A busca pelo brilho da lua
16 Intervalo
Notas iniciais
—Uhmmmmmmm! Isso foi muito bom (de novo)!... – disse ela espreguiçando – Acertei na escolha para minha primeira vez!
Os olhos de Pyrus se arregalaram perante o comentário.
—Espera! – falou ele – Está me dizendo que ontem...
—Anteontem! Já passamos da meia-noite! – corrigiu-o ela.
—Então você nunca antes...? – insistiu ele ainda sem acreditar.
—Posso ser doida, mas também sou bem exigente! – disse ela pondo seu corpo sobre o dele e caminhando com os dedos sobre o peito do invocador enquanto encarava-o com ainda muito fogo no olhar.
—Uau! – exclamou ele.
—Fui bem? – provocou ela aproximando seu rosto do dele.
—Para dizer a verdade... também foi minha primeira vez... – admitiu ele ruborizado.
—Mentirooooooso... – disse ela.
—É verdade! – afirmou Pyrus – Se você não tivesse me guiado e sido tão gentil e carinhosa (depois de ter arrancado minhas roupas com os dentes) eu não sei se teria conseguido...
—Ownnnn, que fofo... – falou ela.
—Mas... se há algo do qual tenho certeza nesse mundo – prosseguiu ele acariciando o rosto dela – é que tudo está sendo inesquecível!
—Ai ai, temos um bobo apaixonado aqui pessoal... – ironizou ela.
—O que posso fazer? Você é incrível! – respondeu ele.
—Eu realmente deveria ter puxando o gatilho lá no terraço quando tive a chance. – comentou ela.
—Aí nós não estaríamos aqui agora. – retrucou ele.
—Vou lhe contar um segredinho. – seus olhos tão próximos quanto o possível dos dele – A Zapper não está carregada na carga letal. Você só iria desmaiar, e se tornar meu brinquedinho pessoal.
—Muito reconfortante saber que eu não seria mais uma de suas vítimas! – disse ele cheio de sarcasmo – Por falar nisso, já tem quantas na contagem? Você anota em um caderninho a parte? Faz marcas em uma parede?
—Na verdade, você foi a pessoa que cheguei mais perto de matar... – confessou ela.
—Nunca matou ninguém?! – perguntou ele boquiaberto.
—Até agora não. – respondeu ela – E você?
—É uma longa história... – disse ele levemente incomodado – Digamos apenas que minha contagem está maior que a sua.
—Tem algo a ver com isso? – indagou ela acariciando a cicatriz no abdômen do invocador.
—Por que acha isso? – questionou ele.
—Você é gentil e bondoso demais para fazer algo assim sem motivos. – explicou ela.
—Mal me conhece. Como pode afirmar? – perguntou ele.
—Vejo isso em seus olhos... – respondeu ela.
Intimidado por aquele olhar tão puro e penetrante, o rapaz virou a cabeça.
—Não faz sentido... – falou ele.
—O quê? – ela quis saber.
—Você! – disse ele – Essa você que está comigo agora não é a mesma que conheci ontem. É como se você fosse duas. Essa aqui, uma atriz desnuda e sincera, enquanto a outra, um papel, uma personagem, uma máscara que se usa sobre o palco para enganar e iludir a plateia...
—Transar em um teatro abandonado realmente aguçou sua imaginação. – falou ela se sentando sobre ele.
Pyrus nada disse.
—Gostou da comida? – perguntou ela repentinamente.
—Não acabei de dizer que foi inesquecível? – falou ele.
—Falo do almoço. – riu ela.
—Ah! Também estava muito bom! – respondeu coçando a bochecha em sinal de pequeno constrangimento – Onde aprendeu a cozinhar tão bem?
—Quando se vive com um yordle que explode o fogão toda vez que tenta preparar alguma coisa, aprender isso é uma questão de sobrevivência. – explicou ela.
—Então você e o Ziggs realmente viveram juntos por todos esses anos? – questionou ele lembrando-se do que o yordle disse mais cedo.
—Quem você acha que me ensinou a explodir tudo ao meu redor? – sorriu ela.
—E todo esse tempo foi aqui em Piltover? – prosseguiu ele com seu raciocínio.
—Sim. – ela confirmou.
—Eu realmente não entendo! – falou ele.
No rosto dela ficou evidente a curiosidade.
—Segundo a “Chapeleira”, os seus ataques começaram há pouco menos de seis meses. Mas se você viveu em Piltover todo esse tempo, por que apenas agora?
—Quem precisa de motivos? – respondeu ela sorridente brincando com o longo cabelo, o qual ficava ainda mais longo agora que estava solto.
—Isso tem alguma relação com essa pessoa que se esqueceu de você? – questionou ele.
—Eu acho que você deveria estar me beijando agora ao invés de perder tempo pensando nisso, senão daqui a pouco o sol começa a raiar e você vem com aquela conversinha de que tem que ir por causa disso e daquilo...
—Veja bem, você já tem suas armas, seus brinquedos, seu esconderijo, os restos dos robôs da polícia... Eu não tenho nem onde morar ainda e... – explicava ele.
—Por que não vem morar comigo? – indagou ela.
—Aqui? Neste velho teatro? Olha, eu... – ele parou por um instante e pensou – Olha, até que não é uma má idéia. Eu não precisaria me preocupar com aluguel, há bastante espaço para praticar e...
—E ficaria pertinho de mim! – falou ela lambendo os lábios com aquele olhar faminto da noite anterior.
—E ficaria pertinho de você! – concordou ele sorridente levantando o tronco para beijá-la.
Como ele adorava aquela língua selvagem.
Ela empurrou-o de volta ao fim do beijo e saltou para fora da cama.
—Então está decidido! Você virá morar aqui! – falou ela caminhando para trás, as mãos cruzadas às suas costas e um enorme sorriso pervertido, até ficar em frente a única e pequena janela do cômodo, por onde a luz da noite entrava e banhava o corpo e os cabelos dela de um modo que nem o mais genial pintor ou o mais perfeccionista escultor seria capaz de imaginar.
Ela era uma obra-prima inestimável para os olhos dele.
—Acaba de me ocorrer que ainda não sei seu nome. – comentou Pyrus.
—Faz diferença? – indagou ela.
—Não quero continuar a chamar-lhe de doida para sempre (mesmo você sendo) – explicou ele.
—A cidade me deu o nome de Jinx, — falou ela – mas você pode me chamar de Isabelle.
Continua...
Fale com o autor