A cidade das fantasias
3 Rosas Vermelhas
Notas iniciais
Eu estava deitada na cama encarando as rosas. Pensava no que o velho havia me falado depois que eu descobri que estava morta e o que havia acontecido depois...
– Bem, acho que por hoje já está bom, né? — falou o senhor para quebrar o silêncio que estava. O clima estava muito pesado.
– Ainda não. — falei decidida a saber mais, já que não tinha total certeza se realmente podia confiar nas palavras dele, pois tudo aquilo parecia ser tao surreal — se eu estou morta, porque não estou no "céu" ?
– Bem, as pessoas só vem pra cá quando fazem coisas erradas enquanto estavam vivas, não por serem más, mas por fazer escolhas ruins. Pelo menos a maioria das pessoas, incluindo você.
– Mas o que eu fiz de errado? Eu não consigo me lembrar de nada...
– É melhor eu deixar para te responder depois. Você ainda não está pronta para saber isso. Vai para casa, se estiver pronta, amanhã você volta.
Sai de lá furiosa.Teria que esperar até o dia seguinte para finalmente acabar com aquela curiosidade que me consumia. Luke, vendo que não estava bem, perguntou o que aconteceu, enquanto voltávamos para a "minha" casa.
– Como você veio parar aqui? — falei, ignorando a pergunta dele.
– Ue. Eu que te trouxe até aqui.
– Não isso. O que você fez para vir parar neste mundo?
– Eu morri, como você e todos os outros que vivem em Illusia.
– Mas o que você fez de errado para não ir pro céu?
– Eu me matei... — disse um pouco nervoso — por isso que sou um anjo da morte.
– Como assim? O que uma coisa tem a ver com a outra?
– Dependendo das suas ações em vida, você terá certas consequências após a morte. Na terra falam que se você fizer coisas ruins vão pro inferno e quem é bom vai pro paraíso, mas não é bem assim que funciona. Se uma pessoa má fizer coisas ruins, realmente vai acabar no inferno, mas suponha que uma pessoa boa fez más escolhas e acabou fazendo algo ruim, você acha q ela mereceria acabar com gente que, por exemplo, mata por crueldade?
– Não... — falei um pouco perturbada por tanta informação junta. Mesmo ainda não entendendo a relação de uma coisa com a outra, decidi esperar até onde iria chegar aquela conversa.
– Já que não é justo deixar, também, junto com quem foi bom a vida toda, então pessoas como a gente, assim que morriam, eram mandadas pra esse mundo e dependendo do que você fez de ruim, se transforma em um determinado tipo de ser.
– Então a gente ta aqui como punição?
– Eu não diria "punição" e nem "castigo", eu acho mais que isso é um ensinamento... — ele pensou mais um pouco antes de continuar a falar — somos mandados pra cá igual a como somos mandados pro mundo dos humanos, totalmente puros. Nós estamos aqui para aprender que devemos pensar mais antes de fazer algo, para que, na próxima vida a gente nao erre de novo. Tanto que quando paramos aqui, não nos lembramos das coisas ruins que aconteceram, por isso que você não sabe o que fez. Isso serve para vermos que o que fizemos foi loucura. Reconhecemos o erro.
– Se dependendo do que eu fiz, me transformo num tal ser, o que eu posso ter feito de ruim para virar uma gata?
– Quando as pessoas se transformam em meio- humano-meio-bicho, não da para ter previsões exatas do que fez, já que podem ser várias coisas, mas dá pra saber o que você nao fez.
– ME CONTA!! ME CONTA!! — falei totalmente ansiosa para ter pelo menos alguma informação útil para descobrir o que eu podia ter feito.
– Calma, eu vou falar... — pensou um pouco antes de continuar- você não fez nenhum mal terrível para alguma pessoa, já que não é uma bruxa, e também não matou ninguém, já que não é vampira, além de não ter se matado, pois não é igual a mim.
– Mais alguma coisa? -perguntei um pouco aliviada de não ter feito coisas ruins para outras pessoas.
– Não que eu me lembre.
Assim que Luke defalar, nós chegamos no "meu" apartamento. Ainda não estava acostumada com a ideia de morar lá.
Quando chegamos em casa, percebi que havia várias outras rosas no vaso, mais do que antes de ter saido. Percebendo o quanto estava confusa, Luke falou:
– Ah, toda vez que alguém coloca flores no seu túmulo, elas aparecem no vaso. Acho que você deve gostar bastante de rosas vermelhas, já que é a única flor que vejo no vaso -quando falou isso, eu fiquei um pouco corada. Apesar dele parecer bem sério e arrogante, na verdade devia ser um amor para as pessoas que gostava — Bem, acho melhor te deixar um pouco sozinha, você deve estar meio sobrecarregada com tanta informação. Até depois, Sophy.
– Até depois, Luke -disse ainda envergonhada.
E foi assim que acabei aqui, deitada nessa cama. Pensava em quem poderia ter mandado aquelas rosas. Será que tinha algum jeito de saber? Isso era algo que devia perguntar depois para Luke.
Continuei a pensar como as pessoas da Terra deveriam estar se sentindo agora. Será que alguém realmente estava sentindo falta de mim? Vai ver só me mandaram flores por educação.
Acabei dormindo, sem perceber, enquanto pensava no que poderia estar acontecendo no mundo dos humanos nesse momento e se alguém estaria com saudades de mim.
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