A busca pelo brilho da lua
18 Uma Nova Batalha
Notas iniciais
—O que o incomoda, rapaz? Mal tocou na comida! – constatou Albert enquanto ele e Pyrus almoçavam no refeitório da academia.
—Estou preocupado... – respondeu ele pensativo – Já faz quase quinze dias que vasculho a biblioteca à procura de pistas, mas não encontro nada relevante para ajudar Nami.
—Você está realmente empenhado nisso, não? – comentou o professor.
—Não encontrei praticamente nada a respeito da maldita pedra, e quanto o fiz, não eram nada mais que citações a lendas ou observações com caráter de curiosidade, documentações de um passado que parece ter sido perdido, apagado e esquecido... – reclamou Pyrus bastante descontente – Sei que estou longe de ter visto tudo que há na biblioteca, mas há essa altura já deveria ter algo minimamente substancial em mãos para poder me basear! O tempo está passando...
—Devo admitir que nossa biblioteca não é a mais recomendada para lhe auxiliar nesse assunto. – observou o yordle – O enfoque dela está no estudo científico da magia. Está focada em conhecimento prático e desenvolvimento metódico para nossa busca incessante por avanços tecnológicos. O que você busca me parece ter uma fundamentação mais teológica e instintiva, assim como a magia de sua campeã. Estou certo de que teria mais sucesso se procurasse dentre os escritos e pergaminhos da biblioteca real de Demácia.
—Contudo ela é fechada para estrangeiros... – apontou o rapaz.
—Talvez, se pudesse fazer um pacto com algum campeão demaciano, conseguiria autorização. – falou o professor.
—Mas qual? – indagou Pyrus – Todos já possuem pactos!
—Nem todos. Shyvana é uma independente que luta por Demácia. Ela jurou lealdade a Jarvan IV, entretanto nunca fixou um pacto com qualquer invocador. – contou o yordle.
—E como eu a convenceria a fazer um pacto comigo? – questionou o rapaz descrente nessa possibilidade.
—Não sei. Isso é com você... – respondeu Albert limpando o bigode.
Pyrus recostou-se na cadeira. Seus olhos distantes tentando alcançar as águas místicas da fonte das idéias do fundo de sua mente. Ou talvez as chamas sagradas do fogo da inspiração... (Sim, a mente dele divagou bastante).
—Com sua licença, vou adiantando-me... – disse o professor se levantando (e desaparecendo por trás da mesa uma vez que suas pernas eram menores que as da cadeira) – Coma! Precisará de energia para treinar daqui a pouco.
—Sim professor! – respondeu o rapaz.
Ele levou a primeira garfada a boca enquanto o yordle afastava-se.
“Shyvana...” pensou.
...
Pyrus estava exausto. Ele secou o suor da testa com a manga da camisa. Aquilo era realmente difícil para ele.
—Concentre-se rapaz! – ordenou Albert – Volto a dizer, você precisa projetar-se em seu destino antes de evocar o feitiço. Visualize a imagem de si próprio no local de chegada antes de iniciar o teleporte.
—Eu faço isso! O problema é que o faço do modo que me vejo no futuro e não como estou agora... – comentou Pyrus.
—Normalmente diria que isso é algo bom, exceto neste caso. – disse o yordle.
—Professor, se basta projetarmos uma imagem de nós mesmo em nosso destino, por que usamos sentinelas para isso? – perguntou Pyrus.
—Está magia foi criada para ser segura antes de qualquer coisa (ainda que possamos burlar algumas de suas restrições). Para que seja executada com sucesso, deve-se ter uma visão em tempo real do local de chegada para se ter certeza de que não haverá algo lá – explicou Albert – Essa é uma das principais diferenças entre o teleporte e o “flash”, e a principal razão pela qual este é tão mais perigoso. Para executar o segundo, não é necessário ter-se uma visão clara do local de origem, no entanto, se houver algo lá no instante da materialização, os corpos se fundirão e você morrerá. Lembre-se: dois corpos não podem ocupar o mesmo local no espaço. Para ser mais exato, a única razão pela qual não vemos isso acontecer com freqüência na liga é um encantamento de proteção que cobre todo o campo de batalha. Outro ponto importante é o fato de que o teleporte consegue cobrir distâncias infinitamente maiores graças a canalização exigida no ritual de execução, e mesmo que seja possível fazê-lo sem um foco específico, o desgaste causado torna a prática inviável.
