A maldição da Sucessão

27 Capítulo 27: Previsões e presságios.


Notas iniciais
- Olá, mais um capítulo para compensar a demora do final de ano. — Eu tinha uma leitora ou leitor para agradecer que tinha favoritado a história, mas sumiu e agora não consigo ver o perfil. Eu acho que o site está com problemas, aparece um número e na hora que eu conto o número não bate. Então, leitora ou leitor que começou a ler há pouco tempo, eu quero agradecer por ler a minha história. Caso seu perfil volte a aparecer e vou agradecer citando seu nome. — Comentem!

Poderia ser loucura ou carência, mas ela se sentia segura perto dele. Pansy se sentiu mais segura com Harry.

Em sua casa enquanto ele ria de algum comentário dela, a olhava de forma penetrante ou quando ele a beijava firmemente rodeando seus braços ao seu redor e pressionava seu corpo grande e quente contra o dela, ela se sentia protegida em seu calor.

Não foi uma coisa emocional, no início. Ela sentiu atração e saciou suas necessidades e desejos. Até que ela começou a acreditar um pouco em seus atos altruísta e no seu impulso de fazer justiça, mesmo que ela não acreditasse na mesma porção que ele nessas coisas. Ela sabe quando a forma que via ele começou a mudar, foi nas noites em que ela esteve em sua cama, quando o olhar de desejo brilhava em seus olhos, a respiração acelerada soprava seu rosto, o calor protetivo a acolhia e a acontecia a quebra da prepotência heroica e superior quando ele se deitava ao lado dela em silêncio, não tendo pressa para sair ou pedir que ela fosse embora, ele só fica ali ao lado dela. O momento que Pansy se agarrou para continuar sempre voltando para casa dele, no momento que ele deixava toda a guerra, diferenças e o passado só para estar ali a beijando-a, tocando-a.

Poderia ser a névoa heroica sobre ele que a fazia achar que ele era sinônimo de proteção. Porque ele tinha isso nele, essa força protetiva, mais forte que um Protego.

Ter um pai preso e estar sendo ameaçada faz qualquer um sentir medo e impotência, considerando o fato da lembrança fantasmagórica da guerra, morte e um rancor das pessoas. Entretanto, ela odeia se sentir impotente e com medo, e ela culpa seu pai por isso, era dever dele protegê-la na época da guerra, também culpa sua mãe por deixá-la sozinha após tudo, e culpa Draco por fazê-la sentir que poderia ser descartável mais fácil que uma pena ou uma varinha. E principalmente culpa a si mesmo por sentir fragilidade, medo ou a atração por Potter.

Ela foi estúpida em acreditar que o sexo casual podia prevalecer sobre as diferenças e o passado. Harry Potter não estava mais olhando para ela com desejo e ela percebeu tarde demais que havia se apegado aos momentos que eles haviam tido.

Esqueça! Repete ela para si mesmo.

Infelizmente, esses momentos geraram consequências por simples detalhes que passaram despercebidos pelo seu olhar atento.

Aviso: O excesso de consumo de bebida alcoólica, dependendo da bebida, poderá cortar o efeito contraceptivo dessa poção. Indicado não ingerir com bebidas mágicas principalmente vinho de nabos mágicos.

Ela adoraria ter tido acesso a essa informação um mês atrás. Ela odeia a si mesmo agora.

— Você está parecendo a Granger com a cara presa nesse livro. – comenta Daphne sentando-se ao lado dela no sofá. – Se eu fazer uma pergunta você vai levantar a mão rapidamente para responder também.

Pansy ri do comentário fechando o livro discretamente para que Daphne não tenha a oportunidade de ver sobre o que ela estava lendo.

Ela e Daphne tinham o costume de ridicularizar a irritante Granger e a sua imensa necessidade de ter a aprovação dos professores quando tinham alguma aula em conjunto com os alunos da Grifinória, é claro que elas faziam isso por trás do olhar de Granger, Daphne fazia. Pansy não ligava em fazer isso para própria Granger.

Tanto Daphne quanto ela sabiam que a garota tinha talento, o que a mãe de Pansy gostava de esfregar na cara dela diariamente, mas o que ela não suportava era como qualquer coisa que Granger fazia mereceria uma premiação e aplausos, mesmo que outros alunos fizessem igual, o que realmente tornava especial é que Granger fazia. Ela não nega que sentia inveja, uma nascida trouxa fazendo coisas melhores que crianças que nasceram no berço mágico era uma coisa difícil de engolir e injusta no seu ponto de vista.

