A caminhada da Morte
2 Capitulo 2
João pensava como era possível adolescentes de 16 anos, sobreviverem em um ataque de zumbis sozinhos. Isabella abraçava seu próprio corpo, o tempo começara a mudar do calor para o frio e iniciou uma ventania. Mylena andava com um olhar duro no rosto, nem parecia a mesma de sempre. Carol andava no lado oposto do dela, não querendo se aproximar muito. Daisy ia agarrada no braço de João, que as vezes disfarçava para fazê-la soltar dele. Rafael ia na frente levando consigo um vergalhão. Douglas andava ao lado de Mylena tentando a reconfortar, mas qualquer pessoa que falava com ela, ela não dava a mínima. Renan andava ao lado de Isabella, a abraçando de lado, notando que ela estava com frio, oferecendo seu casaco para ela. Ela negou, então eles dividiram o casaco juntos. Isabella gostava de Renan e ele era idiota o bastante para não perceber. Anna Paula tinha cabelos castanho claros e sempre o usava como rabo de cavalo, andava com os braços envolvidos no da amiga dos cabelos longos pretos com algumas ondas, Mariana. Tatiana, a loira dos cabelos longos, caminhava apoiada no ombro de sua amiga Bruna. Bruna andava um pouco lento, para não apressar sua amiga que estava com o joelho machucado. Ela já suava com seus cabelos castanhos com mechas rosas na ponta que colavam em seu rosto, ajeitou seu óculos com sua mão livre e fitou Tatiana.
— Já chega, você já pode andar, ralar um joelho não é nada. –Ela soltou Tatiana.
— Você é uma ignorante, viu?! Sua amiga tá machucada e você não tá nem aí?! –Os alunos ouviam a discussão das duas atrás deles, apenas ignoravam, estavam tensos demais para ligar para aquilo.
— Deixa de ser enjoada, garota. –Bruna falou.
— Aff. –Ela bufou andava mancando, fingidamente.
Eles chegaram na calçada da frente do colégio, e uma vã branca já estava esperando por eles.
— Você é o motorista do Professor não é? –Carol Perguntou.
— Sim, sou, cadê ele? –O Cara abaixou o vidro do carro, olhando para a garota.
— Ele não pode vir...ele mandou a gente vir no lugar dele...ele teve que ir com o..carro dele. –Mentiu Carol.
— O carro dele está em casa, e é da mulher dele, eu sou o motorista dele, por isso ele me chamou.
— Ela veio buscar ele por que estava desesperada. –Carol tentou parecer confiante.
— Ela está trabalhando fora do país.
— Ok, senhor...ahn...ele foi mordido, mas é verdade que ele mandou a gente ir no lugar dele. Aliás..você não veio aqui atoa, não é? -João deu um passo a frente, olhando para Carol com um olhar do tipo “você é péssima em mentir”.
— Como posso acreditar em vocês agora depois dessa garota ter mentido? –Ele desceu do carro.
— Garota idiota também! –Bruna reclamava atrás do grupo.
— De qualquer forma você nunca iria acreditar, em jovens estudantes que você nunca viu antes, completamente suspeitos pela morte de seu chefe ou seu patrão..que seja. –João reclamou.
— Você não tá ajudando...-Carol ao seu lado deu um soco de leve em seu braço.
— Exatamente o que o garoto falou. Como posso saber se vocês não mataram ele pra se aproveitar e ir por ele não ter deixado? –Ele deu uma cutucada com seu dedo indicador um pouco forte no ombro de João.
Todos ficaram calados, gemidos vieram de mansinho atrás do motorista, ele olhou de lado, com seus olhos arregalados.
— Sai daí!!! –João agarrou seus braços e o jogou para o lado não muito longe pelo peso o cara.
— Qual é! Não poderia ter simplesmente deixado ele morrer?! -Rafael empurrou todo mundo e entrou no carro, já com as mãos no volante, e os pés prestes a pisar no acelerador. –Quem quiser ir comigo, suba agora! Vou contar até dez.
