A busca pelo brilho da lua
9 Dificuldades
Notas iniciais
—Sigam para suas rotas! Defendam as entradas de nossa selva! — ordenou a arqueira saindo rapidamente quando os portões desapareceram.
—Heim? — fez Nami perdida.
—Você é focada em defesa ou ataque? — perguntou Fiora.
—Ataque, é claro! — respondeu a sereia como se fosse óbvio.
—Então vá até a loja e compre uma lâmina de Doran e uma Poção de Vida! — aconselhou a duelista — Depois siga por aquela passagem para sua posição e espere os inimigos aparecerem e mate o máximo possível antes de avançar contra seu campeão adversário.
—Mas eu já tenho meu cajado! Não preciso de outra arma! — tentou argumentar a marai enquanto Fiora se afastava rapidamente.
—Apenas faça o que ela disse e você vai entender. — sorriu-lhe Annie — Tenho que correr! Não é bom deixar seu atirador muito tempo sozinho, ainda mais se for a Ashe!
—Mas... — começou Nami em vão.
—Faça o que elas disseram! É o mesmo que iríamos propor! — falou a voz de Pyrus.
—Hã? Onde você está? — questionou a campeã olhando em volta.
—No salão vermelho. — respondeu ele com simplicidade.
—Então como está falando comigo? — indagou ela.
—A magia que lhe enviou até aí também criou uma conexão telepática entre nós. — explicou o rapaz — Ouço tudo o que você ouve, vejo tudo o que você vê e até conheço seus pensamentos superficialmente. Deste modo posso auxiliá-la durante a luta.
—Não gosto da idéia de ter outra pessoa em minha cabeça! — irritou-se a sereia.
—Discutimos isso depois, suas tropas já estão surgindo. Veja! Não se preocupe com dinheiro, os invocadores administram esse recurso! — disse ele olhando para uma pilha de quinhentas moedas que surgiram magicamente às suas costas.
—E meu cajado? — questionou ela.
—É como a Annie disse, faça e irá compreender. — insistiu ele.
—Imagine se tivéssemos pedido para ela comprar as Botas de Velocidade! — riu-se Tálida lá no instituto.
Mesmo contrariada, Nami seguiu o que lhe foi aconselhado. Ela foi até o vendedor, o leão-marinho falante, e pediu os itens. Ele colocou ambos sobre a bancada, porém, antes que a marai pudesse tocá-los, ambos desapareceram.
—Que história é essa? — zangou-se a marai achando que o mamífero de bigodes estava zombando dela.
—Ótimo, já recebi os itens! Agora apresse-se para sua rota! — avisou Pyrus.
—Aqui o serviço é pronta entrega! — orgulhou-se o leão-marinho enrolando os bigodes.
—Não era para eu ficar com esses itens? — perguntou ela mal humorada.
—Vá andando, digo, flutuando que eu explico. Você já está bastante atrasada! — propôs seu invocador na tentativa de fazê-la agir enquanto recebia as respostas — O importante nesse itens é o poder mágico que possuem, não a habilidade do campeão em usá-los. Ao serem comprados, todos são enviados para os invocadores para que a magia deles possa ser transferida para vocês campeões. Assim vocês podem continuar lutando com as próprias armas e ainda receberem o aumento de força, de agilidade, de poder mágico e tudo mais que o item fornecer.
—Bem pensado! — comentou Nami passando em alta velocidade, e perdendo, a seguir, aquele incrível excesso de fôlego que ela nunca havia sentido na vida, pela segunda estátua de pedra em forma de armadura e com um reluzente cristal vermelho incrustado no local onde seria a ponta da lança que a imagem carregava.
—Mais uma coisa importante! — recordou-se Pyrus — Estruturas como essa que você acaba de passar são chamadas de "torres". Elas disparam raios de energia mágica em seus oponentes caso eles cheguem perto demais sem suas tropas ou lhe ataquem dentro do alcance delas. Use-as para se defender, caso necessário, e lembre-se: eles também têm as deles! Destruí-las lhe dará vantagem, contudo, ter as suas destruídas será um problema.
—Certo, entendi! — disse ela passando pela terceira.
Mal fizera a única curva daquele caminho, a marai já avistara aquele contra quem lutaria. A segunda pintura a se revelar na parede do salão vermelho do Instituto de Guerra, o forte homem originário de Noxus em sua pesada armadura cortava impiedosamente os seres mágicos de vestes vermelhas que Nami viu aparecerem em seqüência lá na base. Embora fossem atacados continuamente pelo fio daquele afiado machado de batalha, aqueles misteriosos vassalos continuavam a ignorar a presença do campeão adversário, concentrando seus golpes naqueles semelhantes de veste azuis.
—Como todos aqui imaginavam, seu oponente será Darius! — comentou a voz de Pyrus — Ele é um colosso difícil de se derrubar, mas se você for com calma e... Nami!
