Vinte de março de dois mil e dezoito, o grande dia inicial, da integração dos quatro participantes, que irão formar a elite, no torneio da chama. Esta edição, estava prometendo ser grandiosa, e memorável para todo o público telespectador. E Hectelia Lambert, fará o possível, para tornar o evento, um grande espetáculo de entretenimento, para que seu nome seja enaltecido pela mídia, e principalmente pelo presidente da organização do torneio, Cornélios Claus. Enquanto o mundo se preparava para acompanhar as transmissões, da etapa inicial, da primeira fase, Hectelia se reúne com seu assistente e aprovador, Ánton Furleau e o auxiliador único, Dion Wolks. Na sede oficial do torneio, localizada em Los Angeles, onde todo o processo de controle tecnológico, e idealização durante as etapas e os desafios da realidade virtual, eram administrados pela equipe principal de tecnologia, e supervisionado por Hectelia. Dion Wolks, exercia a excepcional função de auxiliador, responsável por elaborar, personagens e situações que irão favorecer, os integrantes, a passarem de nível, durante as missões. Dion era um homem de extrema confiança e um forte aliado de Hectelia. Por essa razão, os participantes das edições anteriores, costumavam ser eliminados, na terceira etapa do torneio, por ser conivente nos planos de Hectelia, no intuito de manter sua reputação na década, em que ela teve posse sob o controle do torneio. Por dez anos, nenhuma elite nunca havia conquistado a taça da vitória, e por dez anos, Hectelia se impôs em conceder essa satisfação, ao presidente do evento.

Neste grande dia, Hectelia decidiu organizar uma última reunião, entre os monarcas de sua equipe de tecnologia, para esclarecer algumas últimas dúvidas, mas desta vez sobre os convocados do torneio. Após cinco dias já terem se passados, depois de seu pronunciamento, todos os candidatos selecionados, não haviam declarado desistência. Sendo assim no dia de hoje, todos irão comparecer aos casulos instalados na capital de cada país, onde cada um dos convocados residia.

Hectelia, Ánton e Dion, já estavam presentes em um estreito escritório, na sede principal do torneio, algumas horas antes da inicialização, da primeira etapa. Todos já estavam sentados em sua determinada poltrona, na área central do escritório, aguardando declaração de Hectelia.

—Bom dia! Antes de começarmos... Gostaria de explicar os motivos, que me induziram a promover esse debate, entre nós três aqui... E agora-Declarou Hectelia, com sua forma serena em se pronunciar.

—Estou ansioso! -Disse Ánton, sendo irônico e com uma taça completa por vinho, em sua mão.

—Posso Imaginar, Ánton. Afinal... Mais uma vez, esse assunto é sobre sua pessoa, ligeiramente curiosa pra mim. Nesses dez anos, em que trabalhamos juntos. Ainda tento decifrar, algumas atitudes suas-Disse Hectelia, de uma forma calma, mas ao mesmo tempo tensa, para quem compreendia sua fala ali naquele instante.

—Não consigo compreender o porquê... Sempre me esforcei em ser o mais transparente possível, sob nosso entrosamento profissional. Mas se puder ser mais clara, sobre suas dúvidas... Estou aqui, ouvindo-Disse Ánton, com o mesmo tom de leveza em sua voz, parecido ao de Hectelia, porém sempre destacando seu sorriso debochado.

Dion permanece calado, durante o debate dos dois no local, mas sem deixar de aproveitar uma boa porção de vinho, ao se fazer de desentendido.

—É claro. Serei mais específica e distinta, na medida do possível, Ánton. Vamos falar sobre, Itam Mehmet. Um dos dois candidatos, que concedi sobre sua decisão de escolha. Turquia? Sabe que não tenho empatia por terroristas... Muito menos, nosso povo norte americano-Disse Hectelia, enquanto degustava uns petiscos de queijo, sob uma bandeja ao seu lado da poltrona.

—Terroristas? (Risos) Não acha que está sendo um pouco inapropriada, nessa conjugação? -Perguntou Ánton, ao ficar pasmo, com a declaração.

—Como devo intitular?

—Europeus? É isso que eles são, pois a maior extensão da Turquia... É constituída na Europa!

—Uau, um geografo. Parabéns, Ánton estou orgulhosa. Mas eu devo chamá-los de árabes e Judeus, é claro-Respondeu Hectelia, como sempre, sem perder a compostura, perfeitamente equilibrada na voz e expressões.

—Uma porcentagem da população, é sim definida como judaica... Porém os tempos são outros, Hectelia. A era Hitler, já passou-Debochou Ánton, que sempre agia com gentileza, nos debates com Hectelia, sob uma falsa demonstração de amizade entre eles.

—Não banque o engraçadinho... Durante esses dez anos, que vivenciou ao meu lado, sobre meus métodos de trabalho... Sabe que nunca permiti, que integrasse ninguém, desses países árabes. E quando lhe concedi a oportunidade, de tomar duas decisões em meu lugar. Decide me entregar de surpresa, um Turco? -Questionou Hectelia, de forma calma.

