A fada que o escreva
19 A cura do exorcista
Notas iniciais

O azul da noite e o cricrilar dos grilos já haviam tomado conta da mansão quando enfim vi papai sair do quarto de tratamento e trancar a porta atrás de si.
Interrompi meus passos na metade do corredor e meu coração falhou uma batida quando ele me olhou com um semblante cansado e assentiu levemente.
— Deu certo? – perguntei ansioso.
— E alguma vez eu já falhei, Suichiro? – papai suspirou.
Senti minhas orelhas ficarem quentes de constrangimento. Concordei e abaixei a cabeça.
— Tenho alguns pacientes para cuidar nos vilarejos. Partirei hoje e ficarei fora por quatro dias. – ele avisou.
— Uau, até que é bastante tempo. – comentei sem jeito.
— Dante precisa ficar de repouso hoje e amanhã. Se quiserem partir depois disso, é escolha de vocês. – papai ajeitou a gola de sua camisa e seguiu pelo corredor.
— Pai... – chamei baixinho e fiz menção de estender minha mão, porém, me contive.
O som de seus passos cessou. Ele virou a cabeça por cima do ombro e arqueou uma das sobrancelhas.
— Obrigado. – dei um sorriso fechado e fitei meus pés.
— Não precisa me agradecer. – papai inspirou. – Apenas pense no que eu disse.
— Eu vou pensar. – mordi o lábio inferior e cerrei os punhos. – Só que ainda mantenho a mesma opinião. Não sei o que vai acontecer depois daqui, mas essa decisão será minha e do Dante. – levantei o olhar.
Ele franziu o cenho e encarou-me seriamente. Não importava a situação, papai sempre mantinha o queixo erguido e eu sabia que nunca conseguiria ter uma autoconfiança inabalável feito a dele.
— Te dei a liberdade aos oito anos, não posso tirá-la agora. Achei que você resolveria voltar para casa assim que pisasse em Enginóvia, todavia, isso não aconteceu. – papai cruzou os braços atrás das costas.
Dei um passo à frente e coloquei a mão sobre o peito.
— Você se arrepende de ter me deixado ir? – indaguei com uma pontinha de esperança.
— Eu não me arrependo das minhas decisões e espero que você não se arrependa das suas. – ele ditou. – Você queria ser feliz e foi ser. Queria ser outra coisa que não um mago ou um médico e foi ser. Isso já é o suficiente para mim. Mas como pai, a única coisa que não vou permitir é que você se machuque.
Não era a resposta que eu queria ouvir, porém, era melhor do que eu imaginava.
Espera, não. Definitivamente não. Se eu engolisse o que tinha para dizer mais uma vez, acabaria me sufocando. Pressionei os lábios, respirei fundo e exclamei:
— Mas eu já estou machucado. Desde que era criança.
Minha voz vacilou no início e eu quis interromper minha frase com um “esqueça o que eu disse, tchau” e desaparecer da vista dele o mais rápido possível. Entretanto, lá estava ele, com a mais confusa das expressões.
— Do que exatamente está falando, Suichiro?
— E-Estou falando que... Bem, desde que a mamãe morreu, você foi indiferente comigo. E até hoje é. – esfreguei meu braço e desviei o olhar. – Não tem problema que você não me ame, eu só... – senti meus olhos arderem.
Por um momento, desejei ser um garotinho novamente para que Gaspar me resgatasse. Ou que Dante estivesse ali para eu poder me esconder atrás dele.
— Mas é óbvio que eu te amo, Suichiro. – papai respondeu incrédulo.
Ergui as sobrancelhas e ousei sustentar seu contato visual mesmo que timidamente. Papai suspirou e apoiou as mãos no corrimão da escada.
— Peach foi o amor da minha vida. E você e seus irmãos fazem parte desse amor. – contou. – Eu admito que fiquei desorientado quando ela morreu, somente... Não percebi que estava descontando em você. – fechou os olhos fortemente.
