A flawless Life
2 The first catastrophes
Notas iniciais
E mais uma vez estou aqui...agora vou contar como foi minha chegada a Los Angeles, e os problemas que eu enfrentei que, eu faria de tudo pra mudar e ser diferente do que aconteceu.
Infelizmente, um erro técnico no avião fez com que a viagem para Miami fosse cancelada, e que a cidade mais próxima era Los Angeles, e todos os passageiros concordaram (eu fingi que concordei, porque eu queria logo chegar em Miami).
Eu estava no avião, na poltrona 16. E no meu pensamento eu já começava a "escrever" meus raps, até que chegou, pra ficar do meu lado, uma mulher com mais ou menos 36 anos. Ela perguntou:
— Olá! Você parece estar feliz! Para onde vai? (E eu olhando nos olhos dela e percebendo que eu poderia ou não contar que eu iria pra Miami (aquele velho aviso da sua mãe "nunca fale com estranhos", mas eu resolvi dizer)).
— Estava indo para Miami, mas agora que não dá mais para ir, ficarei em Los Angeles! (com um belo sorriso no rosto, só que falso).
— Ah, que ótimo. Mas você vai sozinha? Cadê seus pais? (ela fez uma cara meio que assustada, achando que eu não tinha família ou que eu fiz algo de errado, fugi de casa e tentar arrumar dinheiro para pagar uma passagem de avião para um lugar distante).
— Eu estou indo sozinha, porque é o momento de eu me sentir independente, realizar e construir meu futuro, quero ser rapper! (Eu sou muito otimista).
— Cuidado moça, Los Angeles e Miami são lugares muito grandes e você terá vários desafios aonde você for. (Eu considerei isso como um aviso, uma "mensagem" de apoio de uma pessoa qualquer, mas sinceramente, depois que ela disse isso, veio vários pensamentos negativos).
— Ahh (sorriso forçado), obrigada! Tomarei cuidado sim!
— Boa sorte na sua jornada! (Ela me deu um abraço tão forte e generoso, que até gostei, mas senti uma tristeza).
E lá se vai eu, com os pensamentos negativos, do que pode acontecer comigo quando eu chegar em Los Angeles. Mas eu também me sentia segura, porque eu me lembrava dos meus avós.
Após dez horas de viagem (antes de chegar em Los Angeles, eu tinha que ir para o aeroporto de Whashington, pegar um avião e aí sim, eu chegaria em Los Angeles), finalmente cheguei na grande cidade. Sem conhecimento de nada, fui dando meus passinhos e a minha lógica pra sair do aeroporto, pegar um táxi e ir para um hotel, estava morta de cansada. Cheguei num hotel até que era chique, mas não era de classe média alta. Fiquei com uma vergonha tremenda de entrar, pois tinhas pessoas chiques, refinadas, e eu tava suada, estranha. Fui olhar a minha bolsinha preta (que já estava prestes a ter uma morte, porque estava acabada), e tinha mais ou menos uns três mil dólares (fiquei juntando vendendo cocada de amendoim e biscoito salgado com recheio de goiabada dez meses antes de pensar em viajar pra Miami e vendi muito), também com a ajuda dos meus avós, que teve que me dar um dinheirinho escondido da minha mãe (ela odiava quando meus avós me dava dinheiro). O dinheiro dava para uma semana no hotel. E no hotel, havia um sorteio de quem acertasse o ano da inauguração do hotel (que era em 1945, e ninguém sabia), poderia passar um mês no hotel sem pagar nada, com tudo pago, inclusive um passeio para um clube que era bem pertinho de lá. Eu fui na bancada de entregar a data da inauguração, peguei a caneta e o papel, e comecei a pensar, pensar, pensar...e eu me lembrei que quando eu estava passando as férias no sítio da minha bisavó, apareceu um anúncio de um carro que foi furtado no hotel, e no anúncio, apareceu tipo um quadro de mármore com o nome do hotel, e a data, e estava lá: 18 de dezembro de 1945, e pra se sentir mais vitoriosa e positiva, coloquei o dia e o mês também. Dez minutos depois, uma mulher com um microfone falou:
— Atenção! A senhora Madeleine Palms, de dezesseis anos, por gentileza, compareça ao escritório do hotel (que era vizinho ao almoxarifado).
E fui lá, nervosíssima, com medo e suando as mãos. Cheguei no escritório, e tinha todos os funcionários da diretoria do hotel, a mulher com o microfone e uns confetes lá que estava sendo jogado pelos uns anões lá (um amor de pessoas eles). A mulher com o microfone, toda sorridente, falou:
— Parabéns, Madeleine Palms! Você acertou a data da inauguração do nosso hotel. Você terá um mês grátis de hospedagem e ainda ganhará um passeio no clube House Party Fun.
— E eu fiquei feliz, porque eu só poderia ficar lá uma semana se dependesse do meu dinheiro. Saí do escritório, toda dançante, e fui para o meu quarto, tomei um banho bem gostoso, vesti a melhor roupa que eu tinha, calcei minha louboutins da sola vermelha, que ganhei quando cheguei no hotel (estavam dando louboutins como recompensa por se hospedar na pensão), comi uma boa porção de arroz, feijão, batatas fritas, um bife ao ponto e um suco natural de laranja, e desci para conhecer mais o hotel. Algo inesperado acontece! A mulher que eu conheci no avião (que me deu o conselho) chegou chorando (falsamente) para mulher do microfone dizendo que foi ela que sabia da data, que eu vi ela escrevendo a data certa e peguei o papel da mão dela, ameaçando ela dizendo que se ela dissesse que eu peguei o papel dela com a data certa, eu faria uma coisa horrível com ela.