—Não consigo entender o porquê desse seu peculiar, preconceito com os árabes... Além disso, essa sempre foi minha função. A diferença é que desta vez, resolveu interferir-Respondeu Ánton, completamente acomodado a situação.

—E mesmo assim, suplicou em me decepcionar. Não preciso apresentar minhas justificativas, a ninguém aqui presente. Sou a organizadora chefe, e responsável até pelos atos inconsequentes, de vocês-Disse Hectelia, de forma sucinta.

—Só o que posso dizer é... Sinto muito. (Muxoxo) Mas agora, já está concretizado... Itam Mehmet, é um dos quatro integrantes convocados, do torneio da chama-Disse Ánton, sob um tom de ironia na voz, enquanto ainda degustava seu vinho tranquilamente.

Naquele momento, Hectelia comprimiu suas pálpebras, expressando um olhar de indignação, nas declarações de Ánton. Porém ela nunca deixava de perder sua pose, e educação sobre quaisquer circunstâncias, diante de aborrecimentos.

—Que assim seja. Dion me apresentou alguns croquis, e modelos arquitetados, para serem integrados, nesta fase inicial. Como sempre, superando minhas expectativas-Disse Hectelia, disposta a menosprezar Ánton.

—Obrigado Hectelia. Só cumpro meu dever, como uma forma de gratidão, por ter me incluído nesse cargo-Disse Dion, ciente das provocações de Hectelia, mas disposto a se aliar aos seus planos, por qualquer motivo.

—Eu já recolhi a pasta, com os seus modelos e planos de auxílio elaborados... E entreguei a equipe central de tecnologia. Por isso, tudo já está cordialmente definido, para ser colocado em jogo. A revisão da equipe de segurança, em cada um dos casulos, instalados nas capitais... Foi concluída com êxito, evitando um processo, de falha mecânica. Com certeza esses integrantes, absorveram todas as informações escritas, nas clausulas do nosso contrato, durante esses dias. Então seremos severamente cuidadosos, entre todos os aspectos prejudiciais, enquanto eu estiver no controle-Declarou Hectelia, formando um ar de sorriso sereno.

—Com toda certeza... Seremos integralmente, profissionais-Respondeu Ánton, como sempre, de forma irônica, diante de Hectelia.

—Perfeito. Daqui algumas horas, os quatros selecionados... Entrarão em coma vegetativo, dentro das capsulas de soma hibérnico, que intitulamos de “Casulos” Esses integrantes ficarão três dias completos, sob esse coma. Com suas mentes conectadas, a uma experiência virtual, criada por nossa equipe de tecnologia... Durante nossa supervisão, enquanto acompanhamos toda experiência deles, transmitida neste monitor-Disse Hectelia, que logo após, sacou uma espécie de controle remoto, que servia para ligar o grande monitor de transmissão, na parede do escritório.

—Não entendo por que nos fornece essas informações? Sendo que já estamos nisso, a dez anos-Questionou Ánton, a fim de dar umas pinçadas em Hectelia.

—Porque devido a alguns episódios recorrentes, me sinto na obrigação... De recordá-los, sobre suas funções e deveres-Respondeu Hectelia, sem perder a postura, finalizando com um sorriso indiscreto.

—Compreendo perfeitamente-Respondeu Ánton.

—A essa hora, os integrantes escolhidos... Já devem estar nos postos do casulo, em cada capital do país em que residem, Hectelia-Disse Dion.

—Sem dúvidas. Entrarei em contato, com os funcionários responsáveis, pela recepção e cuidados de cada um dos postos. Antes disso, alguém gostaria de implementar alguma opinião útil? -Perguntou Hectelia, privando sua intenção de atingir Ánton.

—Por enquanto, tudo está perfeitamente claro pra mim-Respondeu Ánton, novamente estampando um sorriso, finalizando seu deboche.

—Perfeito. Preparem-se... Daqui algumas horas, iremos começar-Disse Hectelia, ao se levantar, finalizando o diálogo.

Itam Mehmet, havia acabado de chegar no posto de integração do torneio, onde era situado em um pequeno edifício privado da organização do evento, localizado no centro de Istambul. Todos os países, que se encaixavam na lista de coleta, dos participantes convocados, possuía um edifício oficial da organização, para facilitar o acesso dos candidatos. Evitando transtornos e impossibilidades de deslocamento, de um país para outro, caso o participante não possua um passaporte, ou alguns outros tipos de questões pessoais dificultadas. Sendo assim, todos poderiam serem integrados, em seus próprios países de origem natural, durante toda edição do torneio da chama.

Após cinco dias corridos, com sua decisão formada Itam, já se encontrava preparado psicologicamente a enfrentar tudo o que surgir, graças a sua nítida empolgação. Estava acompanhado por seu mais potente apoio emocional, sua irmã Voyla Mehmet. Os dois juntos, aguardavam em uma sala de espera, confortável e bem elegante, com duas horas de antecedência, após a chegada ao local. Itam já estava nutrido de todas as regras e informações, escritas nas cláusulas do contrato, em que assinou por e-mail, após ter recebido a notificação de sua seleção. Mas sua alta confiança, enfrentava uma divergência intensa, devido uma leve sensação de ansiedade que ele sentia, porém Itam sabia muito bem, lhe dar com certas emoções. Sua irmã Voyla, também sofria de ansiedade pura, e um profundo nervosismo por Itam. Voyla decidiu acompanhar seu irmão, durante a viagem do estado de Antalaya, até Istambul, para apoiá-lo neste início de uma nova etapa, em sua jornada.

