Notas iniciais
Espero que gostem e por favor não deixem de comentar!! Fiquem a vontade para expressarem sua opinião á respeito da fic,mas não fiquem em silêncio! Dei-me motivação para continuar escrevendo! ;) Beijos e boa leitura!! ♥♥♥

Anna segurou o queixo entre os dedos e pendeu a cabeça para o lado,ergueu o canto direito do lábio superior e franziu a testa,analisando minuciosamente a faixa colorida com os dizeres "Feliz Aniversário,Anna" que acabara de ser presa acima da porta de entrada do salão principal,onde ocorreria sua festa.A ruiva estudou a posição da faixa em diversos ângulos,procurando por algum detalhe que lhe desagradasse.Anna analisou e voltou a analisar a faixa inúmeras vezes,presa em um interminável conflito interno,dividida com a questão de mudar a faixa de posição ou pedir que os criados retirassem o excesso de arranjos de flores presos á suas laterais.

— Acho melhor colocá-la um pouco mais para a esquerda... — Disse Anna,porém havia incerteza em sua voz.

O criado fez menção de obedecer ao comando de sua Princesa,mas quando estava prestes a fazê-lo,Anna rapidamente lhe direcionou outra ordem:

— Não,não! Coloque-a um pouco mais para a direita...

Novamente o criado fora interrompido por Anna que pediu que ele desprendesse a faixa e colocasse-a outra vez para que ela pudesse recomeçar sua análise.Enquanto o empregado acatava á nova ordem de sua senhora,Anna virou-se e direcionou sua atenção para outro ponto no salão.Ela apontou para as extremidades das barras das paredes decoradas com diversos tipos de flores silvestres e disse:

— Quero mais flores ali...e quero somente rosas vermelhas para os vasos que ficarão nas mesas dos convidados... — Anna deu continuidade ás suas exigências para decoração,falando alta e distraidamente para os atrapalhados empregados que esforçavam-se para realizarem as ordens de sua Princesa conforme a mesma falava.

O falatório incessante de Anna sequer chegava aos ouvidos distraídos de Elsa,que no momento tinha-se alheia á tudo que acontecia á sua volta conforme sua mente era inundada por inúmeros pensamentos e suposições a respeito do quê seu novo conselheiro,o Sr.George,dissera-lhe naquela tarde.Sentada em uma cadeira revestida de almofada,a loira agitava descontroladamente sua perna esquerda cruzada sobre a direita, mantinha o queixo pousado sobre a palma da mão direita estendida e o cotovelo apoiado na coxa.Sua expressão deixava claro o quão imersa estava em pensamentos.Seus olhos estavam fixos em um ponto qualquer no chão e as perfeitas sobrancelhas castanha-claras tinham-se franzidas em uma careta pensativa.

Anna sorriu entusiasmada ao avistar uma criada que carregava consigo ambas as toalhas de mesa que ela mais cedo pedira a ajuda de Elsa para escolher.

A serviçal estendeu as toalhas para a Princesa e ela passou suas mãos pelos tecidos macios e impecáveis,tentando imaginar como cada toalha ficaria depois de postada sobre a mesa dos quitutes.

— Hum...as duas são muito bonitas,não são? O quê você acha,Elsa? — Anna virou-se para a irmã e aguardou por uma resposta da mesma,porém Elsa não ergueu os olhos para a mais nova.Ao contrário,nem sequer pareceu tê-la ouvido.

Anna franziu as sobrancelhas,insatisfeita com a falta de atenção por parte da mais velha.Ela fechou a cara e a chamou novamente,desta vez mais alto:

— Elsaaaa...

A loira finalmente pareceu ouvir e ao fazê-lo,direcionou os olhos para a figura miúda da irmã e franziu a testa.

— Huh?

— Você ouviu o que eu disse?

Elsa abriu um sorrisinho amarelo e franziu as sobrancelhas,com um claro pedido de desculpas no olhar e sentindo-se mal por não ter ouvido a irmã.

