A busca pelo brilho da lua
11 Testando e Aceitando
Notas iniciais
A batalha seguinte foi dura. Pyrus e Nami finalmente mostraram o potencial que possuíam. Eles tinham uma boa sinergia juntos e poderiam ser uma grande promessa para a nova geração de invocadores e campeões, todavia, o inimigo possuía algo que eles não tinham como adquirir para aquela disputa: experiência. Um campeão forte e um mestre mais treinado já teriam dificuldades para lidar com toda aquela pressão e foco que a presença constante de Rengar causava, mas Nami, sem ter um ataque básico poderoso e com suas habilidades com um elevado tempo de espera para poderem ser reutilizadas, não teve a chances. Ela ainda conseguiu, sob a proteção da própria torre, abater Rengar durante uma das muitas investidas inimigas utilizando-se de sua prisão aquática no último instante. Este foi seu primeiro e único abate somando as duas batalhas. No final, outro massacre, e uma derrota mais ligeira que a anterior.
—Não sei como foi capaz de derrotar Jax, mas uma duelista você não é! — afirmou Fiora visivelmente descontente com a situação ao retornarem para o salão vermelho.
—Eu... — começou Nami pronta para desafiá-la ali mesmo quando reparou em Tálida ajudando Pyrus a se levantar — Percebi...
E de cabeça baixa ela juntou-se a seu invocador, massageando com uma das mãos nas costelas doloridas, local onde Draven cravara seu machado antes do nexus explodir novamente.
—Você está bem? — perguntou a marai.
—Pronta para a posição de suporte? — contra-questionou o rapaz.
Ela não respondeu, apenas virou a cara e fez uma careta emburrada.
—Tálida! Tálida! Você viu o que o Tibbers e eu fizemos? — perguntou Annie empolgada unindo-se a eles.
—Vi sim! Você e o Tibbers atordoaram os cinco adversários de uma só vez! Foi estupendo! — elogiou a felinnus sorridente passando Pyrus para a sereia — Pena que o restante do nosso time não estava forte o bastante para aproveitar...
—Como ela pode estar tão animada e bem depois disso tudo? — comentou a marai perplexa.
—Crianças se recuperam rápido... — falou o invocador.
—Não é isso! Como eles podem deixar que uma criança lute e "morra" tantas vezes em um lugar como aquele? — explicou Nami.
—Essa criança é um dos campeões magos mais poderosos que a liga já viu, se não o mai poderoso. — contou o rapaz — Muitos acreditam que ela será proibida de lutar quando se tornar adolescente, pois nem mesmo o feitiço de Summoner's Rift conseguirá conter seus poderes. Há quem diga que ela será a maior grão-mestra e conselheira de todas as eras que se foram e das que ainda estão por vir quando se tornar adulta. Eu sou um dos que acreditam nisso.
—Uau! — exclamou a marai.
—Na verdade, fiquei surpreso ao ver ela com a Tatá ao entrarmos. — continuou ele — Dizem que sua força já é tamanha que ela é capaz de controlar o próprio pacto, desfazendo-o e refazendo-o quando e com quem queira... O único outro caso conhecido na história por conseguir tal façanha é Syndra, a Soberana Sombria, a qual matou o próprio mestre e invocador quando descobriu que ele estava limitando seu poder...
—Caramba, gostaria de poder fazer o mesmo! — falou Nami sem qualquer escrúpulo, arrancando um olhar de frustração e desgosto de Pyrus — Espera... Tatá?
—Apelido carinhoso que a Tálida odeia. — explicou ele.
Novamente o corvo albino adentrou o salão e foi se acomodar no ombro de Merlin. Após um afago, o mago pegou a mensagem que o pássaro trazia no bico e leu.
—Mais uma batalha... — comentou o mestre dos fios prateados.
—Não lutarei novamente sabendo que nosso top já está perdido! — impôs-se Jarvan IV.
—Não insistirei em uma posição na qual sei não ser capaz de sair vitoriosa! — defendeu-se Nami para que todos a escutassem — Porém, também não quero a posição de suporte...
—Você acha que ainda tem o direito a... — perguntava o príncipe herdeiro bastante descontente.
—Pare de chilique, Jarvan! — ordenou Ludmila.
—Jovem Nami, suponho que talvez possamos arriscar mandá-la ao mid, ainda que deva insistir em dizer que a posição tão recusada certamente é a mais adequada a seus talentos. — afirmou Merlin — Seu ataque normal, seu ataque básico, é muito fraco e suas habilidades não são rápidas os bastante para compensá-lo... As posições de caçador da selva e de atirador estão totalmente fora de cogitação diante das...