Com tudo o que aconteceu, ela aprendeu uma coisa que mudou sua vida. Ridicularizar Granger não faria ela receber os mesmos aplausos e premiações, se ela desejaria ter a mesma bajulação a tática era copiar alguns comportamentos para aperfeiçoar seus próprios talentos ou simplesmente ignorar a existência da Granger, o que vêm dado certo até os dias de hoje.

— Desculpe McGonagall, estou estudando para as milhares de matérias que me inscrevi esse ano. – copia Pansy o mais próximo possível o jeito da fala de Hermione. – Pois eu quero continuar sendo uma sabichona irritante.

— Não se preocupe senhorita Granger, continue estudando. – copia Daphne a professora McGonagall. — Dez pontos para Grifinória por você estar estudando, e mais dez pontos para Grifinória pelo o senhor Weasley ser ruivo e mais dez pontos pelo o senhor Potter usar óculos.

As duas dão risadas. Zombar do Trio de ouro era uma das coisas que elas amavam fazer.

— Para que isso? – pergunta Pansy indicando o molde de trevo de três folhas e de quatro que ela tem em mãos.

Com a chegada de um feriado famoso, o dia de São Patrício, como Daphne explicou, a pousada novamente está se redecorando para atrair hóspedes que irão participar das festividades e desfiles perto da costa. Tudo na pousada está se tornando verde, até a comida é verde ou é inspirada na comida Irlandesa.

— Vou colocar todos em uma linha e perdurar na porta. – explica Daphne mostrando o restante dos trevos cortados. – Vai ser como uma cortina para porta.

— Isso não parece um mascote de um time de quadribol? – pergunta Astória estendendo a imagem de um homem pequeno com barba ruiva e vestido de verde, um típico duende irlandês.

— Quadribol? – Grace surge segurando um arco íris feito de papel colorido. – O que é quadribol?

É engraçado a maneira que Daphne trava pensando em uma resposta adequada para a pergunta.

— É como chamamos o futebol em casa. – desvia Astória.

— Que estranho! – Grace curiosamente aceita a resposta e vai até a lareira prender o arco íris.

Daphne pisca para Astória antes de ela se juntar a Grace na lareira.

— Ela parece estar melhor. – repara Pansy observando Astória rindo pelo duende ter despencado depois que ela prendeu na lareira. – As poções que eu fiz estão fazendo efeito.

Na verdade, Astória tem dias ruins e bons, alguns ela passa o dia vomitando e não tendo força para sair da cama e outros ela está bem o bastante para andar e comer.

Daphne assisti a Grace e Astória atentamente, a linha reta em seus lábios é legível para se entender que a situação de Astória está longe de agradá-la.

— De todas as coisas estúpidas que Draco já fez, essa é a que realmente me faz querer enfeitiçar as bolas dele. – manifesta Daphne baixo só para que Pansy ouça. – Ainda não consigo acreditar que Tori possa realmente achar que morrer para dar um filho para Draco é melhor do que estar ao lado dele, é melhor do que viver.

Pansy não compreende a relação de Astória e Draco. Ela nem sabe direito como e quando tudo começou, mas algo está nítido para ela, o que eles têm é algo que ela e Draco nunca tiveram e nunca teriam. A criança que Astória carrega não é resultado de uma noite de bebedeira ou falta de atenção as poções contraceptivas, é o desejo de iniciar uma família. Ela viu isso pela fresta da porta entreaberta quando por acaso pegou Draco e Astória em um de seus momentos particulares.

Astória estava em frente ao espelho se arrumando, escolhendo uma roupa em seus dias bons quando se atentou a sua barriga ainda imperceptível e levou a mão para acariciar. Logo depois, Draco que estava em algum canto no quarto, talvez deitado na cama ou se arrumando parou atrás dela e transferiu seu olhar para sua barriga também e cautelosamente colocou sua mão sobre a dela. Os dois se olharam pelo espelho e um entendimento mútuo foi dado, antes de Draco beijar a nuca dela e se afastar.

