Notas iniciais
"Anseio por um adversário a altura!"

A notícia sobre a campeã sereia se espalhou feito incêndio em biblioteca pelo instituto. Não importava por onde passassem, todos os olhares se voltavam para a nova dupla. Sussurros percorriam os corredores contando a novidade de ouvido em ouvido.

—Ela é mesmo uma sereia... Achei que fossem apenas boatos sobre sua beleza! — murmurou um homem por volta dos seus trinta.

—Ouvi dizer que o julgamento dela foi hoje mesmo! Deve ser o mais rápido de toda a história! — cochichou uma mulher observando a marai passar pelo canto do olho.

—Esse ser traiçoeiro deve ser realmente poderoso! Corre o boato de que Rávenus foi o primeiro a dar seu voto a favor... Ele já deve estar de olho nela! — comentou um velho sem tentar disfarçar seu desprezo.

Tantas vozes falando dobre ela, tantos olhares ela atraía... Aquela situação deixava Nami verdadeiramente desconfortável.

—Por que todo esse alvoroço? — perguntou a campeã incomodada.

—Não se preocupe, a maioria está apenas com inveja de não ter-lhe como aliada! — falou Pyrus sentindo-se estranhamente bem com aquilo.

—E aqueles que não são a "melhoria"? — indagou ela, fazendo-o rir.

—Esses provavelmente temem você! — respondeu ele com simplicidade.

—Eh?! Por que? — questionou ela espantada.

—Lembra-se que comentei haver lendas sobre sua raça? Digamos que elas denigrem sua imagem... — explicou Pyrus — Conta-se que seus vozes são amaldiçoadas e que aqueles que as escutam estão condenados. Diz-se que o seres como você hipnotizam suas vítimas com seu cantar, atraindo-as para fora da segurança de seus barcos, e quando estas mergulham no mar e encontram a fonte das canções, são arrastadas para a escuridão, onde se afogam caso tenham sorte, ou são devoradas ainda vivas. Alguns dizem que isso não passa de histórias de marinheiros bêbados, mas eu...

—O quê?! — indignou-se a marai elevando a voz, para o temor de muitos ao redor — De onde vocês tiraram tamanho absurdo? Só conheço um tipo de criatura que seria capaz de fazer tal coisas, e esses são os seres do abismo que ameaçam meu povo!

—Calma! Calma! — pediu o rapaz vendo graça na reação de Nami — Lendas são apenas histórias antigas, explicações fantásticas para coisas que ainda não compreendemos e, por essa razão, tememos. Não há porque ficar irritada com algo que sequer se sabe quando ou como surgiu.

Nami cruzou os braços visivelmente descontente, fazendo uma expressão que Pyrus chegou a considerar fofa.

—Aliás, falando em coisas que não compreendemos, o que são esses seres do abismo do qual você tanto fala? — quis saber o rapaz com a curiosidade aguçada.

—Eles são o maior perigo existente nas profundezas! Não posso descrevê-los, pois jamais os vi... E ninguém que tenha visto sobreviveu para contar, mas os sacerdotes de meu povo ensinam que eles não são desse mundo. — contou a sereia — Eles falam que os seres do abismo vem por um portal mágico de um lugar onde nada além deles existe e se escondem na escuridão até estarem prontos para tomar posse de tudo e transformar nosso mundo em algo igual o deles. Os sacerdotes também nos ensinam a jamais perseguirmos suas vozes sedutoras para dentro da escuridão ou nunca voltaremos. Muitos de meu povo já foram levados, incluindo amigos próximos... Amigos muito próximos...

—E por que vocês ainda vivem lá? — questionou o ruivo rapaz.

—Não importa para onde iremos, eles sempre estarão espreitando-nos nas sombras, aguardando uma chance para nos dizimar... — respondeu ela com tristeza — O grande abismo se espalha por todo o fundo dos oceanos.

—É, acho que toda lenda tem um fundo de verdade... Só culpamos o ser aquático errado... — comentou Pyrus — Ou será que a lenda apenas se distorceu com o passar das gerações?

Ele parou de caminhar e se virou para Nami.

—Bem, você é a prova viva de que monstros também falham, — falou ele — afinal, para se conseguir uma pérola abissal é necessário ir até o abismo.