— Desculpe,Anna.O que você disse?

— Qual das duas acha mais bonita? — Anna apontou para as toalhas nas mãos da criada.Elsa direcionou os olhos ás toalhas e as analisou por alguns instantes.

Por fim,apontou para a sua escolhida e disse:

— Aquela ali.

Anna virou-se e ponderou sobre a escolha da loira por um momento.Por fim,ela escolheu a toalha oposta á de sua irmã e Elsa revirou os olhos,sorrindo por um momento.

A ruiva virou-se para a loira e aproximou-se dela,olhando-a de forma intrigada,questionou:

— O que há com você? Parece mais distraída que o normal...há algo a preocupando? — Anna puxou uma cadeira qualquer ali próxima e sentou-se ao lado da irmã.

Elsa suspirou pesadamente e hesitou por alguns instantes.Ela não respondeu de imediato e Anna aguardou pacientemente até que ela o fizesse.Elsa perguntou-se se deveria dizer á Anna sobre o pequeno aviso que o Sr.George lhe fizera a respeito de escolher um marido que assumiria o posto de Rei á seu lado.Elsa passara o restante da tarde e começo da noite toda remoendo-se por dentro com aquela questão que martelava freneticamente em sua mente.Ela esperava que desabafar aquilo com Anna pudesse de alguma forma fazê-la sentir-se melhor e que Anna,como sua irmã e melhor amiga,dissesse-lhe o que ela deveria fazer.

Elsa então narrou sua breve,porém significativa conversa com seu novo conselheiro.Anna permaneceu concentrada nas palavras da irmã e ficou em completo silêncio até o término de seu relato.Elsa confessou á Anna estar confusa sobre o que devia fazer,pois temia que o conselho da corte real decidisse lhe arranjar um marido que acabasse por detestar,no entanto,ela própria não sabia se conseguiria escolher ou mesmo conhecer alguém que lhe interessasse tanto a ponto de entregar sua mão em casamento á ele.

Anna ponderou sobre as palavras de Elsa e por fim,disse:

— Veja a minha festa de aniversário como uma oportunidade perfeita para procurar por um pretendente.O salão estará cheio de homens jovens e belos,você há de se interessar por algum deles.E com certeza não faltará nenhum para se interessar em você.

— Eu não teria tanta certeza,Anna...não acredito que haja um homem suficientemente bom a ponto de prender minha atenção,especialmente quando a maioria trata-se de esnobes,fúteis,egoístas e gananciosos.

Anna sorriu maliciosamente

— Ora,Elsa...não é possível que não haja nenhum homem que lhe atrai...

— Até há;mas é do tipo de homem que não se encontra facilmente...

Anna cutucou-a no ombro e Elsa riu.

— Diga-me como é seu tipo de homem ideal,irmã

Elsa sorriu com malícia e virou-se para fitar a ruiva.

— Bom...meu homem ideal é imprevisível,sábio,protetor...alto...e assim como eu:Exigente e teimoso.

Anna franziu as sobrancelhas e riu

— Hummm...De fato,este parece ser um homem bem interessante.Perfeito para alguém como você,eu diria. — Anna esticou a mão e ficou a brincar com os cabelos loiros da irmã entre os dedos — Pode ser que você esteja prestes a encontrá-lo,irmã...

— Eu realmente espero que sim.Mas...se o encontrar...devo revelar meu segredo á ele? — Elsa lançou-lhe um olhar preocupado e olhou-a em expectativa,na esperança de que a resposta da irmã lhe desse alguma opção sobre o que fazer.

A expressão de Anna endureceu e ela engoliu em seco,longa e pesadamente.

— Bom... — Disse ela por fim — não é correto que haja segredos entre um casal.Afinal,este é um dos fundamentos principais para um relacionamento saudável e duradouro.

Elsa soltou um suspiro pesado

— Não vê,Anna? Eu jamais terei um relacionamento com alguém.Como poderei contar á meu marido sobre meus poderes? Como irei tocá-lo sem machucá-lo? Como o farei sentir-se seguro o bastante comigo quando nem sei como controlar meus poderes?

