A busca pelo brilho da lua
28 Dupla Explosiva
Notas iniciais
—Começo a ficar preocupado com essa sua tendência autodestrutiva... – comentava Merlin.
—Não tive escolha! – argumentou Pyrus.
Merlin levantou as sobrancelhas com dificuldades em acreditar naquela desculpa.
—Nem eu acreditava em amor à primeira vista afinal... – completou aquele dos olhos de jade.
O velho invocador sorriu e colocou a mão no ombro do rapaz antes das portas do tribunal serem escancaradas com violência. Caitlyn passou por elas seguida de perto por uma furiosa Vi.
—Exijo que esse homem seja entregue à justiça de Piltover imediatamente! – impôs a xerife apontando para Pyrus.
—Exigência negada. – respondeu Heyward de cima de seu monólito.
—Ele é acusado de interferência em investigações sobre o paradeiro da criminosa mais procurada da cidade do progresso. – relatou a oficial.
—Sou eu! – disse Jinx animada, chamando a atenção da explosiva Vi.
Caitlyn impediu sua companheira de iniciar um confronto com sua maior inimiga ali mesmo.
—Possui provas do que diz? – indagou o grão-mestre.
—Uma denuncia anônima de fontes confiáveis informou haver uma forte relação entre eles. – adiantou-se Vi.
—“Forte relação” parece-me algo meio vago. – comentou Merlin – Se uma relação qualquer com alguém que cometeu um crime for passível de punição, todos neste salão são culpados.
—Ocultação de informações do gênero é um crime em nossa cidade, assim como resistência à prisão. – informou Caitlyn.
—Perante as regras do Instituto de Guerra, tentar prender um invocador também é. Isso apenas já invalida suas acusações! – lembrou Heyward com uma postura firme.
—Não infligimos nenhuma regra do instituto! – disse a zangada Vi.
—Infligiram aquela que garante ao invocador o direito de total e absoluto silêncio quanto a assuntos que dizem respeito ao seu campeão. – respondeu o grão-mestre.
—Jinx não é uma campeã da liga! – retrucou a xerife deixando transparecer toda sua irritação com a situação.
—Acaba de se tornar. – informou Merlin.
—E a menos que tenham provas concretas do envolvimento desse invocador com os crimes de sua campeã, o senhor Igns não terá qualquer obrigação com a justiça que vocês representam. – concluiu a mestra Piaf.
—Mas que palhaçada é essa?! – dizia Vi indignada antes de a xerife intervir.
Calada e frustrada Vi recuou rangendo os dentes. Caytlin respirou fundo antes de prosseguir.
—Então peço pela prisão da campeã Jinx e sua transferência para Piltover, onde será julgada por...
—Negado. – disse Heyward sem nem esperar o término da fala da xerife – Para que as funções do instituto possam ser exercidas de modo eficiente, todos que não são procurados por nós e nossas razões têm imunidade total dentro de suas dependências. Sei que está ciente disso campeã Caitlyn.
—Mas talvez sua vinda não tenha sido um total desperdício... – comentou Merlin.
Todos o olharam com curiosidade.
—Vocês são campeãs experientes e possuem conhecimento vasto de Summoner’s Rift. Precisamos disso para a luta a seguir. – lembrou o velho invocador – Sei que estarão motivadas a darem tudo o que têm ao enfrentarem essa adversária em particular, assim como ela também estará...
—Pode apostar que estaremos! – prontificou-se a defensora batendo o punho contra a palma da outra manopla – Vou arrebentar essa desgraçada todinha!
—Quero só ver, mãozuda!
—Senhoras, senhores... À Summoner’s Rift! – sorriu Gudfreud.
...
—O que eu faço com você? – perguntava Tálida com a mão no rosto conversando com Pyrus na torre vermelha enquanto aguardavam o aviso de início da batalha.
—Você já está parecendo minha mãe...
