A busca pelo brilho da lua
7 A Liga
Notas iniciais
O conselho dos cinco ainda aguardava a volta de Pyrus e sua decisão. A tensão no ar diminuíra, mas não findara. Rávenus olhava cheio de ódio para Merlin, o qual demonstrara que, apesar da aparência, tinha muito poder correndo em suas veias.
—Eles regressam! — anunciou o velho mago das barbas e cabelos prateados com um gentil sorriso para aqueles que cruzavam a passarela lado a lado.
Em posse de uma determinação renovada, invocador e campeã adentraram aquele ressinto sem qualquer hesitação ou temor, prontos para enfrentar os desafios que suas escolhas os trariam.
—Vejam vocês... — sorriu o sombrio Rávenus — Então ele conseguiu convencê-la a voltar e encarar aquele que é sua melhor escolha!
—Sim, ele me convenceu. — falou Nami seriamente.
—Então venha a mim! — disse o orgulhoso noxiano — Venha para o lado (negro da força) de seu invocador!
—Já tenho um invocador! — sorriu ela, sendo incapaz de perder a chance de confundir aquele ser desprezível — Tudo o que me resta é esperar que ele seja o que suas palavras afirmam...
—Oras, eu... você... certamente... o que? — perdeu-se Rávenus.
—Pyrus é meu invocador! — declarou ela batendo o cajado na pedra em uma pose imponente.
—E espero poder, um dia, ter a honra de ser também seu amigo! — completou ele.
—Não abuse! — alertou ela.
—Pare de dizer asneiras, sua fedelha escamosa! — irritou-se noxiano — Ficar com um invocador ou não, esta escolha não é sua!
—É minha! — impôs-se Pyrus tomando uma postura séria — E escolho a responsabilidade de cumprir com minha palavra e meu pacto!
As pupilas de Rávenus quase desapareceram ao escutar aquilo e seu rosto se contorceu em fúria. Um flash de luz o fez sumir de onde estava, reaparecendo à frente do rapaz com as mãos já estendidas para esmagar seu pescoço, contudo, um poderoso jato d'água o atingiu nas costelas, arremessando o mestre noxiano para o lado. Grunhindo de dor, o membro do conselho fitou a marai, a qual parecia muito satisfeita.
—Não posso ferir meu invocador, mas não há nada que me impeça de ferir vermes como você! — explicou a marai deslizando os dedos por sua arma mística.
—E é um direito do campeão proteger seu invocador! — acrescentou Heyward tentando manter-se inexpressivo — Agora volte ao seu lugar, mestre Rávenus! Devemos concluir o ritual.
O homem bufava ferozmente parecendo não ter escutado, porém, seus olhos correram pelos outros quatro membros do conselho. Eles estavam visivelmente reprovando suas ações. Ele se ergueu imponente, ignorando a dor, e elevou uma das mãos acima da cabeça, a palma para cima. Uma luz verde surgiu e pareceu escorrer até seu ferimento, não apenas curando-o, como também reparando sua roupa.
—Uma pena que não seja capaz de fazê-lo também... — comentou Rávenus com ironia e desdém encarando Pyrus.
O noxiano baixou a mão. Sob seus pés, uma luz vermelha surgiu, elevando-se em pulsos para o alto. Os pulsos se tornaram mais rápidos e neles o homem desapareceu, surgindo novamente sobre seu monólito.
O cristal flutuante acendeu-se novamente e as runas brilharam uma vez mais. Pyrus se afastou, deixando os limites do circulo de luz sem, no entanto, tirar seus olhos dos dela.
—Jovem marai, garota Nami, — chamou Merlin — Jura que, em troca de realizar de seus sonhos e desejos, lutará nos campos da justiça com toda sua fúria e vigor para que o equilíbrio entre os povos de Valoran seja restaurado e mantido?
—Sim, eu juro!
—Então seja bem vinda à League of Legends! — falou o velho sábio.
As runas ao redor de Nami brilharam ainda mais intensamente, agora em um verde semelhante ao de suas escamas, antes de tornarem-se vermelhas. Com a mudança da luz, a sereia também mudou. Suas escamas passaram a ser róseas e seus olhos, azuis. Seu cajado se transformara, assumindo a forma de ondas ao redor da circunferência no qual findava, e uma espécie de armadura cobriu seu peito, costas e ombros. Seu elmo também estava diferente e seus "cabelos" tornaram-se longos e suntuosos. A sereia olhava para si mesma com espanto e admiração. Então as runas se apagaram em uma explosão de luz e quando os olhos naquele local recobraram suas capacidades, Nami havia voltado ao normal.
—O que foi isso? — perguntou-se a marai fitando as próprias mãos.
—Mestre Rávenus e mestre Gudfreud, aguardem-me na torre azul com mais dois invocadores de sua escolha! — ordenou Heyward — Devemos testar em qual posição ela é mais eficiente o quanto antes para, o quanto antes, adicioná-la às listas de batalha.
—Prepare-se para descobrir o tamanho do erro que cometeu, órfão! Seu piro pesadelo está prestes a começar... — ameaçou-o o furioso mestre noxiano, desaparecendo dentro de outro feixe de luzes, desta vez azuis.