— Elsa...se ele realmente lhe amar,irá entender e aprenderá a conviver com seus poderes.

Elsa soltou um riso sarcástico,repleto de humor negro.Sentiu uma leve pontada de pena da irmã por acreditar em algo tão impossível como aquilo.

— Anna,não seja ingênua.O mundo é podre.Hoje em dia as pessoas são capazes de permitir até que a própria mãe morra para que sua integridade física continue intacta.Você acha mesmo que existirá alguém bom o bastante a ponto de compreender o quê sou e não me temer como um monstro?

Anna olhou-a incrédula e assustou-se com a crueldade com a qual as palavras de Elsa foram despejadas.

— Elsa,isso foi cruel.Você não sabe o que está dizendo.Sua falta de contato com as pessoas a fez ter uma visão errada sobre o mundo.É claro que existem pessoas ruins,mas também há pessoas com o coração bom.

— Estas são poucas e tão difíceis de encontrar...

— Mas isso não significa que há não esperança.Elsa,sei que sofre por carregar o fardo de portar esses poderes mas isso não quer dizer que terá de passar o resto de sua vida confinada neste castelo sem nunca saber como é ser tocada por um homem,como é vivenciar coisas diferentes,conhecer pessoas diferentes. — Anna fez uma pausa para passar a língua nos lábios — Você tem que viver sua vida.

Elsa limitou-se a negar com a cabeça enquanto direcionava um olhar tristonho e desamparado para a irmã caçula.

— Eu nunca serei capaz de viver plenamente feliz enquanto não souber como controlar meus poderes.Nunca... — Elsa quedou os ombros em claro sinal de derrota e abaixou os olhos para seu colo,fechou-os fortemente por um momento,esforçando-se para conter as lágrimas que ameaçaram derramar-se de seus olhos inundados.

Anna sentiu uma pontada de dor atingi-lá no coração ao presenciar a tristeza eminente da irmã.Pensando que qualquer palavra dita naquele momento poderia acabar por aborrecer Elsa ainda mais,Anna optou por um carinho físico e ao aproximar-se mais dela,envolveu seu torso com seus pequeninos braços miúdos e puxou-a para mais perto de si,de modo a colocá-la com a cabeça deitada em seu pescoço.Elsa retribuiu o abraço e apertou fortemente o corpo pequeno da irmã caçula.Anna acariciou os cabelos de Elsa e afagou-lhe os ombros,com intenção de dar-lhe algum conforto através deste gesto.

Por fim,as irmãs desfizeram o abraço e Elsa enxugou algumas poucas lágrimas que acabaram por escapar.Ela suspirou pesadamente e Anna dirigiu-lhe um sorriso acolhedor.Elsa retribuiu com um pequeno sorrisinho,sentindo-se um pouco melhor após aquele abraço.Anna tomou as mãos da loira nas suas e suspirou,anunciando alegremente:

— Bom,vamos indo! Daqui a pouco teremos de ir jantar e eu mal terminei a organização da decoração do hall de entrada principal! Vamos,vamos! Quero que me ajude,preciso de sua opinião! — Anna levantou-se num pulo e trouxe Elsa consigo,puxando-a pela mão.

A Rainha não pôde evitar sorrir ao responder:

— Tudo bem.

❄ ❄ ❄

O som dos cascos do cavalo massacrando a relva barrosa atraíram a atenção do homem jovem que estava a esperar por seu pai dentro da minúscula cabana de madeira,localizada nos limites do Reino de Arendelle,afastada do restante da civilização da aldeia.O homem que mantinha-se oculto na escuridão interna do pequeno esconderijo dirigiu-se á janela,afim de identificar o indivíduo que se aproximava.

Após certificar-se de que o homem encapuzado montado no cavalo tratava-de seu pai,o jovem foi á porta e abriu-a,dando passagem para que o outro adentrasse á cabana.O mais novo acendeu as luzes do minúsculo cômodo que interligava a sala e a cozinha e virou-se para o outro.George suspirou pesadamente ao retirar o capuz negro e jogá-lo sobre o sofá velho que exalava um forte odor de mofo.