Voyla e Itam, aguardavam alguma manifestação, dos recepcionistas e responsáveis pela instalação interna do local. Alguns funcionários e auxiliadores, contratados pela organização do torneio, para acompanharem todo o processo de condicionamento mental, no decorrer dos três dias em que Itam, será integrado ao programa de realidade virtual, confinado dentro de uma sofisticada cápsula de hibernação, denominada de “Casulo”. O local estava transbordado de silêncio, devido ao nervosismo e ansiedade em comunhão dos dois, mas Voyla resolve quebrar tensão, na tentativa de puxar assunto, com seu irmão, que já estava a roer as unhas das mãos.

—Você precisa se acalmar! Vai dar tudo certo, por que quando você sair, daqui a três dias... Vai sair um campeão, para o mundo inteiro te aplaudir! -Disse Voyla, com os ânimos elevados, para induzir Itam.

—Voltar campeão? (Risos) Ainda faltam três anos, pra isso-Disse Itam, enquanto ruía as cutículas de seus dedos.

—Sim, mas quem liga? Eu sei, que você vencer isso! Não digo isso por ser meu irmãozinho, mais velho e tão amado! Digo, porque você merece vencer o mundo! -Disse Voyla,

—Estou muito contente, por ter vindo até aqui comigo, como minha acompanhante. Eu precisava muito, de um apoio motivacional. Te amo sabia, peixinha? -Declarou Itam, estampando um sorriso de afeto puro, quando se levanta para ir abraçá-la.

Todo o carinho entre os dois de repente é surpreendido, pela entrada de um dos assistentes de hibernação, ao abrir a porta da sala, sem antes bater para avisar.

—Olá e boa tarde! Senhor Mehmet! Daqui algumas horas, iremos colocá-lo sob um estado vegetativo... Onde iremos acompanhar todo o seu processo, de navegação mental, durante seu coma em nosso casulo. Mas antes de tudo, irei lhe informar sobre alguns procedimentos, antes de iniciarmos-Disse o assistente, de pé parado de frente para o dois, na porta de entrada na sala.

—OK! Pode falar-Respondeu Itam, voltando a elevar sua ansiedade.

—Pois bem... Você ficara três dias em coma total, durante sua experiência mental. Nossa cápsula de soma, denominada de “Casulo” É uma máquina da mais alta tecnologia e eficiência, capaz de repor todos os nutrientes, que seu corpo consumia... Antes de assumir esta condição física, que seu corpo irá enfrentar durante o coma. O tempo no decorrer da experiência mental, irá correr exatamente igual ao de nossa realidade. De modo que você sentira sono, irá dormir ao cair da noite, como de costume em sua realidade. Durante todo esse processo de subjugação mental. Agora irei falar de uma forma mais descomplicada. Daqui três dias, você acordara, exatamente como o mesmo corpo físico e musculatura, que entrou. Dias terão se passado aqui, com as mesmas horas, que terão se passado na realidade virtual. O senhor receberá, um conjunto de peças de roupas cinzas, feitas de um tecido leve de algodão. Deverá ficar descalço e sem nenhum objeto metálico, introduzido em sua pele ou orifícios. Basicamente é isso, o restante das informações necessárias, serão esclarecidas ao senhor, durante sua experiência mental. Todos aqui somos turcos, mas falamos outros idiomas. Alguma dúvida? -Perguntou o assistente ainda pé, com os braços para trás.

—Uau! Por enquanto é só, obrigado meu caro ami... -Respondeu Itam, na tentativa de terminar sua fala, ao ser interrompido por Voyla.

—Eu tenho uma! Gostaria de saber, por que dizem que o complexo do casulo, é localizado nas capitais dos países, dos selecionados... Sendo que a nossa capital, não é Istambul e sim Ancara-Questionou Voyla, lançando uma pergunta meio desnecessária, para ocasião, porém interessante.

—Infelizmente essa dúvida, ainda tenho como responder. Sei que costumamos, construir nossos complexos do casulo, nas maiores metrópoles do país. Mas enfim... Agora preciso que me acompanhe, senhor Mehmet-Respondeu o assistente.

Naquele instante os dois rapidamente se abraçam novamente, para completar a despedida antes da partida de Itam.

—Nem preciso dizer, que serei sua maior torcedora aqui né? -Perguntou Voyla, que ao se desfazer do gesto de despedida, entregou um singelo beijo na testa de seu irmão alto.

—Eu sei disso. Agora vou lá, tentar restaurar nossa antiga vida. E eu irei conseguir.