—Está tudo bem, senhor Merlin, eu já entendi... — concordou ela — Só quero ter certeza.
—Ótimo! Então voltarei para o top! — disse Fiora.
—Tente não ser apenas um peso morto dessa vez! — falou o grosseiro príncipe.
—Eu realmente queria poder mostrar para eles minha verdadeira força... — murmurou a sereia zangada para que apenas seu invocador ouvisse.
—Nami, já que vai assumir essa rota, devo alertar-lhe sobre o quão ingrata ela é! — disse Pyrus seriamente — O mid é onde normalmente os magos e assassinos se sentem melhor, pois de lá podem se movimentar rapidamente para todos os outros lugares do campo de batalha. Deveremos ficar atentos para não permitirmos que seu adversário suma sem aviso e tome proveito da mobilidade elevada conferida pela posição, uma vez que isso poderá acarretar em sua morte, ou pior, na morte de outros membros do time, gerando um efeito em cadeia para o inimigo que pode se tornar impossível de parar...
—Assim como aconteceu em todas as partidas até agora? — perguntou ela sarcástica.
—Ahri, a campeão que enfrentará, é conhecida por suas emboscadas rápidas e letais. — continuou ele — Ela é tanto uma assassina quanto uma maga, o que a torna incrivelmente perigosa. Não é prudente enfrentá-la sozinha, então espere Jarvan aparecer para atacarem juntos. Caso eu a aviste se movendo sorrateiramente pelo mapa, informar-lhe-ei para que a siga imediatamente, contudo, aquela raposa e sua campeã são espertas...
Nami fez cara de quem não compreendeu a referência.
—... e sabem evitar os itens mágicos usados para termos visão de áreas estratégicas, ou seja, Ahri raramente é detectada por essas sentinelas, então cabe a você também notar a ausência de sua inimiga e tomar a iniciativa de rumar para alguma das rotas laterais na tentativa de ganhar algumas vantagem para nosso time ou pelo menos compensar aquela que a raposa de nove caudas conseguiu para seus próprios aliados, entendeu?
—Sim! — disse a marai.
—Evite o confronto direto! — reforçou o rapaz — A experiência dela e do mestre Gudfreud certamente os farão vencer. E mais uma coisa: o alto conselheiro Heyward sabe a vantagem que pode entregar à Ahri se fizer bastante pressão sobre nós, então fique recuada o máximo possível. A essa altura, suponho que já percebera o quão letal Rengar é...
—Entendido! — Nami confirmou escutar tudo.
—Então eu desejo boa sorte... — disse ele se equilibrando sozinho sobre suas pernas e colocando as mãos na cintura — Para nós dois!
...
Como Pyrus previra, Rengar infernizou a rota da marai, e com uma jogada arriscada que contou com sua participação e mais dois inimigos o lado azul conseguiu seu primeiro abate em um "mergulho" sob a torre vermelha do mid, custando-lhes, em contra partida, dois dos seus em uma chegada rápida e repentina de Jarvan IV. A equipe vermelha conseguiu uma boa vantagem no começo da batalha desta vez e Nami conseguiu escapar por pouco em diversas ocasiões, evitando entregar abates desastrosos aos adversários. Porém, sendo constantemente forçada a voltar para a base (algo feito com a única magia fornecida a qualquer momento pelo próprio campo de batalha para acelerar o processo) a sereia viu-se obrigada a deixar as abertura que Ahri precisava para acabar com qualquer chance de vitória, e no fim, mostrando para a marai a diferença de poder entre ela e um verdadeiro ocupante daquela rota, Ahri abateu todos os adversários usando de todo o poder acumulado e destruiu pela terceira vez o monólito vermelho, fonte de poder do lado vermelho do mapa.
O corvo branco já repousava no ombro de Merlin quando os campeões regressaram ao instituto. Desta vez era inegável o cansaço estampado no rosto de todos, campeões e invocadores (com exceção do velho mago), entretanto, Pyrus era visivelmente o que mais sofria. Depois de um dia todo de caminhada, quase se afogar duas vezes e manter um campeão nos campos da justiça por três rodadas seguidas, compartilhando da dor dos ferimentos sofridos, o rapaz estava esgotado, tendo dificuldades até mesmo para respirar.
—Oba! Mais uma! — festejou Annie ao ver o animal alado.
—Não Annie. Heyward apenas enviou Aristóteles para informar que por hoje chega. — corrigiu-a o mago vestido em estrelas.