—Mestre Merlin, guie a mais nova campeã da liga e seu invocador ao salão vermelho enquanto explica o que quiserem e puderem saber! — prosseguiu o alto conselheiro — Mestra Piaf, encontre dois voluntários para ajudá-los. Têm meia hora para se prepararem.
E com esse último aviso, o alto conselheiro também partiu como os dois antes dele.
—Iniciarei a busca imediatamente! — falou a esbelta mulher que aparentava estar na casa dos seus cinqüenta anos — Quanto mais esperarmos, mais o temor pela ira de Rávenus dificultará meu trabalho.
—Tenha calma Ludmila! Melhor ter dificuldades agora e encontrar invocadores confiáveis do que nos apressarmos e sermos traídos em batalha. — aconselhou o velho sábio fazendo seu monólito afundar lentamente no chão até seu topo se nivelar com a superfície cheia de inscrições.
O mestre de idade avançada se aproximou de Pyrus e Nami serenamente. Suas mãos escondidas sob as compridas mangas e seus pés imperceptíveis em baixo da túnica apenas aumentavam a mística de sua pessoa.
—Jovem Pyrus, o que pode me dizer sobre sua companheira? — indagou aquela figura mágica.
—Como assim? — perguntou o rapaz um pouco desorientado — Ela é impaciente, curiosa, um pouco violenta...
—Ei! — reclamou a marai.
—Ho ho ho! — divertiu-se o mago — Deixe-me tentar novamente. Em que posição acha que devemos arriscar colocá-la primeiramente?
—O quer dizer com posição? — questionou a curiosa sereia antes que Pyrus pudesse raciocinar a respeito.
—O local onde ocorrerá seu teste, um dos "Campos da Justiça" em que os campeões, com o auxílio de seus invocadores, digladiam-se para definir o destino de Valoran, possui características que favorecem ou penalizam os combatentes que ali se enfrentam. — explicou o rapaz — Por essa razão, dividimos o mapa da área no que chamamos de "rotas". Supondo que o teste será feito no campo onde as principais disputas são decididas, posso dizer que há quatro rotas possíveis. Três delas ligam diretamente as entradas das bases, lugar onde guarda-se o principal objetivo que devemos proteger do nosso lado e destruir no lado adversário. O nome desse objetivo é "nexus". E cada uma dessas rotas recebe uma denominação diferente dependente de sua localização em relação a objetivos menores espalhados pela área de batalha. São elas: "mid", "bot", "top". A quarta rota é algo que chamamos de "selva". Ela é uma área de ligação entre as outras rotas através de caminhos tortuosos e estreitos, cheios de monstros poderosos, porém pacíficos caso não sejam atacados. Alguns campeões possuem vantagens em certas rotas, outros; em outras. O que o mestre Merlin quer saber...
—Por favor, apenas Merlin! — pediu o feiticeiro.
—Desculpe-me! O que Merlin quer saber é se tenho algum palpite sobre onde seria melhor para você lutar. — completou Pyrus.
—Não poderia ter resumido tudo de maneira melhor! — elogiou o velho das barbas prateadas.
—E você tem? — indagou Nami.
—Bem... Ela enfrentou Jax de igual para igual no caminho até aqui! — lembrou o rapaz votando-se para Merlin.
—E venci! — destacou a sereia orgulhosa.
—Uma duelista! Fiora ficará feliz em conhecê-la! — interrompeu a mestra Piaf animada juntando-se a conversa.
—É uma possibilidade, — falou Merlin sem se alterar — o que significa que a rota mais indicada para ele seria a rota do top.
—Minha campeã não terá problemas com o mid! — garantiu a mestra de cabelos loiros amarrados em um coque — Conheço muito bem o estilo de batalha de Gudfreud, covarde e traiçoeiro! Quanto às outras posições...
Entretanto, sua fala cessou com um sinal de Merlin.
—Rapaz, gostaria de propor o nome de um invocador com quem gostaria de lutar lado a lado e que esteja disposto a nos ajudar? — perguntou o velho sábio, como se o convidasse a dar o nome que surgiu em sua mente no instante em que a batalha fora anunciada.
—Há uma invocadora que foi aceita recentemente pelo instituto... Ela é minha amiga há muitos anos! Seria bom ter a chance de lutar ao lado dela. Seu nome é Tálida...
—A Homo felinnus? — indagou a mestra Piaf surpresa.
—Sim. Exatamente. — confirmou Pyrus — A senhora a conhece?
—O difícil seria não conhecer... — respondeu ela dando-o as costas e saindo pela porta antes de desaparecer como seus antecessores.
—Devemos ir também, — aconselhou Merlin — pode não parecer, mas meia hora é pouco tempo para um lugar tão grande.
—Espere senhor Merlin! Tenho perguntas... — falou Nami com urgência.
—Eu sei, minha jovem, mas por hora as respostas terão que esperar. — disse o sábio sumindo à moda do conselho, deixando a marai bastante descontente.
—Venha Nami, — chamou Pyrus se esforçando para não rir da cara que sua campeã fazia — conheço o caminho!
—"Mal de mão" (maldição)! — gritou ela.
Continua...
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