Ao entrar no estreito cômodo, chamado câmara do casulo, Itam já estava vestindo uma longa camisa cinza, um pequeno short com o mesmo tecido e tonalidade e com seus pés descalços. Itam foi instruído, a entrar desacompanhado no estreito cômodo. Ao chegar na sala, era possível notar a grande e magnífica cápsula branca, com detalhes pretos e localizada na região central, deitada sobre um base de mármore. Toda a região a sua volta, era quase que impossível de ser enxergada, por conta da escuridão total que cobria tudo ali, menos ao redor da cápsula. A única parte que recebia luz perceptível, direto do teto da sala, para que Itam, enxergasse seu único objetivo ali, que era ir até o casulo. A capsula estava com seu compartimento aberto, para que Itam se deitasse, sobre interior acolchoado, com o formato de seu corpo. Ao se aproximar, Itam nota alguns dispositivos internos nas laterais da cápsula, com agulhas, que seriam aplicadas automaticamente em algumas partes de seu corpo, ao se deitar ali. A tampa aberta do compartimento, era do mesmo material rígido metálico, onde se encontrava uma parte de vidro, para deixar visível sua face total, dentro da capsula.

Itam respira fundo, fecha os olhos e cuidadosamente se deita, no acolchoado da cápsula, enquanto ditava sua oração, em um baixo tom de voz, para que somente ele escutasse. Itam também observa, algumas pequenas luzes vermelhas, nas laterais da máquina, já ciente de que quando elas mudassem para a cor verde. Automaticamente a porta do compartimento fecharia, dando início a todos os processos de inicialização do coma. Ele volta respirar fundo, completa novamente uma última oração ao seu Deus de devoção e de repente, as luzes ficam verde.

Na área da sala de sua residência, Rosalyn Barkhan se preparava emocionalmente, para partir até o complexo do casulo, localizado no centro de sua cidade. Rosalyn estava ciente de que uma van fretada pela organização do torneio, chegaria a qualquer momento, para seguir o trajeto indicado, para levá-la até o endereço do complexo. Tudo já estava perfeitamente alinhado, para que ela partisse com tranquilidade, durante sua ausência de três dias. Sua irmã mais velha Evelyn, já havia se voluntariado a cuidar das pequenas, no decorrer dos dias em que ela irá se ausentar. Entretanto Rosalyn, ainda não depositava cem por cento de sua confiança, em sua irmã, mas não havia outro modo, pois ela ainda não estava em condições financeiras de arcar com uma babá para cuidar das meninas, nesse período de três dias fora. Mas Corina Barkhan, já era responsável o bastante, para ajudar a cuidar da pequena Lire Barkhan, se por um acaso Evelyn precisasse se ausentar, por algumas horas. Mas Rosalyn, ainda formava dúvidas sobre o caráter de sua irmã, porém Evelyn havia mostrado apego por suas sobrinhas, durante os dias em que retornou, para buscar redenção sobre seus atos passados.

Na tarde do grande dia inicial do torneio, Rosalyn estava aflita aguardando a chegada da van, enquanto encarava a rua, através do vidro da janela, em sua sala estar. De repente Evelyn, Lire e Corina, surgiram juntas, pra formalizar a despedida.

—Sabe de uma coisa, mãe... Eu vou estar aqui deste lado da tv, torcendo muito por você. E eu tenho certeza, de que vai se sair perfeitamente bem. Eu sei disso, eu sinto isso-Disse Corina, que se aproximou de sua mãe, dando as mãos para que ela agarrasse.

—Você foi a pessoinha, que mais me motivou e insistiu, que eu participasse disto! Aliás foi por sua causa, que sem saber de nada, fui parar nessa roubada. Vou estar lá por você, por sua irmã e por nossa felicidade! -Disse Rosalyn, com suas emoções exaltadas, com a forma como sua filha, se pronunciava nas declarações.

—Já somos felizes pela senhora sempre estar ao nosso lado. Confesso que vai ser estranho passar três dias sem sua presença, mas será por uma boa causa. Afinal... Vou estar assistindo tudo daqui, sem deixar nada passar despercebido.

—Tenho certeza disso, mas não sei se a senhorita se lembra... De que terá que cumprir o dever, de ir pra escola, sem faltas. Ok?

—Sim, pode deixar. Boa sorte mãe, te amo-Disse Corina, ao finalizar sua fala, entregando um abraço apertado em sua mãe.

—Obrigada meu amor. Também amo muito você-Disse Rosalyn, ainda com as emoções fragilizadas, mas contendo suas lagrimas.

Quando Corina se afastou, foi a vez da pequena Lire, dizer algumas palavras de despedida a sua mãe. Que caminhava devagar e com uma afeição triste, por não gostar da ideia de ficar afastada de Rosalyn, por esses dias determinados.

—Vou sentir sua falta mãe! Tenta voltar rápido, tá bom? -Disse Lire, enquanto agarrava sua mãe, com os braços entrelaçados na cintura de Rosalyn.

—Amor da minha! Você é minha preciosidade! Eu vou voltar, o mais rápido que eu puder. Prometo que assim que acabar lá... Vou voltar correndo, pra te dar um outro abraço desse. Está bem? -Declarou Rosalyn, agachando para poder facilitar o gesto de despedida, que sua filha lhe entregou com carinho.