— E então? Como foi? — Perguntou Robert.

George sorriu abertamente para o filho enquanto seus olhos eram tomados por uma carga evidente de maldade e gananciosidade.

— Foi tão fácil quanto dar doce á uma criança.Exatamente como havíamos previsto:ela não é casada e nem sequer parece preocupada com isso.Eu comecei alertando-a á respeito de que o conselho da corte real acabaria por escolher um marido para ela se ela própria não o fizesse.Pude ver como a ideia deixou-a em pânico e então,manipulei a mente dela e disse-lhe que deveria tratar de escolher rapidamente um homem para ocupar o lugar de Rei á seu lado para o bem do Reino,etc,etc...

— E ela caiu?

— Como um pato! E é agora que você entra em cena,meu filho.Amanhã á noite haverá a festa de aniversário da Princesa Anna e você estará lá.Eu irei apresentá-lo como um jovem Rei vindo das Ilhas do Oeste que está á procura de uma esposa.Sua tarefa é cortejá-la.Conquiste-a comprando-lhe joias,vestidos...leve-a para a cama se for necessário mas é vital que você faça aquela mulher cair de amores por você.Você terá um mês para fazer Elsa se apaixonar por você e então marcaremos a data do casamento.

— E depois que já tiver tomado-a como minha esposa...? — Robert gesticulou para que o pai completasse sua frase.

— Iremos matá-la e sua irmã caçula também.Como marido da Rainha,após a morte dela você será o único e legítimo herdeiro do Reino e de tudo que pertence á ele.Meu filho,muito em breve... — Uma densa névoa negra de perversidade e ganancia consumiu fervorosamente as orbes escuras de George e seu sorriso alargou-se ainda mais,expondo todos os dentes que reluziam de forma diabólica.

— ...Arendelle será nossa!

❄ ❄ ❄

Os gemidos seguintes tornaram-se mais frequentes e altos,logo transformando-se em curtos gritos melodiosos carregados de volúpia que preenchiam cada canto do minúsculo quarto que aquele momento tinha-se em chamas graças ao calor que irradiava dos corpos nus e suados sobre a cama cuja a cabeceira,batia contra a parede á cada vez que o homem estocava fortemente contra a vagina quente,molhada e pulsante da mulher que envolvia toda a extensão de seu pênis.

Por fim,a mulher fechou os olhos com força e jogou a cabeça para trás,irrompendo em um longo grito,seguido de uma nova série de gemidos.Pôde sentir suas paredes internas se contraírem em espasmos deliciosos e relaxarem quando o orgasmo chegou.Seu peito subia e descia em um ritmo frenético e descompassado que acompanhava a alta respiração que saia de seus lábios entreabertos em intervalos curtos.Suor escorria de sua testa e colo,e a face tinha-se corada.

O homem prosseguiu com os rápidos movimentos de vai-e-vem mais algumas vezes até que finalmente atingiu o ápice.Ao fazê-lo,ele rapidamente retirou seu membro de dentro da vulva encharcada pelo recém-orgasmo da mulher abaixo de si,e permitiu que seu sêmen fosse expelido em um longo jato contra o estômago perfeitamente liso da jovem.Ele arfou pesadamente conforme grunhidos rudes escapavam de seus dentes cerrados enquanto espasmos violentos de prazer percorriam sua espinha e explodiam gostosamente em sua nuca.O rapaz derramou-se por completo sobre a pele suada de sua parceira e ao término da ejaculação,pressionou levemente a cabeça de membro com os dedos para expelir as últimas gotas esbranquiçadas restantes.

