A exceção

8 Capítulo 8.


Notas iniciais
Capítulo meio parado, mas necessário. O próximo vai ser bem legal! (Minha opinião) Estou feliz que tenho conseguido postar com frequência. Estive pensando em começar um blog, mas não sei sobre o que escreveria... Eu escrevo textos, mas, ah, não sei se renderia o suficiente para um blog. Ou poderia ser sobre vários assuntos nada a ver um com o outro dhfsj na verdade eu queria um blog bem dinâmico, onde escreveria sobre o que os leitores me pedissem, mas preciso ter leitores primeiro. Ai gente, não sei! O que vocês acham? jdshdsf Bem, chega de falar. Ciao! :3

Ontem, depois que falei com o Marcelo, acabei dormindo até acordar hoje. Eu dormi por doze horas, o que me fez ficar tempo demais sem me alimentar, então comi a metade do pacote de torradas no café da manhã, com maionese, claro. O que fez com que eu me atrasasse. Está vendo? Dormir cedo não é legal.

Agora é aula de história, então o professor escreve umas cinco linhas no quadro, e eu, umas duas folhas só com o que ele fala, e isso considerando que a minha letra é pequena. Meus pulsos ficam doídos, mas dessa forma consigo estudar muito melhor em casa.

Me pergunto se eu devia ter contado tudo ao Marcelo ontem. A minha vida parece apenas girar em torno disso agora, me atormenta dia e noite. É estranho, eu até tentei começar o assunto mas não sai nada da minha boca. Simplesmente não consigo.

Depois tenho dois tempos de física, ou seja, eu fico sem fazer nada. Sempre decoro as fórmulas e unidades com facilidade, e, com isso, já consigo fazer as avaliações numa boa. Enunciados elaborados não me assustam. Eu leio-os com calma, anoto todos os dados e pronto, fica fácil. Na hora do intervalo, Pedro e eu vamos para a biblioteca de novo.
— Esse colégio é mesmo um tédio. – Digo, tentando romper o silêncio.
— Tanto faz, todos são. – Essa frase, de alguma forma, me fez lembrar uma coisa.
— Pedro, você aceitaria ser meu namorado? – Claro, eu tinha que aproveitar para uma zoeira.
— Que porra é essa, Nina? – Diz, inexpressivo. Ah, não dá para ter graça assim. Nenhum espanto, nenhum tapa.
— Andei pensando que se eu tivesse um namorado, isso deixaria meus pais menos preocupados. E, talvez eu esquecesse um pouco a Marjorie. Definitivamente, se tem alguém que eu não me importaria de aturar, esse é você. E se tem alguém que não dá a mínima em ter um namoro falso, esse é você. Vamos continuar a mesma coisa, só que os outros vão pensar que não. – Explico. Agora ele parece irritado.
— Pelo visto você não me conhece tão bem quanto eu pensava. Eu me importo!
— Ótimo, eu posso procurar outra pessoa!
— Não, Nina. Você não pode. Esquece isso, é loucura. Pare de palhaçada e enfrente seus sentimentos.
— Claro, é fácil para você falar! Não foi a sua irmã quem disse na sua frente que detesta o que você é! – Grito.
— Não é motivo para pirar desse jeito! Você está se ouvindo? – Meus olhos começam a lacrimejar e eu os esfrego com força. – A Mirian disse mesmo aquilo? – Pergunta, com a voz cheia de culpa.
— Não exatamente, ela estava falando de outra garota. – Explico. – Mas dá no mesmo!
— Não consigo imaginar a Mirian assim, ela provavelmente só repete o que os pais dizem.
— Quem é você para falar alguma coisa nessa situação? – Dou um riso nervoso. – Aliás, você mal se interessa em conhecer minha irmã, não pode imaginar nada.
— Então por que está conversando comigo? – Ele me encara por seis segundos, levanta da cadeira e vai embora. Parabéns, Nina. Destruindo a sua única amizade.

Agora estou completamente sozinha.

Quando acaba o intervalo, tenho três tempos de aula de biologia. A mesma merda de sempre. Professor, todo mundo aqui já entende do assunto e, se fosse para alguém engravidar agora, acredite, já tinha engravidado.

Por isso, eu fiquei desenhando qualquer rosto em uma folha aleatória do caderno. Folha pautada não é a melhor onde se desenhar, mas é a que eu tenho. Na saída, vou procurar a Mirian, que está logo a alguns metros, com a Marjorie, claro.
— Estou indo para casa, mas se quiser ficar aqui, tudo bem. Você sabe ir sozinha, não é? – Digo.
— Nina, porque você não conversa mais com a gente? – Pergunta Marjorie. Tento não olhar para ela, mas não consigo evitar. Olho-a por um milésimo de segundo e percebo que seus olhos estão marejados. Sinto como se meu coração acaba de se despedaçar e se espalhar pelo meu corpo, causando dor em toda a minha região toráxica. Mas seguro o choro e continuo com a minha fachada de "está tudo bem".
— Até mais tarde, Mirian. – Eu nem espero a resposta. Não importa o que dissesse, eu iria embora do mesmo jeito. Em dez minutos já estou em casa. Sem falar com ninguém, almoço e vou para o quarto.

De repente ouço um som abafado vindo da minha mochila, e quando pego meu celular, consigo distinguir que a música que toca é something, dos Beatles. É a Marjorie. Não atendo. Ela liga mais três vezes e enfim desiste. Alguns minutos depois, Mirian chega em casa, e, antes mesmo de almoçar vem falar comigo.
— Chega Marina, o que está acontecendo? – Quando ela me chama de Marina é porque está chateada. Ela sabe que eu não gosto muito do meu nome, a coisa da tradição e tal.
— Aonde quer chegar? – Faço-me de desentendida.
— Você anda chata, estressada, ignorando as pessoas, me deixou esperando... Acha que isso é você?
— Eu não ignorei ninguém. E talvez você esteja estressada e está vendo as coisas de forma negativa.
— Não estou estressada, não jogue contra mim. E ignorou sim.
— Desculpa, eu estava com pressa e nem devo ter percebido. Sério, eu estou bem. Não podia estar melhor.
— Faz dias que você não fala com a Marjorie, ela me pergunta por que e eu nem sei responder! Está me colocando numa situação complicada!
— Bem, diga a ela que você não tem nada a ver com isso. – Respiro fundo, tentando não dizer a ela o quão egoísta soou o que acabou de dizer. – E não me faça mais perguntas. – Lanço a ela um olhar tão mortal que ela resolve se calar. Na verdade, não acho que tenha se sentido ameaçada, só irritada. Pois saiu do quarto bufando.

Pego o meu celular para ouvir música, então lembro das quatro chamadas perdidas e quase ligo de volta, mas me reprimo. Ponho Clair de Lune para tocar. Essa música me fez amar músicas tocadas em piano.
— Eu fiz algo de errado? Por favor, me responde. Queria pelo menos saber porque você não está falando comigo. – De: Marjorie. Enviada às 13:23.

Estive um bom tempo evitando isso, porém acabo desabando. Em poucos segundos o meu rosto está encharcado com lágrimas. Abafo os sons com o travesseiro, o que menos quero agora é atenção.

Isso não é nada justo. Não apenas estou me ferindo, estou ferindo Marjorie. Quase cedi hoje. O fato é que, não importa a minha decisão, alguém vai sair machucado. Por que todo mundo não podia aceitar numa boa que eu sou gay? Por que eu não posso me apaixonar por uma garota, ficar junto dela e apresentar a todos sem problemas?

Notas finais
E aí, galerinha, o que acharam? Espero ter suprido suas expectativas. Beijos! :3