Notas iniciais
Fãs de Jelsa,sejam todos muito bem-vindos!! XDDEspero que gostem deste primeiro capítulo.Esta é minha primeira fanfic Jelsa,embora pretenda continuar escrevendo sobre este casal,estou um tanto nervosa pois não sei qual reação dos leitores e qual nota darão para minha primeira interpretação dos personagens.Mas de qualquer forma,espero me sair bem!Beijos,boa leitura e claro,não esqueçam-se de deixar um comentário a respeito do acharam do capítulo.Estou aberta á críticas,sugestões e elogios. ^_^

A adolescente ruiva sorridente saltitava alegremente pelos corredores do palácio que tinham-se habitados por constante movimento dos diversos empregos que locomoviam-se rapidamente de um cômodo para o outro naquela ensolarada tarde de sexta-feira.Anna parou ao ser abordada por uma das empregadas que muito educadamente,lhe estendeu dois guardanapos de mesa cujo no centro estava bordado o brasão da família Arendelle.

A roliça jovem moça questionou á sua senhora de forma suave ao sorrir simpaticamente:

— Alteza,qual cor prefere para os guardanapos de sua festa:Creme ou linho?

Anna apertou o dedo indicador contra o lábio inferior e arqueou a finíssima sobrancelha ruiva esquerda ao ponderar sobre a pergunta da empregada.A jovem analisou minuciosamente ambos os guardanapos que tinham-se á sua frente e esforçando-se,tentava enxergar o quão a tonalidade branca de creme era diferente de linho.Para Anna,ambas eram monótonas e tão iguais quanto irmãos gêmeos.

Ainda pensativa,ela tomou os guardanapos das mãos da empregada e torceu os lábios ao dar continuidade á sua análise.

Por fim,a Princesa quedou os ombros e esbanjando um sorriso amarelo,disse:

— Bom...eu pensei que talvez pudessem ser...rosa. — Anna ariscou uma rápido olhada no rosto da empregada e esta tinha-se incrédula após a inesperada declaração de sua senhora.

— Vossa Alteza quer...guardanapos cor-de-rosa? — A jovem não parecia certa do que acabara de ouvir.Sabia que não deveria questionar as ordens diretas de sua Princesa,no entanto,aquilo era esquisitice fora do comum.A empregada imaginou que Anna,como membro da família real de autoridade máxima no reino,deveria saber que pôr á mesa guardanapos cor-de-rosa que seriam utilizados por esnobes e fúteis barões,reis,príncipes,duques e condes que estariam presentes para sua festa de aniversário,—era algo totalmente antiquado segundo as regras de etiqueta da realeza.

Anna franziu o cenho,porém não perdeu o sorrisinho forçado;não parecia surpresa com o espanto da empregada mas não imaginava que ela fosse transparecer sua opinião de forma tão explícita.Anna fitou de volta os olhinhos negros e miúdos que a encaravam em confusão e por fim,questionou:

— Isso...é muito estranho,não é? — Anna finalmente pareceu notar o motivo da cara surpresa da criada e por um breve momento,sentiu-se constrangida por ter proposto algo tão incomum.

A empregada abriu a boca para responder mas rapidamente a fechou,pois não tinha permissão para expor sua opinião pessoal como uma serviçal da Princesa.Se Anna queria os guardanapos cor-de-rosas,ela teria de obedecer por mais inaceitável e errado que isto fosse aos olhos dos demais membros da realeza.

A jovem roliça abriu um condescendente sorrisinho e tomando os guardanapos das mãos de Anna delicadamente,anunciou com pressa:

— De forma alguma,Alteza.Farei exatamente como é de seu agrado.Com licença. — Sem esperar por uma resposta da Princesa,a criada seguiu á passos rápidos adiante e Anna ficou a observá-la partir com o cenho franzido em confusão.Anna não entendeu muito bem por que a empregada mudara tão repentinamente de expressão e nem por que agira como se ela tivesse pedido algo tão natural quanto um copo d'água.

