A Whole New World
24 Capítulo XXIV
Notas iniciais
Robert requisitou que mais uma garrafa de vinho fosse levada á seus aposentos.E após o criado adentrar sutilmente ao interior aconchegante do vasto e luxuoso cômodo,e depositar a bebida sobre a cômoda de madeira escura posicionada próxima á janela—ele anunciou á seu rei que o jantar estava para ser servido.Robert somente fez um gesto qualquer com as mãos;alegando que dispensaria a refeição noturna por aquela noite.O noivo da Rainha também pediu que a mesma fosse convocada para comparecer imediatamente á seu quarto,e que trajasse uma de suas melhores vestes.O servo de pronto assentiu em concordância à ordem dada por seu soberano;e antes de virar-se para deixar o quarto,realizou uma breve reverência ao mesmo.
Com um suspiro,Robert acomodou-se preguiçosamente no estofamento de tecido refinado da poltrona postada diante da lareira.Após encher a taça com uma nova dose de vinho proveniente da garrafa recém-trazida pelo criado,Robert ficou a degustar lentamente da bebida enquanto assistia o fogo consumir o pequeno amontoado de lenha posto sob a lareira;e aguardava pela chegada de Elsa.
❄ ❄ ❄
Ainda naquela mesma noite,os portões do palácio foram abertos para receber o retorno de George.O conselheiro da Rainha não compareceu ao baile de noivado na noite passada devido á uma mal-estar físico,causado por dores musculares.No entanto,uma pequena dose de medicamentos ingeridos pela manhã,fora o suficiente para livrá-lo completamente do incômodo latejar constante que o atingira em diversas regiões das costas.
George fora respeitosamente recepcionado pelo grupo de guardas responsáveis pela vigilância da entrada principal;no entanto,o conselheiro da Rainha sequer pareceu ter ouvido seus amigáveis cumprimentos de boas vindas.Carregando imensurável fúria no olhar e nas feições enrugadas,George marchava a passos rápidos para o interior do palácio.Seus punhos tinham-se tão fortemente cerrados,que tornava possível o vislumbre sútil do conjunto de veias interligadas através da pele flácida do verso das mãos.Seu tempestuoso estado de espírito mortífero dava-se pelo fato de que,por intermédio de Margarette,George soubera de todos os acontecimentos que se sucederam no decorrer do baile.George acabou por topar com a cozinheira no mercado da aldeia,após ter deixado a farmácia do qual dirija-se pelo início da manhã para comprar comprimidos para as dores nas costas que o estiveram afligindo.A mulher de meia-idade que cozinhava para as Irmãs Arendelle desde que estas eram crianças,fora encarregada de preparar o banquete principal servido na festa.E embora Margarette fosse uma serva leal que desde sempre demonstrou grande respeito para com a Princesa e a Rainha;a cozinheira era considerada a mais fofoqueira dentre todos os criados que trabalhavam no palácio.Ciente disto,George sequer precisou suborná-la com ofertas de riquezas e joias para convencê-la a contar-lhe o quê ocorreu durante as festividades da noite anterior.Bastou ele somente abordá-la a respeito do assunto de forma sútil e despreocupada,que a cozinheira passou a tagarelar animadamente por longos momentos sem parar,reportando ao conselheiro da Rainha até os detalhes mais sórdidos;—que incluíam desde a aparição do desconhecido rapaz albino que dançara com Elsa,até o momento em que a própria fora dada como desaparecida após a breve discussão argumentativa que tivera com o noivo na sacada do salão.
Embora preferisse acreditar que metade de tudo que a cozinheira fofoqueira dissera-lhe tratava-se apenas de especulações maldosas inventadas por criados desprezíveis,que tinham como intenção denegrir a imagem da Rainha perante seus súditos e convidados,—George decidiu que recorreria á seu filho para saber enfim quais fatos citados por Margarette eram verdadeiros,e quais eram falsos.O quê realmente frustrou o conselheiro fora cogitar como Robert permitira que a situação chegasse á tal ponto.Se todo o relato feito por Margarette fosse de fato verídico,as atitudes de Robert na noite passada contribuíram somente para aumentar as possibilidades de seus planos serem arruinados.E George não estava disposto a permitir que a ignorância e imaturidade de seu tolo filho apaixonado,o impedissem de concretizar suas ambições.