—Eu sou a Conjuradora de Marés! A profecia previu que eu conseguiria, assim como todas antes de mim! A força do mar reside em mim! — argumentou ela.

—E você chegou a essa conclusão antes ou depois de retornar com a pérola? — indagou ele, deixando-a sem palavras.

—Eu... Eu sou especial! — gaguejou ela enfim.

—Nunca precisei de uma profecia para saber disso! — respondeu ele sem titubear.

As maçãs do rosto da marai coraram rapidamente com aquele lisonjeio.

—Vam... Vamos logo! — disse ela envergonhada seguindo em frente.

—Mas nós já chegamos! — alertou Pyrus apontando para uma grande porta de carvalho à sua esquerda que passara despercebida pela sereia.

O rapaz se aproximou e empurrou as grandes abas de madeira, revelando um gigantesco salão, tão grande quanto o hall de entrada. Dentro, cristais brancos e vermelhos iluminavam o ambiente com grande eficiência. Havia um grande altar ao centro e, adiante, cinco outros menores dispostos em uma semicircunferência. Mais além, uma grande pintura em forma de mapa preenchia parte da parede. Armadura de todas as nações atuais e outras de diferentes eras se espalhavam junto aos limites do salão. Uma homenagem a todos s guerreiros que perderam as vidas por seus povos nas grandes guerras de outrora. No teto, uma abóbada celeste de outros tempos, céus há muito esquecidos pelos olhos de hoje.

—Aguardávamos apenas por vocês. — falou Merlin sorridente.

Nami voltou sua atenção para aqueles que estavam no salão. Nove estavam ali. Ao lado do velho mago, a imponente figura de uma jovem mulher de logos e, como a neve, brancos cabelos e azuis olhos como os mais puros cristais de gelo eterno. A guerreira trazia um belo e distinto arco em suas mãos. A mestra Piaf também estava acompanhada. Era uma mulher de cabelos negros e curtos, com uma franja rosa escuro. Ela tinha um olhar desafiador e trazia um refinado sabre na cintura. Tálida acenava para Pyrus alegremente com seu gólem a vapor ao lado, porém uma terceira figura a acompanhava. Sentada no ombro de Blitzcrank, uma garotinha usando um arco com orelhinhas de gato e abraçada ao seu ursinho fitava curiosa a sereia. A última dupla era formada por uma figura misteriosa, totalmente recoberta por uma capa negra onde o emblema de uma rosa negra era preso, e um altíssimo homem usando uma pesada armadura e carregando sua imensa lança. Este guerreiro intimidador tinha um olhar frio e penetrante tal nenhum outro, como se ele olhasse através dela. Chamou a atenção de Nami aquilo que parecia uma coroa em sua cabeça.

—Então você é a nova campeã? Contaram-me que é uma duelista! — falou a mulher com o sabre se aproximando.

—Isso é o que iremos descobrir. — disse Merlin.

—Espero que seja! É difícil encontrar um bom desafio no top quando Jax não é meu oponente. — comentou a campeã de olhos verde-azulados.

—Se Jax é um desafio, sou mais que qualificada para essa posição! — disse Nami orgulhosa.

—Tomara que não esteja blefando! — respondeu a outra com um brilho no olhar — De qualquer modo, sou Fiora, a Grande Duelista. Lembre-se de meu nome quando estiver procurando uma luta justa.

—Eu lembrarei! — afirmou a marai.

Os olhares das duas acenderam-se nas chamas da rivalidade enquanto encaravam-se por um instante antes da duelista retornar para o lado de sua invocadora.

—E eu achando difícil encontrar outra pessoa tão orgulhosa quanto Fiora na liga! — sussurrou Tálida aos ouvidos de Pyrus.

—Pois é! — concordou ele vislumbrando futuros problemas.

Neste momento, as runas do altar principal começaram brilhar, indicando que o momento chegara.

—Invocadores, assumam suas posições! — ordenou uma voz feminina vinda de lugar nenhum.

—O que é isso? — perguntou Nami pega de surpresa.

—Relaxe! Faz parte da magia... — falou Pyrus seguindo para o altar junto com Tálida.

