Notas iniciais
"Criaturas patéticas! Observem a perfeição!"

...

—Uma semana é muito tempo. – dizia Merlin – O conselho não aprovará seu pedido...

—Dois dias então! – insistiu Pyrus – Já ficou claro que talvez nunca seja possível colocar uma pedra da visão para mim no hall de entrada... Precisarei de tempo para vir por outros meios, especialmente se estiver distante cumprindo meu dever com meu campeão.

—Agora seu pedido e sua justificativa estão em acordo. – falou o velho sábio – Falarei com Heyward assim que possível, afinal é ele que dá a última palavra sobre tudo aqui.

—E quanto à pedra da lua? – perguntou Nami.

—Não tivemos tempo para seu caso ainda, jovem marai. Rumores sobre um ser do vazio pairam próximos a Urtistan. Dizem que ele é diferente dos outros. É inteligente e busca conhecimento com a voracidade que os outros têm por devorar. Como se isso não bastasse, há suspeitas de que um aparelho capaz de controlar curtos espaços de tempo foi criado em Zaun... – explicou Merlin.

—Já entendi! – zangou-se a marai não querendo mais ouvir desculpas – Para os da superfície meu povo não é tão importante, não é mesmo?

—Nami! – tentou repreendê-la seu invocador.

—Ela está certa. – concordou o velho mago – Para a grande maioria, e isso inclui muito dos membros do instituto, o problema de um povo que não tem representação aqui dentro não é de interesse. Quantas espécies e quantos povos já desapareceram ao longo da história. Os próprios lunari não estavam lá para realizar a troca por esta razão. Todavia, seu caso já está sendo tratado por alguém muito competente e que se importa realmente com as conseqüências de seu sucesso ou fracasso.

—Ah é? Quem? – insistiu ela.

Merlin sorriu e apontou para Pyrus, o qual ficou um tanto quanto constrangido.

—Humpf! – fungou a marai segurando-se para não falar besteira.

—Merlin, por que Faker estava aqui? – lembrou-se Pyrus mudando de assunto – Pensei que este seria apenas um treinamento para os novos invocadores e/ou campeões...

—O mestre Rávenus o convidou. – contou o mago – Mesmo sendo apenas um treino para adaptação, vê-se com bons olhos, e até incentiva-se, a participação de membros mais experientes para que os recém-chegados possam aprender um pouco mais sobre movimentação e trabalho em equipe.

—Mas se Rávenus o convidou, por que ele...? – indagava o ruivo.

—Entretanto é bastante incomum Faker aceitar esse tipo de convite. – prosseguiu Merlin – Algo deve ter despertado o interesse dele. E como sempre digo: é mais fácil ver o potencial de alguém quando se trabalha junto desse.

O mago lançou um sorriso simpático para a dupla.

—Agora, se me derem licença, tenho assuntos para resolver. – falou ele.

—Na verdade, Merlin, há mais um assunto que preciso tratar com o senhor... – lembrou-se Pyrus.

—Pois diga. – encorajou-o o velho.

—Eu... Meio que... Assim... Fiz outro pacto alguns dias atrás... – confessou o rapaz com cara de quem aprontou o que não deveria.

—É admirável que já possua outro parceiro enquanto tantos passam toda a carreira ao lado de apenas um por vez, contudo posso afirmar que esse tipo de coisa é natural na vida de um invocador, principalmente quan...

—Ela ainda não está registrada na liga, tão pouco foi aprovada pelo conselho, assim como aconteceu com o pacto que fiz com Nami sem saber... – interrompeu e explicou o ruivo.

—Okay... – disse Merlin depois de alguns instantes – Agora estou surpreso!

Pyrus coçou a nunca envergonhado.

—Também foi não-intencional? – perguntou o experiente mestre.

—Está mais para um caso de insanidade. – admitiu Pyrus

Nami concordava com a cabeça.

—Bem... Traga-a o quanto antes para que passe pelo julgamento! – aconselhou Merlin.

—Precisarei de um passe de imunidade... – advertiu Pyrus, falando tão timidamente que mal dava pra entender.

