A flawless Life

3 Little hope's


Notas iniciais
No penúltimo/último capítulo, Madeleine conta como ela fez pra garantir sua chegada á Miami mesmo enfrentando vários problemas, algo inesperado e catastrófico que aconteceu e os novos problemas que ela teve que enfrentar. Uma pequena luz no fim do túnel aparece para ela, que leva ela para Miami.

Estou aqui, novamente, para te contar como foi minha chegada á Miami, e que antes dessa chegada, problemas e problemas tive que enfrentar. Vamos lá!

Depois de terem roubado minha louboutins e terem levado minha mala, fiquei desesperada! Lembro que a única coisa que fiquei foi com o bilhete do hotel. Mas tentei relaxar, sentei no chão, e comecei a pensar: "O que eu vou fazer pra chegar em Miami? Sem roupa, sem dinheiro, sem nada?. Se eu ainda tivesse com minhas louboutins, eu as venderia e já pagaria uma passagem pra ir pra Miami."

Fiquei chorando, mas chorando com uma angústia, uma dor no coração, esperanças zero de ir pra Miami. Então, eu saí da casa abandonada e fui logo para o centro da cidade procurar emprego. Tentei arranjar emprego numa lanchonete, não me aceitaram por causa do meu sotaque australiano misturado com americano (eu tenho ódio quando falam que sou americana, eu sou naturalmente australiana e meu sotaque é da Austrália). Tentei numa lojinha de roupas bem baratas, não me aceitaram porque eu gesticulava muito (minha mãe dizia que era falta de educação falar gesticulando). Não consegui nada!

Depois de várias tentativas, desisti de procurar emprego. Estava andando numa rua bem popular de Los Angeles, e numa casa tinha um papel que estava escrito: "Precisa-se de uma diarista". Aí eu pulei de alegria, e bati na porta. Quem me atendeu foi um homem, aí ele perguntou: "Oi, boa tarde! O que deseja?". Eu como era super educada, respondi gentilmente:

— Olá! Vi o papel na parede da sua casa e li que precisava de uma diarista. Vocês ainda precisam?" (Mantendo o sorriso brilhante no rosto).

— Claro! Entre por favor! (Disse o homem com uma cara meio desconfiada).

Quando cheguei na sala da casa, estava a mulher dele, uma moça bem bonita, chique, e a casa super elegante. Ela perguntou toda simpática:

— Essa é a diarista? / O marido dela respondeu:

— Sim, amor! Já posso liberar ela pra ela começar o serviço?

— Sim! (Ela me levou pra conhecer a casa antes de eu começar a arrumar).

Comecei a arrumar a casa, toda alegre, porque eu poderia ganhar um dinheiro pra pelos menos comprar algo pra comer e uma sandália. Comecei a cantar, dançar, muito feliz de verdade. Depois de duas horas de serviço, fui aonde a mulher da casa estava e falei:

— Terminei o serviço, senhora!, e ela disse:

— Òtimo! Está aqui a sua recompensa! (Ela me deu 450 dólares. Mantive o sorriso claro, porque eu pensei: "Sim, dá pra comprar um lanche, uma roupinha e uma sandália simples".)

— Agradecida! (Já tinha ajeitado todos os cômodos da casa e já preparada pra ir embora. ) Até que a mulher perguntou:

— Quer comer alguma coisa?

— Não, não! Obrigada! Seria uma falta de educação tremenda! (Eu já queria logo sair de lá).

— Não, fique! Ficarei triste se você não disser "sim". (Falou a mulher, com uma cara que só faltava chorar).

— Ah, então eu aceito! (Sorrindo falsamente).

