A busca pelo brilho da lua
19 O Invocador Lendário
Notas iniciais
—Chegamos! – falou Vi parando seu veículo em frente a escadaria da entrada do instituto.
—S-s-s-s-só m-m-me di-diga u-uma co-co-coisi-si-sinha. – pediu Pyrus gaguejando incontrolavelmente enquanto desmontava da estranha máquina – O-o-onde e-e-eu con-consi-sigo u-u-uma de-de-dessas mo-mo-mo-moto-to-to... motoci-ci-ci...?
—Heimerdinger! – respondeu a defensora impaciente.
—Ma-ma-ma-mara-ravi-vi-vi-vi-vi... Ó-ó-óti-timo! – ele disse devolvendo o capacete que usava – Mu-mu-mu-muito o-o-obriga-gado pe-pe-pela ca-ca-ca-ca-ca-ca...
No entanto, antes da gagueira permitir o término da frase, as engrenagens do veículo rugiram ferozmente e Vi partiu em velocidade pelo caminho de volta à Piltover.
Pyrus virou-se e subiu (após necessárias dez tentativas falhas graças a tremedeira) até o saguão de entrada.
—Senhor Igns, — chamou um dos criados do lugar – que bom que conseguiu vir a tempo. Achamos que não seria possível devido aos constantes problemas que estamos tendo na adição de sua pedra da visão.
—Aparentemente, – disse Merlin surgindo repentinamente – ela perde sua energia mágica pouco tempo após ser fixada junto às demais.
—Não que fosse fazer alguma diferença em meu caso, mas isso é comum? – perguntou o rapaz.
—De forma nenhuma! – respondeu o criado rapidamente.
—Quantas vezes isso já aconteceu antes? – insistiu Pyrus preocupado com o problema ser ele.
—Esta é a primeira ocorrência em toda a história do instituto! – apressou-se novamente o criado.
—Sabe rapaz, — disse Merlin em tom bastante esclarecedor – este caso é tão excepcional que até parece obra de outra pessoa, todavia, esse é um pensamento bobo de minha parte, afinal quem teria interesse em algo assim, não é verdade? De qualquer forma, tome isso.
O velho feiticeiro entregou um conjunto de vestes novas para Pyrus.
—Seque-se e vá para sua batalha. – recomendou o sábio.
—Pelos céus, não tinha conhecimento de que hoje choveria! – intrometeu-se o criado.
—Não choveu! – respondeu Pyrus desconfortavelmente – É apenas nervosismo (e excesso de adrenalina).
...
Já trocado e confortável uma vez mais, faltava pouco para o jovem invocador chegar ao salão vermelho quando uma figura desagradável cruzou seu caminho.
—Ora, ora, ora, não imaginei que o veria aqui hoje... – falou César em tom de deboche.
—Não tenho tempo para você agora Rávenus! Tenho uma batalha me aguardando! – disse Pyrus tentando prosseguir com seu caminho.
—Oh, não se preocupe, – impediu-o o outro sorrido desdenhosamente – também estarei nessa batalha. No lado adversário, obviamente. E eu consigo chegar a torre em um instante caso precise. Só estou curioso quanto a onde está seu peixinho de estimação. Ou por acaso pretende lutar por si próprio em Summoner’s Rift?
Neste momento a imagem de um edifício chamuscado e com alguns pequenos focos de incêndio ainda aparente passou diante de seus olhos rapidamente.
—Se quer tanto vê-la, – riu-se o ruivo – vou chama-la para dizer um “oi”.
Uma onda de energia dourada foi canalizada pelo corpo de Pyrus indicando a execução do feitiço. César deu alguns passo para trás surpreso.
“O que ele acha que está fazendo?” pensou o jovem Rávenus.“Os selos protetores impedem que outros seres sejam trazidos para o instituto fora das áreas específicas!E meus informantes já me avisaram que ele chegou sozi...”.
—Iiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Um poderoso jato d’água atingiu em cheio as costas do adversário de cabelos castanhos, atirando-o no chão.
—Hã? Onde estou? – perguntou Nami confusa.
—Olá Nami! – falou seu invocador sorridente.
—Pyrus, quer me deixar trabalhar? – zangou-se ela.
—É justamente para isso que lhe trouxe aqui... Temos um batalha! – contou ele.
—Mas e o incêndio? – indagou ela.
—Caitlyn sabe muito bem que sua obrigação primária é com a liga. – disse Pyrus – (E pelo que vi, com o pouco que falta qualquer um pode acabar o serviço).
—Então finalmente aprendeu o feitiço... Já estava mais do que na hora. – interrompeu César levantando-se todo ensopado – Não que isso fará diferença daqui a pouco.
—Vejo-lhe nos Campos da Justiça. – disse Pyrus passando por ele.
—Pode apostar que irá! – murmurou entre os dentes cerrados seu inimigo declarado enquanto a dupla se afastava.
—O que você quis dizer com “pelo que vi”? – indagou Nami desconfortável.
