Notas iniciais
Aconselho ler esse capítulo ouvindo uma das minhas músicas favoritas: Certos Detalhes da banda Catch Side. Entrem no clima desse capítulo e desfrutem do que está para acontecer.

Meu maior medo sempre foi o mar. Esse medo sempre me dominou, mas ao mesmo tempo que eu temia as ondas, o som das mesmas me acalmava. Era paz, pura paz e nada mais. Eu poderia passar o resto da noite afofando o bumbum na areia, ouvindo meu groove e sentindo a maresia na pele, aquela sensação de pele melada, pegajosa, que na verdade só prova sua existência, que você está vivo.

– Ei! – Alguém sentou do lado quebrando meu “silêncio”.

– O que você quer? – Tirei um fone e respondi no mesmo tom grosso que estava já acostumada com Mateus.

– Nossa! Você é sempre grossa comigo. – Ele reclamou e jogou areia no meu cabelo. Ele estava bêbado.

Mateus tinha passado o final de 2013 me perturbando com mensagens sobre minhas amigas. Ele tinha descoberto que pessoas bonitas (como eu) andam com pessoas do mesmo nível (sem querer me gabar, minhas amigas) e desde então ele não parava com o sarcasmo e interesse para cima de mim: tudo por um par de peitos que ele tinha visto no meu instagram (o qual ele nem seguia). Mas foi só ver para ele lembrar da minha existência, obviamente isso me tirava do sério, porque eu sabia que no fundo a aproximação dele comigo nos últimos meses tinham sido por puro interesse, o que fazia com que eu me sentisse inferior a qualquer outra mulher no mundo, e eu não exagero quando digo isso, porque essa é a realidade das mulheres. Quando existe 1 homem que mexe com você, se você realmente sabe os reais interesses dele e como ele te olha, sabe que isso é capaz de acabar com auto estima e confiança, o que não era meu caso, eu aproveitava para fazer piada da situação do cara que eu desejava querer uma amiga minha, mesmo que isso me incomodasse.

– Você sempre me deu liberdade para fazer isso. – Eu comecei a rir do momento.

– Você quer dar uma volta na praia? – Ele cortou o momento.

Eu? Sério mesmo? Ele vai me afogar no mar ou bater minha cabeça nas pedras e me deixar largada na areia?

– Não.. – EU QUERIA SIM, BURRA. – Pode ir sem mim. – BURRA DE NOVO, VOCÊ QUERIA, AINDA QUER, VOCÊ ESPEROU POR ESSA CHANCE (não queria criar falsas expectativas).

– Vou com os moleques então. – Ele se levantou. – Você me espera aqui? – Ele se juntou com o grupo e foi andando.

– MATEUS! – Eu gritei e fiz com que ele voltasse.

– Mudou de ideia? – Ele me puxou para ir com ele.

– NÃO! – Eu exclamei e parei (contra a minha vontade). – Eu não vi o André... Onde ele tá? – Eu olhei para os lados. De repente eu estava perguntando do cara que eu estava fugindo.

– Arregou. – Ele começou a rir. – Antes de dar 22h ele subiu. Não disse nada, mas também não parecia bem. Relaxa, ele não tá te vendo. – Ele disse com um ar de que entendia que eu estava fugindo.

Sentei novamente na areia. Olhei atentamente o movimento das ondas. A vida é realmente uma brisa, você nunca sabe o que vem com ela. Eu estava me sentindo sozinha porque ele não estava comigo, me enchendo, ao mesmo tempo me sentia culpada por telo ignorado no dia do aniversário dele. Como eu era capaz de sentir desprezo e desejo ao mesmo tempo? As horas iam passando a cada música do shuffle. Cada uma com sua melodia, letra, início, meio e fim. Eu queria escrever minha própria música também, doce e sútil, com todas as minhas palavras preferidas (tipo jujuba).

Exatamente 1 hora de músicas e pensamentos, o que eu estava precisando, até eu avistar um grupo de meninos voltando para a frente do prédio. Ele tinha passado reto. Obviamente esqueceu que tinha pedido para eu esperar lá por ele e obviamente ele não se importava com isso. Burra fui eu de esperar que meu amigo sentasse do meu lado e se encantasse com algum defeito meu. Então antes que eles chegassem ao prédio, juntei minha bagunça e com os pés na areia tentei correr para chegar primeiro. O que eu realmente queria que tivesse acontecido.

– Onde você vai? – Mateus me puxou pelo braço e caímos na areia. – Eu falei para você esperar.