A busca pelo brilho da lua
26 Perseguição Implacável
Notas iniciais
—Sabe, por baixo daquela casca dura deve haver um coração mole... – comentou Pyrus saboreando a última tâmara que restara.
—Acho que ele é inteiro de cristal. – respondeu Nami descontente de ter perdido a última guloseima da viagem.
—É só uma expressão, Nami! – explicou o invocador – Quer dizer que por menos que pareça Skarner ainda é um cara legal.
Eles estavam quase em casa agora. Os prédios de Piltover nunca antes pareceram tão... frescos. Era bom estar de volta a um lugar onde ele não precisava correr para salvar a própria pele e...
—Você aí! Parado! – gritou Caytlin, a qual estava diante da casa de Tálida com um pequeno esquadrão e com Vi bufando ao seu lado.
Contudo, antes do grupo poder se aproximar do surpreso invocador, o rugido de um potente motor hextec dobrou a esquina entre eles guiado pelo ser menos indicado da metrópole.
—Jinx?! – exclamou o ruivo boquiaberto.
—Minha moto! – urrou Vi furiosa.
A doida dos cabelos azuis agarrou Pyrus pelo sinto ao passar acelerando por ele, levando a máquina a empinar enquanto jogava-o na garupa e deixava Nami para trás.
—Todos para os veículos! Agora! – ordenou Caitlyn.
—Eu dirijo! – adiantou-se a defensora pulando para dentro da viatura e deixando a marca de borracha queimada no asfalto.
—Quanto a você... – disse a xerife ficando para interrogar a cúmplice de Pyrus – Diga-me onde é o esconderijo!
Nami deu um sorriso amarelo.
...
—Caramba, essa coisa é demais! – divertia-se a condutora do caos desenfreada pelas avenidas da cidade.
—Jinx, o que infernos está acontecendo? – indagou Pyrus agarrado fortemente na cintura da doida de sua namorada.
—Pelo que soube, houve uma denúncia anônima há alguns dias relatando que nós tínhamos algum tipo de ligação. – explicou ela mordendo os lábios de excitação.
—O quê?! Mas quem foi que descobriu isso? – perguntou ele incrédulo.
—Dãr! Sabe o que anônimo significa? – disse ela sarcástica.
—Será que Viktor... – ponderou o invocador – Mas o que ele ganharia com isso?
—Por falar nisso, sua encomenda está pronta! – lembrou-se ela.
—Que encomenda? – perguntou confuso.
—Aquela coisa que você pediu para o Viktor fazer. – respondeu ela.
—Espera! Como você...? – questionava Pyrus.
—Digamos que ele me pegou com a mão na massa... de explosivos. – riu ela.
Contudo, antes da conversa poder continuar, uma viatura cruzou o caminho que a dupla seguia, forçando-os a mudar de rota.
—Desta vez você não me escapa, Jinx! – gritou Vi com as veias da têmpora pulsando alucinadamente.
—Você vai me perseguir mãozuda, hã, hã?! – provocou a doida.
Jinx poderia facilmente despistar sua perseguidora usando os becos estreitos por onde as viaturas jamais conseguiriam passar, porém ela insistia em permanecer nas grandes avenidas para que a diversão não acabasse.
—Preciso pegar as manoplas que estava construindo lá no... – falou repentinamente Pyrus na tentativa de traçar um plano de ações para dar um jeito na situação.
—Fala dessas aqui? – disse ela tirando as mãos dos guidões e levantando bem alto para que ele pudesse ver.
—Por que está usando minhas manoplas? – Pyrus mal conseguia raciocinar diante daquela inesperadamente propícia boa notícia.
—Achei que seria legal usá-las para zombar da mãozuda. – sorriu a doida.
—Pois muito bem, hora de fazermos uma visita a Zaun! – falou o ruivo começando a se divertir também, para o deleite de Jinx.
—Yes sir! – confirmou ela batendo continência.
—Não vou permitir! – urrou Vi colando a viatura na traseira da moto.
— Isso eu quero ver mãozuda! – gargalhou Jinx.
Curvas após curvas, marcas de pneus, motores sendo levados ao limite. Vi demonstrava toda sua aptidão pilotando uma máquina tão veloz, entretanto sua adversária estava no mesmo nível. E competindo contra sua própria moto... A defensora sabia, mesmo não querendo admitir, que não havia como vencer.
Faltava pouco. Logo chegariam aos abismos de Zaun.
—Ha ha ha! Foi o que pensei! – riu Jinx ao entrar na reta final.