—Ah... — reclamou a menina.
—Já tivemos o bastante para essa ocasião. Devemos descansar para prosseguirmos com os testes em outro momento. — continuou Merlin para todos, encarando, porém, a marai.
Os outros campeões já seguiam para junto de seus respectivos invocadores quando Nami tomou uma decisão.
—Esperem! — pediu ela repentinamente — Merlin, por favor, dê-me uma última batalha!
—E como pretende vencer Ahri? Já ficou mais do que provado que você não têm o necessário para ser uma campeã da rota central! — interveio Ludmila visivelmente incomodada com a postura egoísta e egocêntrica da sereia.
—Talvez ela queira roubar minha posição desta vez! — comentou Jarvan IV com desdém e arrogância.
—Não pretendo vencê-la, tão pouco arriscar-me novamente em outra empreitada contraria a voz da razão e da experiência... Serei a suporte! — respondeu Nami com convicção.
O silêncio da surpreendente mudança de postura calou quase todos. Contudo, na face de Merlin um sutil sorriso era esboçado.
—Mesmo que finalmente tenha aceitado sua provável posição como minha guarda-costas e ajudante, seu invocador não está mais em condições de manter sua presença em Summoner's Rift! — comentou Ashe com uma frieza e calma que vinham diretamente das planícies gélidas de Freljord — Sua própria relutância impede seu pedido de ser aceito.
Nami baixou os olhos envergonhada sabendo que a arqueira tinha razão.
—Do que vocês estão falando? Eu agüento isso tudo mais uma dez vezes sem problemas! — interrompeu Pyrus de pé, por mais incrível que fosse. Suas mãos apoiadas nos trêmulos joelhos, o suor escorrendo pelo rosto como a água em uma nascente rochosa desliza pelas pedras — Será como um passeio na praia...
—Rapaz, não deve se esforçar tão além de seu limi... — recomendava a mestra Piaf preocupada.
—Eu disse que agüento! — urrou ele, quase caindo com isso.
Sem dizer uma única palavra, Merlin mostrou algo para o corvo e este subiu e desapareceu voando pela mesma abertura por onde entrara levando aquilo consigo.
—Está considerando aceitar um pedido tão absurdo? — questionou Ludmila, seus olhos completamente arregalados.
—Todo invocador deveria ter a capacidade de arcar com o desgaste de cinco batalhas consecutivas nos campos da justiça. — comentou o velho mago — Estou apenas dando-o a chance de testar o próprio limite e aproximar-se dessa meta.
—Em condições normais concordaria com você, — dizia a mestra — porém ele...
—Ele deve arcar com as conseqüências de suas próprias escolhas. — interrompeu Merlin — Tanto a de lutar como a do tipo de magia que usa. A nós cabe, agora, apenas avaliar o desempenho da campeã.
—Se sua consciência fica tranqüila com isso, tudo bem. Mas saiba que desaprovo isso totalmente! — alertou Ludmila.
As luzes do altar principal acenderam-se pela quarta vez e a voz mágica e feminina convocou os invocadores presentes para mais uma luta.
—Está decidido. — sorriu o velho — Batalharemos uma última vez nesta noite estrelada. Que a constelação de Aquárius presencie esse esforço.
—Lá vem você com essas constelação que só você conhece... — disse a mestra Piaf bastante descontente.
Ashe se dirigiu para o altar a direita do de Nami, contudo parou entre ambos antes de subir.
—Merlin pediu para alertá-la antes de partirmos para que o rapaz não saiba também graças à conexão psíquica... Você não deve morrer! — sussurrou a arqueira sem encarar a marai — Ele não suportará a dor novamente!
—O que quer dizer com "não suportará"? — indagou Nami com um mal pressentimento, sem obter resposta no entanto.
A sereia não teve tempo para insistir. Assim que os orbes surgiram ao centro dos cinco invocadores, um voou imediatamente para a mão estendida de Pyrus, espantado a todos. Ele liberava uma quantidade assombrosa de energia mágica (ou mana, para aqueles que estudavam esse dom e seus caminhos) para alguém que estava em uma condição tão devastada. O altar de Nami brilhou como uma estrela vermelha e ela pode sentir algo diferente.
Antes de qualquer outro, antes mesmo das escolhas serem findadas, ela foi enviada a Summoner's Rift, chegando um uma explosão que derrubou até o leão-marinho falante de seu banco. A sereia admirou a si mesma. Ela havia se transformado, assim como aconteceu no tribunal. Escamas róseas, olhos azuis, armadura... Mas por que isso? E por que agora? Os outros quatro chegaram alguns minutos depois, e Ashe também estava diferente em roupas brancas e douradas.
