A Verdadeira Face Do Amor 2 - Vida Nova!
3 Dose Tripla!
Notas iniciais
A manhã estava um pouco escura ainda, mas Ichigo já estava acordada. Acordou de madrugada para vomitar e não conseguiu mais dormir. Estava preocupada com o namorado. Por que ele a tratara daquela forma? Ela nem havia esperado para saber, estava com muito medo.
–Só faltava essa! Agora o seu pai vai começar a ficar bruto e mais mal-educado! – Ela dizia enquanto acariciava o ventre. Não dava para perceber que estava grávida, seu corpo ainda não mudara em nada, a única coisa que denunciava eram os vômitos constantes e o teste positivo.
–Bom dia! – Ichigo virou assustada. Estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu o loiro entrando. – Trouxe seu café, tudo que você gosta está aqui. – Ele sorria.
–Obrigada. – Ela respondeu sem emoção. Estaria feliz se sua preocupação não fosse tão grande.
–Ichigo, desculpa por ontem... Eu tava nervoso.
–Eu sei, mas você não precisa descontar em mim.
–É, eu sei. A faculdade está acabando comigo, parece que esses deveres nunca acabam.
–Ryou, se você virar arqueólogo, quase não vamos nos ver.
–É claro que vamos. Eu vou trabalhar igual o meu pai, ele estudava tudo em casa.
–Ah, então eu não vou ficar sozinha?
–É claro que não. – Ele se aproximou do rosto dela com aquele hálito de menta. – Eu nunca iria te deixar sozinha, eu já disse que você não vai se livrar de mim tão cedo. – Completou e deu um beijinho de esquimó nela.
Ichigo riu com aquilo. Costumava dar beijinhos de esquimó com seus pais, e isso deveria deixá-la triste por lembrar, mas estar com Ryou significava segurança e felicidade para ela.
–Vamos, você precisa se alimentar e nós ainda temos que ir no médico. – Ele saiu sorrindo, vendo que tinha ganhado a luta.
Ichigo comeu tudo que estava na bandeja, estava morrendo de fome dessa vez. Entrou no banheiro e tomou um banho rápido, colocou um vestido rosa claro e uma sapatilha. Ichigo olhou para o calçado sem salto, suspirou sabendo que estaria bem menor que o namorado. Se bem que... Ela poderia usar um salto alto, e o namorado continuaria bem mais alto que ela sem se abalar.
–Estou pronta.
–Ótimo, você está linda. – Sussurrou em seu ouvido – Mas é melhor colocar uma calça, não quero que o doutor levante seu vestido, você ainda é minha!
–Você não disse que ele era de confiança? – Zombou do namorado.
–Ele faz um bom trabalho, mas pode muito bem ser um velho tarado. Vá se trocar, por favor.
Ichigo subiu as escadas novamente. Não tinha pensado nessa parte, teria que mostrar a barriga, havia sido descuidada... Colocou agora uma calça jeans e uma blusa rosa com rendinha brancas.
–Não importa se você põe vestido ou blusa, sempre tem que ser rosa! Essa, com certeza, é sua cor! Vamos. – Passou o braço pelos ombros dela e foram em direção ao carro.
Ryou dirigia muito rápido, o que fazia Ichigo ficar um pouco enjoada. Achou melhor não comentar nada, sabia que se fossem correndo aquilo acabaria mais rápido, ele estava tentando melhorar o lado dela. Ichigo fechou os olhos e ficou calada, assim não veria borrões e não sentiria nada saindo de sua boca.
–Pronto, já chegamos.
–Finalmente! Eu não agüentava mais apertar os olhos. – Comentou abrindo os olhos cheios de lágrimas pela força. Ryou deu uma risada gostosa pelo comentário.
Entraram no hospital e foram atendidos imediatamente. Ichigo tentou recuar na hora de entrar na sala, mas Ryou empurrou-a de volta.
–Bom dia, senhorita. Vejo que não gosta muito de hospitais. – Comentou o doutor divertido.
–Você acha? – Ichigo pergunta olhando todos os instrumentos de “tortura” na sala.
–Eu tenho certeza disso, mas não se preocupe, eu vou ser muito cuidadoso e tentarei não assustá-la.
–O senhor não precisa fazer nada para ela se assustar, Ichigo é uma gata assustada. – Ryou fez piada, baseando-se no segredo de que ela podia se transformar em gata. Ichigo lançou um olhar mortífero.
–Venha, senhorita. Deite-se aqui. – Apontou para uma “cama” com mais instrumentos de tortura e uma luz forte que bate nos olhos.
Muito a contragosto, Ichigo deitou ali, o doutor subiu sua blusa, de forma que escondesse apenas os seios, e passou um gel. Olhou imediatamente para a telinha que tinha no consultório.