Pansy abaixa seu olhar para baixo, para seu estômago que visivelmente não há nada de incomum, mas ela sabe que da mesma forma que Astória carrega uma criança, sob seu casaco está seu filho ou filha, seu e de Potter. Essa nova adição ainda não caiu sobre ela como realidade, depois da descoberta ela ficou dias em negação e continuou encarando o trigo para ter a confirmação de aquilo não era uma alucinação. Ela procurou nos livros e fez vários questionamentos para Astória sobre a eficácia e a margem de erro do trigo para todos confirmarem que ela está realmente grávida.

— Minha mãe lutou tanto para que ela pudesse ter uma vida longa. – murmura Daphne. – Do que adianta ter um filho se ela não poderá vê-lo crescer.

— Vocês querem alguma coisa para comer? – pergunta Grace satisfeita admirando sua decoração na lareira. A decoração composta de trevos, um arco íris com o duende descendo por ele e um pote de ouro aos pés da lareira, ou melhor chocolate embrulhado com papel dourado. – Estou com fome. Talvez minha mãe já tenha terminado de fazer alguma coisa.

— Tori? – Daphne se levanta do sofá indo até Astória que está de costas para elas se apoiando na parede da lareira.

Daphne e Grace encaminham Astória para o sofá ao lado de Pansy, amassando alguns trevos ao ela se sentar. Astória mantém seus olhos fechados com uma respiração profunda.

— Deve ser fome. O bebê deve estar com fome – brinca Grace docilmente acariciando os cabelos castanho de Astória. – Vou pegar algo de comer para nós.

— Você está bem? – pergunta Daphne para Astória quando Grace se retira.

— Sim, só estou com pouco de falta de ar.- afirma ela abrindo os olhos. – E um pouco tonta. Você pode não fazer isso!

Pansy se surpreende com a mudança brusca do tom de voz de Astória que está mais para um exigência do que um pedido.

— Fazer o quê? – questiona Daphne. – Fingir que não é a gravidez que está te deixando mais fraca a cada dia que passa. Fingir que você não pode ter uma hemorragia no parto ou a qualquer momento.

— Eu não vou mais determinar a minha vida baseada numa previsão mal feita do futuro! – exclama Astória firme. – Isso já tirou muito de mim, além disso, eu vou morrer de qualquer jeito. Não vou deixar de ter algo que desejo, por causa disso.

Pansy fica confusa com a declaração de Astória.

— É Tori, mas você está antecipando isso. – rebate Daphne. – A gravidez está.

— Meu filho ou filha está. – completa Astória levando a mão a barriga. – Seu sobrinho ou sobrinha está.

Daphne parece ter perdido qualquer argumento que teria após isso. Ela encara fixamente a irmã em silêncio, somente a aparição de Draco na sala a faz desviar atenção para ele. Diferente dos últimos dias o olhar não é de censura ou desprezo, há uma suavização dessa vez.

— Aconteceu alguma coisa? – pergunta ele indo até Astória.

— Vocês já ouviram falar do trem fantasma? – Grace saí da cozinha carregando uma bandeja de comida quando nota Draco. – Ah, que bom que você desceu. Eu trouxe a cerveja para experimentarmos.

O clima tenso da sala parece se dissipar com a presença de Grace que coloca a bandeja de comida na mesa de centro e vai distribuindo para todos, menos para Astória, os copos de cerveja verde. Pansy aceita mesmo ciente que não irá beber.

— Temos peixe frito e batatas fritas com um molho tártaro. – Grace indica para a comida na bandeja. – É só pegar e passar no molho e comer.

Todos demoram para começarem a se servir. Pansy curva a boca pensando no cheiro e no gosto do peixe que com certeza ela irá expelir para fora.

— Como eu estava dizendo, aqui na cidade tem uma lenda de um trem fantasma. E eu posso jurar que já ouvi o barulho do trem fantasma. – conta Grace mastigando um pedaço de peixe. – Eu ouvi alto e claro o trem, mas não vi nenhum trem. Minha mãe falou que um cliente que veio fazer uma consulta sobre o futuro também disse que já ouviu, só que não aqui em outro lugar.

Pansy conseguiu pegar o sorriso de Draco por detrás do jornal trouxa que ele agarrou para ler enquanto experimenta a cerveja.