George finalizou o trajeto até os aposentos do filho ao atravessar o extenso e deserto corredor a noroeste.Seu alteradíssimo nível de impaciência fizera-o inconscientemente esmurrar a madeira avermelhada da larga porta quando postou-se diante da mesma ao cessar sua rápida caminhada.Poucos instantes depois,a voz de Robert vinda do interior do cômodo fizera-se presente;concedendo em tom arrastado a permissão para entrada.George girou a maçaneta e escancarou a grande porta;mostrando-se indiferente quanto ao cuidado de trancá-la para que sua conversa com Robert não fosse ouvida por algum dos criados;ou até mesmo por Anna ou Elsa.Ele cruzou o quarto silencioso a passadas largas e aproximou-se da figura relaxada do filho,preguiçosamente sentado sobre a poltrona voltada de frente para a lareira acessa.Robert não virou-se para fitar o pai após este ter adentrado à seu quarto.O jovem apenas ergueu o braço para levar a borda da taça de vinho á seus lábios,e ingeriu um generoso gole da bebida.George,no entanto,não parecia disposto a aguardar pelo momento em que Robert viraria-se para lhe dar a devida atenção.E,após cravar seu fumegante olhar raivoso nas costas da poltrona—George bufou pesadamente;e desatou a falar.O conselheiro de Elsa não hesitou em explicitar o quão aborrecido encontrava-se após ter ouvido o relato feito por Margarette acerca dos acontecimentos decorridos no baile.Ele acabou por elevar demais seu tom vocal irritadiço;quase transformando suas palavras freneticamente despejadas em berros.Porém,novamente,George sequer pareceu lembrar-se que deveria manter-se sigiloso para que não viesse correr o risco de ser ouvido por alguém.Ele exigiu que o filho desse-lhe explicações satisfatoriamente plausíveis sobre o quê de fato acontecera,e esclarecesse os boatos mencionados por Margarette acerca do misterioso desaparecimento de Elsa durante a festa,e a identidade do rapaz com quem ela dançou.No entanto,Robert permaneceu em absoluto silêncio.Ele sequer parecia ciente da presença do pai no cômodo.
— Pai — Robert somente viera a se pronunciar após George ter enfim calado-se.Seu tom era extremamente sereno.— Eu decidi que desistirei de nossos planos.— Declarou ele,ignorando completamente a enxurrada de acusações e palavras repreensivas que o pai acabara de despejar sobre si.
George apenas permaneceu em silêncio pelos próximos breves instantes que seguiram-se.Ele recusou-se a acreditar que de fato ouvira o quê Robert acabou de dizer.
— Não pode estar falando sério. — Sua expressão e voz transbordavam incredulidade.
Robert girou o corpo na poltrona,e ainda sentado,enfim ergueu seu olhar calmo para a face perplexa do mais velho.
— Pois saiba que nunca falei tão sério em toda a minha vida.Eu sugiro que o senhor somente contente-se com isto,e não gaste saliva ao tentar me fazer mudar de ideia.A partir deste momento,eu irei jogar este jogo a minha maneira.E pobre daquele que tentar interferir.— Embora permanecesse calmo,havia sútil entonação de ameaça nas palavras finais de Robert.
A expressão de George,no entanto,não se alterou.
— O quê está dizendo,garoto? Está mesmo disposto a abrir mão de tudo que venhamos planejado?
— Sim.E também estou o dispensando do cargo de conselheiro de Elsa.Seus serviços já não são mais necessários.
— Você está bêbado.— Concluíra George após passado um breve minuto de silêncio.
— Não poderia estar mais lúcido.Agora,por favor,retire-se.Eu estou aguardando pela chegada de minha noiva e desejo ter um momento á sós com ela.
— Robert,dobre a língua para falar comigo!— A ira voltara a encobrir as feições de George.— Eu sou seu pai,seu merdinha...!
Robert suspirou.