Balancei a cabeça, cruzei os braços e encostei-me na parede. Durante o silêncio que se seguiu, ocupei-me em pensar em uma maneira cordial de sair dali.
— Céus, o que foi que eu fiz? – papai passou a mão por seus cabelos. – Ah, me perdoe, Suichiro. – pressionou o canto dos olhos com o indicador e o polegar.
Entreabri os lábios, impressionado até demais. Não consegui responder nada, até porque nunca cogitei aquela situação. Quis soltar todo o ar que estava preso dentro de mim e chorar de alívio.
— É melhor eu...
— Pai? – levantei as sobrancelhas.
Ele fitou-me de soslaio, mais atônito do que eu.
— Mamãe te disse alguma coisa antes de partir? – engoli em seco.
— O mesmo boa noite de todas as noites. E eu não notei que aquela seria a última vez. – reparei que seus ombros se encolheram um pouco.
Cortei minha respiração por um segundo, semicerrei os olhos para evitar que as lágrimas caíssem e confessei:
— Ela apareceu no meu quarto de madrugada. Foi para dizer que me amava.
Nunca contei aquilo para ninguém, nem mesmo para Amy. Talvez eu estivesse guardando aquela lembrança para revelá-la para papai. Ele arregalou os olhos e me observou em silêncio, totalmente estático.
— Também não sabia que seria a última vez. – funguei e passei o antebraço por meu nariz.
— Suichiro... – papai começou.
Escutamos alguém subir as escadas e a imagem de Amy se fez presente no corredor. Ela pareceu surpreender-se ao ver eu e papai juntos, fez uma curta reverência e exclamou sem graça:
— Sua carruagem está pronta, senhor.
— Obrigado, Amy. – papai entregou a chave do quarto de tratamento para a governanta. – Agora eu preciso ir, filho. – acenou com a cabeça.
Vendo suas costas largas e uma mecha ou outra de seu cabelo balançando a cada passo, tive uma súbita vontade e me rendi a ela. Corri e envolvi meus braços em sua cintura, abraçando-o por trás.
Ele não se moveu, apenas expirou e pousou uma de suas mãos sobre as minhas. Amy arregalou os olhos, perplexa com a situação.
— Como você pediu a mamãe em casamento?
— Por que quer saber sobre isso? – indagou surpreso.
— Porque eu gosto de romances. Preciso saber se foi um pedido romântico. – dei um meio sorriso.
Papai deixou escapar o que pareceu ser uma risada abafada, mesmo que eu julgasse que ele nunca ria.
— Prometi que assim que a curasse de sua doença, a faria minha esposa. – olhou-me por cima do ombro. – Estudei medicina como ninguém e ela foi minha primeira paciente. Aparentemente, cumpri minha promessa.
— Isso foi... – juntei minhas sobrancelhas. – Brega. – mostrei a língua.
— Francamente, eu preciso ir. – afastou minhas mãos e arrumou sua gravata.
Cobri minha boca para evitar o riso e acenei para ele enquanto sua carruagem desaparecia de minha vista conforme os dois cavalos brancos galopavam.
— Preciso confessar que nunca achei que o veria assim com seu pai. – Amy comentou durante nossa caminhada no jardim após o jantar.
Massageei minha nuca e soltei uma risada de vergonha.
— Acho que acabei surpreendendo tanto a mim quanto a você. E ele também.
A governanta concordou em silêncio e ergueu o rosto para admirar o céu estrelado e a magnífica lua cheia. Discretamente, segurei sua mão como uma criança que não queria se perder.
— Amy, será que podemos trocar de assunto? – pigarreei.
— Quer saber o que terá de almoço amanhã, não é? – ela suspirou e agitou a cabeça em sinal de desaprovação.
— Não. – saltitei e parei em sua frente.
— Então quer saber onde seus irmãos estão? Provavelmente foram beber. – revirou os olhos.
— Também não. – inclinei meu corpo em sua direção. – Eu quero a chave do quarto de tratamento.
