A humanidade de Renesmee
15 Primeiras Impressões
O pátio da escola estava preenchido com o barulho característico de primeiro dia: alunos reencontrando amigos, professores se posicionando com pranchetas nas mãos, e os novatos... tentando não parecer perdidos. O diretor subiu em uma pequena estrutura de madeira montada ao lado da bandeira da escola e bateu duas palmas, chamando atenção geral.
— Sejam bem-vindos! — disse com entusiasmo. — Alunos novos, por favor, fiquem do lado direito do pátio. Vocês serão divididos em grupos com monitores veteranos para conhecerem o colégio, as normas e suas respectivas turmas.
Renesmee caminhou ao lado de Edward e Emmett, segurando sua mochila com as duas mãos, os olhos tentando absorver tudo ao redor.
Cinco grupos foram formados. Os Cullen, como de costume, cuidaram para que nenhum deles estivesse sozinho, sabiam que entrar em uma escola nova sempre levantava suspeita. No grupo 3, Renesmee ficou ao lado do “irmão mais velho” Emmett e de Edward.
— Grupo 3, comigo! — disse uma voz alegre, que veio de uma garota de cabelos ruivos em um rabo de cavalo alto, usando uma jaqueta da escola com orgulho. — Eu sou Cíntia, monitora líder do grêmio estudantil e responsável pela integração de vocês. Vamos?
Enquanto andavam em direção ao prédio principal, Cíntia não parava de falar.
— Vocês vão amar aqui. Temos um grêmio ativo, clube de fotografia, teatro, ciência e claro... os jogos! Futebol, vôlei, atletismo. Você pratica algum esporte, Emmett?
— Digamos que sim... — respondeu ele com um sorriso maroto.
Renesmee bufou baixinho, revirando os olhos, mas não pôde evitar o leve calor nas bochechas quando Cíntia se virou diretamente para ele, rindo e claramente interessada.
— Uau, você parece forte. Tipo, forte mesmo. Joga futebol americano?
Edward deu um pequeno pigarro do lado, discreto. Renesmee notou.
Cíntia não parava.
— E vocês são... irmãos? — apontou para Emmett e Edward. — Tipo... todos esses Cullen... moram juntos?
— Família adotiva — respondeu Edward com sua voz calma, porém firme. — Nossa mãe é arquiteta, nosso pai é médico.
— Tipo “Juntos e Shallow Now”? — brincou Cíntia, rindo.
Renesmee franziu o cenho. O que essa garota tem?
Emmett respondeu apenas com um sorriso e um flexionar de ombro que quase rasgou a manga da camisa social. Renesmee notou. Cíntia também.
“Ela está tentando ver se ele é solteiro… E se ele fosse, seria mais velho que o pai dela…”, pensou Edward, quase inconscientemente. Seus olhos cortaram o ar com um brilho irônico enquanto lia a mente empolgada de Cíntia.
— Eu não sabia que adotavam irmãos tão... lindos — disse Cíntia olhando para os dois com um brilho sugestivo. — Quantos vocês são?
— Sete, ao todo — respondeu Edward com polidez.
— Uau. Que casa enorme deve ser essa, né? E você — agora olhando para Renesmee —, é a caçula?
— Tecnicamente, sim — respondeu a garota, tentando não parecer irritada.
— E você tem quantos anos?
— Quinze.
— Parece mais velha — soltou Cíntia, analisando-a.
Edward observava a garota com um leve arqueamento de sobrancelha, captando cada pensamento inconveniente que passava pela mente da monitora. O interesse por Emmett era escancarado, mas ela também estava determinada a entender que tipo de família era aquela. E Renesmee já estava perdendo a paciência.
— Cíntia, você sempre faz um interrogatório no primeiro dia? — perguntou Emmett, tentando aliviar o clima.
— Só com os interessantes — piscou a garota, encarando-o de novo.
Edward quase suspirou alto.
O passeio continuou: biblioteca, refeitório, quadras, bloco dos laboratórios. Cíntia explicava as regras com uma animação que contrastava com o desconforto crescente de Renesmee. A garota já não conseguia mais fingir o incômodo com as perguntas, nem com o jeito que ela olhava para Emmett. Em dado momento, Edward colocou a mão no ombro da filha discretamente.
— Respira — murmurou baixinho. — É só o primeiro dia.
— Pai… ela está quase babando. — Renesmee sussurrou de volta.
— Acha que eu não percebi?
Eles riram baixo, e Emmett, ouvindo a conversa que nenhum humano ouviria, apenas sorriu com superioridade, e disse: Estou acostumado com isso.
Cíntia então explicou a regra de horários, limites de uso de celular, e o fato de que cada um deles teria de escolher uma atividade extracurricular obrigatória até o fim da semana.
— Ah, Emmett, você com certeza vai estar no time de atletismo. Não aceito não como resposta — disse ela, entregando um panfleto do clube de esportes.
Renesmee o puxou discretamente pelo braço, baixinho:
— Se aceitar, eu nunca mais falo com você.
— Calma, baixinha — sussurrou ele de volta, dando uma piscada.
Edward limpou a garganta, num som claro de censura.
O passeio chegou ao fim, e Cíntia distribuiu os formulários finais.
— Bem-vindos oficialmente! A escola está de portas abertas. Qualquer dúvida... podem vir até mim. Todos vocês. — Ela lançou outro olhar em Emmett.
— É bom saber — respondeu Edward, desta vez com uma voz firme, e um meio sorriso que, para quem prestasse atenção, dizia: Se cuida, garota.
Cíntia se despediu e seguiu para seu próximo grupo.
Edward virou-se para a filha.
— Primeira impressão: humana demais?
— Humana, insuportável e inconveniente demais. — Renesmee cruzou os braços. — Mas pelo menos eu vi o lado bom de ser vampira. Se eu tivesse audição fraca, teria perdido metade da babação.
Eles riram. Emmett passou o braço pelos ombros da sobrinha, carinhosamente.
— Bem-vinda ao mundo real, Nessie. Você vai adorar. Ou não. Mas a gente sobrevive.
— Falou o cara que já foi confundido com segurança da escola em outras cidades.
— Segurança, professor de luta livre, modelo fitness… acontece.
Edward encarou os dois com um olhar de leve reprovação, mas seus olhos denunciavam o carinho. Era só o primeiro dia, e Renesmee já estava colhendo histórias para lembrar por décadas.
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