— Eu acredito ter sido claro quando lhe pedi que saísse.Eu espero não ter que me pronunciar novamente,pois se tiver que fazê-lo;pedirei que os guardas o levem.
— Por estar claramente bêbado,farei vista grossa quanto á esse seu comportamento.Mas não pense que hesitarei em lhe dar um bela surra se voltar a falar comigo deste jeito...!
Robert mostrou-se ofendido.Ele deixou a taça de vidro semi-vazia sobre a pequenina mesa oval de madeira detalhada postada ao lado direito da poltrona,e colocou-se de pé.
— Como é? Disse que vai me dar uma surra? — Robert meteu as mãos nos bolsos do roupão e deu alguns passos a frente do pai.— Você faz ideia de com quem está falando?! Eu sou rei! — Robert elevou consideravelmente seu tom vocal,e ultrajado;fitou George.
Novamente,perplexidade estampava o rosto do homem grisalho.
— Você está completamente louco. — George soltou um riso abafado,repleto de escárnio.— Rei? Você não é ninguém! Você somente conquistou tudo o quê têm agora graças á mim!
— Eu sou seu rei... — Robert entrelaçou seus dedos ao redor do cabo da adaga que tinha-se guardada no interior de um dos bolsos de seu roupão,e segurou-a firmemente.—...e você irá se curvar perante mim! — Completou ele quando por fim revelou o objeto cortante que estivera oculto dentro de suas vestes.
Num movimento surpreendentemente veloz,Robert levou a finíssima ponta da curta e afiada lâmina reluzente ao peito do mais velho;e o atravessou com esta.Embora não tivesse atingido-o diretamente no coração,o sangramento contínuo certamente o levaria à morte.Robert soterrou a adaga quase que por inteiro na carne do tórax de George,e a deixou ali.Seus longos dedos grossos tinham-se tingidos pelo sangue que era incessantemente jorrado para fora da perfuração feita pela lâmina que violara a caixa torácica do pai.As íris esmeraldinas de suas órbitas oculares foram gradualmente tomadas por uma satisfação sombria quando ele enfim desprendeu seus dedos do cabo da adaga,—e assistiu sorrindo sadicamente George quedar-se sobre o chão á seus pés.George não gritou;nenhum único som sequer escapara de seus lábios entreabertos no momento em que o filho subitamente o golpeou no peito.Seus olhos arregalados tinham-se perdidos no nada,e sua boca formava um pequeno "O".George arfou com grande dificuldade antes de tossir sucessivas vezes;engasgando-se com o próprio sangue.Robert aproximou-se da figura do pai caída no chão;cujo as feições tinham-se preenchidas por um pânico mudo.Esboçando um singelo sorrisinho no canto dos lábios,Robert agachou-se junto ao corpo inerte de George,e utilizou a mão para afagar carinhosamente sua pálida face esquerda.Os olhos de George foram lentamente direcionados ao rosto jubiloso do filho,o encarando de soslaio.
— Robert... — A voz de George não era nada além de um sussurro fraco.Seu tom falho e quase inaudível era levemente ofegante enquanto ele esforçava-se para agarrar-se ás últimas centelhas de vida que ainda lhe restavam.— O quê está fazendo...?
— Pense nisto tudo como um grande e complexo jogo de xadrez do qual todos nós estamos envolvidos.Cada um move sua peça quando é chegada a hora,e cada jogada executada leva o jogador a estar cada vez mais próximo de saborear o doce gosto da vitória,ou o sabor amargo da derrota.No decorrer do jogo,é necessário que cada jogador abra mão de uma de suas peças;afinal,tudo trata-se de bolar a melhor estratégia que irá sobrepujar ás técnicas utilizadas por seus adversários.E agora;está na hora de eu eliminar uma de minhas peças.Você já não é mais uma peça necessária neste jogo,pai.E como estou disposto a continuar garantindo que minha vitória será certa,eu abrirei mão do que for preciso.
— Você enlouqueceu,garoto...!