Amy piscou devagar, arqueou as sobrancelhas e instintivamente enfiou a mão livre dentro do bolso do avental branco.
— Nem pensar. – ela recuou um passo. – Se seu pai trancou o quarto e me deu a chave, é porque você não deve entrar.
— E por que eu não devo entrar? – perguntei ofendido.
— Me diga você, Suichiro. – a governanta alfinetou.
Corei fortemente, abaixei a cabeça e cruzei os braços. As borboletas em meu estômago estavam famintas e eu já não aguentava mais aquela ansiedade no peito.
— Eu não vou fazer nada. Apenas quero vê-lo. – resmunguei.
Amy suspirou novamente e em um ato singelo estendeu-me a chave do quarto.
— Fique com ela. Só não conte ao seu pai.
Sorri de orelha a orelha, agarrei a chave e depositei um beijo em sua bochecha. Ela riu sem jeito, despediu-se de mim e continuou sua caminhada pelo jardim.
Voltei para a mansão, abri a porta do quarto de tratamento e fechei-a atrás de mim silenciosamente, paralisando ao enxergar a figura deitada na cama próxima a janela, sendo completamente banhada pela luz azulada da lua.
Aproximei-me da cama cautelosamente e sentei-me na poltrona ao lado da cabeceira, reparando que Sybelle dormia dentro de sua esfera que repousava na beirada do colchão.
— Você trabalhou muito, não foi? – peguei a pequena fada. – Pode descansar. Logo sua liberdade chegará. – notei as novas rachaduras em seu vidro.
Ela não acordou para me mostrar a língua ou fazer algum gesto feio, somente continuou a dormir serenamente. Dei um sorriso e guardei sua esfera em meu bolso, imaginando que Dante não precisaria mais dela.
Meus olhos focaram-se no exorcista, reparando em seus lábios entreabertos e as madeixas soltas que se estendiam pelo travesseiro. O luar parecia fazer sua pele brilhar e sua respiração serena me transmitia uma calma que eu sequer sabia que precisava.
— Eu cumpri minha parte do trato, não foi? – falei tímido. – Espero que não tenha doído.
Não queria ir para o meu quarto. Não importava que Dante estivesse dormindo, queria ficar com ele.
— Hoje eu visitei o túmulo da minha mãe. Mas acho melhor te contar isso quando você estiver acordado. – coloquei as mãos entre as pernas e encolhi os ombros. – Então talvez eu fale sobre o que aconteceu na frente do escritório.
A lembrança de sua boca na minha voltou vividamente à minha mente e encostei em meus lábios com as pontas dos dedos mesmo sabendo que aquele toque nunca se compararia ao de Dante.
— Foi meu primeiro beijo. – ri sem graça. – Com um rapaz, na verdade. Eu meio que estava esperando meu príncipe encantado. Sei que se você ouvisse isso, iria rir de mim e...
— Sua voz…
Arregalei os olhos e dei um sobressalto ao escutar seu tom rouco.
— É linda. – ele sussurrou e abriu os olhos lentamente.
— Ai, meus céus, você ouviu?! – cobri minha boca.
— Por favor, continua a falar. – Dante pediu exausto.
— F-Falar o quê? – questionei envergonhado.
— Suas baboseiras de sempre. – ele sorriu de canto.
— Hã, bem, hoje eu… – me embaracei todo e acabei falando mais alto do que deveria.
— Sem gritar, meus ouvidos estão sensíveis. – Dante fechou os olhos e franziu o cenho.
Respirei fundo, ajeitei-me na poltrona e iniciei um monólogo sobre a mansão, minha infância e outras coisas que aconteceram durante o dia, evitando falar sobre o túmulo de mamãe. Talvez ele devesse ver com os próprios olhos.
Se passou uma hora e os bocejos começaram a tomar conta de mim. Levantei-me com as pernas dormentes e espreguicei-me.
— Está tarde, preciso voltar para o meu quarto.