—Você... — comentava Nami.
—Merlin achou apropriado. Agora vamos! — falou a arqueira sem dar tempo a perguntas.
—Uau! — exclamou Annie — Você ficou linda em rosa!
—D'accord! — comentou Fiora — Em oposição ao Jarvan...
—Por que você implica tanto com aquela forma dele? — perguntou a menina.
—Simplesmente não gosto dela. — respondeu a duelista sem rodeios.
—Chega de conversa! — interrompeu Ashe — Devemos ser rápidos! Duvido que o rapaz agüentará muito tempo!
—Como eu...? — indagava a sereia quando Pyrus interrompeu-a.
—Anel de Doran, poção de vida, duas poções de mana! — falou ele telepaticamente.
A sereia pode perceber uma certa dificuldade na voz do rapaz, um esforço maior do que antes, e por isso não contestou-o. Ela e sua companheira de rota saíram juntas em direção à rota inferior, e ao passarem pela segunda torre do caminho, mais uma dúvida surgiu na mente de Nami.
—Quem será o campeão do mid? — perguntou ela.
—Digamos que você verá que é possível atear fogo no mundo... — respondeu Ashe com um estranho sorriso.
—Nami, entre na grama alta, espere meu sinal, use a prisão aquática... — ordenou a voz de Pyrus.
—Mas... — retrucava ela.
—Confie em seu invocador! — falou a arqueira como se pudesse escutá-lo também — Eles têm um bom plano!
A marai fez o que lhe foi dito, escondendo-se antes que seus inimigos pudessem avistá-la. Porém, quando a luta finalmente teve início, ela teve a sensação de que eles já sabiam da presença dela por manterem constantemente uma distância segura daquela moita. Nami queria sair e lutar, ela queria parar de se esconder e enfrentar seus inimigos dignamente, contudo as palavras de Ashe e a imagem de Pyrus caído intervinham sempre que seu orgulho tentava assumir o controle. Logo a segunda habilidade da arqueira foi liberada por aquela aura que subia aos céus, mas Nami continuava parada. Então a aura também subiu por ela, permitindo-a o uso de duas das suas habilidades. Contudo Pyrus continuava em silêncio. Será que ela passaria a batalha toda ali? Foi quando o deslize do atirador inimigo aconteceu... Umas das estranhas armas de Draven ricocheteara para o lado errado graças a um movimento inesperado do pequeno (e agora morto) soldadinho vermelho e, na tentativa de pegá-lo em pleno ar como fazia a todo momento, o campeão dera um passo a mais do que deveria na direção da sereia.
—Agora! — gritou Pyrus.
A bolha acertou o noxiano com precisão e uma rajada de flechas deu seqüência ao ataque. Uma barreira de vento protegeu Draven, mas a investida continuara. Pyrus usava sua magia para causar exaustão ao atirador inimigo enquanto Nami tentava manter Janna afastada o suficiente para o mesmo não acontecer com Ashe. As flechas da arqueira castigaram o adversário, cravadas uma após a outra na carne dele, congelando seus músculos pouco a pouco. Ainda assim ele investia com aquelas lâminas mortíferas. A freljordiana era incrivelmente ágil e evitava o quanto podia os golpes do adversário, todavia, quando uma luz verde mágica banhou o carrasco e restaurou parte de sua força o metal encontrou a nívea pele dela, abrindo um pedaço de suas costas. Draven sorriu pronto para desferir um golpe tão fatal quanto as flechas que se acumulavam em seu corpo e que já teriam matado muitos outros homens. Contudo, atingido por um forte jato de uma água que parecia queimá-lo, pela "Vazante e Fluxo" de Nami, ele perdeu a oportunidade de um intervalo de segundos. A habilidade ricocheteou no inimigo ao feri-lo e retornou a Ashe, curando parcialmente o ferimento que sofrera. Um daqueles "machados" cravou-se na cauda da marai, atravessando a armadura que ali havia, e ela pode sentir, mais do que a dor, Pyrus vacilar. O outro viajou ao encontro de Ashe, entretanto, apenas o chão ele encontrou.
