– Você que não me viu. – Empurrei ele para o lado.

– Então você ficou esperando. – Ele me puxou para perto.

– Óbvio que não. – Eu empurrei ele novamente (e menti, porque eu esperei sim).

– E aquela sua amiga? – Ele sorriu enquanto perguntava dela. Devia tá sorrindo imaginando ela. Ridículo. Me puxou para perto.

– Sai daqui vai. – Eu o empurrei novamente. – Você é irritante.

– Mas você nunca se incomodou, não é? – Ele abaixou o tom de voz e me puxou novamente.

Não tive vontade de responder. Ficamos alguns segundos em silêncio, tentei procurar palavras boas para retrucar, mas nada (absolutamente nada) passava por minha mente aquele momento. Foquei toda minha atenção no barulho do mar para ter certeza que era real, foram os 10 segundos mais longos da minha vida e foi um silêncio quebrado com sabedoria.

Quando me dei conta estávamos deitados na areia e o mais inesperado era que nossos lábios se encontraram. Quentes, macios, doces e alcóolicos. Como eu esperava, mais do que eu esperava. O corpo dele encostado no meu, na mesma intensidade, seguindo o mesmo ritmo na mesma harmonia. Aquele beijo sufocante, que não te deixa espaço para respirar e mesmo assim você não tem certeza que precisa respirar naquela hora. Intenso. O meu coração estava acelerado e eu sei que ele podia sentir. Era um puxa cabelo de um lado, apertões do outro. Parecia um filme adolescente (censurado). Eu queria aproveitar cada segundo que tinha para lhe dar carinho, antes que acordássemos dia seguinte sem trocar uma palavra. Aquele era o momento em que nossos desejos se correspondiam. Marte e Vênus num encontro explosivo, inédito.

– Eu a-acho que já preciso ir... – Eu quebrei o momento inventando uma desculpa para fugir (de novo, sempre fugindo).

– Mesmo? – Ele olhou dentro dos meus olhos. Que olhos.

– Minha ma-mãe, vai ficar preocupada. – Sério, você tinha que falar isso agora Priscila?

– Tudo bem então. – Ele se afastou de mim. Não falamos mais nada, eu apenas peguei minhas coisas e apressadamente sumi no prédio.

Respirei ao entrar no elevador. “Meu Deus”, como assim? O que acabou de acontecer? Acho que isso não é real, Deus me belisca, eu suplico. Fechei os olhos e percebi que era com aquele gosto que dormiria aquela noite. Eu fugi, eu não precisava ter fugido. CALMA, AINDA DÁ TEMPO. Desci novamente, respirei fundo antes de sair do elevador e para meu espanto, dei de cara com ele e os amigos ao abrir a porta.

– Onde você vai? – Ele perguntou surpreso. – Achei que tinha voltado pro seu apartamento.