Então, eu fui chamada novamente pela mulher do microfone:
— Senhora Madeleine Palms! Por gentileza, compareça novamente ao escritório do hotel. (Comecei a andar com um pensamento de raiva, e com ódio daquela mulher).
Cheguei lá, com cara de séria e perguntei o que aconteceu, e ela veio bem perto de mim e disse:
— Essa senhora veio aqui e me falou que foi ela que acertou a data da inauguração do hotel, você a viu escrevendo, pegou o papel da mão dela e ameaçou ela. (Comecei a olhar para a mulher com uma cara de ódio, e ela lá, chorando e chorando). Eu me tranquilizei e disse:
— Ela está mentindo! Eu não vi ela neste hotel, e eu estava na bancada onde tinha os papéis e as canetas para anotar a data. Eu não vi ela, juro! (Meu coração começou a bater mais rápido, e comecei a suar de nervosa). Então, a mulher que eu conheci no avião, com um choro mais falso que a lealdade dos terroristas desse mundo, falou:
— Olhem as câmeras de segurança, olhem! Foi ela, ela que pegou o meu papel! (Então, a mulher do microfone ordenou aos servidores das câmeras de segurança do hotel verificarem todos os lugares no momento em que as pessoas começaram a anotar as datas). Foi eu, a mulher do microfone, a mulher falsa, e alguns funcionários para a sala das câmeras de segurança. Fiquei torcendo para que a verdade fosse mostrada na cara da falsiane, mas o feitiço caiu sobre mim. No vídeo, mostrava uma garota parecida comigo, com o vestido quase igual pegando o papel da mão da mentirosa (e isso tudo foi uma armação, eu sei, mas nem entendi do porquê ela fez aquilo). A mulher do microfone me chamou, fomos para fora da sala, e ela me falou com cara de quem sente muito:
— Me desculpe, mas você não ganhará o prêmio e nem o passeio. Não iremos fazer nada com você, pois você já tinha um dinheiro pra se hospedar aqui, certo? (E eu olhei para, no fundo do olhar dela e comecei a chorar).
— Sim, eu trouxe! (E chorei, que até a mulher do microfone chorou também).
— Você é uma garota muito nova, não era pra ter feito aquilo, é feio! Sinto muito! disse ela.
— Ah, não tem problema! Uma pena que a verdade não foi mostrada, porque aquilo é mentira! (Me tranquilizei).
— Olha, se for verdade ou mentira, não importa mais, o prêmio não será mais seu. Espero que goste do hotel, já que você tem seu dinheiro pra pagar a hospedagem. (Ela falou aquilo e me senti até mais leve, ela foi simpática e adorável comigo).
E então, fui, triste e com raiva da mulher que mentiu, para o meu quarto, tentar esfriar a cabeça, e se tranquilizar. Peguei minha bolsa, estava tentando procurar o terço religioso que minha bisavó me deu, mas, o estranho foi que, o terço não estava lá, e nem o dinheiro da minha hospedagem. E eu enlouqueci, e me perguntando como meu dinheiro sumiu, o porque que aconteceu aquilo, e comecei a procurar pelo quarto todo e não achei. Desci até o centro do hotel e comecei a rodar pelo hotel todo, perguntando as pessoas se elas não viram um "bolinho" de cédulas. E pensei:
— E agora? Se eu não pagar minha hospedagem não vou poder ficar aqui! O que tá acontecendo, meu pai do céu!
A única solução que eu tinha era ajeitar minhas roupas, recolocá-las na mala e sair do hotel, e fui, fiz isso. Comecei a chorar de angústia, de ódio, de tristeza, porque eu me sentia péssima. Estava toda otimista pensando que daria tudo certo, que no dia seguinte eu já poderia ir em alguns lugares que oferecia aula de canto, e os planos desmoronavam naquele momento. Juro que eu me lembro, que na hora que eu saí do hotel, a mulher que eu conheci no avião, começou a rir da minha cara e com um pensamento: "Eu te avisei que era pra ter cuidado né?". Foi aí, que comecei a chorar mais ainda. Sem dinheiro para táxi, fui a pé, andando nas ruas de Los Angeles quilômetros e quilômetros. A noite passa, fica de madrugada, e ninguém, nada aparece nas ruas depois da meia-noite. Começa uma ventania, uma chuva (não era tão forte, mas também não era fraca). O vento levou minha pequena bolsa (que eu tinha cordões, pulseiras e outras bijuterias que eu ganhei de presente dos meus familiares), e por sorte consegui segurar a mala pra ela não ir junto também.
A ventania e a chuva diminuiu, cheguei em um bairro super escuro e todo silenciado, não tinha ninguém, e caí no sono. Dormi em uma calçada de uma casa abandonada. Quando acordei, algo ruim acontece: roubaram minha mala e meu tamanco chique da sola vermelha.
E agora, mais um desafio começa. Andar descalça para arrumar um emprego para sair de Los Angeles, a fim de acabar com esse tremendo pesadelo, mas meu pensamento diz que coisas piores podem acontecer, infelizmente!
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