— Isto é apenas uma questão de opinião.E na minha opinião,não acho que "loucura" seja a definição adequada para justificar o motivo de minha...súbita mudança de estratégia no jogo.Eu estou somente fazendo algo que já deveria ter feito há muito tempo.O senhor me colocou neste jogo,pai,e eu lhe agradeço muito por isso.No entanto,não preciso mais de você para continuar jogando.Agora eu tenho uma peça á menos no tabuleiro,porém,você foi uma peça inútil.
— Desde a morte de sua mãe,eu dediquei minha vida inteira por você.Eu desisti de tudo por sua causa...eu sempre desejei lhe dar o melhor que alguém poderia ter.Queria que fosse rico...queria que fosse feliz!
— Tentativas de impôr arrependimento em mim serão totalmente nulas,meu pai.Eu fui apenas uma marionete para você.Você manipulou minha mente desde que era criança,e me usou para que você fosse rico.Você nunca me amou...você sequer queria que eu tivesse nascido.
— Filho...me perdoe,por favor...— Os olhos de George encheram-se de uma súplica imensurável,juntamente com uma torrente de lágrimas que não foram derramadas pois este já estava prestes a perder a vida.
Ainda expressando simpatia,Robert simplesmente disse:
— Queime no Inferno,velho maldito.
George tombou a cabeça para o lado e ainda fitando o nada vaziamente,soltou um breve e último suspiro quando seus batimentos cardíacos por fim cessaram-se.
Robert colocou-se de pé com um longo suspiro,e evitou fazer contato visual direto com o corpo moribundo de seu pai estirado sobre o chão do quarto.Seus olhos acabaram por serem direcionados á porta esquecida aberta por George.Robert mostrou-se um tanto surpreso ao deparar-se com a figura estática de sua noiva;silenciosa e imóvel junto a soleira da porta.Embora não soubesse há quanto Elsa esteve ali,e se ela de fato chegou a presenciar o momento em que Robert assassinou o próprio pai a sangue frio,—ele não alarmou-se mediante esta possibilidade;ele sequer alterou sua postura ao vislumbrar o horror espantoso que transbordava das feições graciosas da loira.Seus lábios trêmulos denunciavam o quão sua fragilidade feminina fora grandiosamente abalada mediante a imagem que havia diante de si.Elsa parecia prestes a chorar a qualquer momento;porém,ela própria desconhecia o motivo que fazia-a querer irromper em lágrimas.
A Rainha dirigiu-se aos aposentos de seu futuro marido após um criado tê-la informado que o mesmo requisitava sua presença,e devido ao fato de que a porta fora deixada aberta;—Elsa acabou por presenciar o momento em que George foi morto por Robert.E tal como fora solicitado por ele,Elsa trajou um de seus mais belos vestidos.A longuíssima peça de cor âmbar cobria-lhe os pés,e a extensão de sua saia era inteiramente constituída por rendas.O recorte no torso em formato de coração acentuava com extrema maestria suas curvas poucos sinuosas,e dava á seus seios quase o dobro de seu tamanho real.Seus cabelos foram presos num coque propositalmente mal-feito,que permitia que algumas mechas levemente onduladas desprendessem do penteado e caíssem ás laterais de sua face.
Robert avaliou-a minuciosamente;logo assentindo em aprovação à escolha de traje feita por Elsa.Ela por outro lado,desejava poder mover-se para correr o mais rápido possível para longe dali.Robert pôde notar o desespero e pavor iminentes estampados na face da Rainha,portanto,logo tratou de impedi-la de fugir ao falar de forma cínica:
— Ah,Elsa,querida! Que bom que finalmente chegou,estive esperando por você.Por favor,entre.— Robert gesticulou para a noiva,porém,ela somente permaneceu onde estava.
— Você matou George. — Foi tudo que Elsa pôde dizer após engolir em seco longa e pesadamente.Ela sequer pareceu ter ouvido o pedido feito pelo noivo.Sua expressão agora era um misto de tristeza e incredulidade.