O Zumbi agarrou os ombros de João e o empurrou no chão, abrindo sua boca, prestes a morde-lo, espalhando todo seu mau-hálito no rosto dele. Um. Tatiana subiu no carro e Bruna foi atrás dela. Dois. Carol chutou a cabeça do Zumbi, e ele a colocou para trás, gemendo de dor, logo agarrando seu pé com uma das mãos. Três. Mais Zumbis se aproximavam com toda aquela gritaria. Quatro. Mylena entrou no carro e gritou Carol para entrar também, mas ela continuou a lutar com o Zumbi. Cinco. Renan pegou um paralelepípedo e pulou no Zumbi esmagando sua cabeça com ele. Seis. O motorista que estava jogado no chão, engatinhava para trás, fugindo Zumbis que iam até ele. Sete. Isabella pulou na vã e puxou Carol. Oito. Renan gritou João que estava tentando ajudar o motorista. Nove. Anna Paula correu até João e o puxou pela blusa e entrou na vã junto com Mariana e Renan e ele. Dez.
Quando todos estavam dentro da vã, ouviram um grito familiar do lado de fora. João olhou dentro da vã procurando por Daisy. – Cadê...-Quando olhou para a janelinha do veículo viu a garota gritando no chão com vários Zumbis a sua volta. Ela viu o garoto e gritou chorando para o mesmo.
— Jhonny!
— Pare o carro agora! –João foi até Rafael que já tinha pisado no acelerador e já se distanciavam da garota.
— Seu imbecil! –Ele deu um soco na cara do mesmo que ignorou o aviso.
Rafael deu um chute na canela dele com sua perna direita, enquanto a esquerda pisava firmemente no acelerador.
João correu até a janela de trás, observando aqueles milhares de Zumbis em volta de Daisy e do Motorista, não podendo identificar de quem era aquele sangue todo que era espirrado pro alto. Ele deu um soco na janela e a escola foi ficando cada vez mais distante.
***
No banco da frente, Tatiana sentada no banco carona discutindo com Rafael.
— Você sabe dirigir isso?!
— Eu to, não to? –A vã deu um pulo que todo mundo pulou e bateu a cabeça no teto.
— Ai, seu idiota!
— Relaxa, relaxa. Meu pai me ensinou. –Quando ele virou a esquina, o carro ficou inclinado para o lado faltando pouco pra ele capotar.
— Alguém pelo amor de deus...SABE DIRIGIR? ELE VAI NOS MATAR!! –Gritou Tatiana, se encolhendo no banco, colocando o cinto de segurança rapidamente.
Todos teriam rido se eles não tivessem naquela horrível situação de zumbis e tal. Anna sentou ao lado de João tentando conforta-lo.
— Calma, tá tudo bem... a gente vai conseguir sobreviver, todos nós...juntos. Tudo vai se ajeitar, acredite. –Ela disse, segurando em seu braço.
— Como você pode ter certeza? Já foi uma, isso que a gente só saiu do colégio, eu imagino o que a gente vai ter que passar para sobreviver nesse apocalipse. –João tocou o vidro da vã, olhando para a paisagem, para as árvores, seria nostálgico e bonito se não tivesse tantos zumbis por ali, e pessoas caídas no chão prestes a se transformarem, carros capotados..postes caídos..e tudo mais.
— Eu acredito...que possamos vencer. –Anna sussurrou e se levantou da cadeira, sentando agora ao lado de sua amiga Mariana.
Mariana estendeu a mão para ela, e Anna a segurou. –Juntas. Você não tá com medo?
— Só me preocupo com minha família, e minha sobrevivência. Aliás, todo mundo se preocupa com isso, mas acho que não tenho muita chance. –Mariana dizia um pouco baixo.
— Nunca te vi assim, sempre era... alegre, ou irritante, não que seja. –Ela tentou dar um sorriso. –Mas...cara, eu tenho asma, eu sou a mais fraca daqui.
— Já olhou pra Mylena? –Mariana olhou Anna nos olhos dando um sorriso largo.
— Hahaha, cuidado, ela tá revoltada, pode te dar um soco. –E as duas riram juntas.
***
Depois de Tatiana ter discutido o bastante com Rafael, foi para o banco de trás, sentando ao lado de Bruna, que estava olhando para o lado de fora, cobrindo seu rosto com seu cabelo.
Ela virou o rosto olhando para a loira, e passou a mão nos olhos e em seu rosto, limpando suas lágrimas rapidamente, para a mesma não notar que ela estava chorando.
— O quê...o quê você quer? –Disse Bruna.
— Desculpa pela minha frescura lá no colégio. –Disse Tatiana.
— Tudo bem. –Ela virou o rosto de novo.
— Porque...você está chorando? –Tatiana percebeu outras lágrimas escorrendo no rosto de Bruna.