O velho mago olhou-o perplexo.

—Ela é procurada em Piltover. – comentou Nami fitando seu invocador com um olhar de descredibilidade.

—Caitlyn já sabe disso? – indagou o mago da barba prateada.

—Ainda não. – respondeu o rapaz fazendo careta só de pensar.

Merlin riu.

—Um mensageiro entregará seu passe assim que possível. – falou ele.

—Obrigado! – agradeceu Pyrus.

O misterioso membro do conselho despediu-se com um aceno de cabeça e seguiu o próprio caminho antes de desaparecer em um flash. A campeã e o invocador seguiram para o salão de entrada para poderem voltar para casa.

—Qual o seu “pobrema” (problema)? Como arranja tanta “cão-fusão” (confusão) em tão pouco tempo? – desabafou a sereia pouco antes de chegarem.

—Sabia que você erra ainda mais palavras quando está nervosa? – observou o ruivo.

—Responda minha pergunta! – ordenou Nami zangada.

—Acho que isso é algo inato daqueles nascidos em Sentina... – ele ponderou.

—Falando em confusão... – desanimou-se a marai ao ver quem já estava no salão.

César e seu pai conversavam, e não parecia ser algo agradável. César estava de cabeça baixa e Rávenus olhava-o com desaprovação. O membro do conselho então percebeu a presença da dupla recém-chegada. A fúria nos olhos do noxiano era perceptível. Sem dizer uma única palavra, ele rumou para o centro do salão e, evocando o feitiço, teleportou-se dali.

—Não pense que a vitória pertence a você! – vociferou César a seguir – Ela não pertence! Faker foi quem me derrotou!

—Eu sei. – admitiu Pyrus sem dar muita importância para aquilo.

—Sem Faker você não teria chance contra o grande César! – apressou-se um dos seguidores do arrogante noxiano.

—Você só venceu porque seus aliados eram poderosos e experientes! – acusou outro adulador.

—O tempo dirá se estão certos. – disse o ruivo calmamente.

—Um peixinho dourado de estimação não é páreo para o poderoso Draven! Volte para o aquário de onde saiu! – ofendeu mais um.

—Peixinho? De estimação?! Aquário?!! – uma veia pulsava ferozmente na têmpora da marai.

—Ignore-os Nami. Eles apenas estão tentando lhe provocar. – falou Pyrus posicionando-se no centro do salão.

—E estão conseguindo! – fundou ela furiosa.

O rapaz iniciou a canalização do feitiço.

—O que está fazendo? – surpreendeu-se a sereia.

—Há uma sentinela na Academia Yordle. Teleportarei para lá. – falou o ruivo com simplicidade.

—E eu? – indagou Nami.

—Chegando, teleportarei você também. – explicou ele.

—Eu não acho uma boa idéia! – ela comentou.

Bobagem! Eu lhe trouxe aqui assim, não foi? – argumentou ele.

—Olhem lá! Nem a própria campeã confia na capacidade dele! – apontou um dos bajuladores.

—Até já! – despediu-se Pyrus pondo-se a concentrar-se em seu destino.

—Estou com um mau pressentimento quanto a isso... – comentou a sereia.

—Não vá acabar em Zaun por acidente! – provocou aquele bando de puxa-sacos momentos antes dele desaparecer.

Por um instante a imagem das ruas escuras e poluídas de uma cidade de ferro e vidro passando rapidamente surgiu na mente de Pyrus e ele desapareceu do instituto.

—Cuidado! – gritou uma voz às suas costas.

Entretanto o aviso não chegou a tempo do invocador reagir e alguém colidiu com ele, lançando ambos ao chão.

—Ai! – reclamou ele colocando as mãos nas costas.

—Como veio parar aqui? – perguntou aquela voz incrivelmente familiar – Ah, esquece! Só corre!

A pessoa agarrou Pyrus pelo braço e puxou-o rua acima.

—Jinx? – surpreendeu-se ele.

—Já falei que pode me chamar de Isabelle! – disse ela com seu sorriso insano sem olhar para trás.

