A estranha garota
23 Turva
Eu avancei primeiro, não perderia nenhum segundo contra ela.
Visto que eu avancei ela fez um movimento com o facão ameaçando cortar minha cabeça, mas abaixei e enfiei o canivete em sua perna. Ela recuou com a dor e entrou em posição de defesa.
Tentei quebrar sua barreira, mas fui lenta demais, ela enfiou seu facão em minha barriga e o afundou lentamente, causando mais dor ainda, de qualquer forma não poderia perder essa oportunidade, finquei meu canivete um seu ombro e a empurrei, o facão saiu bruscamente de minha barriga e meu canivete de seu ombro.
Meu sangue escorria como água da minha barriga, estava muito rápido, talvez não aguentasse muito. Mas não dava tempo e nem tinha condições de estancar.
Antes de cair deveria derruba-la também.
Como eu ela estava desgastada pelos ferimentos, não conseguiria mover muito bem seu braço esquerdo e sua perna direita. Iria ficar lenta.
Vendo essa vantagem e também sabendo que eu não iria durar muito avancei sobre ela e enfiei meu canivete em seu coração, ela caiu. Não demoraria muito para morrer, a deixaria ir por si só.
Virei de costas para ela e vi o Vicktor se movendo para trás lentamente tentando fugir, mas estava em estado de choque o que o atrapalhava.
Enquanto eu me distraia olhando Vicktor ela juntou suas ultimas forças para se levantar e fazer o movimento para enfiar seu facão em meu peito, mas Seitaro viu sua intenção e ficou na frente recebendo a facada ao invés de mim, seu corpo caiu aos meus pés.
–Depois eu vou querer uma recompensa por ter te salvado. — deu uma risada sem graça. — sabe que isso não foi de graça não é?
Ajoelhei ao seu lado em choque.
–Sim, pode me pedir. — disse com os olhos cheios de lágrimas. – mas tem que ser agora e rápido, se não for não o farei.
–Isso pode se meio desnecessário, mas... – ele cuspiu um pouco de sangue. – Eu realmente gosto de você, talvez seja até amor. Diga, você me ama?
Eu o apertei forte contra meu peito e sussurrei:
– Sim. Eu te amo Seitaro.
–Não minta para mim enquanto eu estou morrendo. Você ainda o ama não é mesmo?
Ele tinha que ser tão cabeça dura assim?
–Se eu o amasse o que estaria fazendo aqui chorando por você? Seu idiota. Ele já morreu há tanto tempo que nem sei se o amava. O passado não importa, o que importa é que você é meu presente.
Seus batimentos antes muito rápidos diminuíram até que parasse. O coloquei no chão delicadamente, eu já estava começando a ficar tonta, perdi muito sangue.
Sentei no chão coberto pelo tapete e olhei como eu pude para meu ferimento, pois as lágrimas e a tontura não me deixavam ver claramente, meu sangue pingava no tapete se alastrando rapidamente pelo tecido, logo estaria completamente vermelho pelo sangue de nós três.
Vicktor já tinha corrido dali a algum tempo. Talvez tenha ido até a policia. O coitado nem sabia o que estava acontecendo. Mas com policia ou não nada importava mais, já estava quase morta, estava sendo segurada pelos meus fracos dedos no penhasco, logo cederia e iria cair fria no chão.
Minhas mãos tremulas estavam cobertas de sangue, não me arrependo do que fiz, mas de ter envolvido gente que eu gosto nessa história por tanto tempo, mas isso acabou. Ela não conseguiria voltar mais no tempo, estava morta. E aquele cara narcisista não voltaria no tempo para ela, ele a amava e definitivamente iria prendê-la em sua dimensão para ter ela só para si, ele era egoísta demais para deixa-la sair de suas mãos se poderia tê-la.
Minha visão embaçava e não tinha mais forças para me manter assentada, cai no chão e meus olhos se fecharam para nunca mais se abrirem novamente.
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