorizante, parecia que toda a distância que as meninas tinham corrido seria alcançada em segundos. No meio do nada só com árvores dos dois lados da estrada e o carro chegando cada vez mais perto Sheslyene teve a brilhante ideia de pular mata adentro.
Para a sorte daquelas duas adolescentes que entraram pisando em arbustos de todo tipo de plantas, desviando de galhos secos que passavam arranhando seus rostos e de vez em quando uma poça de terra molhada, viram uma espécie de trilha para seguir. Tá, não era uma trilha, mas sim um caminho por onde alguém tinha passado e as plantas ficaram esmagadas facilitando a passagem.
Elvira gritava histérica enquanto corria, coisas como “Socorro ele quer me matar” e “Alguém chama polícia” enquanto Sheslyene gritava coisas como “Silêncio ele vai achar a gente!” e “Já ta bom vamo parar de correr!”, mas a adrenalina estava tão grande que elas só conseguiam continuar correndo, mais e mais, pulando obstáculos, se esquivando de folhagens até que em uma das raízes que saltavam da terra Elvira tropeçou.
—Amiga, você tá bem? — Perguntou Sheslyene levantando ela do chão — Eu acho que a gente já conseguiu despistar eles
— Tô bem sim, só ralei o joelho um pouco. Você pode me explicar agora o que é tá acontecendo?- Elvira falava se limpando da areia e folhas que ficaram grudada em suas pernas
— Você não percebeu nada de estranho naquela van indo pro meio do nada…- Sheslyene interrompia seu pensamento com uma careta — Amiga, você peidou?
—Eu mesma não, quem peida podre assim é você — Elvira acusava a amiga
—Ai me poupe, não fui eu que soltei esse, vixe — Sheslyene abanava o nariz
—Eu sei quem foi! — uma voz grossa e extravagante ecoava alto mata a dentro
—Quem disse isso? — Elvira e Sheslyene perguntaram juntas
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