—Então usamos as sentinelas como “receptores mágicos” para o processo? – deduziu Pyrus.
—Correto! – disse Albert.
—Entendi...
—Muito bom! Agora tente novamente! – mandou o professor – E lembre-se: imagem atual!
—Okay...
O jovem invocador olhou fixamente para a sentinela ao lado da qual deveria chegar tentando evitar que seu eu do futuro assumisse o lugar do seu eu presente (ao menos por hora) em sua imaginação. Ele verificou a si mesmo novamente para estar certo de que não se esquecia de qualquer detalhe. Então respirou fundo e colocou uma mecha rebelde de fios ruivos por detrás da orelha. Concentrou-se. Estava tudo no lugar. Por fim, conjurou o feitiço.
—Iiiiiaaaaaaaaaaaaaaaah!
Um forte jato d’água acertou Pyrus na cara e no peito, jogando-o para trás um bom tanto.
—Hã? Ei, onde estou?!
—Na Academia Yordle, senhorita. – respondeu Albert um tanto quanto calmo perante o imprevisto.
—Nami?! – surpreendeu-se Pyrus.
—Academia Yordle?! Mas eu estava apagando um incêndio causado por aquela doida em um restaurante todo cheio de “verduras” (frescuras) no distrito comercial lá próximo ao centro! – falou a marai visivelmente irritada – Como eu vim parar aqui?
—Culpa minha! – falou Pyrus levantando-se – Minha mente teve um pequeno devaneio bem no instante em que executei o feitiço imaginando sua imagem ao invés da minha própria.
—E como vocês dois estão ligados pelo pacto, ela acabou sendo trazida ao invés de você ser levado ao ponto alvo. – comentou o yordle.
—Bem, pelo menos foi refrescante... – comentou o rapaz.
—Refrescante?! Não está nada refrescante lidar com tantos incêndios todos esses dias! – reclamou a sereia – Mande-me de volta para lá imediatamente para eu acabar meu trabalho!
—Não dá! – disse Pyrus.
—Como não dá?! – ela irritou-se ainda mais.
—Preciso ter visão clara do local de destino, do contrário não conseguirei usar o feitiço! – explicou ele.
—Está dizendo que terei que voltar para lá nadando?! – enfureceu-se ela.
—Desculpa! – falou ele.
—De noite conversaremos! – disse ela enfiando o indicador na cara de seu invocador.
—Acompanhar-lhe-ei até a porta. – falou o professor calmamente.
A marai seguiu o yordle.
—Nami! – chamou Pyrus ao constatar – Está usando água doce?
Ela olhou para o rapaz com uma expressão de total desgosto.
—Ordens da xerife. – disse ela com a voz tão enjoada quanto a de Abigail – Sal estraga equipamentos elétrico e equipamentos hextec.
—Oh...! – fez Pyrus ao perceber o quão enrascado estaria aquela noite.
E falando na bruxa, mal Nami e Albert saíram, a secretária entrou.
—Mensagem para você. – disse ela com seu típico tom de desprezo entregando ao rapaz um pergaminho enrolado e com o emblema do instituto.
—Acho que isso é o bastante para você acreditar que sou realmente um invocador! – provocou-a Pyrus.
—O problema nunca ou esse. – retrucou ela devolvendo a provocação.
—É uma convocação para uma batalha... – leu ele ao observar o conteúdo – Nada demais, apenas uma rotina para ajudar na adaptação dos novos invocadores... Esta noite?!!!
—Qual o problema? Teleportar para lá não leva mais que um momento. Ah! É verdade, você não sabe fazer isso... – ironizou a secretária.