— Tudo bem. – Dante concordou sonolento.
Mas eu não conseguia me mover. Não antes de fazer o que tanto queria. Inclinei-me sobre seu corpo e aproximei meu rosto do seu, deixando uma distância tão minúscula que nossas respirações se misturaram.
— Dante? – indaguei.
— Suichiro. – ele fitou-me.
Uma mecha de meu cabelo tocou seu rosto, coloquei-a para trás da orelha delicadamente e quebrei os centímetros que nos separavam.
Nossas línguas tocaram-se em um beijo calmo e doce, pois nada seria capaz de nos atrapalhar naquele momento. Afastei-me devagar, perdendo-me no mar que eram suas írises e sentindo meu peito doer.
— Durma bem. – toquei meus lábios e depois os seus, vendo-o fechar os olhos calmamente.
Com o coração batendo de modo intenso e o rosto fervendo, corri para meu quarto e joguei-me em minha cama. Adormeci com um sorriso bobo e acordei na manhã seguinte com a ótima notícia de que Dante foi transferido para um dos quartos de hóspede.
— Como assim não posso vê-lo? – questionei manhoso quando Amy me negou a chave.
— O Sr. Vulpecula está dormindo. – ela explicou. – Que tal você ir brincar?
— Amy, não tenho mais oito anos. – cruzei os braços e revirei os olhos.
— Uma pena. – a governanta fez um biquinho. – Você era uma gracinha. Às vezes até me chamava de segunda mãe. – colocou as mãos no rosto.
Foi minha vez de fazer um biquinho. Apoiei as costas no batente da porta e desviei o olhar, ruborizado. Amy suspirou derrotada, encolheu os ombros e deu-me a chave sob uma condição:
— Ah, Suichiro, eu já lhe neguei algo nessa vida? Apenas não o incomode agora, ele provavelmente vai dormir o dia inteiro.
Assenti confidente, guardei a chave no bolso e saí saltitando e cantarolando pelo corredor.
***
Era por volta das onze da noite quando deixei meu quarto no terceiro andar e desci para o segundo onde Dante estava. A casa dormia na escuridão e não se ouvia nada a não ser a madeira rangendo sob meus pés. Os empregados e principalmente Amy já dormiam àquela hora. Quanto aos gêmeos, nunca sabia onde estavam e o que aprontavam.
Destranquei a porta cuidadosamente e assustei-me ao ver um feixe amarelado iluminar o corredor. Dante estava sentado em sua cama com um livro no colo.
— Por que eu sabia que você vinha? – ele sorriu sem tirar os olhos das páginas.
— Por que eu sou previsível? – sorri travesso e fechei a porta atrás de mim.
— Na verdade, essa é a última coisa que você é. – Dante fechou o livro e encarou-me com uma das sobrancelhas arqueadas.
Meu coração pulou uma batida e eu gargalhei constrangido. Aproximei-me da cama, reparando em um papel amassado sobre sua cabeceira.
— O que é isso? – o peguei.
— Não reconhece? – ele questionou surpreso.
Virei o papel duas vezes, percebendo que ambos os lados continham escrituras. A frente dizia:
"Desculpe por ter te chamado de maluco. E obrigado por ter salvado Sybelle e... Bem, ter me impedido de pular no mar porque eu não sei nadar."
Dante estava em silêncio e mantinha seus olhos em mim como se me avaliasse. Ri sem entender o porquê e li o verso do bilhete:
"Conheci esse rapaz há algumas semanas e desde então tenho me sentido diferente. Pareço mais alegre e corajoso. Os dias são mais longos e perigosos, porém, também têm certo brilho.
Nunca pensei que cabelos castanhos escuros pudessem ser tão bonitos e que olhos podiam ter aquele tom de azul. Eu sequer sei que tinta usaria se quisesse pintá-los em um quadro.