Eu comi na mesa junto com ela, agradeci pela comida, a recompensa e fui embora desesperada pra comprar a roupa, a sandália e o lanche. Tinha uma loja bem pertinho da casa onde fiz a faxina, seria a última loja que eu iria pra comprar as coisas e ir embora. Cheguei na loja, perguntei quanto era um conjunto de short e blusa com uma sandália. Acredite ou não, era 425 dólares, porque certamente não percebi que a loja era de nível 3 (ou seja, os preços das coisas de lá era o triplo do que a de nível 1 e 2). Dei o dinheiro, fui no vestuário, vesti o conjunto, calcei a sandália e fui embora. Deixei a roupa que estava usando antes lá, fingindo que esqueci. A noite chega, e num piscar de olhos estou numa estrada TOTALMENTE vazia. Tinha uma mata enorme, um pé de trigo perto de um espantalho, mas a estrada estava totalmente vazia. Fui nessa estrada, afim de procurar uma casa pra tomar um banho e dormir. E no caminho dessa estrada, vem um homem, com uma aparência jovem, moreno, olhos claros, me seguindo. Eu pensava que era só uma pessoa que estava caminhando também, assim eu me sentia menos medrosa. Ele chegava mais perto de mim, e começava a pegar nas partes íntimas dele, falando coisas numa voz bem baixa, e eu com medo de reagir e fazer algo de errado. Tentei andar mais rápido, e olhar para a frente. Andei, andei e andei. Depois de andar muito, olhei para trás e percebi que ele não estava mais lá, e quando viro para frente, ele está justamente olhando para mim. Eu fiquei tremendo de nervosa, e falei:

— Por favor, moço. Não faça nada comigo. O que você quer? Eu não tenho nada, nada mesmo! E ele falou bem baixinho no meu ouvido:

— Eu não quero nada seu, eu quero você! (Ele soltou um riso nojento!).

Ele pegou na minha mão, e eu mais nervosa do que eu já era, peguei na mão dele, torci o braço dele e o derrubei no chão. Foi aí que eu tentei correr o mais rápido que eu pude. Tirei minha sandália e corri. Entrei na mata, corri, corri, corri, e até que, um galho enrosca no meu pé e eu caio. Tento tirar o galho do meu pé e não consigo. Vejo uma sombra no asfalto, fecho os olhos e penso: "Ai, Jesus! Por favor, isso não. Por favor". Sinto uma mão no pé, começo a chorar...e quando eu abro os olhos. O homem está lá, pegando no meu pé, e pergunta:

— Posso te ajudar, moça?

Falei vários palavrões com ele, dei chutes e ele começou a ficar com uma cara de raiva. O resultado da raiva dele foi um tapa na cara que ele me deu. O tapa foi tão forte, que até lembro da dor que causou.

— Se você não cooperar, você não sai daqui viva. (Falou o homem, descontrolado).

Ele começou a amarrar meus braços e pernas com galhos grossos e fortes pra eu não conseguir fugir. Ele começou a tirar minha roupa, lentamente. Ele começou a sussurrar no meu ouvido, dizendo:

— Relaxe! Vai ficar tudo bem! Sinta-se bem. (Como eu me sentiria bem, com um homem prestes a me estuprar?)

Ele me deitou, numa parte da mata bem coberta pra ninguém percebesse que eu e ele estava lá. Infelizmente, ele começou a me estuprar. Fechei os olhos e comecei a chorar, relembrando todos os momentos bons antes de viajar, os momentos com os meus avós, os avisos dos meus avós, as coisas ruins que aconteceram em Los Angeles. Eu pedia pra que ele parasse, mas ele não parou. E então, eu gritei. Ele se enraivou e continuou a me estuprar. Colocou os dedos indicador e médio na minha boca (eu não vou dizer o que significa disso, porque é algo muito nojento). E eu chorei mais ainda. Ele tirou os dedos da minha boca, e me deu algo para beber. Eu não quis, mas ele me forçou, abriu minha boca e eu tive que engolir, era um remédio pra dormir. Infelizmente, caí no sono. Infelizmente não me lembro o que ele fez depois de eu ter tomado o remédio, mas que ele continuou a me estuprar, tenho toda a certeza. No dia seguinte, acordo, e vejo que ele não deixou nenhum rastro dele. Eu estava vestida com minhas roupa. Sim, ele me vestiu depois de ter me estuprado. Também ele levou um dinheiro que eu ainda tinha. Só que, quando me levantei, tinha um papel no centro onde eu estava deitada. Peguei, abri, e lá tinha a mensagem do homem, dizendo:

— Ás vezes somos fortes para batalhar! Se o tempo não esquecer o que fiz com você, é porque o tempo não colaborou com seus sentimentos.

