A marca de Avion

1 Mais um dia qualquer...ou não.


Notas iniciais
Espero que gostem dessa nova fic :3

Acordar de manhã, escovar os dentes, tomar banho, se arrumar e tomar café da manhã com os pais para ir à escola é bem normal não é? não para mim.
Talvez esteja se perguntando por que para uma garota de 13 anos isso não é normal... bem eu vou explicar, eu não tenho uma perna só, não sou cadeirante, não moro em baixo de uma ponte na capital, não uso drogas todas as manhãs antes do café para relaxar o dia inteiro, eu simplesmente tenho deficiência mental. Você pode pensar:”Ah cara todos temos isso”,mas deixe-me dizer uma coisa “CARA”: não vocês não tem, vocês são apenas uns retardados que fazem idiotices como tocar campainhas e sair correndo, andar em cima do muro mais alto da vizinhança, jogar pedras em algum telhado por aí e se acham loucos.
Meu nome? Hahahahaha acho que essa pergunta não poderá ser respondida, por que? Porque nem eu sei ao certo o meu nome, Já elaborei muitas teorias de qual seja o meu nome, como sou uma pessoa sem graça talvez eu tenha um nome sem graça, mas não consigo pensar em nomes sem graça, sempre que penso em escrever possíveis nomes sem graça eu esqueço de todos que conheço, aí eu rasgo o papel e deixo isso para outra hora, outro dia e outro lugar.

Eu tenho a pele branca, não branca o bastante para pensar: “meu Deus, ela é uma folha de papel humana”, mas branca o bastante para talvez pegar um câncer de pele se eu não começar a me bronzear, meus cabelos são castanhos, de certa forma são lisos com ondulações mais abaixo, tenho uma altura de 1,61 e a coisa que mais adoro em mim são os meus olhos violetas, quando criança me perdia no tempo a minha volta enquanto olhava para meus olhos em frente ao espelho, olhos que maravilham os olhos de quem vê.

moro em um orfanato e eu sou a única pessoa por aqui. Nunca soube quem são meus pais, por que me abandonaram ou se ao menos existiram, Porque com toda essa tecnologia hoje em dia, eu posso muito bem ser uma criatura feita pelo governo para testar algumas coisas e sinceramente... isso explicaria muita coisa. As pessoas sempre ficam espantadas ao verem minha marca de nascença, eu não consigo entender e por isso eu criei novamente mais teorias, uma das teorias é que a experiência que o governo fez me criando deu meio errado e onde está a marca tem na verdade 7 tentáculos gigantes que tem vida própria, mas eu não consigo ver porque o governo alterou meus olhos para enxergar unicamente uma marca de nascença e eu sou bem fiel a essa teoria.

