A caminhada da Morte

3 Lutando para sobreviver


Todos saíram do carro, mais alguns zumbis se encontravam ali embaixo, talvez sete, na vista deles. Com aquele barulho todo da vã batendo no chão, os zumbis se aproximavam. Todos saíram pela janela, que agora estava no teto. Ficaram de pé em cima da vã, observando o lugar, procurando por algum lugar seguro. Os zumbis se aproximavam cada vez mais, Rafael desceu para trás da vã, dando sinal para que todos viessem também.

Se esconderam atrás da vã, olhando para um prédio que aparentava ter cem andares que estava a frente deles. A porta estava quebrada, com um dos lados tombado para o chão, mas tinha algumas cadeiras, vasos de plantas altos, um armário e um sofá do lado de dentro do condomínio, que impedia de poder entrar dentro com tantas coisas bloqueando a porta.

– Provavelmente tem pessoas lá. –Disse João o mais baixo possível para os zumbis não ouvirem.

– Eu tenho certeza, mas a gente vai entrar, pelo menos eu tenho. –Disse Rafael, já na frente do condomínio, tentando empurrar a porta.

– Isso é inútil, vai ficar até ano que vem aí. –Tatiana reclamou, de braços cruzados.

Ele chutou a porta umas três vezes até ela se quebrar, sussurros vieram de lá de dentro.

Ele ignorou passando por dentro da porta, e empurrando o armário o fazendo cair, já dando para entrar.

Gemidos de Zumbis se aproximavam, os zumbis aparecerem atrás da vã, se aproximando do condomínio.

– Quem é você?! –Uma mulher que parecia ter 37 anos, apontara uma arma para Rafael, era morena com cabelos pretos presos em um coque.

Ele levantou os braços, dizendo calmamente. –Sou Rafael, e estes são meus amigos de colégio. Fomos atacados por zumbis, peço educadamente que nos deixe entrar, ou iremos morrer ali fora, compreendeu?

– Saia daqui agora se não quiser ser morto! Não temos vagas, e não oferecemos para qualquer estranho. –Ela colocou o dedo no gatilho.

– Senhora por favor, só somos um grupo de adolescentes que não sabe o que fazer, não vamos dar trabalho nenhum, só queremos passar um dia, para repor as energias, juramos que no dia seguinte sairemos para continuar nossa missão e não iremos causar problemas para vocês. –Se aproximou Bruna,apontando para a vã quebrada.- Bem...se alguém quiser...temos uma vã...

–Quebrada. Deem o fora daqui. –Ela fuzilou bruna com o olhar, segurando firme a arma.

Um homem alto com uma barba rala, com cabelos loiros aproximou-se. –O que está acontecendo aqui, Lana?

– Esses adolescentes aparecem do nada e arrombam nossa porta pedindo para abrigar aqui. –Ela respondeu o homem, não tirando olhar de Rafael e dos outros que se aproximavam.

– Estamos desesperados, vocês nos ouviriam se não fizéssemos isso? –Carol entrou na conversa antes que Rafael piorasse tudo.

– Hum...verdade. –O loiro colocou a mão no queixo, coçando sua barba. –Eles podem entrar. Temos vagas sim. Não vejo problema nenhum em deixar essas crianças perdidas entrarem.

– O quê? Mas senhor...-Lana olhou para ele, abaixando a arma.

– É isso aí. Entrem.Se arrumarem um jeito de selar esta porta quebrada e não deixar nenhum zumbi entrar aqui.

– Estava bom demais para ser verdade...-Disse Carol.

Um zumbi agarrou a perna de Mylena que ainda estava encostada na vã.

– Ah!!! –Ela chutou a cabeça dele duas vezes até ele soltar sua perna.

Mais 6 zumbis viam juntos na direção do condomínio.

– Quem quiser entrar, vai ter que matar eles. Nem que seja um. Irei observar quem está matando e quem está parado sem fazer nada. Os que não ajudarem em nada, ficaram aqui fora, os que ajudaram entram. Entenderam?Ajam! -O homem sentou em uma cadeira na porta do condomínio, observando tudo como se fosse um filme.

Mylena esmagou a cabeça de um zumbi, deixando seu tênis rosa sujo de sangue.

– Como vamos matar zumbis se não temos armas?! –Gritou Rafael, já se misturando junto com os alunos.