— Também um dia pude jurar que vi uma foto do jornal que meu falecido padrasto costumava ler se mexer e o cliente disse a mesma coisa.

Pansy franze a testa. Ela desconhece essa informação.

— Grace, querida. – interrompe Daphne. – Talvez tenha sido sua impressão.

— Ou talvez fosse mágica. – acrescenta Draco recebendo um empurrão discreto de Astória que se sentou ao lado dele no outro sofá para comer.

— Sim, eu acredito em mágica e em fantasmas. – concorda Grace animada. – Menos naquele cara que faz mágica perto da praia. Eu sei que são truques para arrancar dinheiro dos turistas. Falando sobre isso, alguém quer que eu preveja o futuro? Ou leia as mãos? A cartas de trabalho da minha mãe estão ali.

— Grace...

— Eu quero. – oferece Draco com os olhos brilhando de brincadeira.

— Tudo bem, deixa eu pegar. – Grace some para cozinha.

— Draco! – ralha Daphne.

Grace retorna com as cartas em mãos já embaralhando elas. Ela se assenta no chão e usa a mesa de centro, afastando a bandeja de comida.

— Vamos lá, mentalize o que quer saber sobre o futuro. – cantarola Grace antes de puxar uma carta e colocá-la na mesa. — Vejo uma noiva no seu futuro.

Pansy sempre odiou as aulas de adivinhação por algumas coisas não fazerem sentido para ela e para o resto dos alunos da Sonserina. Por isso, ela nunca se esforçou na matéria, além de não acreditar muito.

— Sério?!– murmura Draco com sarcasmo recebendo um olhar mortal de Daphne.

— Grace vê o futuro de outra pessoa. – sugere Daphne pegando a carta e devolvendo para ela. – Prever o dá Pansy.

Grace confusa embaralha as carta novamente.

— Mentalize o que quer saber sobre o futuro. — Ela puxa uma carta e passa minutos fixamente encarando a carta.

— Não consigo ver. – fala ela colocando a carta no baralho. – Que tal eu prever o sexo do bebê de Astória.

— Pode ser. – concorda Astória ao Daphne, Draco e Grace olharem para ela.

Grace embaralha mais uma vez as cartas e arranca uma.

— Menino.

Astória sorri para Draco que está desacreditado.

— Que tal eu fazer uma mágica, mágica real. – Draco se levanta do sofá largando o jornal e a cerveja. – Eu sou muito bom nisso.

— Draco, não. – adverti Daphne forte.

Draco ignorando completamente Daphne pega um trevo cortado no papel verde.

— Eu vou fazer esse trevo flutuar. – explica ele para Grace que está concentrada e entusiasmada com o que ele vai fazer.

Pansy segura o riso quando ele faz o trevo flutuar centímetros da palma de sua mão. Daphne morde o lábio em ódio e Astória cobre os olhos com uma mão acenando com a cabeça negativamente.

— Como você fez isso?! – exclama Grace admirada.

— Chega de previsões e mágica por hoje. – corta Daphne se levantando e agarrando o trevo flutuante. – Hoje foi um dia cansativo e todos precisam descansar, principalmente a Tori.

Astória se levanta também e acena em negação para Draco, apesar de estar sorrindo. É engraçado e prazerosos saber de coisas e fazer coisas que trouxas não sabem e não podem fazer e poder tirar proveito disso.

Pansy está no primeiro degrau da escada quando Grace chama seu nome. Ela se vira para presenciar a cena de Daphne jogando uma almofada do sofá em Draco e Grace chegar tão próximo dela que ela acha que irá receber um beijo.

— É um menino. – sussurra Grace no ouvido direito dela.

Pansy arregala os olhos enquanto ela se afasta.

Pansy não consegue cair no sono. Não depois do que Grace disse.

Ela se move para encontrar alguma posição confortável para finalmente dormir. Controlando a respiração, focando do calor do cobertor ela espera que tudo se torne mais distante e sonhe.

Ela não deve considerar a previsão de Grace como uma possível realidade, Grace é uma trouxa, não tem poder para conseguir prever o futuro, nem todos bruxos tem essa capacidade e uma trouxa seria capaz. Impossível!