Acho que nunca vou dizer essas palavras em voz alta porque ele me acharia (mais) idiota e já estou me arrependendo de escrevê-las. Entretanto, eu precisava colocar para fora esses sentimentos que têm embrulhado meu estômago, porque talvez eu esteja ap..."
Apertei o papel com mais força do que deveria, amassando-o e paralisando no lugar. A única coisa depois de "ap" era um monte de rabiscos, mas pelo sorriso de Dante, ele havia entendido completamente do que se tratava.
— Isso... – balbuciei perplexo. – N-Não era para você! Quero dizer, não era para você ter lido! – corei fortemente.
Dante inclinou a cabeça e moveu o indicador em sua direção, chamando-me para perto. Franzi os lábios e hesitei em me aproximar, todavia, já estava rendido desde o instante em que entrei naquele quarto.
Apoiei as mãos e um dos joelhos no colchão, permitindo que o exorcista segurasse meu queixo entre seu polegar e indicador e me puxasse para um beijo lento e estalado. Assim que nos afastamos, ele sussurrou:
— Não precisa ficar tão longe.
Não conseguia desviar meus olhos dos dele, mas também não conseguia ignorar o que acontecia dentro de mim e como meu corpo trêmulo ameaçava desmontar a qualquer segundo.
— É que estar tão perto de você me causa sensações estranhas. – cochichei.
Ele sorriu malicioso, desceu a mão para a gola de minha camisa e nossas bocas juntaram-se novamente, dessa vez mais apressadas e necessitadas. Dante deitou-se, levando-me consigo e pressionando-me sob o peso de corpo. Minhas mãos rodearam seu pescoço e nossos olhares se encontraram mais próximos do que nunca em meio as nossas respirações descompassadas.
O rapaz passeou sua mão por minha coxa e afundou o rosto em meu ombro, traçando um caminho de beijos por minha pele e me fazendo arfar ao ter o corpo em chamas na mais simples carícia. Dante riu de minha fraqueza e colocou as mãos frias por dentro de minha camisa, agarrando minha cintura com firmeza.
— D-Dante… – abafei um gemido quando o exorcista mordeu meu pescoço.
— O que foi? – ele encostou sua testa na minha e subiu sua mão por meu torso.
Respirei fundo, cobri os olhos com o antebraço e engoli em seco. Era difícil dizer alguma coisa com todos aqueles arrepios.
— Não posso continuar. – balbuciei. – Essas coisas só acontecem depois do casamento.
Dante afastou-se lentamente e ficou em silêncio, o que fez com que a insegurança passasse a me consumir. Pensei em levantar-me e correr de volta para o meu quarto, contudo, assim que fiz menção de me mover, senti o exorcista acariciar meu cabelo.
— Pode me olhar? – pediu baixinho.
Eu estava com vergonha demais para fazer aquilo. Torci a boca e neguei com a cabeça.
— Lembra de todas as coisas que eu te chamei no pé da montanha lá em Olpo? – ele indagou.
— Idiota irresponsável cabeça de vento sem noção do perigo? – abaixei o braço devagar.
— Isso. – Dante pigarreou. – Faltou eu dizer uma coisa.
— Que sou um virgem? – zombei.
— Que é uma graça. – ele expôs um semblante sereno e divertiu-se ao enroscar os dedos em minhas madeixas.
Meus sentimentos viraram uma bola no estômago e eu cerrei os dentes em meio a minha confusão particular.
— Acho melhor eu voltar para o meu quarto. – fitei o bilhete que havia deixado cair no chão.
— Ou você pode fazer companhia para esse hóspede. – Dante acomodou-se ao meu lado e me abraçou pela cintura.
— É, ou eu posso fazer isso. – afirmei vendo-o sorrir de maneira sedutora.
Apenas aceitei seu convite porque aquela cama era muito macia. E porque seus braços rodeando meu corpo me passavam segurança. E também porque não podia negar algo para aquele sorriso.
Nada mais aconteceu naquela noite. Somente respirações calmas, um sono profundo e nossas mãos entrelaçadas.
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