Desarmado e enfraquecido, não somente pelos ferimentos como também pelo feitiço congelante das flechas, Draven viu-se obrigado a recuar. Em um flash de luz ele foi afastado por seu invocador. Nami tentou persegui-lo para tentar novamente aprisioná-lo com sua bolha e conseguir o abate, contudo uma ventania uivante a repeliu, dando espaço para ele e seu suporte escaparem. Alguns segundos depois, as duas armas do noxiano se foram magicamente também.
—Você está bem? — perguntou Ashe.
—Vou sobreviver... — respondeu a sereia.
—Bom trabalho! — elogiou-a a arqueira.
—Mas eles escaparam! — apontou Nami.
—Seus invocadores perderam feitiços importantes; nós, apenas a "exaustão" de Pyrus... Aprenderá com o tempo que isso é uma vitória. — respondeu Ashe — Agora voltemos a base para nos curarmos!
—Ainda preferia ter acabado com ele! — comentou Nami.
—Nós duas preferíamos! — admitiu a atiradora.
...
A batalha no bot apenas se intensificou. Ambas as duplas se mostraram bastante violentas, não permitindo que qualquer deslize passasse impune. Nami compreendeu que sua permanência na moita não era uma atitude covarde uma vez que já suspeitavam que ela estivesse ali e por vezes investissem contra o mato alto as cegas na tentativa de adivinhar onde ela estava. Aquilo era uma estratégia para intimidar e surpreender o inimigo, uma guerra psicológica que os mantinha distraídos, dando vantagem a sua companheira de rota. Mesmo assim, apesar de toda ferocidade da troca de danos, a morte continuava a contemplar o espetáculo sem intervir.
Mais uma vez a dança dos atiradores começou. Draven novamente se posicionara mal para alcançar um de seus machados e Ashe investiu. A sereia tomou a dianteira tentando desviar a atenção do inimigo, porém algo não estava certo desta vez. O noxiano apenas tentava recuar sem revidar os ataques de ambas, mesmo com Janna protegendo-o com aquela barreira vendaval.
"Uma armadilha!" pensou Nami tarde demais.
Um poderoso e temido machado de guerra surgiu dizimando a moita seguinte, acertando impiedosamente as constas da sereia. Nami sobreviveu graças a sua nova armadura, entretanto várias costelas se partiram com o impacto. A parte curva do machado de Darius envolveu sua cintura, mas antes de dividi-la em duas, Pyrus transportou-a em um flash para o mais longe possível. Entretanto, a Mão de Noxus a seguiu da mesma maneira e saltando no ar, preparou sua guilhotina para mais uma execução. Ela não teria escapatória, seu corpo não responderia rápido o bastante e ela sabia disso. Então uma bola de fogo acerto o peito do noxiano, atirando-o para trás em uma explosão.
—Abaixe-se! — gritou Ashe.
Sem hesitar, Nami seguiu a ordem da arqueira deixando o corpo cair de costas no véu d'água no qual flutuava. Uma gigantesca flecha de cristal encantada passou a centímetros de seu rosto, atravessando o peito de Draven, o qual estava prestes a arremessar suas armas em uma reta mortal pensando que finalmente faria sua primeira vítima fatal. O Carrasco de Noxus não teve tempo de desfazer o sorriso maníaco de sua face antes de virar uma estátua de gelo e desmoronar em pedaços. Darius levantou-se furioso e avançou em direção a suporte novata. Na mesma hora, Nami escutou um "Vai Tibbers!" e viu o ursinho de pelúcia de Annie passa, em chamas, sobre si. A sereia acompanhou-o com o olhar e, ao tocar o chão diante de Darius, viu-o transformar-se em uma imensa besta enfurecida em outra explosão de fogo. O urso das sombras atacou violentamente o noxiano restante. Nami ficou boquiaberta sem saber dizer se era mais impressionante a periculosidade do "brinquedinho" da menina ou o fato de Darius o estar enfrentando de igual para igual. Todavia, o equilíbrio daquele embate não durou muito, pois logo Ashe disparou suas poderosas rajadas de flechas e abateu o outro irmão também. Diante do desastre daquela emboscada e incapaz de fazer qualquer coisa a respeito, Janna apenas regressou a sua base.
—Eu ajudo você! — disse Annie auxiliando a marai a se "sentar" — Está bem?
—Só um pouco quebrada! — brincou ela com dificuldades, porém feliz com a vitória momentânea.
—Desta vez tivemos sorte, mas devemos ser mais cuidadosas de agora em diante! — comentou Ashe próxima ao alagadiço — Se Annie não esti...