No entanto, como Grace saberia que ela está grávida? Ela não contou para ninguém. Contar sobre a gravidez a tornaria real, para ela e para os outros. Ela teria que explicar como acabou engravidando do arrogante Potter. Como acabou se enfiando ainda mais no fundo do poço. Astória poderia ter deduzido pelas perguntas e contado para Daphne que contou para Grace? E a citação do jornal do padrasto dela?

Pansy fecha os olhos com força para se obrigar a dormir e parar com os pensamentos e questionamentos. Ela ouve os passos no corredor, o vento ao lado de fora da janela e sua própria respiração. Então ela fica ciente que não irá dormir, não sem a poção do sono, a qual ela não tem mais ingredientes para fazer.

Ela calça os chinelos e veste o roupão. O inverno pode estar em sua fase final, porém a temperatura a noite ainda arrepia seus braços. Ela estuda o corredor antes de atravessá-lo e descer as escadas. Talvez um chá a ajude a dormir.

Astória está encostada na porta da cozinha aberta que dá saída para o jardim segurando uma xícara fumegante e enrolada numa manta rosa sendo iluminada pela luz da lua. Ela sorri quando vê Pansy, mas o sorriso não alcança seus olhos.

— Não consegue dormir? – pergunta ela.

Pansy assenti com a cabeça.

— Chá? – oferece ela.

Pansy adentra a pequena cozinha completamente e pega uma xícara para se servir. Ela pega as folhas de camomila e despeja a água fervente. Um estrondo no andar de cima a faz interromper o processo de preparação do chá.

— É o Draco. – diz Astória admirando a escuridão do jardim. – Ele deve estar tendo um pesadelo.

— Draco tem pesadelos? – estranha Pansy se aproximando dela com o chá.

— Sim, ele geralmente não me conta sobre o que são. – responde Astória brincando com a tira que prende a sua trança. – Mas sei que são sobre o Lorde das trevas, sobre o tempo dele como Comensal da morte.

Não é um incomum. Não há um bruxo da Inglaterra que pelo menos uma vez não tenha tido pesadelos com o Lorde das trevas.

— Você também teve um pesadelo? – pergunta Pansy se apoiando na pia.

Astória nega com a cabeça bebendo um gole do chá.

— Eu acho que tive um desejo. – conta ela com um sorriso singelo. – Eu senti uma vontade imensa de comer feijõezinhos de todos os sabores com sabor cola de envelope. Como não tenho como comprar no momento resolvi vir tomar um chá.

Pansy enruga a cara ao saber do sabor fazendo Astória soltar uma risada.

— Espero que meu filho não fique bravo comigo. – comenta Astória mansa.

— Você acredita que é realmente um menino? – questiona Pansy querendo obter uma negação. Se Astória dissesse que não acredita, inexplicavelmente a deixaria mais tranquila sobre o que Grace havia dito.

— Eu tenho essa impressão de ser um menino. – Astória leva a mão para acariciar o estômago por cima da camisola. — Eu procuro não acreditar em previsões, principalmente as feitas por trouxas. Mas gostaria que fosse um menino.

Pansy se recorda da fala dela na sala de estar sobre a previsão do futuro.

— Sobre a previsão mal feita do futuro, o que isso significa?

Astória tamborila os dedos na xícara virando o corpo completamente na direção de Pansy.

— Não sei se você se lembra como meu pai sempre dava festas e bailes na Mansão Greengrass. – conta ela. – Ele convidava circo mágico, bruxos artistas e uma vez convidou uma bruxa vidente para ser a atração da festa. Eu era um bebê quando ela me viu pela primeira vez e então ela fez uma previsão ou profecia, eu não me lembro. Ela disse algo como aquilo que meus pais prezavam iria se tornar uma maldição e que eu morreria engasgada com o meu próprio sangue expelido pelo meu corpo, e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir.

Astória arruma a manta em seus ombros encostando a cabeça no parapeito da porta

— Minha mãe entrou em uma obsessão e começou a procurar maneiras de impedir. Ela interpretou que meu sangue que seria a maldição. – relata Astória. – Ela procurou curandeiros, bruxos cientistas e estudiosos, mas não havia nada que eles pudessem fazer já que não achavam o que estava de errado. Minha mãe é uma mulher que nunca desiste e insistiu que conseguiria me proteger contra a maldição que se tornaria meu sangue e foi quando ela acabou me “envenenando”, envenenando meu sangue acidentalmente.