Tenho muitos apelidos é um deles é claro “maluca”, claro no inicio é meio irritante ser chamada de maluca, mas eu não vejo mais problema nisso, afinal eu não gosto muito de discordar do meu verdadeiro eu, se é o que eu tenho que ser, é o que serei.
O problema desse apelido é chegar na escola e ouvir todos te zuando como se... como se você fosse fazer algum mal a eles(Se bem que uma faca em suas gargantas não cairia mal, afinal eles merecem muito mais que isso) e isso é um tanto estranho, eles me zoam porque tem medo que eu faça algum mal a eles, mas me zuando eu tenho vontade de fazer algum mal a eles, acho que só não fiz ainda porque antes de entrar na escola preciso passar por um detector de metais, mas sonho com um dia em que isso acabe e eu finalmente faça algum mal as pessoas que temem que lhe faça mal.
–Maluca!Maluca- Eles gritam enquanto me batem, derrubam meus cadernos no chão e roubam o meu dinheiro que eu nem lembro ao certo como conseguem, qual a finalidade? eu também não sei, talvez o governo lhes pague algum salário para fazerem isso, então tudo é somente um teste para ver a minha “durabilidade”, afinal produto defeituoso não dá lucro.
Minha primeira aula é educação física, e como uma menina com deficiência mental e óculos ainda vai para isso? O governo meus caros (se é que se pode chamar isso de governo). sim nessa época existia um governo corrupto, aonde as pessoas são manipuladas por ele, enquanto a população é roubada, essa mesma população paga impostos feito loucos...o que isso tem haver com o fato de eu estar estudando? Bem... nada, só quis comentar, mas é culpa dele porque de acordo com a justiça temos que ter...hã? como é o nome? Ah é “VIDA SOCIAL” ¬¬ acho que nem todas as folhas desse diário seriam capazes de registrar toda a minha revolta, contra o mundo, contra os meus pais que me abandonaram, o governo e é claro as pessoas que estão nessa “maravilhosa sociedade”.
Se eu preferia está morta nessa vida? Podemos dizer que eu já estou, me mataram por dentro com todas essas palavras, com todos esses olhares revoltados que negam que eu pertenço a essa sociedade de merda.
Chegando a aula de Ed. Física ouvimos um anunciado do nosso diretor
“Alunos, hoje vocês sairão mais cedo, após a primeira aula dirijam-se a minha sala peguem sua autorização e vão pra vossas respectivas casas”.
–Mal chego em uma escola e já estão fugindo de mim. — Disse uma garota de cabelos bem negros, pele clara e olhos profundos em um tom de dourado.
– Sei bem como é. -Disse, e realmente sabia no meu primeiro dia foi a mesma coisa...
–Desculpe. -Ela disse revirando aqueles olhos para mim, pensei que ela fosse me matar, mas ao invés de pegar uma metralhadora na mochila e fazer ela estendeu a mão e disse:

– Meu nome é Taylla, Taylla Barbosa Marques.
Estendi a minha mão à ela e apertei, eu nunca sentira uma sensação tão agradável na minha vida como aquela, como se eu finalmente encontra-se alguém que se parece-se comigo.
–Você não devia estar falando comigo. — Ela disse enquanto puxava desesperadamente sua mão para si novamente, como se arrepende-se friamente de ter dirigido palavras a mim. — Sou uma estranha, maluca como todos dizem.
–Bem vinda ao meu mundo.- Eu disse com um certo que poderia facilmente ser confundido com ironia, por um momento seu cachecol escorregou de seu pescoço e vi a mesma marca que eu tinha no braço estampada em seu pescoço.
–Oh meu Deus você tem essa... – Ela colocou a mão em minha boca antes que eu terminasse de falar, como se fossem palavras proibidas.
–Cale-se, você já quer estragar minha reputação no primeiro dia de aula? Sim, eu tenho a marca de Avion, e daí?- Ela disse demonstrando desespero, irritação e vários outros sentimentos talvez não distinguíveis. — Se disser uma palavra... está morta!
Então ela saiu corendo como se aquilo não tivesse acontecido. Como ela faz isso? Não sei, mas como todos dizem “Vejam sexta no Globo Repórter” acho que é a única coisa engraçada que essas pessoas consideradas normais dizem por aí.
Como a aula de Ed. Física havia acabado é claro que fui buscar minha autorização e quando entro na sala, sou recebida pela voz do diretor dizendo:
–Finalmente...As duas lendas de Avion. – eu sinceramente não entendi o que aquilo queria dizer e tudo que lembro depois foi dele caminhando até uma caixa com seus passos lentos e pesados, calmamente ele usou suas mãos para sentir a caixa, cada canto, cada detalhe como se estivesse procurando algo, então ele mudou o rumo de sua mão e abriu a caixa com uma velocidade incrível.

quando ele abriu a caixa, uma grande luz ofuscante saiu esbranquiçado e cegando meus olhos e em menos de um segundo me senti tonta, eu perdi a noção do que estava a minha volta, eu queria gritar para sentir que ainda estava ali, mas sentia que minha voz não sairia por mais que eu tentasse, logo meus músculos pesavam mais que o normal, eu queria me jogar na cama que me esperava em casa... (se é que poderia chamar “aquilo” de casa) e passar a eternidade lá, então todas essas sensações se acabaram quando eu desmaiei e caí dura no chão frio da sala em que nos encontrávamos.

Notas finais
:> :> Flw