— Não to chorando.
— Para, cara...eu quero te ajudar. Eu sou sua amiga, lembra?
— Eu acabei de ligar para minha casa...mas ninguém atende...eu to com medo e se eles.. morreram? –Bruna deixava mais lágrimas escorrerem.
— Pensamentos positivos. Teremos que ter muito para aguentar isso tudo.
— Tá dizendo que se eles morreram eu deveria esquecer e continuar em frente?
— Não, mas...de qualquer forma...sim.
— Tentarei ser forte.
— Mas você é. –Tatiana sorriu. –Quem foi que batia nos garotos no colégio?
— Você...e eu. Mas... ah, vou tomar coragem. –Bruna deu um pequeno sorriso.
— Assim que se fala.
Depois de ficar um tempinho sozinho, João se levantou e foi para o banco de trás, que eram de 6 pessoas. Carol, Isabella e Renan estavam lá, João foi até esse banco se sentando ao lado de Carol.
— Obrigado por me ajudar, obrigado também, Onii-chan. –Ele disse para Renan, bagunçando seus cabelos loiros.
Os dois sorriram e deram um abraço em grupo.
— Eu também quero abraço...-Disse Isabella no cantinho.
Logo depois Carol e Renan também abraçaram ela e João também.
— Desculpa por não ter feito nada, eu tava muito assustada, e quando vi...eles já tinham te salvado. –Admitiu Isabella.
— Tudo bem, eu entendo que na hora do desespero ninguém sabe como agir.
— Eu agi. –Disse Renan.
— Eu também. –Carol também.
— Ah cara...não me façam me sentir tão mal. –Isabella olhou para baixo.
— Tudo bem, eu tenho meus anjinhos da guarda. –João sorriu, abraçando Renan e Carol com cada um de seus braços.
— ...”Anjinho da guarda”? Que gay. –Disse Carol logo começando a rir, junto com Renan e Isabella.
— Vai se fuder, cara. –João fez uma cara de sem graça.
— Ok, de boas, mas...PAREM DE ME EXCLUIREM DE ABRAÇOS! –Isabella gritou não muito alto.
— Senta aqui no meu colo então, fica mais pertinho. –Disse Renan.
— ...Hm...Ok né. -Brincou Carol.
Depois de João e Carol trocarem risos, várias mãos de Zumbis passavam nas janelas da vã.
— Merda! –Xingou Rafael lá na frente.
Vários zumbis se encontravam ao redor da vã, centenas na frente, nos lados, atrás. As garotas fechavam os olhos ao verem os zumbis em suas janelas.
— VOCÊ NÃO SABE ACELERAR E ATROPELAR ELES NÃO?! –Gritou Tatiana.
— Se desse, espertinha, tenta então! –Rafael pisou no acelerador, e pode-se perceber que a vã pendia pro lado. — ELES ESTÃO EMPURRANDO! SÃO MUITOS!
Ele não tirou o pé do acelerador, mas a vã mal se mexia.
— PORRA!
A expressão dura de Mylena saiu de seu rosto, transformando-se em medo.
— Aaaaaaaaaaah! –Ela começava a gritar, se afastando o máximo da janela. Virou o rosto, fitando, seus amigos, ou o chão para não poder encarar aqueles rostos horríveis de zumbis em sua janela. Alguns sem olhos, outros sem braços, dentes tortos, sangue no rosto... as janelas estavam completamente marcadas com mãos ensanguentadas.
— Mylena cuidado! –Bruna gritou.
Quando ela se virou, um zumbi socou a janela, agarrando o braço de Mylena, a puxando para a janela. Mylena fez um escândalo tentando se soltar, mas a força do zumbi por incrível que pareça era forte.
— Me solta!!!! –Ela bateu seu braço no banco, tirando os dedos do zumbi de seus braços, saindo daquele banco, agora se sentando no chão, respirando ofegante, com o coração bastante acelerado.
Todos se afastaram das janelas, se sentando no chão, assim como Mylena. Mais xingamentos viam do banco da frente de Rafael. A vã balançou e saiu rolando morro abaixo, esmagando todos os zumbis pela frente.
Depois de saírem rolando, lá na rua de baixo, vários prédios se encontravam ao redor. Ninguém morrera na queda, felizmente, será que seria um bom lugar para se abrigar nesses apartamentos? Ou mais zumbis se encontrarão lá?
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