Com um suspiro,Robert voltou a enfiar as mãos nos bolsos do roupão,e desviou seu olhar do rosto de Elsa por um breve momento.Uma vez que tivera a confirmação absoluta de que a loira de fato vira o momento em que ele tirou a vida do pai,soube que seria completamente inútil investir em tentativas de negar o quê acontecera;ou mesmo tentar convencê-la do contrário.Mediante a situação da qual encontrava-se,e tendo de encarar o duro fato de que não haviam maneiras de escapar desta,—Robert decidiu que revelaria toda a verdade para Elsa;ciente de que,áquele ponto,seria inválido ocultar dela quem ele realmente era.
— Entre,Elsa.Isto não é um pedido.— Repetiu ele,esforçando-se para manter-se paciente com a loira.
Embora quisesse grandiosamente cuspir uma resposta grosseira para Robert,e contrária-lo como uma criança birrenta e mimada faria—Elsa viu-se acatando á ordem do noivo,mesmo que à contra-gosto.A Rainha tinha-se assustada demais para reunir o quê era necessário para repeli-lo.Era inegável para ela o fato de que ter visto um homem ser morto diante de si de forma tão brutal e cruel,a deixara completamente sem chão.
Após Elsa ter adentrado ao quarto,Robert dirigiu-se a porta para fechá-la.A Rainha recusou-se a permitir que seus olhos se direcionassem para o cadáver ensaguentado de George desajeitadamente jogado sobre o assoalho de madeira clara.Ela inconscientemente franziu o cenho numa careta enojada ao ter suas narinas invadidas pelo odor pútrido que exalava do corpo morto.Seu estômago sensível imediatamente reagiu de forma negativa ao odor,e por um breve momento,Elsa esteve quase certa de que seria incapaz de conter a vontade de vomitar.
Uma vez que pôde notar o claro incômodo da noiva mediante o cadáver presente no cômodo,Robert guiou-a para a ala oeste do quarto;o mais longe possível do corpo de George.
Robert reabasteceu sua taça de vinho semi-vazia,e indicou a cadeira de estofamento de algodão situada próxima á cama para que Elsa se assentasse.No entanto,a Rainha ignorou a tentativa do noivo de mostrar-se gentil e hospitaleiro;e permaneceu em pé.Robert encheu uma taça pela metade com vinho e ofereceu á Elsa,porém ela também a repeliu.
— O quê quer que tenha para me dizer,por favor,seja breve e deixe-me sair daqui.— Suplicou ela num sussurro choroso.Mas Robert somente a ignorou.
— Querida,eu vou lhe contar uma história sobre um homem ambicioso que usou seu único filho para conquistar poder e riquezas.Este homem é George Augusto Mondevie.Filho caçula de um casal de padeiros,ele nunca foi capaz de aceitar o fato de que viveria pobre para sempre.Portanto,após completar a maior-idade,ele fugiu de casa e migrou para o reino vizinho ao vilarejo onde nasceu e cresceu.Portando boa aparência e um físico invejável aos olhos dos demais rapazes,George sempre esteve sobre o olhar de jovens ricas que buscavam um bom partido para casar.Ocorreu então que a bela Lucy,herdeira única e legítima de uma fortuna milhonária,acabou apaixonando-se perdidamente pelo charmoso George,e suplicou incessantemente ao pai para que autorizasse sua união com ele.Após muita insistência,ele acabou cedendo;e permitiu que a filha desse sua mão em casamento á George.Porém ele,ao contrário do que Lucy imaginava,não estava apaixonado por ela.Ele sequer possuía quaisquer tipos de sentimentos afetusos em relação á garota.George desejava somente casar-se com Lucy pois assim,todos os bens que ela possuía passariam a serem seus.Eles então se casaram;e George tinha planos de assassinar a garota para que ele viesse a ser o único proprietário de tudo que era dela.No entanto,mais tarde,ele acabou descobrindo que deveria tê-lo feito antes.Ainda no mesmo ano em que haviam se casado,Lucy engravidou.George desesperou-se;ele jamais poderia imaginar que algo assim viria a acontecer.Mas com o intuito de manter a farsa,George fingiu estar tão feliz quanto Lucy com a gravidez não planejada.Porém,ele já começava a bolar planos de livrar-se da criança e da própria esposa.E ele o fez.Sem hesitar por nem mesmo um único instante,George esfaqueou Lucy no peito diversas vezes,logo após a mesma ter dado a luz á seu filho.Porém,o maldito covarde não pôde tirar a vida da criança;e decidiu que ficaria com o bebê até que surgisse uma oportunidade em que poderia se livrar do mesmo.George contou aos pais de Lucy que por razões desconhecidas,ela morrera durante o parto.No final das contas,embora as coisas não tenham saído exatamente como planejou;George conseguiu o quê queria:Ele tomou posse total da fortuna da garota;e usufruiu desta até que não restasse mais nenhum único centavo.