Por fim,a ruiva deu de ombros e retomou a sua animada expressão de poucos minutos atrás.Não havia por que se preocupar com aquilo,afinal,a agitação que habituava todo o palácio era-lhe escandalosamente animadora e contagiante.A ideia de que aquela correria e preparação dava-se graças á sua festa de aniversário que ocorreria no dia seguinte,enchia-lhe o peito de expectativa e entusiasmo.A Princesa Anna completaria 18 anos de idade,e a especial ocasião seria devidamente celebrada com a glamorosa e sofisticada festança que reuniria o que o Reino de Arendelle havia de melhor de bebida,comida,música e todos os demais membros da sociedade real.A expectativa de que brevemente o palácio que em geral tinha-se sempre tomado por uma névoa silenciosa de tédio e seriedade,estaria lotado de gente,música e diversão,—fazia Anna querer saltar de alegria.Não conseguira controlar sua ansiedade mesmo que tivesse prometido á si mesma que se esforçaria para fazê-lo.Anna jamais dispensava uma aglomeração barulhenta,cuja a agitação era quase palpável.Sentia-se tão viva e feliz cercada de pessoas e adorava ver como as mesmas interagiam animadamente umas com as outras em celebrações.Mas não era apenas a preparação para a festa que fora o motivo de sua agitação eminente.Anna mal podia conter-se e aguardava loucamente ansiosa para finalmente rever seu amado Kristoff,com quem mantinha um relacionamento sério á um ano e três meses.Kristoff era filho de um barão proprietário de um feudo no noroeste de Arendelle,ele viajara á negócios com o pai semana passada mas prometeu á Anna que estaria de volta a tempo para sua festa de aniversário.

Anna andava como uma criança na manhã de Natal pelo palácio,cantarolando consigo mesma uma música qualquer.Sua mente vagava para outros planos e pensamentos,dos quais ela imaginava-se espreitando-se entre os braços fortes e acolhedores de Kristoff e depois o cobria de beijos,sussurrando-lhe ao pé do ouvido o quão sentira sua falta e o quão feliz estava por finalmente revê-lo.

A ruiva teve suas fantasias de amor interrompidas ao escutar as batidas de cascos de cavalos contra o solo de pedra do pátio do palácio.Anna rapidamente levantou a saia de seu vestido e correu até a janela mais próxima,visualizando através do vidro a pomposa carruagem azul-safira que aproximava-se da entrada principal da entrada.Anna abriu um estonteante sorriso de orelha a orelha,expondo todos os pequeninos dentes incrivelmente brancos.O claro e límpido verde-marinho de seus olhos inundaram-se com um brilho maravilhado quando Anna finalmente pôde vislumbrar a figura majestosa de Elsa,sua irmã e Rainha,que descia da carruagem com a ajuda do chofer que estivera a conduzi-lá.Elsa estivera três dias fora para participar de uma reunião extraordinária realizada nos domínios do reino mais próximo.As principais autoridades reais dos quatro reinos vizinhos reuniam-se duas vezes por ano para discutir sobre economia,sistema educacional,leis,etc;e Elsa,como Rainha,tinha o dever de participar.

Anna mordeu o lábio inferior como uma forma de conter a queima de fogos de artifício que fora iniciada em seu interior.Ainda segurando na saia do vestido,ela disparou corredor afora e em questão de pouquíssimos instantes,estava diante da porta;sem nem ao menos esperar que os criados abrissem-na,ela mesma o fez,—escancarando-a com vontade para receber sua querida irmã.

Elsa mal pusera o pé sobre o chão de mármore impecavelmente polido do palácio e Anna já tinha-se pendurada em seu pescoço,esmagando-a fortemente com seus pequeninos braços magros e berrando-lhe aos ouvidos:

— ELSAAAAAAAAAA!!! BEM-VINDA DE VOLTA AO LAR!! Estou tão feliz por finalmente ter voltado!! Quero lhe mostrar como anda a decoração de minha festa! E meu vestido!! Oh,Elsa,espere só até ver o meu vestido!! É tão lindo...!

Anna tagarelou frenética e animadamente sobre como estava animada para a festa e fez a descrição de seu fabuloso vestido para a irmã repetidas vezes,enriquecendo até os mínimos detalhes.Á princípio,Elsa assustou-se com a abrupta porém calorosa recepção que tivera mas aquilo era algo típico de Anna,ela estava mais do que acostumada com a excessiva e interminável animação da irmã caçula.A loira suspirou e abriu um pequenino sorrisinho no canto dos lábios tingidos de um intenso batom rosa-chiclete e retribuiu o abraço da irmã,pousando a cabeça em seu ombro.