—Se é uma promessa, então está bem! -Respondeu Lire, que logo após a despedia e o beijo dado com força na bochecha de Rosalyn, foi se juntar ao lado de sua irmã.

Evelyn estava visivelmente envergonhada de dizer algo de despedida para Rosalyn, se sentindo desnecessária naquela ocasião. Mas foi tomando coragem e se aproximando aos poucos, enquanto Rosalyn, respirava fundo para trancar sua vontade de chorar. Rosalyn observava a rua, através da janela com os vidros fechados, ignorando a aproximação de sua irmã Evelyn.

—Eu só queria dizer que... -Disse Evelyn, que tentava completar a frase, mas estava complicado, devido ao desinteresse de Rosalyn, em ouvi-la.

Rosalyn se calou sem dizer nada, aguardando o que sua irmã estava prestes a concluir com suas palavras inacabadas.

—Gostaria de lhe desejar boa sorte e... Prometo a você, que irei cuidar muito bem das meninas, como prova da minha intenção, de recuperar esses anos perdidos. Em que não pude conhecê-las. Sei também, que vai dar tudo certo-Declarou Evelyn, ainda sem jeito de pronunciar suas palavras, enquanto desviava seus olhares para os cantos.

—Obrigada. Confesso que ainda tenho desconfiança, sobre sua conduta. Foi por isso que pedi, para que a vizinha da casa da frente, ficasse de olhos nas meninas e em você também. Mas como infelizmente, não encontrei outra opção acessível... Decidi acatar seu pedido, de cuidar delas na minha ausência-Disse Rosalyn, de forma seca e sem sentimentos nas palavras ditas.

—Não precisa se preocupar. Dou a minha palavra que jamais, faria mal ou permitiria que alguém fizesse mal a elas-Disse Evelyn, ainda acanhada em olhar diretamente nos olhos de sua irmã.

—Beleza então! Mas na minha antiga profissão, que fui obrigada exercer graças você... Era sempre bom estar prevenida, por isso a senhora Wiking, virá aqui supervisioná-las de horas em horas.

—Que assim seja. Mas mesmo assim devo assegurar, que nada neste mundo... Fará mal a elas, enquanto eu estiver aqui-Disse Evelyn, que retornou ao lado das meninas, sem aplicar algum gesto de carinho em sua irmã, sabendo que Rosalyn ainda não se sentia confortável, para tal ação.

A van estampada com a imagem das palmas de um par mãos cruzadas, cobrindo uma alta chama, chegou emitindo três sequencias de buzinadas, ao estacionar de frente para calçada da residência Barkhan. Aquele momento era a deixa de Rosalyn, rapidamente ela apanha sua mochila em cima da poltrona da sala, com os objetos e peças de roupas necessárias caso ela precise. Com todo o desespero em partir a tempo, ao abrir porta de casa, Rosalyn interrompe sua velocidade e se vira, para dar uma última olhada antes de tudo, em suas filhas. Corina e Lire estavam uma ao lado da outra, observando Rosalyn, com um sorriso meigo estampado em seus rostos, com um olhar de despedida deixando nítido a falta que irão sentir de sua mãe, durante esses dias longe. Rosalyn retoma sua profunda vontade de soltar a lagrimas, que estavam sendo contidas, mas se manteve firme em não deixar que escapassem de seus olhos. Durante o momento em que se despedia das pequenas, com a troca de olhares entre elas.

—Eu amo muito vocês! -Disse Rosalyn, arrastando a palavras, devido ao nó na garganta, que se formou durante aquele instante.

Katelyn Higgins, já estava com tudo pronto para sua partida, no grande dia inicial do torneio, também ansiosa aguardando a chegada da van, que iria chegar no horário que estava se aproximando. Em seu quarto, esparramada sobre a cama, com os olhos fechados, Kate imagina inúmeras possibilidades, se vencesse esta edição do torneio. Algo que poderia ser um pouco improvável, pois em dez anos durante o comando de Hectelia Lambert, nenhuma Elite havia ultrapassado a terceira e penúltima fase do torneio. Mas isto não era motivo para que ela não idealizasse uma possível vitória a caminho, quebrando o recorde de dez anos, se pelo menos avançasse para quarta fase. Também imaginava, como poderiam ser seus parceiros de elite, se a convivência e pareceria desse certo entre eles, no decorrer desta jornada. Kate havia ficado tão incrédula, com a notícia de sua convocação no dia do pronunciamento, que não pode notar que Rosalyn Barkhan, foi selecionada para integrar sua elite na edição. Simplesmente não fazia ideia, porque os nomes dos membros da elite, só eram ditos e apresentados no dia do pronunciamento, após este dia, eles não seria reapresentados novamente em nenhum canal de notícia. E Kate estava mais preocupada, em como seria todo o processo, daqui pra frente.

Linda Kungan, ainda não concordava com a ideia de que Kate, iria ser incluída na nova edição do torneio, mas não teve muito o que fazer para impedi-la. Cuidadosamente com auxílio de sua cadeira de rodas, Linda entrava no quarto de Kate, para se despedir.