—Talvez porque eu não quero ser a emissária de más notícias para ela! – a garota-felina estava realmente irritada – Você fez um pacto com uma criminosa procurada altamente perigosa que sequer havia sido regularizada na liga, arriscando sua vida e sua prematura carreira de invocador! O que quer que eu diga? Parabéns?
—A Annie parece não se importar... – defendeu-se a ruivo apontando para a menina que se divertia sendo carregada nos ombros de Jinx.
—Tsc! Ela poderia ter lhe matado! – argumentou a amiga.
—Há noites que ela ainda tenta... – sorriu Pyrus.
—Estou falando sério!
—Eu também.
—Pyrus, isso não é brincadeira! Estou preocupara com tudo isso, não só por sua mãe, mas por mim também. Não quero perder meu amigo de infância. – os olhos da amarelos da garota encarando os jade de Pyrus.
—Tálida, eu entendo sua preocupação. Se fosse eu no seu lugar estaria preocupado do mesmo modo, mas... Sei que posso confiar nela. É difícil de explicar. É como se houvesse mais do que essa superfície inconseqüente dela mostra. Gosto dela desde o primeiro instante que a vi.
—Só tome cuidado, está bem? – pediu a meio-felina – Todos conhecemos os boatos de alguns campeões que deram sumiço em seus invocadores, mesmo com o pacto protegendo estes.
Ele sorriu e lançou um olhar carinhoso para a estreante da noite.
—Nunca precisei de um pacto para me proteger dela...
—Invocadores, preparem-se! A batalha começará em breve! – anunciou a voz da torre, a qual parecia um tanto quanto mais nova do que a do salão.
A torre vermelha possuía menos espaço do que o salão azul, fazendo-se necessário que os altares menores, construídos na forma de uma porta com larga soleira, fossem colocados em uma distribuição de meia lua ao longo da parede. O mapa mágico na forma de pintura ficava à esquerda e os quadros indicando os campeões adversários, à direita. O processo de seleção, entretanto, era o mesmo, com os invocadores subindo no grande altar ao centro e tomando o orbe transparente em mãos enquanto seu campeão assumia posição em um altar menor.
Diferente de Nami, foi extremamente fácil prever a posição ideal para a nova integrante da liga.
—Só para ter certeza, – falou Jinx armando Pow-Pow antes de rumar para a rota inferior – ninguém morre definitivamente aqui, né?
—Precisamente. – confirmou seu invocador.
—Cara, cara, cara! – o sorriso alucinado tão largo quanto sempre.
E como era de se esperar, o inesperado foi a única certeza daquela partida. Primeiro uma Jinx brava com suas armas apresentando defeitos e disparando tão devagar quanto lesmas, tal como se estivessem emperradas. Depois, risadas eufóricas e uma velocidade e uma agilidade muito superior a de qualquer outro atirador que a liga já havia presenciado. Ela podia não ter qualquer habilidade especial ou técnica de reposicionamento como outros da posição, mas desviava de quase tudo que jogavam nela sem grande alarde. No primeiro abate a doida sequer estava próxima da rota onde se encontrava o adversário. Ela apenas disparou sua arma secreta – o Super Mega Míssil da Morte – na direção que Pyrus instruíra e alguns segundo depois uma enorme bola de fogo ergueu-se no céu sobre o campo de batalha. Algo não estava mais vivo e a voz da torre confirmava isso. Dárius, na rota superior, sequer soube o que o atingiu. A excitação tomou conta da campeã, ampliando sua velocidade brutalmente, garantindo mais dois abates antes dela ser “morta” pela torre. Explosões incessantes devastaram o mapa ao som das gargalhadas de Jinx, a qual já recebia, sem saber, um título por parte dos invocadores da sua equipe. Não fosse a magia restauradora de Summoner’s Rift, o local nunca mais seria o mesmo. A partida acabou com um grande “kaboom” estilhaçando o nexus azul e espalhando seus fragmentos por dezenas de metros.