— Me pergunto como irá conseguir dormir esta noite com tamanha animação.Mas pensando bem...Acho que você nem sequer irá pregar os olhos. — Disse Elsa ironicamente com um sorriso singelo.Ela riu por um breve momento e Anna a acompanhou.

— Ainda bem que sabe! — Respondeu Anna animadamente.

As irmãs se separaram e Elsa fez sinal para que o chofer adentrasse ao palácio com sua bagagem.Alguns criados foram até a carruagem para ajudá-lo a descarregá-la com as malas da Rainha.

Os demais empregados presentes no salão principal pararam o que estavam fazendo por um momento e fizeram uma breve referência á sua Rainha,saudando-a respeitosamente após sua chegada.Elsa agradeceu veemente á todos que lhe davam as boas-vindas de volta.Seus olhos varreram todo o recinto que tinha-se decorado com flores,fitas,faixas e arranjos coloridos.Ainda havia algumas coisas a serem feitas,mas parcialmente,o lugar já encontrava-se belíssimo.Ela assentiu por um breve momento como uma forma de aprovação ao que fora feito até agora,e manteve o sorriso ao se pronunciar:

— Incrível.Está realmente ficando muito bonito.Vai ser uma ótima festa,Anna.

— Tenho certeza que sim! Estou tão animada,Elsa!

Elsa ergueu a sobrancelha castanha em uma careta irônica e disse,sarcasticamente:

— Sério? Se não tivesse me dito,eu nunca saberia...

Anna mordeu o lábio inferior e sorriu,socando a irmã carinhosamente no ombro direito.Elsa riu e novamente,a caçula a acompanhou.Um dos criados aproximou-se cuidadosamente por trás de sua soberana e com delicadeza,desprendeu a longa capa presa á seus ombros.Elsa agradeceu e o criado levou sua capa.Os demais seguiram na frente para levar as malas de sua Rainha á seus aposentos.

— Como foi a reunião? — Perguntou a ruiva ao guiar a irmã a passos lentos escada acima em direção á seu quarto.

— Entediante.

Anna riu graciosamente e Elsa apenas permaneceu com um mínimo sorrisinho nos lábios.

Anna estudou cuidosamente a expressão da irmã antes de dar início ao próximo assunto.Ela resolveu ir com calma,um tanto receosa quanto á reação que a irmã poderia teria após seu pronunciamento.

— Elsa...sei que está exausta após a longa viagem que fizera para chegar até aqui...mas,ao fim da tarde,depois que lancharmos juntas...poderia me ajudar a escolher a toalha que enfeitará a mesa dos quitutes? — Anna fixou seus olhos no rosto da loira e aguardou ansiosamente por sua resposta.

Anna sempre tivera algum receio em pedir que a irmã confraternizasse ou ao menos passasse algum tempo com ela,pois em geral,as respostas de Elsa eram sempre negativas.A Rainha dedicava grande parte de seu tempo á seus deveres reais e nas poucas vezes que possuía algum tempo livre,passava-o confinada em seu quarto.Anna tentava não fazer grandes exigências da irmã,pois sabia que ela estava sempre ocupada com assuntos importantes,mas além disso,havia o fato de que Elsa estava sempre tentando ficar o mais longe possível de Anna para evitar machucá-la caso algo saísse de seu controle.Elsa tinha a habilidade de controlar o gelo e tudo que está relacionado á ele.Desde criança,não fazia uso de seus poderes,portanto,não possuía o domínio completo e pleno sobre eles.Temia que poderia ocorrer uma ocasião da qual viesse a ferir a irmã por acidente e Elsa sabia que jamais seria capaz de conviver consigo mesma caso isto viesse a acontecer.

Elsa parou em meio aos degraus e suspirou pesadamente antes de virar-se para a irmã.O singelo sorrisinho novamente brotou em seus lábios finos.

— Claro,Anna. — Elsa sabia que deveria esforça-se mais para ter maior interação com sua irmã caçula,no entanto,esta sempre provou-se ser uma tarefa difícil para a loira que desde muito cedo habituou-se á solidão e isolamento,afim de poupar Anna de compartilhar de seu sofrimento interno consigo.