Pyrus voltou sua atenção para ela com cara de quem já esperava por algo do gênero apenas para ver na face dela o quanto se deleitava com a situação.
—Quando que isto chegou? – indagou ele desconfiado.
—Um oficial da delegacia acabou de deixar isso na portaria. – respondeu a mulher já rumando de volta ao seu posto com um rebolado de alegria demasiadamente exagerado.
“Merda...” pensou ele.
...
—Como é que é?! – assombrou-se Vi.
—Em decorrência da atual situação e considerando que é uma convocação oficial, como responsável pela cidade de Piltover e pelo cumprimento da lei em seu território, estou solicitando que você leve o senhor Igns ao Instituto de Guerra para seu compromisso. Será um trabalho pequeno e simples de caráter extraordinário que, como já o alertei, não repetiremos. – voltou a explicar Caitlyn acabando de guardar alguns papéis em uma pasta.
—Mas de jeito nenhum! Isso é assunto dele, não nosso! – argumentou a defensora.
—Sim, é verdade. Este é um assunto que não nos diz respeito a princípio, todavia, por esse ser um caso excepcional gerado por uma infeliz falha de entendimento entre as partes interessadas, como mediadora de diversos tipos de impasses menores que dispensam a intervenção jurídica, decidi atender o pedido do senhor Igns. – comentou a xerife enquanto guardava a pasta em uma das gavetas de sua mesa – Caso o incidente volte a ocorrer, será de total responsabilidade dele as conseqüências acarretadas e nosso departamento não se envolverá.
—Você só pode estar de brincadeira comigo! – falou Vi indignada – Por que ele não simplesmente teleporta para lá assim como todo mundo?
—Porque ele não sabe. – respondeu Caitlyn com simplicidade levantando-se com outro amontoado de papéis para guardá-los no armário – Ele está tendo aula com o professor Albert na academia, mas seu progresso no feitiço ainda é pífio.
—Pois que se dane! Azar o dele! – disse a defensora totalmente aborrecida.
—Ainda sim, fui condescendente ao pedido dele... – respondeu a outra enquanto abria o pequeno arsenal da sala para pegar seu inseparável rifle.
—Pois eu me recuso! Não o farei! – falou Vi decidida.
A xerife soltou um suspiro de reprovação e pegou mais alguma coisa dentro de seu arsenal.
—Você fará sim! – falou Caitlyn com frieza ainda de costas para os outros dois presentes no escritório.
—Ah é? Dê-me um bom motivo! – pediu a defensora com ironia.
—Fácil! Eu estou mandando! – retrucou a superior finalmente encarando a subordinada antes de colocar os óculos escuros – É uma ordem!
E com essas palavras ela saiu do local, deixando Vi sem resposta.
—Por que ela colocou óculos de sol à noite? – questionou Pyrus.
—Tsc! – fez a defensora antes de se voltar para o invocador com uma fúria e uma frieza assustadoras – Para seu bem, reze para você não ter estragado meus planos para essa noite!
O rapaz engoliu em seco diante de tamanho perigo iminente.
—Melhor irmos logo então! – disse ele sem graça.
—Já aviso logo: só há espaço para um carona em minha motocicleta! Quem vai levar sua campeã? – indagou ela.
—Chegando lá eu a teleporto... – comentou ele, completando rapidamente ao ver a reação de Vi àquela declaração – Aprendi hoje a fazer isso, mas a mim mesmo ainda não consigo!
—Humpf! – fez a defensora – Minha garota está na garagem junto com as viaturas. Vamos! E acho bom você não ser do tipo que grita, mija e se borra todo por causa de um pouco mais de velocidade!
...
“Uaaaaaaaaaaaaaaaaah! Não grite em voz alta! Não grite em voz alta!... Cuidado com a carruagem! Uaaaaaaaaaaah!...” – pensamentos de Pyrus em viagem ao instituto na garupa de Vi.
Continua...
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