Ele,antes ajoelhado sobre o corpo da mulher,quedou-se sentado sobre o colchão velho e gasto.Ele apoiou-se com as mãos na cama e pendeu com a cabeça para o lado,descansando-a enquanto fechava os olhos e desfrutava da sensação surrealmente deliciosa do orgasmo que aos poucos,abandonava seu corpo.Por fim,ele deitou-se e levou as mãos aos cabelos úmidos de suor,jogou algumas mechas caídas sobre o rosto para o lado e limpou as gotículas de suor da testa com as costas da mão.

O homem jovem colocou ambas as mãos atrás da cabeça e deitou-a sobre elas,permitindo que a costureira sensação de relaxamento pós-ejaculação viesse enquanto sua respiração desregular voltava ao normal aos poucos.

Pelos próximos breves instantes,o quarto,antes tomado pelo som alto e constante de gemidos e grunhidos excitados,foi tomado por um intenso silêncio.A mulher levantou-se e fixou os olhos em seu cliente,aproximou-se do mesmo ao engatinhar pela cama.O quarto era iluminado somente pela luz da lua que adentrava através da janela semi-aberta,portanto não era possível que pudesse vê-lo com clareza,mas ainda assim,foi capaz de ver como seu rosto era belo,constituído por traços masculinos porém suaves,atraentes e que complementavam com extrema maestria suas proporções.

O rapaz notou que a prostituta olhava-o com certo interesse e por isso,virou-se para olhá-la,no entanto,ao contrário dos dela,seus olhos eram apáticos.

A garota sorriu maliciosamente e permitiu-se acariciar o rosto do rapaz como se o conhecesse intimamente e tivesse permissão para tal.O rapaz não gostou muito da genuína demonstração de afeto físico.Considerando que ele a pagara apenas para ter sexo e que não a conhecia,parecia estranho que ela quisesse ser carinhosa de alguma forma.No entanto,ele não se manifestou quanto a isto e permaneceu quieto.

— Acho que devo lhe dar os parabéns,pois foi o primeiro homem capaz de me fazer chegar ao ápice. — Sussurrou ela em tom libidinoso ao sorrir.

A expressão fria e desinteressada do rapaz não se alterou quando ele respondeu:

— Se eu o fiz;foi por puro acidente.

A prostituta riu;o tom levemente rude de seu cliente não pareceu ofendê-la.Ao contrário,ela ampliou seu sorriso e continuou:

— Eu sei,e é justamente por isso que estou tão intrigada.

O jovem não respondeu,no entanto,a garota parecia disposta a continuar a tentar bater papo com ele de alguma forma.

— Estou curiosa á seu respeito.Ouvi algumas das demais meretrizes dizer algo sobre você ser um andarilho...De onde vem exatamente?

O rapaz suspirou pesadamente,demostrando clara impaciência.A insistência da prostituta em querer quebrar o confortável silêncio que preenchia o quarto,estava-o irritando profundamente.Porém,ele decidiu prosseguir e dialogar com ela,esperando que ao fazê-lo,ela se desse por satisfeita e se aquietasse.

— Vim de muitos lugares diferentes.Alguns longe daqui,outros nem tanto...

— E o quê o trouxe á Arendelle?

— Nada em especial.Apenas peguei uma trilha após minha última passagem por um reino vizinho que ao acaso acabou me trazendo aqui.

— Têm visto algo que o atraiu?

O rapaz negou com a cabeça ao responder:

— Não.Este reino não é muito diferente dos demais em que já estive.

— Há quando tempo está aqui?

— Há duas semanas.

— Pretende ir embora logo?

— Não sei...talvez.

A meretriz calou-se por um momento enquanto ponderava sobre o que fora dito por seu cliente desconhecido.Ele olhou-a em expectativa,rezando mentalmente para que ela tivesse finalizado a conversa ali.Ele definitivamente não estava a fim de bater papo com uma mulher estranha.

No entanto,o rapaz teve suas esperanças de desfrutar do acolhedor silêncio que residia ali destruídas quando a mulher voltou a se pronunciar:

— Andarilho...está já é a terceira vez que vem aqui em apenas duas semanas.E você sempre escolhe á mim para satisfazê-lo.Existe algum motivo específico por trás disso?