A mais nova abriu um resplandescente sorriso iluminado e suspirou alegre,satisfeita com a resposta positiva da irmã.Anna depositou um rápido beijo na maça do rosto direita da loira e agradeceu.Elsa limitou-se a sorrir de forma mínima,Anna abriu a boca para dizer mais alguma coisa,no entanto fora interrompida pelo chamado de algum dos criados que estava ao pé da escada,pedindo que ela se dirigisse á cozinha para provar o bolo de sua festa.Anna atrapalhou-se por um momento nas palavras,aparentemente estava ansiosa para se lambuzar com o glacê do delicioso bolo que a aguardava.Sorrindo espontaneamente,a ruiva ergueu a saia de seu vestido para que pudesse se locomover com mais rapidez e,disparando escada abaixo,Anna gritou sobre o ombro que encontraria Elsa ao fim da tarde no jardim onde ambas realizariam sua costureira refeição juntas.

Elsa não pôde evitar e deixou escapar um baixo risinho enquanto observava a estabanada irmã que atropelava os empregados ao avançar apressadamente em direção á cozinha.

Elsa finalizou o trajeto da escadaria até o segundo andar e os serviçais iam á sua frente,abriram a porta de seu quarto e colocaram as malas retiradas da carruagem em seu interior espaçoso.Um dos criados perguntou á Elsa se ela gostaria que as malas fossem desfeitas agora,mas a loira,expressando seriedade,negou com a cabeça e dispensou todos os empregados,alegando que gostaria apenas que seu banho fosse preparado.

Após a saída dos serventes,Elsa soltou um longo suspiro,sentindo-se instantaneamente melhor na solidão de seu quarto.Ela foi até a imensa janela localizada na parede á sua frente e ficou observar pensativamente seus domínios através do vidro.Elsa desprendeu as tranças e arranjos em seus cabelos perfeitamente presos em um elaborado coque e jogou os elásticos pelo chão do quarto.Ela observava seu reflexo aparente no vidro enquanto alisava os longos cabelos loiro-pálido com os próprios dedos e via algo no rosto da mulher cujo o reflexo tinha-se refletido no seu.Elsa pôde ver a aparente tristeza e solidão que só faltava transbordar dos olhos da jovem mulher.Elsa viu-se ainda mais desamparada mediante á infeliz realidade de que a mulher que tinha-se á sua frente,era ela própria.

Suspirando novamente,Elsa não pôde enxergar a beleza estonteante que todos diziam haver em seu jovial e impecável rosto.Tudo que via era um coração despedaçado,uma expressão de cansaço que transparecia nitidamente o quão forte era o fardo que carregava e um gritante desejo de libertação que fora dolorosamente contido em seu interno durante anos.

Elsa deu as costas á seu reflexo no vidro da janela e após fechar as cortinas,despiu-se lentamente,sentindo que o corpo relaxava aos poucos ao ser liberto do excesso das pesadas roupas.Ela cobriu-se com um roupão de algodão e sentou-se á penteadeira,apanhando a escova que jazia ali,passou-a sobre os longos cabelos distraidamente enquanto observava infeliz sua imagem refletida no espelho.Elsa fechou os olhos,recusando-se a continuar contemplando a infelicidade eminente que jazia presente em seu próprio rosto.Algo em seu coração apertou-se,a bile subiu por sua garganta,as lágrimas inundaram seus olhos e a loira não se preocupou em contê-las,permitiu-se chorar livremente,desejando que as lágrimas derramadas pudessem de alguma forma aliviar o aperto em seu peito.

O fato de ter que lidar e esconder tal segredo que limitou-a a ser algo que não era,aos poucos trouxe uma imensa tristeza ao coração da jovem Rainha que viu-se presa dentro da barreira impenetrável que tivera de criar a seu redor para garantir a segurança de Anna e das demais pessoas que conviviam consigo.Elsa adotou a frieza e seriedade para repelir a aproximação de quem quer que fosse,e sobre muito pesar,aprendeu a lidar com isto de modo a criar uma imagem falsa de uma mulher séria e reservada que apenas agia corretamente para com seu reino e súditos.As luvas,não só cobriam suas mãos mas sim seu verdadeiro "eu" e limitavam Elsa a viver de forma miserável,fingindo ser algo que não era e praticando uma ridícula encenação que faziam as pessoas a seu redor acreditarem que sua Rainha vivia tão bem e feliz quanto eles achavam.