– Faça como a menininha aí. Improvisem! –O homem gritou de volta.

Bruna pegou umas pedras no chão, e tacava em um zumbi que se aproximava dela.

– Morre! Morre! –Ela repetia várias vezes, sem parar de jogar.

– Isso é inútil, toma! –Tatiana jogou um vergalhão que tinha encontrado para a amiga.

– Obrigada. –Ela agarrou o vergalhão antes que ele caísse no chão, o primeiro zumbi que apareceu, Bruna não perdeu a oportunidade e enfiou o vergalhão em seu pescoço, sangue espirrou em seu óculos, sujando sua visão.

O zumbi não parou, Bruna olhou sua cabeça, percebendo que só por ali um zumbi poderia morrer, era o que ela ouvia falar. Puxou o vergalhão para si, o tirando do pescoço do zumbi, logo enfiando em sua cabeça, tirando e colocando várias vezes, rapidamente. Depois se aproximou do zumbi, e encravou o vergalhão no topo de sua cabeça, o zumbi parou de se mexer lentamente e caiu no chão.

Bruna pegou um paninho de seu bolso da calça, passando em seu óculos, limpando o sangue que tinha ali. Deu um sorriso torto olhando o Zumbi, se sentindo mais confiante.

Seu sorriso sumiu ao ouvir um grito familiar, de sua amiga, Tatiana.

– Bruna!!! Me ajuda! –Tatiana no chão, se arrastava para trás, até encostar na parede do condomínio com um zumbi a seguindo.

– Eu não posso, se você matar nenhum vai ficar aqui! –Bruna gritou para a amiga.

– Sua idiota eu vou morrer!!! –Ela olhou para o lado até que encontrou cacos de vidro caídos na grama. –Isso serve...? –Ela segurou no maior caco que encontrara, fitando Bruna.

– Faz alguma coisa! Ah! Cuidado!! –Bruna apontou para o lado onde Tatiana estava.

O zumbi agarrou a perna de Tatiana, aproximando sua horrível boca na canela da loira. Antes que ele pudesse abocanha-la ela deu um chute no rosto cinzento do zumbi.

– Sai! Nojento!!! –Quando ela pensou em ir para o lado e fugir dele, o zumbi pulou em cima da garota, segurando em seus pulsos,a fazendo soltar o caco de vidro da mão.

Tatiana chutou “as partes” do zumbi, mas ele mal demonstrou dor. –ISSO DEVERIA TER DOÍDO!

O zumbi soltou um de seus pulsos, Tatiana aproveitou e pegou novamente o caco de vidro e enfiou no rosto do zumbi, gritando enquanto o sangue dele espirrava em sua roupa.

– Morra!! –Ela enfiou tão fundo no rosto do monstro que mal dava para enxergar o caco de vidro. Percebera que ali não iria adiantar muita coisa, tirou de dentro do rosto dele agora encravando em sua testa, mais e mais sangue espirrava na garota. –Isso...não adianta!! –Ela começava a chorar, apavorada.

Colocou o pé no pescoço do zumbi, afastando o rosto dele do corpo dela. Enquanto ele lutava para morder a garota, a mesma se arrastava um pouco para o lado, pegando uma madeira que estava largada por ali. A segurou firmemente, encravando no pescoço do zumbi. Ele a soltou, Tatiana aproveitou, se levantou e pisou no peito do zumbi, tirando a madeira do pescoço dele agora a enfiando na testa do mesmo, sangue escorria no rosto do monstro, depois de tanto se remexer para pegar Tatiana, ele parou calmamente já estando morto.

Tatiana respirava ofegante. –Uffa....

Bruna correu até a amiga, a abraçando forte.

Anna Paula e Mariana corriam de mãos dadas pela estrada. O homem do condomínio encarava as duas como se dissesse “que bom que não lutam, menos duas no meu sagrado condomínio “.

– Chega, eu vou lá, temos que agir se quisemos entrar. –Mariana soltou a mão da amiga, correndo para o meio da estrada, um zumbi a seguia, ela correu para dentro da vã que estava caída no chão.

– Você tá maluca?! –Gritou Anna Paula do outro lado da estrada.

– Eu trouxe minha mochila, tenho uma tesoura e um grampeador! –Mariana gritou de volta, entrando pela janela quebrada.