—Munição ilimitada! – disse Jinx agarrando o namorado pelas vestes antes de dá-lo um abraço apertado – Eu amo você!
Pyrus corou.
—Aparentemente a magia do campo reage com sua campeã, dando a ela uma velocidade implacável quando ela abate um adversário. – comentou o grão-mestre.
—Sinceramente, acho que é só ela se empolgando mesmo... – sorriu Pyrus.
—Bem, de qualquer modo devo dizer que estou... Impressionado. Com ambos para ser mais preciso. – admitiu Heyward – A senhorita possui uma agilidade impressionante para alguém que não é um guerreiro tradicional. E o senhor conseguiu suprir todo o fornecimento de munição, o que não é nada trivial no caso desse gatilho desenfreado. Materializar flechas, virotes e balas em condições normais não é um desafio, entretanto, para a cadência de disparos de sua campeã... Suponho que esteja esgotado.
—Nem tanto... Aquela maratona de batalhas com a Nami já me calejou bastante. – sorriu o invocador.
—Do que foi que me chamou? – indagou Jinx ao grão-mestre.
—Estávamos discutindo isso durante a partida. – comentou Heyward – Suponho que já saiba isso, mas todo campeão recebe uma espécie de título quando entra para a liga, normalmente após a primeira batalha caso já não possua um antes. Em seu caso pensamos que “o gatilho desenfreado” lhe faz jus.
Os olhos de Jinx brilharam.
—Eu amei!
—Então está decidido! – anunciou o líder do instituto – Avisarei aos outros que o teste está terminado.
Um belo corvo branco desceu de uma das tesouras que sustentava o telhado e pousou no ombro de Heyward, o qual entregou um pequeno pedaço de pergaminho ao animal. O pássaro levantou vôo e desapareceu pela janela de teto da torre.
—Há mais um assunto que gostaria de tratar com o senhor, em particular se possível. – disse Pyrus aproximando-se do grão-mestre.
...
—Agora diga-me, rapaz, qual a urgência que pude sentir em sua voz? – perguntou Heyward quando finalmente chegaram a sua sala.
Pyrus retirou um livro da bolsa de viajem que sequer teve tempo de desocupar após a jornada ao deserto, abriu-o em uma página e entregou-o para a autoridade máxima da instituição.
—Qual o significado disso? – questionou este.
—Neste trecho, Ezreal narra a descoberta de um templo perdido protegido por uma besta implacável nas areia de Shurima... É uma fera do Vazio! – afirmou aquele dos olhos de jade.
—Por que acha isso? – questionou Heyward.
—Porque a vi com meus próprios olhos...
Aquela informação despertou o interesse do líder do instituto. Pyrus explicou os motivos que o levou ao desagradável e quase letal encontro. Contou o que viu e o que ouviu de Skarner, mostrou o cristal brakern em sua manopla como prova e discutiu suas conclusões a respeito da fera.
—Sei que um dos objetivos do instituto é proteger Runeterra do Vazio, controlando e estudando as criaturas que atravessam para nosso mundo. – completava Pyrus – Se Skarner estiver certo sobre essa Rek’Sai seu uma rainha, há o risco constante dela voltar a procriar. Imagino que informar ao instituto a respeito desse perigo seja meu dever.
O outro invocador ponderou.
—Teremos que tomar providências... – comentou o grão-mestre – Não podíamos agir baseados em rumores e lendas, porém graças a esse novo pedaço de informação que você me passou posso tomar uma atitude concreta. Deixar uma ameaça como esta livre é inconcebível.
Heyward voltou-se para a janela e por ela uma fera leonina bípede de pelagem branca entrou. O invocador-líder instruiu seu campeão sobre sua nova presa e enviou-o em um feixe de luz para algum outro lugar.
—Com todo respeito, senhor, não acho que apenas Rengar conseguirá capturar aquilo. – falou Pyrus.
—Isso é o que veremos... – sorriu Heyward.
Continua...
Fale com o autor