A garota que eu amo me odeia
3 Uma coisa errada. Me conta, Baka!
Notas iniciais
Uma semana e meia se passou e Naname faltava às aulas. Kagami e Kuroko acharam isso estranho, ainda mais porque Hare ficava cabisbaixa o tempo todo. Durante o treino deles, perceberam que Riko não estava se concentrando totalmente. Isso era anormal!
No vestiário, Kagami vestia a camisa quando viu Hyuga sair do chuveiro. Ele se sentou no banco mexendo na bolsa.
– Oe, taichow.
– Hum? – Ele o fitou.
– O que houve com a treinadora?
– É a prima dela.
– Naname-chan? – Kuroko surgiu do nada. Kagami se assustou.
– De onde você veio?!
– Eu estava aqui. – Kuroko disse sem expressão.
– É ela mesma. – Hyuga disse de cabeça baixa.
– O que ela tem? Está doente? – Kuroko perguntou.
– Não sei. Riko se preocupa muito com ela, mas nunca me disse a razão. Kousen-chan se transferiu para cá por causa da Riko. Mas ela não me disse a razão também. – Ele deu de ombros – Só que Naname às vezes precisava ficar em casa.
– Hum... – Kagami pensava – Esquisito.
– Demais. – Hyuga disse – Assim como Naname.
...
Quando completou duas semanas, Naname voltou para a escola. Ela ficava cabisbaixa todo o tempo, com sua franja tampando seus olhos. Hare também não estava muito diferente.
Kagami e Kuroko passavam pela lateral do prédio no intervalo quando viram Naname sentada num banco, sozinha. Kuroko fez Kagami parar.
– O que foi? – Taiga perguntou.
– Olhe para ela.
Ele o fez. Nana estava cabisbaixa com as mãos no colo, chorando em silêncio. Ele ficou pasmo. Quando deu por si Kuroko já estava próximo dela, ele foi atrás.
– Ohayô, Naname-chan.
Ela virou a cabeça para o lado oposto.
– Daijoubu?
Ela não respondeu.
– Oe, Kousen! – Kagami disse – O que você tem?
Ele ia chegar perto para ver o que ela tinha, mas Nana levantou e saiu correndo segurando seu braço esquerdo. Sumiu de vista.
– O que será que ela tem? – Kuroko perguntou.
– Sei lá. – Ele resmungou – De repente é só esquisita.
...
Naname voltava para casa sozinha depois da aula, de cabeça baixa. Aomine virava a esquina e a viu.
– Oe.
Ela passou por ele.
– Hum? Matte!
Daiki segurou em seu antebraço esquerdo e ela gemeu de dor, puxando-o para si. Ele não entendeu.
– Hum? O que houve?
– Não te interessa. – Ela respondeu de cabeça baixa, com sua franja tapando seus olhos.
Ele a fitou, abaixando a cabeça um pouco.
– O que houve com seu rosto?
Ela virou o rosto e voltou a andar. Aomine a impediu segurando sua cintura e pondo-a contra a parede. Ela se encolheu abaixando mais a cabeça. Ele a encarou, sabia que ela não olharia em seus olhos. Pôs as mãos em seu rosto e tentou levantá-lo, mas ela tentou impedir. Ele forçou e arregalou os olhos ao ver o rosto dela. Os olhos de Nana estavam marejados, com cara de choro, e seu olho esquerdo estava roxo, parecia estar desinchando. Um lado de sua bochecha estava levemente inchado.
– O que houve com você? – Ele perguntou, pasmo.
Ela tirou as mãos dele do rosto e saiu andando. Ele a segurou pelo braço de novo, porém dessa vez com força.
– Larga... – Ela gemeu, quase caindo no chão.
– Oe... – Ele a segurou.
Daiki a apoiou contra a parede. Ela respirava. Ele levantou a manga do uniforme e viu o antebraço dela enfaixado.
– O que aconteceu contigo? Brigou com alguém?
– Não te interessa...
– Vai continuar com isso? – Aomine disse, deixando sua voz mais grave. Estava irritado.
Nana o olhou, suava frio. Pôs a mão na testa, tonta.
– Kousen?
Ela ia cair desmaiada, mas Daiki a segurou.
– Oe... Nana!
Ela já estava desmaiada. Ele a pegou no colo e foi para a casa dela, era perto de lá.
Quando Nana acordou, estava deitada em sua cama e deu de cara com o pôster de Aomine. Ela apoiou o braço bom, levantando lentamente e se sentando na cama. Encolheu as pernas e pôs a mão na cabeça, doía um pouco.
Se perguntava como foi parar ali, quando Daiki entrou no quarto.
– Yo, daijoubu? Melhorou?
– O que houve? – Ela disse, suavemente.
– Você desmaiou.
– Como... Entrou aqui?
– Eu te carreguei. A chave estava na sua mochila. – Ele disse com obviedade – Tome. Não sei se está bom. – Ele disse dando a ela uma tigela com sopa.
Nana pôs uma mexa atrás da orelha, vendo o estado da sopa. Ela soltou uma risada.
– Você cozinhou demais.
Ele a olhou, o sorriso dela era bonito.
– Ou era isso ou um banho gelado, mas tenho certeza que você não iria gostar de me ver com você no chuveiro.
Ela corou.
– Não...
Enquanto ela comia, ele a observava.
– Tem certeza de que não recusei uma paixão platônica sua?
– Hai... – Ela balançou a cabeça – Nande?