—O que você fez agora? – indagou ele.

—Sabe como sou! Adoro aprontar com as pessoas erradas! – respondeu ela com o pouco fôlego que lhe restava – Aqui!

A maluca empurrou seu invocador por um buraco em uma construção à esquerda e entrou também. Ela recostou-se na parede pelo lado de dentro e espiou a rua fora.

—Uau! Você parece preocupada... – reparou Pyrus – Eles chegaram tão perto assim de pegar-lhe?

—Escapar de balas não é tão fácil quanto escapar de pessoas... – sussurrou a maluca das longas tranças azuis.

—Então por que Caitlyn ainda não lhe capturou? – provocou ele.

—A Chapeleira não atira para matar! – o sorriso insano alargou-se na face de Jinx.

—O que você quer dizer? – perguntou Pyrus confuso.

E a resposta veio por suas próprias pernas. Em um estrondo a parede à direita desmoronou e da poeira dois olhos vermelhos acenderam-se. O barulho intimidador de engrenagens rangendo ecoou enquanto a grande máquina elevava-se sobre eles.

—Cho’Gath Máquina de Combate?! – assombrou-se Pyrus.

—Eliminar escória orgânica! – falou o poderoso equipamento de guerra.

—He he... Corre! – disse Jinx saindo velozmente por onde entraram.

Cho’Gath armou seus mísseis e apenas então o invocador percebeu que a coisa era séria. A máquina disparou, criando uma enorme explosão, contudo Pyrus conseguiu escapar em um flash. Usando outro dos feitiços de seu arsenal, o rapaz aumentou sua velocidade sobrenaturalmente, como um fantasma, e alcançou sua campeã.

—O que aquela coisa está fazendo em Piltover? – perguntou ele, seu coração quase saindo pela boca de tanto que batia.

—Piltover? Olhe ao redor! Estamos em Zaun, espertão! – riu a doida-varrida.

“Não vá acabar em Zaun por acidente!”.

—Merda! – xingou ele.

—Seres biológicos devem ser eliminados! – falava aquela monstruosidade metálica aproximando-se perigosamente.

—E por que essa coisa está nos perseguindo? – indagou o ruivo.

—É que eu dei um pulinho no laboratório do Viktor para pegar uns equipamentos “emprestados” e ativei o alarme. – respondeu ela com a maior simplicidade.

—O Arauto das Máquinas? – admirou-se o invocador – Você estava roubando do Arauto das Máquinas?!

—E não é a primeira vez! – confessou ela orgulhosa – Talvez seja por isso que ele melhorou as defesas do laboratório...

—Mas por que você fez isso? – perguntou Pyrus desesperado criando uma barreira mágica ao redor de ambos para protegê-los de outra rajada de mísseis de Cho'Gath.

—Preciso de combustível para os foguetes da Fishbones. – ela explicou.

—Mas tinha que ser dele? – insistiu o ruivo.

—Alta qualidade exige alto rico! – divertiu-se ela.

Ela os guiou por mais uma esquina, mas parou abruptamente.

—Só pode ser sacanagem! – choramingou Pyrus.

—Prepare-se para desmontagem! – falou Skarner Máquina de Combate.

—Esmagar sob os pés! – urrou Cho’Gath.

Pyrus e Jinx entreolharam-se. Era como se eles lessem a mente um do outro. Aproveitando o momento em que a cópia do Terror do Vazio levantou um dos pés para usar a ruptura e explodir toda a área, Pyrus golpeou-o com toda a potência mágica que pode acumular, desequilibrando-o, enquanto Jinx fritava alguns circuitos de Skarner com a Zapper quase na potência máxima. Com o tempo ganho, invocador e campeã enfiaram-se por uma estreita viela na qual as máquinas não cabiam.

—Aha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha! Eles vão ter que quebrar muitas paredes para nos perseguir agora! – comemorou a doida.

Após alguns minutos correndo em meio àqueles corredores apertados, a dupla diminuiu o ritmo para poder recobrar o fôlego.

—Acho melhor irmos... para a parte mais baixa até as... coisas acalmarem-se um pouco... – ponderou Jinx em meio a pesados arfados.