Entretanto, antes da arqueira conseguir findar suas palavras, Rengar surgiu de sua ocultação saltando com toda sua ferocidade sobre ela. Ashe havia baixado a guarda e, por conseguinte, estava indefesa. Sabendo de sua posição, ela riu de sua imaturidade preparada para a dor lancinante que se precederia. No entanto, antes que o gume das armas da fera tocassem a pele de Ashe, uma maré violenta arrastou o atacante contra as rochas, passando pela aliada sem nada lhe fazer. A arqueira olhou perplexa para a marai, a qual sorria. Rengar tentou se recompor, mas Tibbers o imobilizou e Annie o preparou para o jantar com seu cone ardente de chamas.
—Obrigada! — disse a mulher dos cabelos brancos (ligeiramente dourados na sua nova aparência).
—Oras, não é essa a função do suporte? — comentou Nami com um brilho de satisfação no olhar — Apenas protegi minha atiradora...
—Fez muito mais do que isso! — disse Ashe — Agora é melhor voltarmos à base antes que mais algum imprevisto aconteça...
Contudo, antes que ela fosse capas de dar mais um passo, a sereia agarrou-a pela capa. Os machados de Draven cruzaram a frente das três e regressaram, deixando a marca daquela reta da morte pelo caminho.
—Disponha! — adiantou-se a marai rumando para a segurança da torre antes de Pyrus iniciar o feitiço de regresso a base.
—Um dia ainda descobrirei como aquele bastardo faz isso! — comentou Ashe antes de acompanhar sua suporte e sua mid — Aliás, estranho Ahri não ter aparecido...
—He he he! — riu Annie.
...
Enfim o segundo dos três inibidores, estruturas localizadas atrás das torres que protegem as entradas das bases e cuja função é impedir o aumento da força das tropas inimigas, cai e a equipe vermelha avança para sua investida final. Porém, pouco tempo havia antes dos membros da outra equipe renascerem e tentarem a defesa.
—Derrubem as torres que protegem o nexus agora! — ordenava Ashe, disparando e cravando flecha após flecha na base da estrutura.
A primeira estrutura desaba e despedaça-se no chão de pedra. A segunda passou a ser o foco e também não durou muito tempo. Bastava destruir aquele monólito azul e estaria tudo acabado...
—Nada pode nos pa... — dizia a marai antes de desabar de cara no chão — Que merda é essa?
—Nami, o que aconteceu? — perguntou Annie socorrendo a colega.
—Não sinto meus poderes! — respondeu ela espantada.
—Seu invocador chegou ao limite! Temos que acabar com isso de uma vez por todas! — falou a arqueira conseguindo finalmente uma de suas flechas através da proteção mágica do cristal, rachado-o por completo.
—Falta pouco agora! Foco! — falou Jarvan IV preparando sua lança para atingir o bloco com toda sua força.
No entanto, um dos machados de Draven se cravou no braço do príncipe demaciano e o de Darius o afastou de seu objetivo. Fiora tentou concluir o trabalho mas foi repelida pela ventania uivante de Janna e Ashe sentiu as garras de Rengar roubarem sua vida.
—Annie, acabe com isso! — gritou Nami ao ver o esforço de todos se dissolvendo no vento.
Todavia, a menina também já estava neutralizada, pega pelo encanto de Ahri. A Raposa de Nove Caudas encarava a sereia enquanto acariciava a cabeça da menina como se essa fosse seu bichinho de estimação.
—Não... Isso não pode terminar assim! — negou-se a marai.
Draven se aproximou com um sorriso de satisfação e começou a rodar seu machado sadicamente, lambendo os beiços em provocação. Ao mesmo tempo, o cristal azul começava a se reparar.
—Acho que terei sushi para o jantar... — disse o carrasco.
—Agora! — gritou Pyrus em um esforço final.
Nami rodou seu cajado. Draven lançou seu machado, porém a sereia não estava mais ali, transportada em um flash por seu invocador. Ela bateu sua arma no chão e com sua poderosa tsunami varreu a suporte, o atirador e a assassina do mid de volta a própria fonte. Fiora aproveitou a abertura e investiu contra o objetivo final. Darius tentou interferir, mas um cataclismo criou uma área da qual ele não poderia sair sem antes derrotar seu arqui-inimigo. Rengar entrou no caminho da impiedosa mulher, porém as águas da marai o aprisionaram e o incapacitaram. A grande duelista saltou para o cristal azul e com uma precisa estocada cravou sua arma até a guarda no exato local onde a flecha o danificava. Uma sobrecarga mágica ocorreu no monólito e este explodiu...
—Vencemos! — gritou Nami.
Continua...
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