A marai não perdeu tempo e foi logo para a ofensiva! Sem pensar duas vezes, ela lançou sobre o inimigo sua bolha d'água aprisionante e o atingiu em cheio. Ela sorriu com desdém achando que aquilo já estava acabado, todavia, em meros instantes a superfície daquela prisão mística estremeceu e ela se desfez.
—O que?! — espantou-se a campeã.
O adversário urrou e brandiu seu machado na direção de Nami. Ela desviou por um triz e tentou invocar sua bolha-prisão novamente sem sucesso.
—Por mil tubarões, o que está acontecendo aqui? — evocou a sereia furiosa tentando manter distância da lâmina da arma inimiga enquanto revidava com seus projéteis d'água (os quais, diga-se de passagem, mal pareciam feri-lo).
—É a magia do campo de batalha! — respondeu Pyrus pela conexão mental — Ela é feita para nivelar (ou ao menos deveria) todos os combatentes em um mesmo patamar de poder e, a medida que você vence adversários, quantidades proporcionais de sua fora real são desbloqueadas. Por essa razão, no início de cada batalha nos campos da justiça, cada campeão só pode usar uma de suas habilidade e em intervalos regulares de tempo.
—Por que você não me avisou de algo tão importante assim antes? — ralhou Nami sentindo o vento do machado riscar a superfície de suas escamas.
—Eu tentei, mas você, apressadinha como sempre, nem escutou a estratégia que tínhamos criado e já foi logo atacando! — retrucou o invocador zangado com a acusação — Agora!
Agindo por reflexo, a marai lançou outra esfera d'água em Darius, segurando apenas seu braço, sendo, porém, o bastante para retardar seu avanço. A sereia disparou quantos projéteis pode nos instantes em que sua magia durou, no entanto, aqueles irritantes soldados de túnicas azuis tentavam detê-la na medida do possível.
—O que está havendo com esses malditos intrometidos? — indagou ela derrubando-os um após o outro — Até agora pareciam não dar a mínima para nós!
—Você atacou o comandante deles! Obviamente irão revidar! — falou Pyrus cheio de lógica — Veja, suas tropas também estão atacando-o.
Darius balançou seu machado e decepou mais um dos servos vermelhos no mesmo instante em que sua mão se soltou. Um brilho surgiu sobre ele neste momento e subiu aos céus.
—Droga! Agora ele já pode usar outra habilidade! — constatou Pyrus — Nami, volte para a segurança da torre imediatamente!
—De forma alguma! Vou acabar... — dizia ela antes de ser interrompida pela adquirida técnica de Darius.
—Venha cá! — gritou ele segurando seu machado pela extremidade do cabo para aumentar seu alcance e passando sua parte curvada como uma foice por trás da marai para puxá-la para perto, tudo tão rápido que ela sequer teve tempo de reagir.
Nami sentiu o aço cortar sua carne, porém, por uma pitada de sorte, as peças de bronze que ornavam sua cintura amenizaram grande parte do dano letal. A sereia engasgou o grito de dor lacerante na garganta, ela não tinha tempo para esse luxo, e tentou preparar uma defesa para o próximo movimento que o noxiano já preparava, contudo, ao ver o que se seguiria, teve a certeza de que seria dizimada.
—Nami! — gritou Pyrus em sua mente.
Em um flash de luz a campeã se transportou longe o suficiente para evitar o ataque.
—Como eu...? — questionava-se ela quando, em flash semelhante, Darius foi transportado para perto dela novamente.
A sereia desviou por muito pouco, porém, não por mérito próprio. Ele estava mais lento e fraco e parecia exausto.
—Nami, recue agora! — ordenou seu invocador — Aproveite que estou exaurindo as forças dele!
Entretanto, a mesma aura que percorreu o corpo de seu inimigo alguns instantes atrás também subiu pelo dela. Um súbito pulso de energia transitou por suas veias e, sentindo-se renovada, ela avançou, acertando Darius com um poderoso jato que causou-o grande dano. Uma parte da água ricocheteou de volta para Nami, curando, em parte, suas feridas.
—Sua teimosa, estou falando que você deve recuar agora! — disse Pyrus elevando a voz.
—Agora que estou vencendo? — falou ela sorridente — Jama...
A expressão no rosto dela mudou e este se tornou mais pálido após sentir um tranco em suas costas. Ela baixou o olhar para o próprio tórax e observou uma lâmina atravessada nele. Em sua nuca, sentiu o rosnar de um ceifador que se aproximou sorrateira para abater sua presa. O predador oculto, repleto de selvageria e sede de sangue, soltou seu rugido, seu canto de vitória, e arrancou uma parte das entranhas de sua vítima junto de sua adaga. Nami caiu em um baque seco de cara no chão de terra úmida. Nos primeiros segundos ela não sentiu dor, apenas frio, entretanto, logo aquela a encontrou e a marai tentou gritar desesperada, ainda que seu corpo já não mais se movesse. E, em seu último vislumbre antes da clareza de seus olhos desaparecer, ela avistou seu arauto, a fera de furor insaciável, Rengar...
Continua...
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