A humanidade de Renesmee

18 Primeiras Impressões, Primeiras Conexões


A casa estava mais viva do que o habitual quando os carros dos Cullen chegaram, quase simultaneamente, à longa garagem escondida entre as árvores. O sol já se punha no horizonte, e a luz alaranjada do crepúsculo se misturava com os brilhos delicados das vidraças da residência.

Renesmee desceu do carro com passos mais pesados do que o normal. Parecia que as poucas horas que passou na escola tinham drenado toda sua energia emocional.

Ao entrar, encontrou a sala já ocupada por boa parte da família, todos dispersos mas atentos, como se já soubessem que era hora de discutir “o assunto do dia”: a estreia da híbrida na vida humana.

Carlisle estava com um livro aberto no colo, mas o fechou ao vê-la entrar.

— Está bem, Nessie? — perguntou gentilmente, dando um espaço para que ela se sentasse ao lado.

— Cansada… e zonza. — Ela se jogou no sofá, fechando os olhos.

— Isso é normal, filha. — Bella apareceu logo em seguida, colocando uma mão delicada nos cabelos da menina. — Seu cérebro viveu mil coisas hoje.

— Mais de mil, na verdade — completou Edward, entrando logo atrás e jogando a mochila que só carregava por convenção sobre uma das poltronas. — O fluxo mental dentro daquela escola é caótico. Eu fiquei exausto só de ouvir o que os adolescentes pensam o tempo todo.

— E ainda reclamam da gente, que somos o "time estranho dos adotados" — murmurou Emmett com um riso.

Rosalie apareceu, impecável como sempre, com uma expressão levemente preocupada.

— E a menina… Margo, certo? — perguntou ela, olhando diretamente para Edward.

— Sim — ele respondeu com um aceno leve. — Coração bom, um pouco solitária. Muito perceptiva.

— Eu já dei uma olhada nela — disse Alice, descendo as escadas devagar, como se não quisesse interromper o momento. — E sim… vocês vão ser boas amigas. Ela vai ser importante nessa nova fase.

Renesmee abriu os olhos, surpresa.

— Sério?

— Sério mesmo. E antes que você pergunte: não, ela não descobre nada. Mas ela te enxerga. De um jeito que os outros não enxergam ninguém. Isso é raro.

— Estamos todos atentos — garantiu Jasper, agora na varanda, com o olhar distante. — Não apenas à menina, mas ao ambiente em geral. O colégio… os professores… os rumores. A movimentação está tranquila, por enquanto.

— Aquelaa monitora da recepção me olhou estranho umas três vezes — comentou Emmett, esticando os braços. — Acho que ela se pergunta como a gente cabe todo mundo numa casa só.

— E vai continuar se perguntando — disse Rosalie com firmeza.

— Eu só… — começou Renesmee, com um suspiro. — Foi tudo demais. Eu achei que estava pronta. E talvez até esteja. Mas hoje foi… muito.

Esme, que vinha da cozinha com um copo de água (apesar de saber que não era necessário, fazia por carinho), entregou para a neta e disse:

— Você fez algo que nenhum de nós fez com sua idade, querida. Você deu um passo enorme. Estamos muito, muito orgulhosos.

Renesmee sorriu com os olhos marejados, mesmo que tentasse esconder.

Edward esticou o braço por trás do encosto do sofá e beijou a têmpora da filha.

— Vai ficando mais fácil. Ainda é só o começo.

— E eu prometo que não vou mais usar minha supervelocidade no corredor da escola — ela completou, arrancando uma gargalhada coletiva da sala.

Bella segurou a mão da filha com delicadeza.

— Vamos pro seu quarto?

Ela assentiu com a cabeça e ambas subiram.