Robert interrompeu sua narração por um breve instante apenas para ingerir um gole de vinho e sentar-se á cadeira que oferecera a Elsa poucos minutos atrás.Por fim,ele prosseguiu:
— Quando percebeu que o dinheiro herdado de Lucy chegava ao fim,George rapidamente tratou de mudar-se para outro reino.Ele ainda era jovem e belo,portanto,conseguir uma outra moça rica com quem pudesse se casar não seria um problema.George casou-se novamente inúmeras vezes com diversas outras jovens de quase todos os quatro reinos vizinhos.No entanto,para impedir que novamente acabasse por engravida-las,George assassinou todas elas pouco tempo depois da realização da cerimônia de casamento.E devido ao fato de estar imigrando constantemente de um lugar para outro,as famílias de suas vítimas nunca sequer suspeitavam que o assassino de suas filhas era seu próprio marido.George mantivera consigo seu filho,á quem dera o nome de Robert.No entanto,ele ocultava a existência do garoto sempre quando estava próximo de conquistar uma nova mulher.O mesmo que aconteceu com Lucy,repetiu-se com todas as suas demais esposas:Ele se casava com elas,fingia estar perdidamente apaixonado,matava-as;e após ter herdado sua fortuna e gastado-a até o fim...ele partia para outra cidade e voltava a fazer o mesmo de novo e de novo. — Robert fez uma breve pausa para suspirar — Mas a chegada da velhice fez com que George perdesse seu charme irresistível que era capaz de fazer com que toda e qualquer jovem donzela caísse apaixonada.Porém para sua sorte,Robert,que herdara a boa aparência do pai,estava crescendo;e era tão belo quanto o pai costumava ser na juventude.George manipulou a mente de seu filho desde que este era um garoto,com o intuito de torná-lo tão ambicioso quanto ele era.No entanto,George não fora o quê se pode chamar de "pai exemplável".Ele mal-tratava o menino,o espancava diversas vezes por razões banais;e praticamente o forçou a dar continuidade ao trabalho sujo e cruel que ele costumava executar quando jovem.George então ouviu falar a respeito da lindíssima Rainha Elsa,soberana suprema das terras ricas de Arendelle que estava solteira.Mediante isto,George viu-se prestes a realizar o quê com certeza seria a maior façanha de sua vida.Ele candidatou-se para conselheiro da rainha,e após conseguir a aprovação da Corte Real para tal;ele introduziu o filho á ela,apresentando-o como um jovem rei que a estava á procura de uma esposa.
Quando Robert enfim finalizou seu relato a respeito da história de vida do pai,um intensivo silêncio decaiu-se sobre o ambiente.Enquanto finalizava sua garrafa de vinho,desgustando-a calmamente,Elsa tinha os olhos fortemente cravados sobre si.Inúmeras e distintas emoções atravessavam rapidamente as feições da Rainha,e por isso;tonou-se impossível decifrá-las.Elsa ofegava com lentidão e permaneceu imóvel,esforçando-se para digerir a enxurrada de informações assustadoras.A Rainha viu-se incapaz de proferir quaisquer palavras que fossem ao fim da narração do noivo.
— Nosso plano inicial era matá-la após o casamento. — Robert proferiu-se novamente visto que Elsa permaneceria em silêncio.— Meu pai estava mais do que animado com a ideia.Afinal,se conseguíssemos conquistar todo um reino,jamais teríamos de continuar imigrando de uma cidade para outra á procura de novas vítimas.Iríamos ser ricos até a morte,e teríamos o mundo inteiramente á nossos pés.A ideia parecia perfeita;afinal,mesmo não pertencendo á sociedade nobre,eu iria ser coroado rei de Arendelle após me casar com você.No entanto,houveram...complicações,e eu acabei me apaixonando por você.Por isso,decidi que não irei matá-la.— Robert confessava tudo que estivera escondendo dela com extrema tranquilidade.