—Oi... Já entrei. Já que vai passar três dias fora de casa, vim me despedir como manda os costumes-Disse Linda, que se aproximou de Kate.

—Como manda os costumes? Sério que só veio pra seguir os costumes de boas práticas, de convivência e relação? -Perguntou Kate, que se levantou da cama, sentando-se na borda, para acompanhar as falas de Linda.

—Olha que eu sigo os costumes, na risca! (Risos)

—Está fazendo um ótimo trabalho mesmo-Debochou Kate.

—Mas vou dizer a verdade... Tem certeza de que não está sendo precipitada, em sua decisão? -Perguntou Linda, expressando preocupação em seu rosto.

—Tenho certeza absoluta! Há muitas possibilidades de sair como uma perdedora, porém... Vou receber um salário alto, durante a espera das temporadas seguintes. Essa grana será nossa, vai me ajudar em muitas coisas, devido as circunstâncias. Não tenho como arranjar um emprego, a senhora sabe disso, por essas e outras razoes... Vou me empenhar em ganhar essa parada, pra ficarmos milionárias! -Disse Kate, enquanto acariciava os cabelos crespos de Linda.

—Sabe que nem tudo nessa vida, se resume a dinheiro né? -Perguntou Linda, que ainda não parecia ter se convencido.

—Quem diz isso, nunca teve esperança ou ganância na vida... Ou é rico! E precisamos sim dessa grana, não podemos viver a base de seu benefício do governo. Essa grana, vai ajudar principalmente no tratamento de sua doença, que por enquanto... Não estou tendo como arcar! Por isso chega de paranoias e discursos bobos, sobre “Dinheiro não traz felicidade” e blá blá bla! -Debochou Kate, formando um sorriso bobo.

—Ok! Então não direi mais nada, sobre o assunto... Direi boa sorte, minha filha! Sempre vou torcer por sua felicidade, você sabe disso-Declarou Linda, que também acariciava as franjas laterais, do cabelo de Kate.

—Eu sei sim. E farei tudo isso, por nossa felicidade! Agora deixa eu pegar minha mochila, pois a qualquer momento, a van pode estacionar aqui na frente. Dolores já chegou? -Perguntou Kate, sobre a chegada de cuidadora de Linda.

—Sim, ela chegou sim. Já está lá na sala, mas você sabe que ela tem vida, né minha filha?

—Obvio que sei disso. A noite pedi para que o Jefrey, filho da vizinha do apartamento ao lado, desse uma olhada na senhora, de vez em quando.

—Você se aproveitou do pobre rapaz, porque sabe que ele é caidinho por você.

—Ele não é tão ingênuo assim... Mês passado ele se ofereceu para me ajudar, consertando a torneira da pia do banheiro... Com a condição de que eu estivesse tomando banho na hora-Disse Kate, com um ar de riso na pronuncia.

—Não acredito nisso! Mas quanto abuso! Conheço a mãe dele a tanto tempo! A mas ele não perde, por esperar! -Declarou Linda, ao ficar abismada com a notícia.

—Ele é só um nerd bobão! Mas é um bom garoto! Ele acabou de fazer dezoito, começou a despertar algumas curiosidades ainda-Disse Kate, ao posicionar sua mochila em suas costas.

—Acho que chegou a hora da despedida. (Suspiro) Boa sorte Kate. Sei que não sou sua mãe, também sei que ainda não consegue me chamar de mãe... Mas abriguei você como minha filha, em meu coração. E como minha filha de consideração... Vou sempre te desejar o melhor-Disse Linda, que estendeu os braços, esperando Kate ir abraçá-la.

—Mesmo ainda não conseguindo te chamar de mãe... Sabe que em meu coração, também te abriguei com uma! -Disse Kate, ao retribuir o gesto de Linda, de uma forma carinhosa e emocionante.

—Boa sorte, minha filha. Amo você.

De repente uma breve sequência de buzinas de carro, soa entrando pela janela do quarto, daí então Kate, logo percebe que aquele som, só poderia estar vindo da van, que ela aguardava a chegada.

—Obrigada! Também amo a senhora... Voltarei o mais rápido possível, com a solução para todos nossos problemas. Fui!

Glutar Zigler, estava transcendendo entusiasmo, enquanto estava a bordo da van que mantinha rota, para o complexo do casulo. O grande dia havia chegado, e tudo estava perfeitamente de acordo, sobre como deveria estar para Glutar. Entretanto Kirka Monteval, não se sentia capaz de compartilhar o mesmo sentimento, que Glutar estava exalando, mas já era de costume ela apresentar esse tipo de afligimento, sobre decisões precipitadas, que de vez em quando ele tomava. Neste dia Kirka, decidiu acompanhá-lo no trajeto até o complexo, situado na região central de Londres, sendo apenas alguns minutos de viagem, para o destino. Empolgado Glutar observava as ruas pela janela, por onde a van percorria, com um sorriso cômico estampado em sua face.