Uma barreira policial foi formada entre eles e a ponte que dava acesso aos níveis inferiores que formavam a famigerada Zaun. Para piorar, a própria ponte, projetada para abrir-se para a passagem de dirigíveis de carga, estava na configuração que os impediria de prosseguir.
—E agora? – indagou o invocador.
—Agora é hora da Fishbones! – falou a doida puxando seu amado lança-mísseis para cima do ombro.
Finalmente a oportunidade que Vi tanto aguardara. Agora não haveria como desviar. Largando o volante, metendo os pés sobre a lateral da viatura e não pensando nem por um momento no quão retardado era o que estava prestes a fazer, ela saltou com um único objetivo: Jinx!
A boca de Fishbones se abria. As chamas do foguete escapando pela parte de trás da arma. O projétil deixando o cano. A sombra da defensora recaindo sobre a insana das tranças azuis a chicotearem ao vento. O colar de Pyrus emitindo uma tímida luz enquanto sua energia era emprestada. Um flash. E num instante Vi, Jinx e Pyrus haviam trocado totalmente de veículos.
Os olhos arregalados da defensora denunciando a surpresa de estar pilotando sua moto novamente e uma bola de fogo abrindo um rombo na barreira.
—Só vai! – gritou Jinx agora sentada no colo de Pyrus sem mais conter a empolgação.
Pyrus esmagou o pedal do acelerador, atravessando as chamas. Vi travou as rodas de seu veículo recém recuperado. Ela tentou se equilibrar, mas parte dos destroços veio em sua direção e na tentativa de desviar o tombo foi inevitável. Ela e sua motocicleta deslizaram rumo ao abismo, parando no último momento possível.
Praticamente pendurada à beira da ponte, Vi olhou para baixo. Não havia mais chão sob a viatura. Ela caiu e ao atingir o chão ao fundo uma explosão a fez deixar de ser. A defensora não conseguia acreditar que havia acabado daquele modo. Foi quando a risada irritante de Jinx invadiu seus ouvidos. Ela procurou do lado oposto do abismo e pode ver os dois fugitivos pousarem em segurança com o auxílio de Fishbones. A doida virou-se com a língua de fora e puxando as pálpebras numa última provocação na forma de careta para sua amada mãozuda.
—O que estão esperando? Fechem logo essa ponte! – ordenou Vi quase soltando fogo pelas ventas tamanha era a raiva de ver a outra escapando novamente.
...
—Dê-me um instante, Isabelle. Minhas pernas... – disse Pyrus desabando diante do laboratório de Viktor após uma fraqueza “inexplicável” afligir seus membros inferiores.
—Pelo menos você não molhou as calças. – divertiu-se ela.
Enquanto isso...
“Não importa o que aconteça, Nami, não conte a ninguém sobre o teatro, mesmo após eu acertar a situação entre Isabelle e eu lá no instituto. Aquele lugar é nosso refúgio, nosso local seguro onde sempre poderemos procurar abrigo, mas para tanto ele deve continuar um segredo sempre!”.
—Vou perguntar mais uma vez. Onde eles estão escondidos? – insistia Caitlyn sentada já há algum tempo na sala de interrogatório.
—Eu não faço idéia do que está falando. – respondeu Nami com uma cara de culpa inegável.
—Não brinque comigo! – os olhos da xerife emanando intimidação, cansaço e falta de paciência – Desde quando vocês estão trabalhando em conjunto com aquela procurada?
—Quem? – perguntou a sereia sem saber o que mais dizer.
Caitlyn apertou os punhos. Aquela resposta, quase uma confissão de tanta culpa impregnada, fez a responsável pela manutenção da ordem em Piltover quase perder o controle. Ela respirou fundo.
—Muito bem! Se for assim que você quer fazer, que seja! – disse levantando-se e indo para a porta – Ficará retida até decidir cooperar!
—Hã... – fez a marai logo antes da outra deixar a sala.
—Sim? – regressou Caitlyn esperançosa.
—Você não teria uma rosquinha ou um pedaço de bolo aí fora para me dar, teria? – perguntou Nami lembrando-se de ter visto uma caixa da confeitaria da esquina sobre uma das mesas do lado de fora.
A pálpebra direita da xerife começou a se contrair involuntariamente enquanto chamas de fúria queimavam dentro de suas pupilas. Ela saiu sem dizer mais uma única palavra, batendo a porta com violência.
—Mas eu estou com fome... – choramingou Nami chateada enquanto sua barriga roncava audivelmente.
Continua...
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