— Nada disso é uma justificativa para o motivo de você tê-lo matado.— Sussurrou Elsa enfim,em tom rigidamente acusatório.Ela abominava o fato de Robert ter tirado a vida do próprio pai,tanto quanto o desprezava por ele tê-la enganado de maneira suja e cruel.
Robert riu em deboche.
— Está me dando um sermão,querida?
— Como você pôde matar o seu pai? O seu próprio sangue!!
— Ele nunca foi um pai.Ele somente desejou ficar comigo quando percebeu que eu seria útil para ele.— Robert levantou-se da cadeira.— E por quê a morte dele seria relevante de qualquer forma? Acredite:Ele não fará a menor falta...pelo menos,não para mim.
— Você é louco!! Como nunca percebi antes...?! — Indagou Elsa á si mesma em tom baixo e imensamente incrédulo.
— Eu sou louco por você,minha querida.Eu a amo tanto,minha linda rainha...— Robert aproximou-se de Elsa,e esta intuitivamente deu um passo para trás.
— Como pode dizer que me ama?! Você me humilha;me mal-trata...! Não permite que eu faça absolutamente nada sem o seu consentimento! — As lágrimas que inundavam os olhos de Elsa pareciam estar cada vez mais próximas de enfim serem derramadas.
— Você não entende,Elsa.Eu apenas quero protegê-la.
— De quê?!
— De tudo,e de todos.E principalmente,de você mesma.Oh,Elsa! Você realmente não faz ideia do quão loucamente apaixonado eu estou por você!
— Você é um cretino psicótico que matou o próprio pai por nenhum motivo! Você está obcecado por mim,e acha que isso é amor!
— Talvez você esteja certa.Mas de qualquer forma,nada disso não tem a menor importância.Você será minha...não importa quantos terei de matar e o quê terei de fazer por isso!
— Não existe mais nada que me obrigue a me casar com você! A lei real diz que devo me casar com um membro da sociedade nobre,e você revelou não ser um verdadeiro rei.Portanto,o documento matrimonial será anulado e eu irei puni-lo por seus crimes!— Havia grande carga de felicidade mesclada á alívio em sua voz quando Elsa declarou que havia um motivo plausível que enfim poderia livrá-la de seu casamento com Robert para sempre.
Ele,no entanto,não pareceu abalar-se mediante isto.
— Eu discordo disso,querida.Pois ainda há um motivo que a prende á mim...e ele está trancafiado no calabouço do palácio neste exato momento.
A expressão antes contente da Rainha,desmanchou-se como um castelo de cartas que é destruído por um sopro de vento.
— Jack...! — Ela deixou escapar o nome do albino quando a tristeza voltou a apossar-se de suas feições.
— Então este é o nome do desgraçado? Jack.
— O quê vai fazer com ele,Robert?
— Por ora;nada.Eu decidi que a execução dele será cancelada,mas...não há nada diga que não poderei mudar de ideia futuramente.Tudo irá depender de você,querida.
— O quê você quer?
— Eu apenas desejo que se torne minha esposa.Case-se comigo,e eu lhe dou minha palavra de que não o matarei.Porém,se não aceitar...esteja certa de que ele será morto.
— Você o pouparia por mim?
— Faria qualquer coisa por você,meu amor.Eu apenas desejo vê-la feliz!— Finalizou Robert com um cínico sorriso pretensioso.
A Rainha não teve de pensar muito para dar uma resposta definitiva á seu noivo.Afinal,estava disposta á tudo para garantir que Jack permaneceria bem e vivo.
— Está bem.Eu me caso com você.— Uma finíssima lágrima cristalina transbordou de seu olho esquerdo e rolou delicadamente pela bochecha rosada,quando o peso esmagador daquela decisão decaiu-se abruptamente sobre si.
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