Notas iniciais
"Qual é? Isso parece perigoso para você?"

—Entendo... – falou Ziggs após escutar toda a narrativa de seu convidado – Mas por que você simplesmente não teleporta até o instituto e pede a comprovação.

—Eu não sei teleportar... – admitiu Pyrus pelo canto da boca.

—Está na mesa! – falou a doida colocando sobre o móvel toda uma perna traseira de javali da Selva das Pragas, que ele trouxe após a última visita à sua terra natal, assada com batatas yordles.

—Bem, acho que não tenho escolha, afinal você é o invocador responsável por minha primeira e melhor aluna agora. – comentou o decano coçando o queixo peludo pensativo – Acho que posso falar com o professor Albert e...

“Primeira? Melhor?” pensou o rapaz incrivelmente perplexo.

—Achei que você tivesse autoridade suficiente para dar uma mísera permissão, Ziggs! – comentou a maluca.

—Estava me referindo aos encantamentos permitidos a ele usar durante as lutas! – explicou o yordle – Se ele não sabe teleportar, estou quase certo de que ele não sabe outros também!

A face de Pyrus ficou incandescente de vergonha.

—Quanto a permissão, – continuou Ziggs – depois do almoço, iremos para lá e garantirei acesso irrestrito a qualquer área para ele! Quero mostrá-lo meu novo projeto...

—O mech? – perguntou ela empolgada colocando os legumes cozidos na mesa.

—Precisamente! – confirmou ele abrindo ainda mais seu largo sorriso.

—Demais! – disse ela mordendo os lábios inferiores de empolgação – Você vai adorar!

—Ooooooookay... – comentou Pyrus.

—Não vai se servir? – indagou a doida tirando o grosso e manchado avental de couro, tão repleto de marcas estranhas que chegava a preocupar.

Pyrus hesitou por um instante, mas além de considerar falta de educação, era contra sua política recusar comida. Ele cortou com destreza uma fatia do assado e colocou uma colherada de legumes em seu prato. Então levou uma garfada a boca já esperando o pior. Para seu espanto, aquilo tudo estava delicioso. Bocada após bocada, ele findou o primeiro prato e logo serviu-se da segunda porção.

—Diga-me uma coisa, garoto! – pediu Ziggs – Por ela ser uma procurada, não será presa assim que pisar no instituto?

—Uma das regras prevê esse tipo de situação e proíbe prisões de criminosos em seu interior, com exceção daqueles que são procurados pelo próprio instituto. – explicou o invocador de boca cheia – Sei disso por causa de Gangplank. Ele é procurado por todas as nações de Valoran, mas lá dentro, não importa quantas legiões haja ao seu redor, ele é intocável. No entanto, se ele colocar um pé para fora de lá... O senhor pode imaginar...

—Faz sentido... – comentou Ziggs com o sorriso cheio de comida – Sou meio distraído, sabe? Nunca prestei atenção nessas coisas.

—Quem é esse tal de professor Albert? – perguntou Pyrus.

—A grande mente por trás da academia, — respondeu cheio de orgulho o yordle – seu fundador e...

—E o invocador do Ziggs. – completou a insana com um sorriso travesso.

—Já falei para não roubar a melhor parte! – zangou-se o pequeno e peludo ser (sem perder, entretanto, o sorriso).

Ela riu e olhou para Pyrus. Havia algo diferente nela, ele podia perceber. Era como se ela estivesse mais... real...

...

Após o término da refeição e já em posse da sua maleta chamuscada, Ziggs rumou para a porta.

—E você? – perguntou o invocador se voltando para a maluca.

—Vou arrumar a bagunça por aqui e depois saio por onde entrei. Se não fizer isso de vez em quando haverá montanhas de lixo pela casa. – respondeu ela.

—O mínimo que deveria fazer é ajudá-la a lavar a louça... – comentou ele.

—Não se preocupe, vai me ajudar mais tarde... Estou com uma coceirinha e vou precisar que você coce para mim! – disse ela.

—Vamos rapaz! – chamou o yordle – Preciso voltar logo! Estou ansioso para dar prosseguimento ao projeto!

—Já sabe onde me encontrar... – cochichou ela ao pé do ouvido dele antes de empurrá-lo para a porta.

O humano e o yordle partiram, porém o rapaz ficava mais preocupado a cada passo.

—Está tudo bem nós a deixarmos lá? – perguntou Pyrus abruptamente sem conseguir se conter.

—E por que não estaria? – retrucou Ziggs.

—É que ela meio que tem a mania de explodir... – argumentou o invocador.

—He he he! Ela aprendeu com o melhor! – disse o campeão orgulhoso – Se depois de todos esses anos aquela casa ainda está de pé, não será hoje que ela conseguirá derrubar...

—Como assim “todos esses anos”? – questionou Pyrus extremamente curioso.

—Vivemos juntos desde quando ela era apenas um pouco maior do que eu... – contou Ziggs sorridente (como sempre) – Se ela fosse uma yordle, diriam que ela é minha filha. De certo modo, acho que ela é...

—Quem mais sabe disso? – perguntou o rapaz ao ser pego totalmente de surpresa.

—Vejamos... Professor Heimerdinger, Tristana, Orianna, Blitzcrank, Rumble, Teeno, Corki... Ahm... Deve ter mais alguém. – enumerou ele.

—Uau! Caitlyn deve viver aparecendo em sua casa... – concluiu Pyrus.