—E eu faço o que? — indagou a marai desorientada.

—Você espera aqui até seu invocador lhe chamar! — respondeu a menina no ombro de Blitzcrank.

Os cinco invocadores formaram uma roda sobre o altar e, ao centro, cinco esferas transparentes surgiram. Ao mesmo tempo, na parede à esquerda cinco grandes molduras vazias começaram a brilhar em diversos tons de azul.

—E agora? — quis saber Nami.

—O lado azul sempre revela seu campeão primeiro! — explicou a garota — Depois escolhemos dois...

No primeiro quadro, então, surgiu uma imagem. Meio mulher, meio raposa, nove caudas às suas costas podia-se contar.

—Ahri, a Raposa de Nove Caudas! — anunciou Pyrus sem conter sua admiração.

—Não será difícil prever o que virá para essa batalha. — comentou Merlin — Os principais campeões que nós mestres usamos são bastante conhecidos. A surpresa virá por parte daqueles que completarão as equipes...

—Eu cuidarei de Gudfreud! — falou a mestra Piaf fazendo sinal para sua campeã.

—Pyrus deve ir também! — disse Tálida de repente — Assim podemos confundi-los nas próximas rotações e descobrir o que seus reforços usarão!

—Ótima estratégia, jovem invocadora. — elogiou-a Merlin.

O rapaz concordou com a cabeça e acenou para Nami.

—O que eu devo fazer? — perguntou ela nervosa.

—Vem comigo! — falou a menina saltando de seu acento e pegando a mão da serei.

A garota guiou a marai até o segundo dos altares menores e disse para ela entrar. Assim que a marai o fez, as runas se acenderam sob ela e uma das esferas flutuou até as mãos de Pyrus. O mesmo aconteceu quando Fiora seguiu para sua posição, dando a sua invocadora a própria esfera. Todos voltaram seus olhares para as moldura novamente. Desta vez duas ganharam imagens. Uma era de um homem em uma poderosa armadura e carregando um enorme machado de guerra. Suas feições eram sérias, rígidas e intimidadoras. Na outra, outro homem, de cabelos espetados para cima, repletos de tatuagens e portando estranhas armas. Em sua face, uma animação sádica e uma barbicha comprida que se estendia vários centímetros para baixo.

—Os irmãos noxianos! — disse o guerreiro furioso e com sede de sangue.

—Darius, a Mão de Noxus, e Draven, o Carrasco de Noxus... — comentou Merlin em tom de quem já esperava aquilo.

—Ambos são campeões de Rávenus! — lembrou Piaf — Como podem estar os dois ao mesmo tempo na batalha?

—César! — sibilou Pyrus entre os dentes.

—Por que estão todos tão surpresos? — perguntou Nami baixinho para a menina, a qual ainda estava próxima do lado de fora do altar.

—Jamais um invocador foi capaz de manter dois invocadores ao mesmo tempo em uma partida por mais de dez minutos. Exige muita mana! — explicou ela.

—Mana? — repetiu a sereia sem entender o significado dessa palavra.

—Energia mágica! — falou a menina com simplicidade.

—Eu irei agora! — impôs o guerreiro já rumando para um dos altares vazios.

—Merlin, não seria melhor deixarmos Jarvan para o final, guardando a vantagem de deixá-lo saber qual caçador da selva irá ser seu adversário direto? — questionou a garota-gato.

—Seu modo de pensar é bom, mas conhecendo Heyward como conheço, direi que é irrelevante. Um não conterá o outro. Além do mais, acho que mais surpreendente será nosso suporte! — respondeu Merlin piscando um olho para ela gentilmente — Lembre-se que você também é nossa arma secreta.

E estendendo uma das mãos em direção ao centro, o velho mago fez um daqueles mágicos itens voar até sua mão. O outro foi para o homem do emblema da rosa negra assim que o guerreiro assumiu sua posição. A arqueira também subia à dela.