Chegando no local, ao descer da van de transporte de forma atrevida, sem esperar que o motorista abrisse a porta, Glutar já na calçada em frente ao pequeno edifício do torneio. Elevava suas respirações, para conter sua ansiedade, passando a postura de uma criança boba e alegre, quando chega ao parque de diversões. Kirka desce logo em seguida, sem se manifestar, deixando Glutar aproveitar cada instante do momento, tão esperado por ele. O prédio era belo e chamativo, com uma estrutura externa de pedra negra, semelhante a rochas de carvão, com algumas grandes janelas de vidro escuro, uma grande escultura de pedra, de frente a entrada principal, que formava o símbolo do torneio, as famosas “Mãos cruzadas, cobrindo a chama essencial”

Na área interna, Glutar e Kirka, foram acompanhados por um dos assistentes do complexo, até a sala de espera, para que ele se preparasse mentalmente, para o início dos procedimentos de condicionamento mental. Juntos no mesmo cômodo e prontos para definir a despedida, Glutar e Kirka, desviavam os olhares entre si, sem coragem para dizer algo.

—Vai sentir minha falta? -Perguntou Glutar, ainda sem jeito de dialogar com Kirka, como se estivesse acabado de conhecê-la.

—Não sei... Dessa vez serão apenas, três dias. E não três anos, então não acho que será o suficiente, para sentir sua falta-Debochou Kirka, olhando diretamente para ele.

—Uau! Olha só pra ela! Tão bonitona e atrevida! Como ousa? Ahm? -Debochou Glutar, com um tom de voz esganiçado, tirando breves gargalhadas de Kirka.

—Estou só provocando! É logico que irei sentir sua falta, não importa o tempo que passe distante de mim... Você sempre fara falta pra mim-Respondeu Kirka, de forma meiga, se aproximando de Glutar, para beijá-lo.

Por alguns instantes, o casal se entregou aquele momento romântico, se beijaram de uma forma calma e tranquila, para selarem a despedida de três dias. Mas o momento foi curto, devido ao tempo de inicialização, que se aproximava.

—Eu sei que você não é muita coisa sem mim, garota! -Debochou Glutar, enquanto com os dedos, brincava com a orelha de Kirka.

-Nossa, é impossível ser romântica com você né... Garoto! (Risos) Você é muito convencido! -Declarou Kirka, acariciando os cachos de Glutar.

—Garoto? Você está falando com um campeão! Sua insolente! Eu sou um escorpião... Igual a minha tatuagem, aqui do pescoço! -Declarou Glutar, de forma esnobe, novamente debochando.

—Uau... Um escorpião! Um campeão! E eu a insolente, né? -Perguntou Kirka, contendo os risos.

—Acho que você entendeu. Não preciso repetir.

—Eu também odeio você, sabia? É uma mistura louca, de amor e ódio.

—Hum... Amor e ódio? Gostei disso é excitante.

—Seu otário! -Debochou Kirka, dando um leve peteleco na testa Glutar.

—Eu sentirei sua falta também. Lembra que tudo isso é por você, por nós e por nosso futuro-Disse Glutar, de forma sincera.

—Beleza. (Suspiro) Estarei aqui torcendo por você-Declarou Kirka, esboçando um olhar singelo, de despedida.

—Senhor Zigler? Preciso que me acompanhe-Disse um dos assistentes do complexo, ao entrar na estreita sala de espera.

Após a entrada e a fala do assistente, os dois se abraçam finalizando o gesto, com outro breve beijo. Glutar caminha até porta, de costas para o assistente, enquanto encarava Kirka.

A sua volta, Glutar se esforçava em observar qualquer coisa através do breu, na sala do casulo, que rodeava a capsula hibérnica, onde ele teria que se deitar e relaxar, para dar início a todos os procedimentos. Glutar já estava vestido, com toda a vestimenta cinza padrão, para uso apropriado durante seu coma hibérnico. Eram trajes semelhantes a vestes hospitalares, basicamente com mesmo tecido leve. Naquele momento, Glutar teria que estar sozinho, no cômodo da cápsula, para entrar no equipamento de tecnologia avançada, após o aviso sonoro de liberação. Glutar estava integralmente ansioso, mas ao mesmo segundo, disposto a enfrentar a situação de forma corajosa, sem temer qualquer ocasião inusitada. Seus batimentos cardíacos aceleraram, seus olhos fecharam involuntariamente e sua mente esvaziou, como se o mundo ao seu redor, tivesse bloqueado a sua rotação natural. Até que por fim, o aviso sonoro na sala, suou despertando Glutar, de volta pra realidade. Ele já estava ciente, de que após o som emitido, teria que caminhar até a capsula na área central do cômodo, se deitando na parte acolchoada preta do aparelho, fechando a porta do compartimento automático logo em seguida.

