A busca pelo brilho da lua
17 Confusão
Notas iniciais
—Onde está indo? – indagou a bela dos cabelos azuis ao despertar e deparar-se com Pyrus se vestindo.
—Tenho que buscar Nami, afinal ela também é minha campeã e assim como eu não tem onde ficar. – explicou ele.
O invocador acabou de calçar as botas e olhou para aquela que raptara seu coração, porém deparou-se com uma cara de descontentamento.
—Eu não posso simplesmente abandoná-la! – disse Pyrus – Para começo de conversa, é minha culpa ela estar presa à liga. Devo responsabilizar-me por ela. Além do mais, há bastante espaço aqui. Ela não precisa dormir conosco.
—Mas isso até que não é uma má idéia... – comentou Jinx.
Corado, o rapaz paralisou por um instante com a imagem que se formou em sua mente e, depois de um pigarreio, vestiu o sobretudo e saiu.
—Volto logo! – disse ele antes de desaparecer escadas abaixo.
Estava um belo dia. Era quase hora do almoço e o sol à pino refletia-se nas vidraças das edificações. Pyrus sentia-se revigorado. Aquele dia prometia...
—Aí está você! – comentou Vi.
A defensora aguardava-o em frente à residência de Tálida.
“... ser um desastre!” completou ele o raciocínio.
—Como posso ajudar-lhe, defensora? – indagou à campeã.
—Fui incumbida de levar-lhe à delegacia! – disse ela seriamente – Acompanhe-me!
—Se possível, gostaria de avisar minha parceira onde estarei caso ela precise de mim. – falou o invocador apontando para a casa.
—Ela já precisa. – respondeu Vi sem interromper o andar até sua tecnológica montaria: um objeto de duas rodas alinhadas e um motor hextec bastante potente.
A tecnologia hextec é derivada do uso científico da magia presente em Runeterra. Por vezes voltadas a geração de correntes elétricas, os objetos moldados para esse conceito são máquinas poderosas e de alto desempenho com um coração explicado apenas por especialistas como Ziggs e Heimerdinger devido à complexa fusão mágico-mecânica presente.
Vi montou naquela coisa, enfiou um capacete e jogou um segundo para o rapaz.
—Você vai vir por bem ou não? Suba logo na garupa e poupe-me de levar um sermão da Cait por lhe espancar! – gritou ela para que o som abafado pelo capacete chegasse à Pyrus.
“Bota desastre nisso!” pensou ele ao subir na intrigante máquina.
—Segure firme! – recomendou ela agarrando os braços do invocador e passando-os em volta da própria cintura.
Uma forte aceleração quase jogou Pyrus para fora daquilo. Caso ele não estivesse abraçado à Vi, certamente estaria estirado no chão agora. Eles passaram velozmente em meio às carruagens a vapor e aquilo que chamavam de “automóveis eletrificados”, resumindo uma caminhada de pouco mais de meia hora a poucos minutos.
—Vou querer uma dessas! – comentou ele ao chegarem.
—Desgruda! – ordenou Vi.
Ele soltou a cintura dela e desmontou da possante máquina, contudo não teve tempo de agradecer a carona, pois tão logo pode a campeã saiu em altíssima velocidade novamente avenida afora.
—Pode deixar o capacete comigo. – falou a xerife de braços cruzados sobre os quatro pequenos degraus à entrada da delegacia.
—Posso saber qual a razão pela qual queria tanto me ver? – questionou o invocador.
—Soube que fez uma excursão pela academia yordle ontem ao lado do professor Ziggs... – comentou ela.
—Isso é algum crime por acaso? – provocou ele.
—Como encontrou Ziggs? – insistiu ela.
—Temos conhecidos em comum. – respondeu Pyrus.
—Certo... – falou Caitlyn bastante desconfiada – Venha!
Ele a seguiu para o interior do prédio embora ainda estivesse descontente com as respostas não obtidas.
—Ainda não sei a razão de estar aqui. – lembrou ele.
—Logo verá. – disse ela.
Eles adentraram a área das celas. Então ela parou em frente a terceira e, com a cabeça, fez sinal para Pyrus olhar seu conteúdo.
