A busca pelo brilho da lua
27 Fugitivos
Notas iniciais
—Exijo que esse homem seja entregue à justiça de Piltover imediatamente!
—Exigência negada.
Heyward fazia valer a soberania do Instituto de Guerra mesmo com uma Caitlyn nervosa e indignada tentando impor as leis da cidade que jurara proteger, mas para explicar como se chegou a esse ponto é necessário regressar-se algumas horas...
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Mais algumas horas...
Pyrus se pôs de pé após recuperar parcialmente as forças das pernas e rumou para dentro do laboratório. Sem ter que se preocupar com as máquinas de combate, ele rumou direto para o laboratório principal de Viktor sem notar um estranho fato.
—Vejo que recebeu meu recado. – disse o arauto das máquinas sem tirar os olhos de seus estudos.
—É por isso que estou aqui, entretanto admito que não esperava que ficasse pronto tão rápido. – comentou o invocador.
—Sua idéia serviu-me de inspiração e não paro de trabalhar enquanto estiver inspirado. Outra vantagem de meu corpo atual. – falou Viktor sem parar um instante de mexer em suas telas – As sanguessugas estão sobre a mesa.
Uma daqueles painéis flutuantes e transparentes surgiu sobre uma bancada no lado esquerdo da sala indicando-a como uma seta. Pyrus aproximou-se e examinou o produto.
—Perfeito... – exclamou.
—Certamente. – disse o doutor sem cerimônias.
—Jinx, as manoplas, por favor.
Somente então o invocador percebeu.
—Por que os robôs não lhe atacaram? – indagou ele em voz alta quando a doida entregou-o as luvas de couro, metal e runas.
—Adicionei uma exceção à segurança para essa ladra escorregadia. – explicou o doutor.
—Chato... – reclamou ela bastante emburrada.
—Hã? – surpreendeu-se o rapaz.
—Agora que tenho conhecimento dos parâmetros do relacionamento de vocês, sei de quem cobrar pelos danos e pelos roubos. Além do mais, estou cansado de consertar minhas máquinas toda semana...
Pyrus voltou sua atenção para a parceira.
—Eu devo ter dito alguma coisa quando estive aqui da última vez... – falou ela sem dar muita importância.
—Ela foi bem específica ao explicar que vocês têm relações desde quando você a perseguiu e a convenceu a fazer um pacto que daria a ela a possibilidade de lutar na liga, – falou Viktor – além de detalhes desnecessários de como e onde vocês...
Pyrus fez um sinal com a mão indicando que o arauto não precisava continuar. O rapaz hesitou por um momento.
—Viktor, você não teria contado isso a mais alguém, teria?
—Suas escolhas de coito não me interessam além da correlação que isso gera com meus equipamentos roubados regularmente. De resto isso é assunto seu. Não tenho motivos para expor isso a outrem. – explicou o cientista – Contudo o mesmo não pode ser dito quanto ao invocador de Urgot.
—Como assim? – perguntou o ruivo.
—Realizava reparos em Urgot quando finalmente pude conhecer essa incomoda gatuna e ela revelou-me tudo entre vocês. – contou o outro – Seu invocador estava presente na ocasião acompanhando o procedimento, e este é noxiano como pode supor.
Pyrus levou a mão ao rosto. Agora ele sabia quem fizera a denuncia...
—Devo destacar que achei intrigante o modo como ela demonstrou desejo em ser perseguida por minhas criações na ocasião. – completou Viktor ainda pensativo quanto a isso.
—Bem, essa é minha namorada... – comentou Pyrus com um ligeiro sorriso, embora não entendesse o porquê deste.
O invocador abriu as travas mágicas de suas manoplas com um encantamento, permitindo que o equipamento de conversão bio-tecmatúrgico fosse inserido.
—Precisara de algum tipo de catalisador elemental para que funcione adequadamente. – alertou o doutor.
—Estou ciente... – respondeu Pyrus pensativo antes de sua mente iluminar-se.