Astória assiste o chá girando na xícara enquanto ela balança.

— Ela meio que acabou tirando toda “imunidade” do meu sangue, por isso sempre fico doente. – explica ela. – As poções são o que sustentam meu corpo, mas não sei quanto tempo ele continuará respondendo bem as poções, quando tempo meus órgãos irão continuar a aceitar o meu sangue. Curandeiros e medi-bruxos já tentaram de tudo e não encontraram uma cura ou reversão para sangue envenenado por poções e feitiços, então aconteceu o que a bruxa vidente previu, minha mãe amaldiçoou meu sangue, aquilo que ela prezava. Por isso, eu procuro não acreditar em previsões elas são confusas e pode significar várias coisas.

— Mas e aquela história sobre a maldição que jogaram em vocês? – Pansy tinha ouvido sobre isso uma vez por Daphne e não tinha prestado muita atenção na época.

— Minha mãe inventou. – revela Astória. – Ela se sentiu culpada e preferiu inventar isso para que eu não ficasse zangada com ela. Eu só descobri quando deserdaram a Daphne permanentemente, quando meus pais discutiram sobre como Daphne estava profanando o sangue puro da família, eles acabaram deixando escapar sobre como já tinham feito isso comigo. Na verdade, meu pai acusou minha mãe de amaldiçoar o próprio sangue e eu acabei ouvindo e eles tiveram que me contar a verdade.

Pansy não fala nada. Não há algo que ela possa falar, embora ela entenda um pouco sobre conflito familiar e mães instáveis que não seriam modelo de mãe para ninguém.

— Quando eu descobri fiquei furiosa e quis ir embora com a Daphne e foi quando Draco disse que eu poderia ficar com ele.

— Então ele sabe sobre essa história? – pergunta Pansy percebendo depois o quão ridícula foi a pergunta. Claro que ele sabe.

— Eu só contei para ele depois de descobrir essa gravidez. – Astória finalmente retorna o olhar para Pansy. – Eu não sei porque demorei tanto para contar, eu só não me sentia bem contando tudo e fazê-lo saber que talvez nunca teríamos filhos por causa da minha mãe, por causa do meu sangue, por causa de mim. Talvez, eu tenha achado que ele me abandonaria e nunca se casaria comigo se soubesse que eu nunca poderia dar filhos para ele. Aquela educação que recebemos ficava ressoando na minha mente, me lembrando o quanto eu não estava cumprindo o meu papel como bruxa pura em povoar o mundo com pequenos bruxos, dar continuidade a linhagem bruxa.

Pansy bufa zombando o quanto da metade dessa educação era desnecessária para crianças e adolescentes bruxos. Crianças bruxas não deveriam ser preocupar em gerar filhos bruxos, não quando elas não tem idade suficiente para entender como se faz isso ou o que realmente significa dar continuidade a linhagem, não quando eles ainda estão aprendendo a fazer a magia básica, não quando eles nem são adultos.

— Você disse essa gravidez? – Pansy pergunta para confirmar. – Houve outras?

— Eu tive uma outra gravidez antes dessa, o bebê era muito pequeno para eu chegar a descobrir que estava tendo um aborto. Aliás, eu nem sabia que conseguia engravidar. – Astória funga retornando o olhar para xícara. – Eu só soube que tive um aborto, porque eu sangrei muito mais do que o normal e acabei tendo que ser atendida por um curandeiro. Foi quando o curandeiro disse que eu poderia engravidar, mas talvez eu nunca chegaria a levar uma gravidez até o fim, e se eu chegasse ao fim eu poderia morrer antes ou depois do parto.

Pansy se comove um pouco com a história. Ela já tinha visto o estado que sua mãe ficava depois de abortar, ela imagina Astória num estado muito pior levando em consideração sua saúde.

— Mas o seu sangue envenenado não vai afetar o bebê? – Pansy assopra seu chá.

— Não, afeta mais a mim do a ele, ele está protegido na minha placenta. Eu sei que é loucura e arriscado. – confessa Astória e como prova do perigo da sua situação uma gota de sangue escorre pelo seu nariz. – Mas eu quero muito ter esse filho para amá-lo, viver pensando em algo além da morte e dar alguém para Draco amar quando eu for embora, uma parte de mim. Eu sei que Draco está feliz, ele só está com medo, como eu também.