– Isso não ajuda em muita coisa... –Anna Paula olhava para os lados procurando por alguma arma para usa-la contra os zumbis.

Antes que pudesse fazer alguma coisa, um zumbi a agarrou por trás.

– Ahhh!!! Socorro!!! –Ela agarrou o braço do zumbi, tentando o fazer soltar do corpo dela, mas era forte demais. –Por favor, não!!! –Ela pisou o mais forte que pode no pé do zumbi, mas ele continuava agarrando a garota. A mesma jogou o corpo para trás fortemente, até que o zumbi bateu num poste, soltando a garota, quando ela foi correr, ele agarrou sua perna. Anna se desequilibrou,caindo no chão com o zumbi em cima, ele puxou a perna de Anna para sua boca e a mordeu fortemente seu pé, arrancando um pedaço da pele da garota ,que gritou de dor.

Mariana veio correndo na estrada ao ver a amiga sendo atacada pelo zumbi. Agarrada a uma tesoura, enfiou no topo da cabeça do zumbi, o puxando para trás, passando a tesoura afiada de sua cabeça até seu pescoço, espirrando sangue para todo lado.

Depois de Mariana dar várias furadas com a tesoura na cabeça do zumbi, ele caiu para o lado, fechando os olhos. Mariana deu mais uma furada, para certificar que ele já tinha morrido.

– Você está bem...?-Mariana se aproximou de Anna, olhando para a ferida da amiga na perna. –Tá feio...

– Argh... Dói...m-muito... –Ela envolveu os braços no pescoço da amiga, que a ajudou a se levantar. As duas foram andando até o condomínio, com Anna Paula apoiada no pescoço da amiga.

Mylena tinha mudado sim, por estar mais dura. Mas sua maluquice continuava. Ela correu para um zumbi a sua frente, chutando e dando socos nele.

–O que ela pensa que está fazendo?! –Disse Carol ao lado de João segurando um vergalhão na mão.

Mylena segurou no pescoço do zumbi que tentava morde-la.

– Ela vai acabar morrendo! –Gritou João. –Mylena sua louca, faz alguma coisa que preste!

O zumbi arranhou o rosto da garota, fazendo sangrar. –Ah!! –Ela ignorava o aviso de João.

Quando o zumbi estava prestes a morder o braço de Mylena, Carol chegou por trás dele, acertando o vergalhão fortemente em sua cabeça, o fazendo cair no chão, mas não tinha morrido.

–Vai, agora é com você se quiser entrar! –Carol entregou o vergalhão há Mylena.

– Porque tá me ajudando?! –Perguntou Mylena.

– É isso que os amigos fazem.

Mylena agarrou o vergalhão forte, com seu coração batendo fortemente. Ela encarava o zumbi que se levantava, logo encravando o vergalhão em seu peito fortemente.

– Consegui? –Perguntou Mylena já com a respiração ofegante.

– Ele ainda se mexe...-Observou João.

Mylena colocara agora o vergalhão no pescoço do zumbi, mexendo o vergalhão ali para o lado e para o outro, até que sua cabeça se soltou. Ela virou para o lado, com o rosto pálido, quase vomitando. –Argh...eu vou... –Ela fechou os olhos e enfiou o vergalhão na cabeça do zumbi.

– Acabou...?-Ela sussurrou, abrindo um dos olhos lentamente.

– Sim. –Respondeu Carol.

Mylena se apoiou na vã quebrada, e virou o rosto vomitando no chão.

Renan e Isabella estava em cima da vã, dando uma batidas em alguns zumbis que se aproximavam deles com um cabo de vassoura. Cada um segurava um.

– Isso é nojento! –Isabella e Renan enfiaram ao mesmo tempo seus cabos de vassouras em seus zumbis.

– Ah! Finalmente...-Renan deu um grito de alivio.

Depois de Rafael,João, Carol, Douglas e todos, menos Anna Paula terem matados os zumbis, o loiro do condomínio se levantou de sua cadeira.

– Ótimo. Podem entrar...já mostraram que podem se defender. Por sorte temos umas portas quebradas aqui por dentro e mais armários. Entrem antes que eu desista. –Ele se virou, pegando sua cadeira entrando no condomínio.

Todos entraram um de cada vez, quando mariana entrou com Anna Paula, Lana segurou no braço das duas.

