A humanidade de Renesmee

17 Caos Mental em Volume Alto


O sinal tocou novamente, dessa vez marcando o fim do turno da manhã. Renesmee saiu da sala com passos contidos, quase inseguros. Mesmo com toda a preparação, simulações, falas ensaiadas e o suporte dos tios e pais, nada — absolutamente nada — a preparara para a enxurrada sensorial da escola.

A mistura de vozes, cheiros, toques acidentais nos corredores, risadas altas e pensamentos barulhentos ao redor a deixava zonza. Tudo era mais. Mais gente. Mais emoção. Mais barulho. Mais confusão.

Assim que pisou no pátio, avistou Edward encostado em uma das colunas da escola, com os braços cruzados e a expressão em modo “pai vigilante”. Ao lado dele, Emmett equilibrava uma maçã em um dedo só, completamente alheio à tensão do ambiente.

— Oi — ela disse, se aproximando.

— Como foi a aula com o Jasper? — perguntou Emmett, ainda olhando para a maçã. — Aposto que ele foi todo formal e dramático.

— Foi tudo bem… — respondeu Nessie, desviando o olhar.

Edward não disse nada por alguns segundos. Ele apenas a olhava.

— O que foi? — ela perguntou, desconfiada, franzindo o cenho.

Ele sorriu, lentamente. Um sorriso de quem sabe demais.

— Sabe que eu tento não invadir seus pensamentos. Dou o meu melhor, juro. Mas você está gritando por dentro, Nessie. Seu cérebro é praticamente um cinema com Dolby Atmos.

Ela arregalou os olhos.

— Pai!

— Calma — disse ele, levantando as mãos. — Não estou bravo. Mas preciso admitir que o "crush" no Emmett foi um pouquinho... desconcertante.

Emmett, que até então estava distraído, girou o rosto em direção aos dois, confuso.

Eu? — ele apontou para si, surpreso. — Você tá falando de mim? Que crush?

— Nada, esquece. — Renesmee virou de costas, cobrindo o rosto com as mãos. — Não acredito que isso está acontecendo.

— Foi só um pensamento passageiro, Nessie — Edward disse, agora num tom mais gentil, quase contido. — E eu entendo. Você está em um ambiente novo. Tudo pulsa. Tudo é intenso. Mas você precisa manter o foco. Está tudo à flor da pele.

— Eu não sabia que ia ser tão difícil... — disse ela, com um tom quase abafado, como se a confissão doesse. — As pessoas, as vozes, os cheiros, os sentimentos. É como se o mundo todo gritasse ao mesmo tempo. E eu… não sei onde eu estou no meio disso.

Edward olhou para ela com uma ternura profunda. Sua expressão, que tantas vezes era distante, parecia agora mergulhada em empatia.

Ele passou um braço pelos ombros da filha e a puxou suavemente para o lado.

— Você está entre dois mundos, minha pequena. E ninguém melhor do que você para construir essa ponte. Mas não precisa fazer isso sozinha. Nós estamos aqui. Sempre.

Emmett se aproximou e bagunçou os cabelos dela com carinho.

— Eu entendo, sabia? Quando me transformei, parecia que o mundo inteiro era um show de rock dentro da minha cabeça. Você vai se acostumar.

Renesmee respirou fundo. A voz de seu pai, baixa e constante, continuava a sussurrar conforto em seu ouvido, mesmo que ele não dissesse mais nada. Ele conhecia cada pensamento. Cada angústia. E, diferente do que ela esperava, ele não a julgava. Apenas a compreendia.

— Vamos pra casa? — perguntou Edward.

— Por favor. Preciso de silêncio. E talvez um travesseiro pra gritar.

— Pode gritar no meu peito se quiser, irmãzinha — Emmett brincou, já abrindo os braços.

Ela riu pela primeira vez desde o início da manhã.

- onde esta a mãe, tia Rose, tio Jasper e tia Alice?

-Eles irão no outro carro, Jasper tem que pegar um documento na secretaria- Respondeu Emmett

Edward, ainda sorrindo, a conduziu até o carro estacionado na sombra. Quando entraram, ele ligou o motor e disse calmamente:

— Ah, e só pra constar… talvez conversar com a Margo mais tarde ajude a organizar seus sentimentos. Humanos podem nos surpreender.

— Pai…

— Sim?

— Você vai parar de ler minha mente algum dia?

— Claro que sim. No dia em que você aprender a não pensar tão alto.

Ambos riram juntos, e o carro arrancou pela estrada. Atrás, a escola sumia, mas as emoções do primeiro dia ficavam vívidas na mente de Nessie. Era o início de algo grande — e confuso — mas ela não estava sozinha.