“Peguei o André.” – Continuei a mensagem. – “Você sabe quem é André né? Aquele cara de 30 anos do 13º andar. Sim, aquele que vive sozinho. Eu queria, mas eu não queria, foi bom, ele é bonzinho, eu gosto dele.” Meu Deus, você leu o que você acabou de mandar para sua amiga? EU GOSTO DELE, a maior mentira de tudo. Eu sabia o nome do cara, a idade dele e você quer a verdade do por que eu fiz aquilo? Eu queria atingir quem no momento me atingia. CARACA, como eu sou babaca. Só conseguia pensar naquilo. O momento? Claro que valeu, mas comecei a pensar no depois. Na minha cara toda vez que esbarrasse com ele na piscina, as únicas coisas que ele sabia sobre mim eram: meu nome, meu andar e que eu tinha usado 10 anos de aparelho. Isso foi suficiente para ele roubar um beijo meu. Só que eu nem sabia se era isso mesmo que eu queria... NÃO CALMA, VOCÊ NÃO CASOU COM O CARA, foi só um beijo. Só um. E agora?

Me joguei na cama e fiz o que eu melhor sabia: dormi para esquecer os problemas. “Problemas” né? Eu não pago minhas contas, eu não tenho filhos para cuidar, eu não fui demitida do meu primeiro emprego, eu tava chamando um garoto qualquer que se acha O Deus grego (e na minha opinião ele é) de problema. Ser adolescente é foda. A gente transforma tudo em tempestade em copo d’água. Onde eu aperto para pular essa fase tão estúpida (porém a melhor) e casar com o Pedro de Menezes? (É esse ai que você pensou mesmo, esqueçamos que eu tenho 18 anos, mas eu fazia planos de casamento com um cantor, isso é normal? Eu espero que sim, caso contrário, me levem para o manicômio).

“COMO ASSIM?” – Acordei as 9h com uma mensagem de Natália. – “NÃO, CALMA, DEIXA EU VER SE EU ENTENDI, VOCÊ E O ANDRÉ? DESDE QUANDO?” – Sim, ela parecia mais surpresa que eu.

Desde quando? Desde umas horas atrás quando eu fui totalmente ignorada pelo meu eterno “crush”. Com um pouco menos de drama provavelmente, mas essas coisas, a gente só justifica de uma forma:

“Ah... rolou.” – Eu não sabia o que falar. Bloqueia, e bloqueia pra sempre dessa vez. Bloqueia e chora, “chora novinha”. Talvez até amanhã eu esquecesse, se não fosse pelo fato de eu ter olhado pela janela e ter avistado ele na piscina. Pesadelo. E só pra piorar (veja como as coisas parecem nunca melhorar) começou a tocar aquela música, daquele cara que eu estava tentando esquecer. Mas sabe como é... Esquecer alguém já é difícil, imagina quando essa pessoa está no seu twitter, no seu facebook, no seu instagram e pra quem achou pouco ou muito “normal”, o cara tá na capa da revista na banca, é febre teen do momento e a música dele? Infelizmente é chiclete: não sai de maneira alguma da cabeça.

Deus, você tá me ouvindo? Eu acho que não foram exatamente esses meus pedidos de ano novo...