Sentada em um banquinho ao centro estava Nami com uma expressão bastante irritada na face enquanto, ao seu redor, todos os outros prisioneiros espremiam-se contra as paredes e as grades em uma visível tentativa de manter a maior distância possível.
—Qual o significado disso? – quis saber Pyrus visivelmente inconformado.
—A senhorita Nami envolveu-se em uma pequena briga de bar por estar altamente embriagada, resistiu a prisão e destruiu patrimônio público e privado durante a confusão. – explicou a xerife.
O invocador meteu a mão na cara e voltou sua atenção para a marai.
—Não me olhe assim! – falou ela sem mover nada além da boca – Foram eles que começaram!
—Eles que começaram?! – repetiu Pyrus transtornado – Eu não falei para você me esperar na casa da Tálida?!
—Como se eu fosse ficar sentada esperando você encontrar uma solução! – retrucou ela.
—Engraçado... Acho que é justamente o que você está fazendo agora! – contra-atacou ele – Irônico como sua impaciência lhe forçou a fazer exatamente aquilo que você não queria, não?
—Humpf! – fungou ela furiosa.
Pyrus levou os indicadores e os médios às têmporas e começou a fazer movimentos circulares.
—Conte-me como isso foi acontecer! – disse ele.
—Estava nadando pela cidade à procura de pistas sobre a pedra da lua quando aquele ali – ela apontou para um às suas costas, fazendo todos próximos a ele se afastarem o mais rapidamente possível – convidou-me para tomar aquela bebida gelada da taverna. Como estava quente e eu estava com sede, aceitei tomar um pouquinho...
—Doze garrafas apenas ela segundo testemunhas. – comentou Caitlyn.
—Então um dele veio com uma “mão boba” querendo me tocar! – continuou ela.
—E foi quando você bateu nele. – deduziu o invocador.
—Nele e nos outros que tentaram ser “introvertidos” (intrometidos). – confirmou e completou ela.
—Quando cheguei ao local, este já havia sido varrido por um tsunami de autoria de sua campeã. – contou Caitlyn.
—Consigo imaginar a cena... – lembrou-se Pyrus – Contudo senhorita Caitlyn, eu acabo de ser aceito como invocador. Não tenho um tostão furado no bolso! Não posso pagar pelo estrago! (Da última vez quem pagou foi o Jax).
—Suspeitei que diria algo do gênero (exceto a parte do Jax), mas mesmo que pudesse, não adiantaria. Esse tipo de crime é inafiançável em nossa cidade. Se quiser sair daí, deve aprender a lição através de trabalho comunitário. – explicou a xerife – (A conta dos estragos quem vai mandar é o dono do bar...).
—Eu já disse que não vou... – protestava Nami.
—Então pode ficar aí o tempo que quiser! – interromperam Caitlyn e Pyrus simultaneamente.
Todos no interior da cela olharam surpresos de um para o outro.
—Já passou da hora de você deixar sua arrogância e sua teimosia de lado e aprender a escutar! – prossegui Pyrus — Não é a primeira vez que sua atitude nos coloca em uma posição desconfortável, para não dizer coisa pior! Você é imatura e inocente demais e não conhece nada de nosso mundo! Já deveria ter percebido isso e entendido que se eu não estiver por perto você vai, muito provavelmente, ser enganada e se meter em uma bela confusão! Eu, melhor do que ninguém aqui, conheço as malícias e as armadilhas da sociedade, afinal cresci em uma cidade afogada nelas. Estou tentando lhe ensinar o que sei, e isso leva tempo, mas você tem que escutar o que digo, porra! Caralho, não vou continuar a ser sua babá para sempre! Para eu poder lhe ajudar, tenho que ter a tranqüilidade de saber que você vai estar bem quando estivermos separados! Não vai adiantar nada eu conseguir a pedra se você não estiver viva para levá-la para casa! Você está aí porque errou e terá que consertar isso. Seus erros são sua responsabilidade! Agora, se quer ficar mofando nesse aquário, muito bem! Só não venha me culpar por qualquer coisa mais tarde!