– Ei, ei. Aqui não entram infectados. E ainda mais, não vi ela não matar nenhum zumbi. Cris, vem aqui. –Ela fez um sinal pro loiro.

– Deixa ela entrar...ela é legal. –Disse Douglas, com o rosto escorrendo suor.

Cris se aproximou. –Desculpe, mas não toleramos infectados aqui, não quero essa garota aqui.

–Mas por favor, eu cuido dela, do ferimento dela, eu posso cortar o pé dela, foi ali que foi mordido...assim ela não se transforma, por favor, eu só preciso dos instrumentos certos...-Disse Mariana, olhando fixamente para o homem,desesperada.

Anna Paula arregalou os olhos ao ouvir “Cortar o pé dela” . –Eu não vou causar confusão, por favor...

– Não. Se quiser cuidar de sua amiga AÍ FORA, eu dou uns esparadrapos, uma faca, água e um remedinho. Viu? Sou um homem bom. Agora não reclamem, já volto trazendo os remédios. –Ele se virou sumindo de vista.

Mariana e Anna Paula esperaram ali.

– Fica aqui...eu não quero te causar problemas, aqui você vai estar segura, eu não vou servir mesmo mais para nada agora... vai...fica. Por favor. –Dizia Anna Paula, olhando fixamente nos olhos de Mariana.

–Nunca. Não vou deixar você sozinha...tá bom? –Ela deu um beijo na bochecha de Anna.

– Se você morrer não me culpe. –Ela tentou dar um sorriso. –Brincadeira. Acho bom mesmo não me deixar.

– Boba. –Mariana sorriu para a amiga e Cris chegara com os esparadrapos, uma faca, uma garrafa d’água e um remédio, que parecia que era para não infectar...algo assim.

Ele trouxe tudo em uma cestinha e entregou a Mariana, ela tentou parecer agradecida, e saiu do condomínio, junto com Anna Paula, indo para a garagem de uma casa abandonada do outro lado da rua. Mariana abriu a garagem.Arregalou os olhos e gritou. Tinha dois corpos de pessoas mortas ali, com sangue espalhado no chão. Ela deixou Anna Paula sentada em uma caixa que estava na garagem e pegou os dois corpos e arrastou para fora dali.

Voltou para dentro da garagem, a fechando.

– Pronto, seguras. –Ela aproveitou que tinha dois tapetes ali, e tentou fazer uma cama. Encontraram 4 almofadas, e as colocaram na calma improvisada no chão, servindo como travesseiro.

– Você vai cortar meu pé? –Anna olhou mariana assustada.

– Sim, se você não quiser virar um deles, sim. –Ela pegou a faca, molhando com um pouco de água no ferimento de zumbi que estava a 3 centímetros distante do pé de Anna.

Anna fechou os olhos fortemente, dando um gritinho. –Aaaaargh...dói...

– Agora...fecha os olhos agarra firme a almofada. –Ela entregou a almofada verde para ela, que a agarrou fortemente.-Vou cortar seu pé...agora. –Mariana engoliu em seco, segurando na faca, aproximando um pouco a cima do ferimento, tremendo um pouco.

Depois de olhar fixamente o pé da amiga, imaginando o que tinha que fazer, enfiou a faca ali, cortando o mais rápido que podia para que Anna não sentisse tanta dor.

– Ahh!!!! Anda l-logo!!!! –Anna gritava e lágrimas escorriam em seu rosto.

Depois de gritar o bastante, Mariana finalmente cortou o pé dela fora. –Pronto!

– Ainda dói!!!!

Mariana jogou água ali, passou o remédio rapidamente logo depois passando o esparadrapo para tirar o sangue, colocando já uns três de uma vez ali, para parar o sangue. A mesma colocou todos os esparadrapo que tinha aonde tinha arrancado o pé dela.

Anna parou de gritar um pouco, respirando fundo.

– Pronto...só isso...-Mariana afastou a mão dali, colocando os remédios no canto, pegou mais alguns tapetes, o fazendo de cobertor, cobrindo as duas na cama improvisada.

Anna Paula olhava nos olhos da amiga, fazendo uma careta. –Ah...obrigada...espero que isso resolva.

– Vai sim. –Mariana sorriu, e segurou a mão de Anna Paula, e as duas dormiram.