Astória puxa um lenço da manga da camisola e limpa o nariz.

Agora Pansy está incomodada, é a primeira vez que uma conversa entre ela e Astória entra nesse nível de profundidade. Sua família e amigos evitam chegar ao um nível tão íntimo em qualquer conversa, sempre foram ensinados a guardar seus medos e desejos para si para que ninguém pudesse saber demais e usá-los contra você. Esse tipo de conversas exigem trocas de informações, e ela não está disposta a falar sobre uma coisa que elas tem em comum no momento.

Falar que como para ela foi fácil engravidar, como a possibilidade de ela conseguir levar a gravidez até o final é muito maior do que Astória e que os únicos pensamentos que passam em sua cabeça é o desejo que nada tivesse acontecido e que tudo fosse só um engano a tornaria bem egoísta e insensível depois do relato de Astória. Em vista disso, ela faz isso:

— Um brinde ao bebê Malfoy e Greengrass. – levanta Pansy a xícara. – O futuro do mundo bruxo.

Astória solta uma risada erguendo sua xícara também.

— Você já conseguiu coletar todas as informações que precisa do trigo florescente? — pergunta ela deixando sua xícara na pia após beber todo o chá.

Pansy volta a tomar o chá em sua xícara.

— Ainda não. – responde ela disfarçando engolindo a seco o chá. – Tem muitas propriedades do trigo que podem ser usadas em poções. Tenho que estudar cada uma especificamente.

O ruído de uma porta sendo aberta corta a conversa, o que Pansy agradece. Talvez fosse Draco ou Daphne procurando-as.

No entanto, não há barulho de ninguém descendo as escadas, mas há o som de pés rastejando na madeira lentamente. Tem alguém no andar debaixo.

Sussurros, há sussurros como se estivesse duas pessoas conversando em segredo. Porém, só uma pessoa para em frente à entrada da cozinha usando a escuridão do outro cômodo como sua aliada para não ser identificada, somente sua silhueta está visível.

Com movimento lento Pansy vai levando a mão ao bolso do roupão confirmando se sua varinha está lá, o que Astória parece estar fazendo o mesmo. Com sua vida sendo ameaçada não é exagero levar a varinha para qualquer lugar que for.

— O que você quer? – Pansy abandona a xícara na pia e com a varinha já presa entre seus dedos ela caminha cautelosamente mais próximo, dialogando com Astória com um olhar. – Lumos!

Ela solta um suspiro de alívio quando vê que se trata da avó de Grace com seu gorro de crochê e suas pantufas.

— Senhora, precisa de alguma coisa? — pergunta Pansy para senhora já guardando a varinha. A idosa parece estar num transe seus olhos estão abertos, mas estão sem foco e sua boca se move falando algo num tom baixo e incompreensível.

Astória se aproxima também analisando a idosa na claridade da cozinha após encontrar o interruptor e acender a luz.

— Vou chamar a Daphne. – avisa Astória passando pela idosa para ter seu braço agarrado por ela.

— Olhe e escute os espelhos. — pronuncia a idosa com a voz mais grave e sussurrada, como estivesse duas pessoas falando ao mesmo tempo. Suas íris pretas dilatadas encaram fixamente os olhos de Pansy e sua mão segura firmemente o braço de Astória. – Eles sempre avisarão.

Astória fica estática no lugar e Pansy mal respira com os olhos que estão vidrados nos seus. A escuridão do outro cômodo deixa a cena muito mais assustadora do que seria em um ambiente claro.

— Hulda! – a mãe de Grace surgi na sala de jantar acendendo a luz. – Desculpe, meninas. Ela tem demência.

A pressão dos dedos da senhora se vai no braço de Astória e a mãe de Grace a orienta cautelosamente para retornar ao quarto. Pansy ainda não ousa mover algum músculo, ela está congelada no lugar.

O que tinha acabado de acontecer?

Notas finais
- Eu não sou experiente em leitura de cartas. Só para vocês saberem. kkkk — Numa pesquisa que fiz encontrei uma história de trem fantasma em Hunstanton, mas não tinha nada de assustador. — Desculpem qualquer erro.