O rapaz olhou-a com certa curiosidade por um momento e pensou sobre as palavras da meretriz.Ele pôde notar que a garota demonstrava genuíno interesse em querer saber se havia algo nela que o atraia de alguma forma.A maneira como ela o olhava era quase intimidadora,pois havia ternura em seus olhos castanho-chocolate,algo que não era típico de uma prostituta para com seu cliente.De todas as meretrizes com as quais ele já se deitou,esta em especial fora a primeira que agiu carinhosamente com ele,a ponto até de perguntar coisas pessoais sobre sua vida.No entanto,ele não estava nenhum um pouco interessado em manter qualquer tipo de relacionamento com uma prostituta,e a ideia de que ela poderia estar nutrindo algum tipo de sentimento romântico ou afetivo para com ele,era-lhe totalmente inaceitável.

Por fim,ele respondeu com um suspiro,não medindo o tom grosseiro em sua voz:

— Não.Inclusive,se não tivesse me contado que já estive com você antes,eu mesmo não teria notado.Para mim,não há variação em prostitutas.Eu tenho vindo aqui com frequência por que este é um dos poucos prostíbulos em todo reino que possui um preço tolerável para mim.

A mudança de expressão da meretriz foi claramente trágica.Ela engoliu em seco e olhou-o firmemente.Ele pôde notar o quão suas palavras frias e rudes a feriram,no entanto,ela,mesmo com tristeza e decepção transbordando no olhar,sorriu simpaticamente e perguntou:

— Posso saber seu nome,Andarilho?

Ele não respondeu de imediato e ficou apenas a olhá-la,perguntando-se se deveria dizer-lhe seu verdadeiro nome ou simplesmente criar um para que ela não pudesse encontrá-lo caso viesse a tentar procurar por ele algum dia.

No fim,ele acabou por não pensar muito sobre isso e respondeu:

— Frost.Jack Frost.

A mulher arqueou a sobrancelha esquerda,no mínimo divertindo-se com a resposta recebida.

— Frost? Este é seu verdadeiro nome?

Jack apenas confirmou com a cabeça.

A mulher sorriu.

— Prazer em conhecê-lo,Jack Frost.Eu me chamo Valentina.

Jack não respondeu,apenas ficou a fitar o belo rosto de Valentina.Agora,mais do que nunca,ele pôde notar que ela de fato estava interessada nele.A ideia antes lhe soava desagradável,no entanto,se com isto ele poderia usufruir de seus dotes sexuais e tê-la a sua inteira disposição quando bem quisesse e sem ter de pagá-la,Frost pensou que ter uma meretriz apaixonada por ele não seria algo tão ruim assim.

Por fim,ele repuxou um pequenino sorriso no canto dos lábios e retirou uma mecha dos cabelos ondulados e negros de Valentina de sua face.Ela pareceu gostar do pequeno gesto,pois sorriu amplamente e olhou-o em expectativa,com os grandes olhos expressivos brilhando intensamente.

Jack,ainda sorrindo,suspirou e colocou-se sentado sobre a cama.Em silêncio,ele levantou-se e passou a recolher suas roupas espalhadas pelo chão do quarto;Valentina ficou a observá-lo.Ele vestiu-se e ao apanhar o cajado encostado na parede ao lado da porta,Valentina questionou:

— Irá voltar para me ver novamente,Jack?

Frost virou-se para a meretriz nua sentada sobre a cama com lençóis bagunçados e novamente suspirou,aproximou-se dela e fez-lhe um leve carinho no rosto corado.

— Sim. — Respondeu ele,esbanjando um singelo sorrisinho

— Quando? — A voz de Valentina era ansiosa.Jack notou isto e divertiu-se com a pressa eminente da morena.

— Logo. — Disse ele antes de se virar e sair pela porta,deixando para trás uma extasiada prostituta que suspirou apaixonada.Ao deitar-se novamente na cama,Valentina fantasiou o momento em que estaria outra vez com o belo e misterioso Jack Frost.