Além de seus pais,já falecidos,Anna era a única que sabia sobre o segredo de Elsa e no entanto,o protegia como se fosse seu.A ruiva tentara de inúmeras formas conseguir reaproximar-se de Elsa e deixá-la a vontade o bastante para saber que não havia necessidade de temer nada.Levou algum tempo,mas Elsa foi capaz de permitir que Anna irrompesse uma parte da barreira que construíra a seu redor,e com isto,as duas puderam retomar um pouco da união que cultivavam quando eram crianças.Sabendo que a irmã vivia atormentada por ter de esconder um segredo tão tenebroso e sobre as limitações que foram impostas á sua vida graças á ele,Anna estava sempre tentando "distrair" Elsa de alguma forma,fosse divertindo-a com piadas e conversas alegres,atividades que não envolvessem suas obrigações como Rainha ou qualquer outra coisa que tirasse Elsa de seu particular mundo tristonho e vazio,ao menos por algumas horas.Elsa podia notar os esforços eminentes de Anna ao tentá-la fazê-la feliz de alguma forma e era muito grata por todos os pequenos momentos de confraternização e felicidade que compartilhava com a irmã,no entanto,eles não eram o suficiente para resgatar Elsa do abismo negro de sofrimento do qual ela estava presa.Elsa decidira que não arrastaria Anna para junto do abismo consigo,ela amava sua irmã afinal,e queria sua felicidade.Por isso Elsa permitira que Anna namorasse,permitiu que ela desse festas e chamasse amigos para visitar o palácio quando quisesse.Elsa apenas precisava permanecer como estava e Anna poderia viver sua vida livremente e ser feliz,no entanto,ela própria nunca seria feliz enquanto tivesse de esconder do mundo quem realmente era.

A jovem Rainha foi abruptamente retirada de seus devaneios ao escutar três tímidas porém rápidas batidas contra sua porta.Elsa largou a escova e prendeu os cabelos em um coque baixo e mal-feito e autorizou a entrada da empregada que viera anunciar que seu banho já estava pronto.Elsa agradeceu e dispensou a empregada,dirigindo-se ao banheiro logo depois.

❄ ❄ ❄

Quando Elsa finalmente chegou ao jardim,Anna já estava sentada junto á mesa,desfrutando de uma xícara de chá com biscoitos de chocolate enquanto falava apressadamente para um criado que gostaria de mudar as rosas que decorariam o hall de entrada do palácio na noite de sua festa,para orquídeas amarelas.O criado anotava em um bloco de papel as ordens de sua senhora e escrevia furiosamente sobre ele,esforçando-se para acompanhar a fala frenética de Anna.

Elsa ficou a observar a cena hilária a distância,rindo singelamente perante o visível embaraço do empregado.Ela aproximou-se e quando foi vista por Anna,esta prontamente saltou da cadeira,quase levando junto a mesa e toda a comida que havia sob ela.Sua exagerada reação ao avistar a irmã acabou por assustar o atrapalhado serviçal que deu um pulo mediante o grito histérico de Anna.Elsa riu,e lamentou pelo pobre empregado.Barulhenta como sempre,Anna abraçou Elsa e puxou sua mão em direção á cadeira vazia próxima á sua,exclamando alta e apressadamente:

— Oh,Elsa,finalmente chegou! O chá já estava quase esfriando! Eu quero pedir sua opinião á respeito de algo:Fitas verde-musgo ou verde-vômito? Qual você acha que combinaria mais com os laços rosa-chiclete que vão decorar a minha faixa de "Feliz Aniversário,Anna"? Alias,as letras da faixa deveriam ser coloridas ou não? Se eu mandasse bordá-las com babados cor-de-rosa? Mas erá que ficariam prontas até amanhã á noite...? Oh,falando nisso...

Anna prosseguiu,falando alta e alegremente sobre suas duvidas a respeito de alguns detalhes restantes para a preparação da festa.Elsa fez menção de responder á uma pergunta ou outra com intenção de ser atenciosa e participativa,porém nem teve a chance de fazê-lo pois Anna fazia uma pergunta atrás da outra e não dava tempo para que Elsa respondesse.

Anna dispensou o criado e sentou-se com Elsa,enchendo a boca com biscoitos enquanto falava sem parar.Elsa manteve o sorrisinho no canto dos lábios enquanto observava a irmã comer e falar animadamente.A loira bebericou devagar de seu chá e serviu-se de um sanduíche,e já que Anna devorara todos os biscoitos,Elsa degustou apenas de uma fatia pequena de bolo de chocolate que sobrara,mas isso apenas por que Anna alegou estar cheia demais para continuar comendo.Elsa realmente duvidada que ela não o tivesse comido se não estivesse cheia.