Acanhado, Glutar já havia se deitado na cápsula, observando toda a região interna do compartimento, algumas agulhas cirúrgicas implantadas nas laterais e pequenas luzes de led vermelhas ao redor de seu corpo, na área acolchoada, onde se deitou para manter o corpo em total conforto. Rapidamente as luzes vermelhas se transmudam para verde, automaticamente a porta metálica da capsula se fecha, com travas de segurança, para evitar qualquer possível dano externo. A respiração de Glutar se eleva, deixando-o ainda mais aflito sobre a situação diante de seus olhos. Mas de repente todas as agulhas, que pareciam ser decorativas, se deslocam e se estendem automaticamente, penetrando nas áreas laterais do corpo esparramado de Glutar. A ação foi tão rápida e instantânea, que Glutar não obteve tempo para reagir contra a aplicação, que liberou uma substância, que havia sido aplicada em seu corpo, naquele instante. Lentamente toda sua consciência havia se desligado, contra sua vontade própria, devido a liberação da substância em seu sangue. A última cena que Glutar, foi capaz de distinguir antes de ficar inconsciente, foi a liberação de um pequeno aparelho em formato cilíndrico, saindo de um pequeno compartimento externo na cápsula, que se aproximou de sua testa. Deste momento em diante, Glutar já havia se desconectado mentalmente, de sua realidade.

Glutar lentamente abre seus olhos, relutante em restabelecer toda sua consciência, que por alguns breves instantes passados, havia sido perdida. Aos poucos ele consegue se reabilitar, sentindo suas respirações expressivas, sua visão se ampliando, os movimentos de corpo e o coração batendo firmemente. Como se nada de estranho houvesse acontecido, sentindo uma sensação semelhante a um despertar, de uma longa e cansativa noite de sono.

Com sua visão restabelecida por completo, Glutar assustado e confuso, observa o todos os aspectos do ambiente ao seu redor, enquanto estava deitado sobre uma camada de terra fértil, onde parecia crescer lindas e robustas plantas a sua volta. Com os dedos ele identifica a terra e as plantas que cresciam, e as que já estavam altas e maduras. Ao olhar para cima, é quase que improvável notar o céu azul, devido ao bloqueio da imersão dos galhos entrelaçados, das grandes árvores e da quantidade exponencial de folhas, com um impressionante tom de verde. Todo o local a sua volta, era sustentado por grandes e fortes árvores tropicais úmidas, com algumas raízes externas presas ao solo e cipós pendurados entre algumas ali presentes. Todo o verde destacado ao redor, era estonteante, aparentemente uma floresta rígida e rica em perfeições. Algumas gotas de orvalho, logo despencavam do alto das folhas, das árvores altas, caindo e escorrendo sobre seu rosto, pois ele ainda não havia tomado empenho, para se levantar. Foi quando um passarinho havia surgido, para alimentar seus filhotes, em um ninho no topo de um tronco rígido, que Glutar retomou suas energias corporais, para finalmente sentar-se.

Logo Glutar, se encanta pela extensão da flora a sua volta e as diversas variedades de espécies, de plantas tropicais, presentes no ambiente. Maravilhado com toda a experiência, Glutar observa cada detalhe do ambiente, formando um sorriso de encanto, sobre o que estava presenciando. Realmente era algo magnifico, que não poderia passar despercebido, dos olhos de qualquer ser humano ali. A situação foi tão hipnotizante, que Glutar só pode perceber, que ainda assumia sua forma física intacta, quando alguns raios solares, escapavam entre as folhas dos galhos altos, refletindo em seu corpo. Mas sua vestimenta atual, não era a mesma com a qual ele havia se vestido, momentos antes de entrar na cápsula. Vestia o traje negro padrão do torneio, com bolsos e compartimentos integrados no traje, que todos os competidores usavam, durante o processo ilusório. Porém havia um equipamento novo, não informado pela equipe assistencial do torneio, ajustado em seu braço esquerdo. Era uma braçadeira de couro forte preta, quase que colada em seu ombro, ajustada de forma firme, para que não se desprendesse em ocasiões de ação corpórea. Este novo equipamento, havia alguns detalhes informativos, tais como o sobrenome do competidor, estampado na renda da braçadeira, para identificar o jogador. Outra informação indispensável e a mais chamativa, era integração de quatro lâmpadas de led, alinhadas uma ao lado da outra, no formato de graciosas chamas de fogo, que estavam acessas sobre a braçadeira. Emitiam uma luminescência de cor alaranjada no centro, com contorno avermelhado. O equipamento parecia não ter borda de encaixe ou velcro, por ser feito de um tecido rígido, de couro.

Enquanto Glutar analisava a braçadeira, já equipada e ajustada em seu braço esquerdo, ele deixou de notar, que silenciosamente uma presença se aproximava dele por trás. Mas foi quando ouviu o estilhaço de um galho no solo, que rapidamente olhou para a pessoa, que caminhava de forma cautelosa, atrás dele.

—Quem é você? Já estou em missão? -Questionou Glutar, que se colocou em pé, empunhando uma pedra, que havia pegado para se defender.

—Calma. Se você notou minha presença... É sinal, de que fui muito descuidada.

—Não foi isso, que perguntei mocinha! Quem é você?

—Acho que somos parceiros de elite. Prazer... Me chamo Katelyn Higgins, mas pode me chamar de Kate.