—A área mais poluída? Não, obrigado! – recusou-se Pyrus – Quero chegar aos quarenta anos...

—Bobagem! Isso é só boato! – argumentou a doida – As pessoas exageram!

Um rato de três olhos e duas caudas surge das sombras e passa por eles neste momento. Pyrus olha para Jinx com descrédito.

—Deve ter fugido de algum laboratório genético! – justificou a campeã.

—Escute bem o que vou dizer! O plano é o seguinte: vamos achar um cinturão hexdráulico, pegar o elevador e dar o fora daqui! – impôs ele com determinação.

—Eu não acho isso uma boa idéia! – comentou Jinx.

—Você também não! – disse ele lembrando-se das palavras de Nami.

Jinx observou-o sem entender.

—Está bem... – concordou ela em um suspiro.

A dona das tranças azuis olhou em volta a procura de algo.

—Por aqui! – disse ela.

—Só pra saber, – falou o invocador enquanto seguiam de viela em viela – há mais alguma coisa atrás de nós?

—Deixe-me pensar... – ela levou a mão ao queixo – Há a versão sorriso-metálico daquele zumbi pançudo, do come-come e...

Jinx viu o ponto de interrogação formado na cara de Pyrus.

—Urgot, Kog’Maw e... Cuidado! – falou ela puxando seu invocador para baixo a tempo de evitar um destrutivo pulso arcano.

O ruivo olhou para a origem daquilo.

—Xerath... – ele completou já sem se surpreender com a própria falta de sorte.

A versão máquina do Mago Ascendente perseguiu-os com voracidade pelos estreitos corredores. A única vantagem da dupla era as constantes bifurcações surgindo a todo o instante e permitindo a eles desviar dos ataques contínuos de seu perseguidor.

—Seria bem mais fácil despistá-lo se estivesse sozinha... – comentou Jinx.

—Oh, desculpe-me por estar lhe atrapalhando! – respondeu Pyrus sarcástico.

—Acho que terei que me livrar de você... – ponderou ela.

—Hã? – ele fitou-a com preocupação.

—Maw está vazio! – disse a versão da Boca do Vazio aparecendo ao final do caminho e trancando a única saída.

O mecanismo de combate disparou sua cusparada caustica. Pyrus posicionou-se para fazer mais uma vez a barreira mágica, contudo Jinx empurra-o para fora do percurso do projétil, permitindo que este passe por ambos e acerte Xerath mais atrás. Todavia, o empurrão de Jinx foi demasiado forte, fazendo seu invocador cair sobre a grade velha e enferrujada que fechava a entrada de uma íngreme e escorregadia tubulação de esgoto. O metal apodrecido cedeu e o ruivo foi, por assim dizer, ralo abaixo.

—Ops! Foi sem querer! – gritou ela para dentro da tubulação – Ou não...

Enquanto isso, no instituto...

—Ele está demorando... – comentou Nami consigo mesma cansada de esperar.

—O que foi peixinho? Perdeu-se de seu dono? – provocou aquele mesmo puxa-saco de César que já a irritara anteriormente, o qual era o último que ainda faltava teleporta-se dali.

Desta vez, mais de uma veia saltava na têmpora de Nami. Ela voltou-se para ele, entretanto, ao invés da fúria, ela tinha um belo e sedutor sorriso no rosto. O bajulador foi surpreendido por aquela estranha reação. Ela flutuou calma e graciosamente na direção dele.

—Sabe de uma coisa? – disse ela subindo com os dedos pelo peito do adulador.

—O quê? – perguntou ele curioso e excitado.

Então ela agarrou-o em um mata-leão, começando a esganá-lo.

—Espero que saiba nadar! – falou ela com um sorriso maligno.

...

“Aaaaaaaaaaaaaaaah!” – grito de um invocador sendo lançado por uma forte nadadeirada no traseiro no lago Prossidiam pela campeã Nami, a Conjuradora de Marés.

Continua...

Notas finais
Desculpa galera, quase esqueci! XD Crazy.