❄ ❄ ❄

O sol estava quase se pondo quando dos um empregados apareceu no jardim,interrompendo a refeição das irmãs,pediu licença e anunciou que o novo conselheiro da Rainha acabara de chegar ao palácio.Elsa agradeceu e após limpar a boca com o guardanapo,levantou-se,alegando á Anna que a encontraria no salão principal após receber o conselheiro para ajudá-la a escolher a toalha para a mesa dos quitutes.Anna assentiu e observou a irmã adentrar ao palácio.

Elsa foi conduzida por um empregado até a sala do trono,onde aquele que deveria seu novo conselheiro a aguardava.Elsa aproximou-se do homem alto que aparentava ter algo entorno dos cinquenta anos de idade.Um tanto roliço,o homem muito bem vestido,cujo os cabelos castanhos e levemente esbranquiçados em alguns pontos tinham-se perfeitamente penteados para trás e cobertos por gel,portava uma barba grossa e espessa que se ligava com a costeleta nas laterais de sua face.Os pequenos olhos negros tinham-se cobertos por rugas e pés de galinha e eram emoldurados por cílios longos,proporcionais ás sobrancelhas grossas.Mesmo que houvessem alguns evidentes sinais que transpareciam sua idade avançada no rosto,o homem portava uma postura elegante e mesmo com as linhas de expressão,o rosto aparentava ser bem tratado e preservado.

O homem prontamente aproximou-se da Rainha quando a vistou e abriu um educado sorriso.Ele parou de frente para Elsa e ajoelhou-se perante ela,anunciando majestosamente:

— É um imenso prazer finalmente conhecer a grande soberana das terras de Arendelle.

— É um prazer.Sr...?

— George.George Augusto Mondevie,á seu inteiro dispor,Majestade. — George levantou-se e apertou amigavelmente a mão de Elsa em cumprimento — E se me permite dizer,és ainda mais bela do que imaginei que seria.

— Obrigada.Lamento por isso,não haviam me dito seu nome,apenas que meu antigo conselheiro seria substituído por outro devido á um problema de saúde.

— Oh,sim,eu ouvi sobre isso.Peço desculpas pelo o que houve com o Sr.Charles.Espero que ele se recupere em breve.

— Sim,eu também.De onde veio,Sr.George?

— Eu nasci e fui criado nas Ilhas do Leste,Majestade.Eu fui conselheiro de nosso Rei durante trinta anos,mas ele infelizmente veio á falecer e após seu filho mais velho assumir o trono,eu fui substituído por outro.

— Lamento por isso.

— Oh,não o faça,minha senhora.Estou muito feliz por estar aqui e por ter tido a oportunidade de ser o novo conselheiro de Vossa Majestade.Tenho certeza de serei-lhe muito útil.

— Espero que sim.

George ampliou seu sorriso simpático e Elsa retribui porém de forma menos calorosa.Os olhos curiosos do conselheiro varreram o local por alguns instantes,como se ele estivesse á procura de mais alguém.Elsa pôde notar sua visível curiosidade para com algo que lhe era desconhecido,portanto resolveu perguntar:

— Há algo errado?

— Não,de forma alguma,minha senhora.Mas...perdoe a minha intromissão...onde está vosso marido? — O conselheiro parecia intrigado quanto ao fato de que apenas a esposa de seu Rei fora recebê-lo.Ele perguntava-se onde o suposto marido de Elsa poderia estar,apesar de nunca ter ouvido nada a respeito de ela ser casada ou algo assim.

Elsa sorriu,no mínimo divertindo-se com a possibilidade de algo tão impossível como estar casada.

— Eu não sou casada.

George pareceu extremamente surpreso com a resposta.Ele analisou a expressão da Rainha,chegou a crer por um momento que ela poderia estar fazendo algum tipo de piada,porém ela estava estranhamente séria e tranquila demais ao dar-lhe a resposta.George franziu a testa e assentiu,optando por não dizer nada a respeito disso.

No entanto,seu evidente espanto não passou despercebido aos olhos de Elsa,que intrigada quanto o motivo da expressão de George,questionou:

— Por que a surpresa?