Alguns minutos se passaram sem que nada acontecesse. Então apareceram, simultaneamente, as duas pinturas que faltavam nas molduras restantes. Uma bela e esbelta mulher de orelhas pontudas e olhos tão azuis quanto o céu em um dia de sol, e uma besta felina de olhos heterocromáticos. Ela carregava um grande cajado e suas roupas mal cobriam seu corpo enquanto a criatura estava armada com diversos tipos de lâminas e usava uma semi-armadura entalhada com grandes presas de algo ainda maior, bem maior, adornando-a. Uma olhada mais atenta revelava um tapa-olho mágico como responsável pela diferença de cor entre os olhos.

—Janna e Rengar... — nomeou-os Merlin — Devo confessar que a Fúria da Tormenta não era esperada, mas o Acossador da Alcatéia era exatamente o que esperava de Heyward!

—Mas ele não é um felino? — perguntou Pyrus estranhando o título dado à fera.

—Alcatéia é usado como coletivo para animais ferozes, não apenas para lobos tal muitos pensam! — ensinou Tálida dando uma piscadela animada para o rapaz.

—É a sua vez. — lembrou-a Merlin.

—Oba! — falou ela deitando-se de costas com uma agilidade incrível, de modo que ao levantar a cabeça visse a esfera restante e tudo mais de ponta cabeça.

Ela estendeu as mãos como um filhote brincalhão querendo seu novelo de lã e o objeto mágico rolou até ela. Tálida o abraçou com carinho e, levantando-se de um salto, chamou seu campeão.

—Annie, eu escolho você! — declarou ela animada — Vamos fazer da nossa rota um caso de "ir do freezer para a fogueira"!

—Eba! — gritou a menina — Viu Tibbers, eu falei que a Tálida iria nos escolher!

A garota saltitou para o último altar desocupado abraçada ao seu ursinho remendado e lá parou balançando-se animada de um lado para o outro.

—Ela é uma campeã?! — gritou Nami boquiaberta.

—Uma das poderosas! — alertou Tálida sorridente.

—Quantos anos você tem, menina? Sete? — perguntou a sereia incrédula.

—Sete e meio! — respondeu Annie zangada por ter a idade diminuída.

—Vocês podem se conhecer melhor depois! Agora a batalha está prestes a se iniciar! — avisou a mestra Piaf — Pyrus...

—Sei o que fazer! — disse ele.

Os cinco invocadores se silenciaram por completo. Suas faces mostravam o quanto estavam concentrados. Um brilho vermelho surgiu no interior das esferas que seguravam enquanto a luz do ambiente ao redor diminuía rapidamente. Todos soltaram aquele orbes mágicos e estes permaneceram como se a gravidade não mais os afetasse. Na parede oposta a dos quadros, algo como uma enorme janela se abriu, mostrando a visão do alto de um local que certamente não podia estar ali e nesse momento a menina falou:

—Essa é a parte que menos gosto!

—Hã? Por quêeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee...? — perguntava Nami, obtendo sua resposta antes mesmo de terminar.

A marai sentiu como se seu corpo fosse desconstruído parte por parte e enviado por um tubo apertado e longo para bem longe dali. Ela não conseguia respirar e tentou se debater em vão. Então um alívio imediato a acometeu ao sentir que seu corpo era um novamente.

—Não se preocupe, a primeira vez é a pior! — disse Annie parada ao seu lado.

Entretanto, nenhuma delas estava mais no instituto. O céu estrelado, o verdadeiro, estava sobre suas cabeças e a lua, quase cheia, iluminava as sombras. Às suas costas, uma estátua com a imagem de uma grande armadura vazia diante da qual um grande cristal vermelho flutuava, e a sua frente um enorme monólito rubi subia de um buraco no chão.

—Uhm, sangue novo... — falou, para a surpresa de Nami, um leão-marinho em uma espécie de loja à direita acariciando os próprios bigodes.

—Onde estamos? — indagou ela totalmente desnorteada.

—Lembra-se do mapa na parede do salão? — perguntou a menina no intuito de ajudar a companheira de equipe.

A sereia concordou com a cabeça.

—Então, estamos naquele lugar! — explicou Annie animada — Bem vinda à Summoner's Rift!

Continua...

Notas finais
Fala galera! É isso aí, o pau vai comer a partir do próximo capítulo! Chega de lenga-lenga! Agradeço a todos que continuam a acompanhar a história! Fico feliz em estar agradando! Até daqui há quinze dias! Crazy