Eu joguei o papel com uma força e raiva bem longe, mas pensei: "porque ele escreveu aquilo?".

Saí da mata e fui para outra estrada. Achei uma moeda que dava para comprar um pão. Tinha uma padaria lá por perto, comprei o pão. Minhas mãos estavam muito sujas, não queria comer o pão com as mãos sujas e horrendas. Peguei umas três folhas bem grandes de uma árvore que tinha perto da padaria e limpei minha mão, o pão justamente caiu num tijolo sujo de lama. Pensei em não comer o pão, mas eu estava com fome. Tristemente, me sentei no chão e comi o pão sujo de lama, a angústia vindo novamente e os pensamentos negativos também. Respirei, e tentei me acalmar e ficar com pensamento positivo, mas eu estava muito pessimista. Na hora que levantei, tropecei no tijolo e caí num pequeno poço de lama. Ai, fiquei desesperada. Pensei: "se as pessoas me verem na rua toda suja, vão rir, com certeza". Mas eu tinha que ir, procurar um rumo. Segui em frente e fui. É né, as pessoas riem de cada coisa.

As pessoas começaram a rir de um jeito tão inútil. Fiquei quieta, não falei nada, mas a vontade de chorar era grande. Andei, dobrei em outra rua, e mais uma estrada vazia. E nessa estrada, comecei a lembrar de tudo que aconteceu no dia anterior, sim, do estupro. Chorei nos meus pensamentos, mas na realidade fiquei leve. Andei, e eu comecei a orar: Oh, senhor! Me dá esperança! Me dá uma oportunidade senhor. Quero me livrar de tudo isso. É tudo que peço nesse momento".

Depois de andar quase a estrada toda, vem um carro, fiquei parada, pra ver se não era o homem que me estuprou de novo, só que, não era ele, era a mulher da casa que eu fiz a faxina. Ela saiu do carro, e perguntou:

— Aonde você que ir, minha linda? (E começou a ficar de braços abertos como se quisesse um abraço).

Eu sentei no chão, chorei (sou muito chorona mesmo) e agradeci a Deus, pela "luz no fim do túnel". Eu falei a ela que queria ir para Miami. E ela, que quase começa a chorar também, disse:

— Eu vou te ajudar! Antes iremos passar numa pousada, você irá tomar um banho, e você vai ficar limpa e bonita para você viajar para Miami. Vamos, eu te levo!

— Senhora, não precisa! Você está sendo muito bondosa, mas não, obrigada! (Eu queria muito aceitar, seriamente, mas meu pensamento dizia que não).

— Por favor, moça. Aceite. É um novo presente por você ter deixado minha casa uma beleza! (E ela soltou um sorriso tão lindo que eu tive aceitar).

E então, ela me abraça. Eu tava toda suja! E eu disse:

— Senhora, eu tô toda suja!

— Não importa. Quando uma pessoa merece um abraço, nem interessa se ela está suja ou limpa. (Depois dela dizer isso, eu chorei de alegria).

— Vamos? (Perguntou ela toda animada).

—Vamos! (Respondi finalmente com um sorriso verdadeiro no rosto).

Pois é, há pessoas sim que podem te ajudar, porque se você tem fé, você acredita, tem esperança sim!

E é a partir de agora, que começa uma nova esperança e uma nova chance para a realização do meu sonho!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!