George hesitou e passou a língua nos lábios,parecendo ponderar sobre a duvida de responder ou não á Rainha.

Por fim,ele disse:

— Bom,eu apenas imaginei que Vossa Majestade deveria ter um marido,considerando que já esta na idade certa.Os conselheiros reais da família nunca lhe alertaram sobre ter de escolher um marido para ocupar o posto de Rei á seu lado?

Elsa franziu as sobrancelhas e ponderou sobre o que fora dito por George por um minuto.

— Na verdade não.

— Isso é estranho.Afinal de contas,é vital que a senhora se case para gerar filhos que herdarão o Reino de Arendelle.E de acordo com as regras da família real,uma mulher não pode governar sozinha.Em minha opinião pessoal,acredito que esta lei seja ofensivamente machista,mas infelizmente não há como mudá-la,pois foi criada á muito tempo e está á décadas na família Arendelle.Se o conselho não se manifestou até agora a respeito disso,provavelmente logo o farão. — George olhou para os lados,parecia perguntar-se se deveria dizer em seguida o que estava pensando.Mas considerando que Elsa parecia interessada no que ele dizia,resolveu prosseguir:

— Majestade,como seu conselheiro eu estou aqui para instrui-lá a tomar as melhores decisões para o bem do Reino,portanto,como meu primeiro trabalho como seu conselheiro,eu digo para a senhora que tem de escolher um marido rapidamente e por conta própria.Se não o fizer,o conselho da corte real se encarregará de decidir quem é o marido mais apropriado para Vossa Majestade e consequentemente,a senhora será obrigada a se casar com o pretendente escolhido para o bem do reino,o que com certeza será muito inconveniente para a senhora. — George fez uma breve pausa para suspirar — Apenas entenda,Majestade,que não poderá governar sozinha para sempre.Tenho certeza absoluta de que a senhora conduz este reino com graça e sabedoria,mas é vital que haja um Rei.

Elsa assentiu e abaixou os olhos para seus pés,franziu o cenho em uma careta centrada e séria enquanto ponderava sobre as palavras de George e reconhecia um ponto incorrigível de verdade nelas.Claro que Elsa já pensara a respeito de algo assim,afinal já faziam dois anos desde fora nomeada Rainha e até presente momento não arranjara um marido.Era crucial que houvesse governo masculino no reino,não apenas para dar maior sustentabilidade mas para garantir que haveriam futuros herdeiros.A ideia embrulhava-lhe o estômago pois Elsa,devido ao perigo eminente de seus poderes,nunca se relacionara com homem algum,nem sequer sabia como deveria fazê-lo.Uma enxurrada de preocupações e pensamentos inundou sua mente e Elsa viu-se ser tomada por uma onda de pânico ao deparar-se com o fato que deveria casar-se brevemente,e caso ela própria não escolhesse um homem,o conselho se encarregaria disso,o que seria muito pior pois Elsa teria de ser obrigada a casar com um completo estranho.

Sem que Elsa visse,George abriu um maldoso sorrisinho no canto dos lábios.Ele suspirou em satisfação ao ver que uma parte de seu plano já havia sido concluída.A semente da dúvida já fora plantada na cabeça da Rainha,agora,ela havia sido sensibilizada por esta ideia,portanto o caminho de George estava livre para que ele pudesse manipular Elsa á sua maneira.

Pigarreando altamente,George reconquistou a atenção de Elsa para si e ao fazê-lo,perguntou calmamente:

— Majestade,poderia pedir que os criados me indicassem meu quarto por favor? Eu gostaria de banhar-me agora,fiz uma longa viagem até aqui e estou muito cansado...

Elsa suspirou

— Oh,sim,sim...claro.Por favor,leve o Sr.George á nosso aposento reserva,instale-o bem e sirva-lhe comida,bebida e prepare um banho para ele. — Disse Elsa á um dos empregados e este rapidamente tomou as malas de George em mãos e conduziu-o á seu quarto.George agradeceu á Rainha e pediu licença para se retirar.

Elsa foi até seu trono que jazia no centro do salão e quedou-se sobre ele,suspirando pesadamente,ela sussurrou para si mesma:

— Era só o que me faltava agora...

Notas finais
Já estou com o capítulo 2 semi-pronto,estou apenas esperando pela colaboração de vocês para postá-lo! ;)