Um prisioneiro ao fundo principiou alguns aplausos, porém um olhar feroz de Nami o fez parar.
—Eu quero minha mãe! – chorou outro mais ao lado – Desculpe-me mãe!
—Caso ela aceite, o que propõe como trabalho? – indagou Pyrus – Soube que o prédio do corpo de bombeiros sofreu um atentado. Ela poderia ajudar bastante enquanto os reparos são feitos, e mesmo depois também.
—Parece-me uma boa idéia. – ponderou a xerife – Resta saber se sua campeã aceitará.
—Está legal, está legal! – concordou a marai bastante descontente.
—Perfeito! – disse a oficial – Vou buscar a chave e a papelada de compromisso. Venha comigo senhor Igns.
...
—Ela começará amanhã. – alertou Caitlyn guardando os papéis em sua escrivaninha – Estão liberados por hoje.
—Até amanhã. – despediu-se Pyrus levantando-se e rumando para a porta seguido por sua campeã.
A sereia desceu as escadas da entrada distraidamente e já rumava para a casa de Tálida quando foi impedida.
—Onde pensa que vai? – disse o rapaz tomando outra direção.
—Mas... – estranhou ela.
Contudo Pyrus não parou para dar explicações ou atenção a ela e a marai se viu obrigada a segui-lo em silêncio. Para a surpresa de Nami, o destino era a academia. O invocador prosseguiu calado pela entrada e a sereia pode ver a cara de descontentamento da secretária.
—Bom dia Abigail. Estou indo à biblioteca continuar de onde parei. – disse ele quase sem expressão.
—É senhorita Abigail para você! – retrucou ela – E não me lembro do professor ter lhe dado permissão para trazer convidados!
—Tem razão! – falou ele – Ela pode esperar aqui enquanto falo com o professor para conseguir a permissão.
—O professor Ziggs ainda não retornou do almoço. – avisou ela com aquele típico olhar preconceituoso.
—Não há problema. Irei adiantar a leitura nesse meio tempo. – disse Pyrus já se encaminhando para a biblioteca.
—Quer saber? Esqueça! O professor Ziggs vai dar a autorização mesmo... Ela pode entrar. – consentiu contrariada a secretária – Mas nada de água!
—E como vou fazer para me “lomocover” (locomover)? – perguntou a marai.
...
—Isso é constrangedor! – comentou Nami sendo empurrada em uma cadeira de rodas.
O tempo passou ao som de um silêncio fúnebre quebrado apenas pelo passar das páginas. Sentados frente a frente, Pyrus devorava os livros da biblioteca com o afinco que um peregrino do deserto bebe água após dias de sol escaldante enquanto a sereia apenas o observava.
O sol do lado de fora baixou e as luminárias se acenderam, e quando a última página de mais um livro foi finalizada, Abigail apareceu à porta e com um pigarreio chamou atenção para si.
—Pois bem... – falou o invocador levantando-se.
A noite revelou-se agradável quando chegaram ao lado de fora. A temperatura estava agradável e a brisa, suave. Pyrus caminhou à frente e a sereia apenas o seguiu.
—Onde estamos indo agora? Este não é o caminho para a casa de Tálida... – reparou ela.
Não houve resposta.
—Até quando você vai continuar a ficar em silêncio?
Nada.
—Desculpa, está legal?! – gritou ela nervosa.
—Agora está! – disse ele virando-se para ela – E diga a verdade, não doeu nada dizer isso, né?
—Tsc! – fez a marai descontente.
—Respondendo sua pergunta, — prosseguiu ele – encontrei um lugar para ficarmos...
Nami fez cara de interrogação.
—He he, digamos que você vai conhecer sua “patrocinadora”. – sorriu Pyrus.
...
—Olá! Prazer em conhece-la! Todos me chamam de Jinx – O Gatilho Desenfreado. Prometo me esforçar para garantir seu novo emprego!
—Você está louco?! – gritou a marai embasbacada.
—Calma! – falou a doida passando um dos braços pelo pescoço da sereia como se elas fossem velhas e grandes amigas – Vamos fazer uma grande dupla! Eu queimo e você apaga!
—Por favor, não! – choramingou a marai.
Continua...
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