Ele apontou para cima. Ela olhou e viu o pôster dele. Na hora ficou sem cor e subiu na cama, desengonçada para tirar o pôster de lá. Jogou longe como se fosse adiantar. Parou na cama olhando para ele, enquanto ele a olhava, pasmo.
– Etto... Eu já tinha visto.
Ela se ajoelhou na cama. Parecia envergonhada.
– Baka... – Resmungou.
– Você tem um pôster meu e eu sou idiota?
– Não é isso... Você não devia ter vindo aqui. – Ela fez bico.
– Oe... – Ele ia pôr a mão na bochecha dela.
Naname recuou brutalmente contra a parede, parecia assustada. Ele se espantou e logo ficou sério. Encarou Nana.
– O que houve com você?
– Nada.
Ele achou que ela não dizer “Não te interessa” já era um grande passo.
– Quem fez isso? Seu pai?
– Não! – Ela negou o absurdo.
– Sua mãe? – Ele deu de ombros com a tentativa.
– Não... – Ela baixou a cabeça.
– Sua irmã?
– Como você...?
– Tem fotos na parede da sala. Vocês são gêmeas?
– Hai... – Ela disse cabisbaixa.
Ele pensava.
– Não vai falar?
Ela o olhou. Ele corou um pouco com aqueles olhos verdes, agora gentis.
– Não posso falar.
– Nande?
Ela levantou e foi até o armário, pegando algumas roupas. Saiu do quarto com Daiki a seguindo. Ele deu de cara com a porta do banheiro sendo trancada. Bufou.
– Não vai falar?
– Não. Vai embora. Quando eu sair espero que já esteja na sua casa.
– Run... Até parece que vai fazer alguma coisa. – Ele murmurou.
– Eu ouvi!
– Hum! – Ele arregalou os olhos.
Quando Naname saiu do banheiro, Aomine não estava em seu quarto. Ela respirou aliviada e se vestiu no quarto. Desceu com um short e blusa de alça. Deu de cara com ele a encarando do sofá.
– Demorou. – Ele disse com os braços cruzados.
– Você devia ter ido embora!
– E eu te escuto por acaso?
Ela fez cara de tédio.
– Você mora sozinha. Quem fez isso com você? Foi assaltada?
– Por que quer tanto saber?
– Porque você desmaiou nos meus braços. Isso deixa a pessoa um pouco curiosa ne?
Ela cruzou os braços. Ele fitou os seios dela, eram grandes e não havia como percebê-los pelo uniforme. Ela percebeu e corou.
– Oe, Hentai! – Jogou uma almofada nele – Qual o seu problema?!
– Nada!
O telefone dele tocou.
– Hum... Hai... Entendi! – Ele desligou e a fitou – Para a sua sorte, tenho que ir.
Ele levantou e passou por ela. Nana pegou outra almofada e a abraçou, tampando os seios. Quando ele passou pela porta, ela correu e a trancou.
Daiki riu do lado de fora pela ação.
...
Mais duas semanas depois, Naname tirou as ataduras e tudo voltou ao normal. Os treinos, Hare e até Riko. O time feminino estava sentado no meio da quadra conversando. Hare deitando sua cabeça na barriga de Nana, que também estava deitada, ouvindo música.
– E você Nana? – Hana a chamou.
Naname tirou um dos fones de ouvido depois que Hare a cutucou.
– Hum?
– De quem você gosta?
– Que?
Mureni bufou.
– A gente está falando da Geração dos Milagres, idiota.
– Ah... – Nana pensava – Aomine...
Algumas abriram um sorriso eufórico.
– Eu o odeio.
– NANIIIII???? – Gritaram.
Hare bufou.
– Só porque ele viu o pôster no seu quarto.
– Pôster? – Emi perguntou – Que pôster?
– Ele foi na sua casa? – Mureni praticamente gritou – E no seu quarto, sua safada!
– Não é isso! Eu desmaiei e ele me levou pra casa.
– Tá... – Mariko disse – Mas ele sabe onde é sua casa! – Ela riu.
Nana bufou.
– Vocês são doidas sonhando com eles. Um bando de babacas.
– Oe, Akashi-kun não é babaca! – Hana exclamou.
– Gosta dele, rosinha? – Nana brincou – Você sabe que ele é meio doido ne?
– Como assim? – Aiko perguntou.
– Ele é obcecado por vencer. Todo mundo sabe disso. “Vencer, vencer é tudo!”. – Nana o imitou – E eu já odiava Aomine antes de ele ver o pôster.
– Que droga de pôster é esse? – Emi gritou.
– É um que ela tem dele. – Hare riu.
As meninas ficaram de boquiaberta.
– E de quem será que você gosta? – Naname cantarolou, já desconfiando.
– Quem? Quem? – Todas perguntaram chegando mais perto.
Hare corou.
– Etto... Ninguém, ninguém. – Balançou as mãos.
Nana revirou os olhos.
– Kagami Taiga!
– AH! CALA A BOCA!
– Esse está mais perto! – Seikori riu.
– Olha quem fala. – Mureni disse a fitando com um sorriso malicioso.
Seikori corou, virando o rosto para o outro lado.
Hayato entrou no ginásio, indo em direção à quadra.
– Oe, minna. Se alonguem!
– Ah... Katsuo-senpai... – Sakura reclamou – Pega leve com a gente!
Todas se levantaram.
– Até parece. – Ele riu e assoprou o apito.
Enquanto as garotas treinavam, Kagami pensava do lado de fora, ao lado da porta do ginásio.
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