—Ela não sabe... – disse o yordle sem dar muita importância a princípio, mas parando, então, de supetão e virando-se para o invocador com ar sério (embora ainda sorrisse) – E seria bom se ela continuasse sem saber!

—Compreendo... – falou Pyrus.

...

Mal a dupla adentrou a portaria da academia, a voz irritante e fanhosa da secretária os alcançou.

—Você novamente?! Já não falei para dar o fora daqui antes que eu... – falava ela.

—Ele é meu convidado, Abigail! – interrompeu o yordle.

—Professor Ziggs?! – disse ela assustada – Eu não reparei no senhor!

—Está tudo bem. – respondeu ele sem se importar – Avise a equipe que vamos dar continuidade no trabalho assim que eu apresenta Pyrus ao professor Albert.

—Se refere ao rapaz? Devo informa-lo que ele... – tentou alertá-lo a secretária.

—Sei muito bem quem ele é e de onde vem, mas, só porque todos os outros sentinenses que vieram até nós antes tentaram nos roubar, a senhorita não deveria julgar prematuramente este também! – impôs-se Ziggs.

—O senhor está certo, professor! – disse ela visivelmente contrariada e descontente – Desculpe minha prudência exagerada.

—Certo então, – disse o campeão – por favor, faça o que lhe pedi. Pyrus, vamos indo.

A secretária lançou um olhar furioso ao rapaz enquanto ele passava por ela, e esse respondeu com um sorriso irônico.

...

As horas correram ligeira e a tarde passou em um piscar de olhos enquanto Pyrus era apresentado à academia. Ele conheceu o professor Albert, um yordle tão baixinho e peludo que mais lembrava um pompom de pelúcia, o qual já se adiantou em marcar horários para as “aulas” do rapaz. Depois Ziggs mostrou-o o projeto que fez os olhos daquela maluca brilharem, e, diga-se de passagem, era realmente impressionante sua imponência. O jovem invocador também foi apresentado a Heimerdinger, outro daquela pequena raça e em inventor idolatrado, sendo também considerado o gênio do século (ainda que os zaunitas discordassem). Por fim, após conhecer tantas outras dependências daquele ninho do conhecimento, Pyrus encontrou-se com o lugar que para ele era o maior tesouro de academia: a biblioteca. Ele vasculhou os labirintos de prateleiras com lágrimas preenchendo seus olhos. Todos aqueles livros ao alcance de suas mãos... Era como se sonhasse. Assuntos sobre os quais ele jamais imaginara haver discussões em pilhas e mais pilhas de volumes encadernados... Ele tirou um dos livros da estante em uma escolha aleatória e já começou a lê-lo ali mesmo, contudo parou e devolveu-o a seu local de descanso. Havia um assunto prioritário que precisava de sua total atenção.

Vasculhando cada título daqueles corredores sem fim, ele selecionou todos que aparentavam poder conter qualquer pista sobre as pedras que sua campeã buscava, as pedras da lua. Após selecionar mais do que era capaz de carregar, ele rumou a mesa mais próxima e mergulhou naquelas páginas devoradas pelo tempo. Sua mente estava explodindo com tanta informação nova, com todos aqueles mistérios que se revelavam e com todas as novas perguntas que surgiam a cada velha respondida. O universo parecia se expandir a sua volta tal uma enorme explosão. Porém sua meta principal, seu objetivo primário não se revelava...

—Aham! – pigarreou alguém a sua frente – Está na hora de biblioteca fechar!

Abigail estava do lado oposto da mesa com cara de poucos amigos e braços cruzados.

—Que horas são? – indagou o rapaz.

—Bem tarde! – respondeu ela.

Ele levou os olhos a uma das altas janelas do imenso salão e percebeu o breu que já se acumulava nelas. A luz que o permitiu prosseguir a ler vinha de dezenas de lamparinas hextec que se acenderam assim que a luz natural diminuiu.

—Será que eu poderia...? – perguntava ele.

—De forma nenhuma! – retrucou ela sem nem escutar o restante do que ele tinha a dizer.

—Tudo bem. – falou ele já esperando aquele tratamento – Guardarei os livros e...

—Não será necessário! Temos funcionários para isso! – interrompeu a mulher dos óculos de meia-lua.

Vendo que não haveria diálogo além daquele ponto, Pyrus levantou-se e encaminhou-se para a saída observado de perto pelos olhos preconceituosos de Abigail.

—Obrigado! – disse ele antes de sair pela porta da frente da academia.

—Pelo quê? – indagou a secretária.

Todavia Pyrus não respondeu e apenas seguiu com seu rumo, deixando-a ainda mais nervosa.

Aquele início de noite estava realmente agradável. As estrelas mais fortes conseguiam despontar no céu azul escuro apesar das luzes da metrópole que nunca dormia. As ruas ainda tinham movimento, ainda que boa parte deste fosse por parte daqueles que deixavam o trabalho e voltavam apressados para suas casas com medo de encontrarem a insana procurada nesse percurso. Se eles soubessem que ela não atacará...

—Por falar nisso, é só o que resta ser feito por hoje... – comentou ele consigo mesmo – Só espero que ela não destrua essa roupa também...

E enfiando as mãos no bolso da calça, seguiu para seu encontro.

Continua...

Notas finais
É isso aí galera! Como prometido, o segundo do mês!... Um pouco atrasado para ser sincero, eu admito, mas está lá! Bom divertimento! Crazy.