—Tive um vislumbre daquilo que seus olhos enxergavam... – respondeu ele!
—Eu já disse que não quero ninguém compartilhando meu corpo! – zangou-se ela.
—Foi sem querer! – falou o rapaz – Mas já que tocou no assunto, achei que a essa hora já teria acabado com o incêndio.
—Já havia apagado quase tudo, mas um maldito “punk” (tanque) de gás explodiu! – reclamou a marai.
...
Ao entrarem no grande salão vermelho, Pyrus e Nami encontraram seus companheiros para aquela ocasião. O poder obscuro e vil de Varus tão logo se fez sentido, assim como sua dor e sede de vingança. Ao seu lado, um velho mago ioniano, careca e de longos e grisalhos bigodes e sobrancelhas, meditava com uma das mãos verticalmente em frente ao rosto e outra horizontalmente diante do abdômen. Um distinto guerreiro usando uma estranha máscara também o fazia levitando alguns centímetros acima do piso. Sua longa espada curva de fio único flutuava à sua frente. Não distante estava seu invocador, um rapaz que, pelas vestes, era aprendiz do mago. Finalizando, um andarilho sentava-se calmamente em um canto com sua bela espada de forja ioniana fazendo-lhe companhia. Sua invocadora era uma bela jovem de pele bronzeada das terras desoladas de Shurima, a qual fez o teste junto com Pyrus.
—Iônia marcando presença... – comentou o ruivo.
—Quem? – perguntou Nami curiosa.
—Terra natal da maioria deles (eu acho). – explicou ele – Aparentemente ainda falta um invocador e seu campeão... Seria uma tremenda coincidência ser outro ioniano tam...
Entretanto as palavras de Pyrus desapareceram ao sentir uma aura mágica inigualável vindo pelo corredor. Ele fez sinal para a marai abrir caminho.
Com passos tão silenciosos quanto o bater de asas de uma borboleta, uma figura totalmente envolta em mantos negros adentrou pelas portas abertas e parou. O capuz percorreu cada presente, parando por um instante a mais em Nami e Pyrus, fazendo o sangue deles gelar. Então ele levantou o braço iniciando uma poderosa canalização que fez quase todas as luzes sumirem. Uma onda de choque desequilibrou a todos e seu campeão se revelou. Syndra – A Soberana Sombria – fez Pyrus tremer de medo e excitação. Estar diante dela significava apenas uma coisa: aquele era o invocador lendário!
—Pyrus... – sussurrou Nami com dificuldades.
O rapaz voltou sua atenção para ela. A marai estava sufocando. Suas mãos envolvendo a gargantilha mágica responsável por permiti-la respirar fora d’água. Syndra apresentou o intuito de se aproximar, porém parou e olhou para seu invocador e este negou com um gesto de cabeça.
—A magia deles está interferindo com a de seu colar! – analisou Pyrus.
—Eu não consigo...! – Nami tentou falar.
—Tire as mãos da frente! – ordenou ele fazendo uma aura envolver todo seu braço direito.
O rapaz se Sentina agarrou o ar diante do adorno místico da sereia e puxou com violência, revelando e arrancando um fragmento de feitiço roxo e negro dele. A marai encheu os pulmões tal um naufrago que alcança terra firme. Um sorriso extremamente sutil se formou no rosto da soberana.
—Agradeça aos livros da academia. Foi um deles que me ensinou a eliminar interferências externas de equipamentos hextec. – contou Pyrus.
—Meu colar... não é nenhum equipamento... hextec! – falou ela ainda retomando o fôlego.
—Eu sei! Isso é evidente! – concordou ele – Mas foi o melhor que pude pensar de imediato. E funcionou! Isso que importa!
Com um estalar de dedos, o invocador de Syndra fez o ritual que marcava o início da batalha começar, ainda que a voz feminina não tivesse se pronunciado. A soberana flutuou até o primeiro dos altares menores enquanto os orbes surgiam ao centro do maior. Seu invocador esticou a mão enquanto caminhava até sua posição e uma das esferas veio até ele.
—Quem é esse cara? – perguntou a sereia descontente com tanta indiferença.
—Ninguém sabe ao certo. – respondeu o rapaz – Seu nome, seu rosto, sua origem, onde vive... Tudo a respeito dele é um grande mistério. E todos que já tentaram desvendá-lo viram-se enganados em ilusões e mentiras. Por estas razões todos o chamam apenas de Faker...
—A batalha está prestes a começar. – anunciou a voz mágica – Invocadores e campeões, preparem-se!
—Engraçado, achei que ela sempre dizia a mesma coisa... – comentou Pyrus.
—Está achado que sou papagaio de pirata para ficar repetindo sempre a mesma coisa? – perguntou a voz descontente.
—Des-desculpe-me! – respondeu Pyrus surpreso.