Retirando o souvenir de sua aventura em Shurima do bolso interno do sobretudo, o invocador acoplou-o ao sistema.
—Isso é um cristal brakern? – perguntou Viktor incrédulo.
—Surpreendente, não? – respondeu o rapaz lacrando a manopla novamente – Outra hora conto a história toda.
Ele vestiu a luva que construíra e como um sifão esta tentou sugar toda a energia mágica de seu corpo.
—Uau! Isso que é um tranco... Conforme o acordo, deixarei a outra para que possa estudá-la. Não é como se eu possuí-se outro bom catalisador para usar agora... – falou o rapaz voltando-se para Viktor, o qual parecia satisfeito com aquilo, ao menos por enquanto – Hora de buscar a outra encomenda. Acho que vai gostar dessa, Jinx...
Na delegacia...
—Cinco minutos! Dê-me cinco minutos com aquela sardinha super-desenvolvida e a faço cantar igual passarinho! – suplicava Vi à Caitlyn.
—Sabe que não podemos tocá-la. – respondeu a outra – As regras do instituto são claras. Ela tem o direito de se manter calada quanto a assuntos que envolvam seu invocador ou outros campeões que este possui. E a menos que encontremos provas que a relacione com os recentes atos de Jinx sequer poderei mantê-la detida por muito mais.
—Mas Cait, Jinx nem é campeã da liga! – insistiu Vi.
—Agradeça por isso...
—Xerife! – chamou um policial vindo apressado – Temos relatos de que os procurados foram vistos entrando na academia!
—Estão esperando um convite? Envie a tropa de choque robótica para lá imediatamente! – ordenou Vi.
—Sim senhora!
—Desta vez pego ela! – comentou a defensora.
—Vi! – chamou a xerife – Não destrua o lugar!
—Tentarei!
Em questão de minutos o lugar estava cercado e as tropas de andróides preparadas. Vi liderou a incursão.
—Eles foram por ali... – apontou Abigail lixando calmamente as unhas sentada a sua mesa na recepção.
A equipe avançou taticamente pelo prédio principal, mas não encontrou nada. Eles avançaram para as oficinas externas, porém a primeira meia dúzia também não apresentou sinais do casal de procurados. Seguindo para a próxima, a tropa preparava-se para entrar quando um potente motor rugiu em seu interior.
—Reconheço esse som... – falou Vi arregalando os olhos pouco antes de a porta vir abaixo e uma motocicleta imponente com dois ocupantes sair por ela.
—Ah! Oi! – sorriu Jinx antes de Pyrus arrancar — Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
A defensora ficou em choque por um instante ao ver um clone melhorado de sua máquina. Ela chacoalhou a cabeça e os pensamentos de volta ao lugar e logo voltou ao dever.
Diferente de sua parceira, Pyrus não hesitou em usar todos os becos e os atalhos que pode, despistando rapidamente os carros da polícia. Logo eles estavam fora da cidade.
—Para onde vamos? – perguntou Jinx curiosa e com seu largo sorriso.
—À lugar nenhum!
Com alguém muito mais previsível do que a doida de cabelos azuis guiando a motocicleta, Vi conseguiu alcançá-los em sua própria montaria tomando uma rota diferente.
—Ela é insistente... – divertiu-se Jinx já preparando Fishbones.
—Não Jinx! Eu cuido disso desta vez! – falou Pyrus.
Injetando a energia de seu colar naquele veículo desenhado especificamente para ele, o invocador criou distância entre eles e aquela que os perseguia. As pontas dos dedos de sua manopla se acenderam em tons de âmbar e ao tocarem a estrada esta se despedaçou, deixando um rastro de rachaduras e rochas tão irregulares que Vi não teve escolha se não sair do caminho. Já fragilizada pela perseguição de antes, a motocicleta daquela de cabelos rosa não suportou e quebrou a suspensão no terreno acidentado. Furiosa, Vi pulverizou uma pedra com um golpe.
—Está funcionando... Mas bebe energia mágica! – comentou Pyrus.