A montagem das equipes foi ligeira e sem contratempos. Do lado oposto, além de Draven revelaram-se Xin Zhao – O Senescal de Demácia, Lux – A Dama da Luz, Leona – A Alvorada Radiante, e Garen – O Poder de Demácia.
“Não acho que Draven esteja muito confortável com seu time...” comentou Pyrus.
“Por que diz isso?” perguntou Nami já adquirindo seu anel de Doran com a morsa falante.
“Ele tem três inimigos declarados lutando ao seu lado.” Explicou o invocador.
Os duelos rota a rota logo começaram, mas a dupla de água e fogo não encontrou dificuldades de sinergia com os ionianos. Varus era um exímio arqueiro especializado em ataques poderosos à distância, ferindo e esgotando continuamente os adversários com suas técnicas, e seu experiente invocador mantinha-os afastados do s perigos. Pyrus e Nami mal precisavam agir ativamente, fazendo mais função de guarda-costas do que de parceiros. No entanto, foi quando as lutas em equipe começaram que os últimos empecilhos foram extintos. Syndra e Faker impuseram sua superioridade com combinações devastadoras, emboscadas mortais e um poder ilimitado. Não tardou para os adversários sucumbirem.
Mais dois “jogos” (segundo Pyrus escutou da boca de um de seus colegas) ocorreram naquela noite e ambos findaram ainda mais rapidamente que o primeiro com constantes visitas da soberana às rotas laterais criando uma vantagem inalcançável.
Com vitórias tão precoces e fáceis, Pyrus mal sentia-se cansado. Era bom vencer, entretanto ele sentia que aquelas vitórias não o pertenciam.
—O que acho? – perguntou ele à marai.
—Não sei dizer... – respondeu ela – Foi tão...
—Fácil? – completou o rapaz – Tão simples conseguir?
—É...! E agora eu me pergunto: e daí? – disse Nami.
—Acho que nos sentimos do mesmo modo... – falou Pyrus metendo as mãos nos bolsos.
—Devo parabenizá-lo, rapaz! – aproximou-se o velho ioniano – Embora seja jovem e inexperiente, seu comportamento em batalha é exemplar. Sabe muito bem seu lugar dentro da composição. É muito comum ver recém aprovados abandonarem suas funções em busca da “fama” de um abate e levarem toda a equipe à derrota por isso, porém você se manteve centrado em seu dever...
—Nós aprendemos bem essa lição da última vez. – sorriu ruborizado Pyrus trocando um olhar feliz com a sereia.
—Soube que teve problemas com seu campeão durante o teste deste, mas, se continuar mostrando o controle que apresentou hoje, crescerá muito dentro da liga.
—Não é controle, – corrigiu o rapaz – é respeito e entendimento mútuo.
—Não precisa dessa falsa modéstia comigo. Sei muito bem das dificuldades de impor decisões aos campeões e impedi-los de agirem como bem entenderem. – disse o velho, para desgosto da marai – De qualquer modo, prossiga nesse caminho e vejo um futuro brilhante para você.
—Para nós! – disse o ruivo dando uma piscada sorrateira para Nami, para a satisfação desta.
O velho ioniano afastou-se com uma reverência copiada pelo rapaz, entretanto, antes que a sereia pudesse expressar toda sua indignação a respeito da atitude do velho, Syndra se aproximou.
—Mostre-me a técnica de aprisionamento que usou em batalha! – ordenou a soberana.
—Não! – respondeu prontamente Nami farta de tanta arrogância – Você não pediu com educação.
—Deveria colocar um pouco de juízo na cabeça de sua campeã! – falou Syndra.
—Realmente... – disse Pyrus virando-se para a sereia – Nami, dá próxima vez que alguém falar desse jeito com você... aja da exata mesma maneira que o fez agora!
O silêncio tomou conta do salão. Todos prenderam a respiração na expectativa de ver qual a reação da soberana. Jamais alguém antes zombara dela daquela forma.
—Vocês são mesmo uma dupla exótica... – comentou Syndra com o mesmo sorriso quase imperceptível de antes – Por favor, mostre-me a técnica de aprisionamento que usou em batalha.
Satisfeita em ouvir aquilo, a marai rodopiou seu cajado no ar e lançou sua prisão aquática um uma direção livre. A bolha parou cerca de meio metro acima do chão e ali ficou. Syndra flutuou ao seu redor analisando-a. Nami não se conteve.
—Apesar de só conseguir mantê-la por poucos segundos lá onde lutamos, aqui fora não tenho qualquer limitação! – disse ela orgulhosa – Isso significa que caso acerte um inimi...
—Da próxima vez que nos encontrarmos estarei ainda mais forte! – falou a soberana se afastando.
—Eh? – fez a marai pega de surpresa por aquela atitude repentina.
Syndra juntou-se a seu invocador e eles deixaram o salão.
—Acho que já pode desfazer a bolha... – sussurrou Pyrus próximo ao ouvido de Nami enquanto todos tentavam entender o que havia acontecido ali.
...
Continua...
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