—E agora? – questionou Jinx.
—Ao instituto!
...
A dupla de cabelos vermelhos e azuis chegou às portas da instituição mais poderosa de Runeterra algumas horas após o por do sol.
—Uau! – fez Jinx ao ver a entrada.
—Recomendo que não exploda nada aqui. Queremos que eles lhe aceitem como uma campeã, não que tentem lhe trancar em uma cela. – lembrou Pyrus.
—Nem um degrauzinho?
—Jinx!
—Está bem, está bem! – concordou ela descontente.
Era uma sensação estranha. Subir aquela suntuosa escadaria não era nenhuma novidade para o jovem invocador, porém era esta a primeira vez que ele não tinha dúvidas, tão pouco se sentia inseguro.
A grande entrada finalmente revelava-se. O invocador e sua parceira entraram.
—Caramba! Que vontade de explodir essa estátua! – comentou a doida com os olhos violeta brilhando de ansiedade e os dedos coçando de excitação.
—Advirto que será impedida no momento em que tentar. – falou uma voz firme à direita da dupla.
—Grão-mestre Heyward, é o senhor mesmo que venho à procura! – disse o rapaz dos olhos de jade fazendo uma reverência.
—Cabelos com longas tranças. Tatuagens no braço direito. Magra e sem busto. Você deve ser Jinx, a procurada de Piltover. – avaliou o líder do instituto.
—Pomposo, egocêntrico, narcisista e com um título chique. Você deve ser o chefe por aqui. – retrucou ela sem hesitar.
Pyrus engoliu em seco.
—Vejo que ela tem problema com autoridades... Combina com você! – comentou Heyward para Pyrus.
—Venho tratar com o senhor de minha relação com ela. – apressou-se a informar o ruivo.
—O instituto não interfere em problemas particulares. – informou o grão-mestre – Seu envolvimento com essa criminosa é assunto de Piltover e das leis que regem aquele domínio.
—Grão-mestre, requisito um... – pedia Pyrus.
—Impossível, senhor Igns! – interrompeu o Heyward já lhe dando as costas – O tempo dos membros do conselho é demasiadamente valioso para ser gasto com futilidades.
—O julgamento de uma nova campeã é uma futilidade? – indagou o jovem invocador.
Heyward parou no lugar em que estava.
—Ela uma campeã? Não me venha com bobagens! – retornou ele – Ela pode ter criado sua fama de destruição e caos, contudo não tem nada que justifique sua entrada em League of Legends.
—Quer uma demonstração? – provocou Jinx com seu sorriso intimidador.
—Conheço o poder destrutivo de suas armas, todavia é isso tudo o que você possui: armas. – respondeu Heyward sem demonstrar qualquer insegurança.
—Assim como Caitlyn. – lembrou Pyrus.
—Caitlyn detém uma mira excepcional. Ela nunca erra o alvo! – apontou o grão-mestre.
—Exceto quando o alvo sou eu... – lembrou sorridente a doida.
—Já fiz um pacto com ela! – informou o ruivo de supetão.
As palavras que se formavam na garganta de Heyward se desfizeram com um castelo de areia perante as ondas do mar.
—Irresponsável... – foi o melhor modo que ele encontrou de se expressar – Forçar um julgamento deste modo é um jogo muito perigoso.
—Confio na Jinx!
—Sabe o que acontecerá caso ela não passe?
—Serei preso por fazer um pacto ilegal, perderei minha posição de invocador para sempre e provavelmente serei entregue em uma bandeja de prata para a xerife de Piltover. – respondeu Pyrus sem demonstrar medo.
—Convocarei o conselho. – falou o grão-mestre em um suspiro de frustração. Espere-nos no tribunal!
—Estamos a caminho. – concordou ele.
—E senhor Igns, – chamou Heyward para um último aviso – se fizer isso outra vez assinarei sua expulsão sem consultar qualquer outro membro de nossa corte!
—Se o senhor descobrir que eu fiz... – provocou Pyrus à lá Jinx.
Continua...
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