–Você disse que ela estava grávida de um bebê? – Perguntou o doutor, um pouco espantado com o que via.
–Sim. – Respondeu Ryou prontamente. – Por que? Tem alguma coisa errada com meu filho?
Ichigo se assustou na mesma hora. Tudo bem que estivesse com medo da criança, mas não queria que nada acontecesse ao bebê. Seu instinto materno voltava a agir depois de tanto tempo adormecido.
–Não, não tem nada errado com o bebê... Ou devo com dizer com os bebês?
–Os bebês?!? Mas não era só um? – Pergunta Ichigo.
–Parece que teremos gêmeos! – Ryou quase pulava de alegria.
–Parece que terão trigêmeos! – O doutor parecia calmo, o que não combinava em nada com o estado do casal.
–Três? Tem certeza, doutor? – Ichigo perguntou, já que Ryou não tinha condições de falar mais do que “três!”
–Sim, tenho certeza, são três crianças. Infelizmente, ainda não dá pra saber o sexo dos bebês, mas é bem capaz que sejam todos do mesmo sexo.
–Ryou?
–Hum?
–Acho que vamos mesmo precisar de uma casa grande... A casa dos seus pais é bem grande, né?
–Há, sabia que no fim eu tinha razão. – Era só dar a mão e Ryou queria o pé... Pronto, agora iria tirar sarro dela dizendo que sempre estava certo.
–Ninguém merece! – Resmungou Ichigo, enquanto o doutor dava uma risada.
De repente ele ficou sério.
–Vocês sabem que quanto mais bebês, maior é o risco da gravidez?
–Ichigo está numa gravidez de risco? – Ryou parou de sorrir no mesmo instante.
–Sim, de certa forma. É perigoso para as crianças também, uma pode receber mais nutrientes do que as outras, enfraquecendo-as, e isso tiraria muito nutriente da mãe também. – Ele girou a cadeira para uma mesinha e pegou um papel, escreveu uma receita médica, virou para Ichigo e entregou o papel. – Tome esses comprimidos, vão ajudar a te manter saudável e as crianças.
Ele entregou uma toalha úmida para Ichigo limpar a barriga, ela levantou-se, arrumou a blusa, agradeceu e rumou para longe dali sem ao menos esperar o loiro.
–Hey, não vai mesmo me esperar? – Ele perguntou sorridente.
–Três! Três filhos, três crianças correndo pela casa, três crianças crescendo dentro de mim! – Ela começou a chorar, Ryou abraçou-a confortando.
–Isso é ótimo! Quando eu disse que você não podia me dar presente melhor, você melhorou o presente! Eu te amo, te amo, te amo!
–Eu também te amo! – Ela beijou suavemente os lábios do namorado – Mas isso não torna a situação pior? Quer dizer, mais trabalho.
–Por falar em pior, é melhor comprarmos o remédio. – Com a mesma mania de abraçar-lhe as costas, encaminhou-a para o carro.
Ryou não correu dessa vez, permitindo que Ichigo mantivesse os olhos abertos.
“-Três filhos... Três crianças... Três vezes uma barriga maior... Acho bom o Ryou gostar de garotas gordinhas...” – Pensava Ichigo.
Ryou parou na farmácia e Ichigo quis esperar no carro. Ele comprou o remédio e voltou ao carro rapidamente.
–Pronto, você só precisa tomar de doze em doze horas. – Depositou um beijo rápido nos lábios de Ichigo e deu partida no carro. – Agora é só irmos pro café.
–Até quando eu posso trabalhar?
–Se quiser, pode parar agora.
–Em outras ocasiões eu teria aceitado e ficado muito feliz, mas agora eu não posso. Se eu ficar em casa vou me sentir doente, não gosto de ficar trancada.
–Como queira, amor.
Ichigo levou um susto com aquela palavra. Ryou não era de demonstrar afeto desse jeito. Tudo bem que preferia ações, como proteger e beijá-la, mas não usava muito as palavras. Embora ultimamente ele tenha estado bem mais carinhoso... Aaahhh! Diziam que quando um homem estava amável desse jeito é porque tinha uma amante!
–Não acredito que ele está me traindo... Ah, mas ele me paga! – Murmurou consigo mesma.
–Que? Disse alguma coisa, Ichigo?
–Não, não... Só estou fazendo umas contas aqui. Veja, se já dá pra saber que eu to grávida, então já devo estar de um mês, mais ou menos, né?
–Hum, deve ser. Bem, mais uns oito meses e teremos crianças em casa. Teremos uma família completa. – Ele parou o carro e virou-se pra ela. Inclinou o corpo até tocar seus lábios com os dela.
Ichigo sentiu um arrepio ao sentir aquele singelo contato, que logo mais se aprofundou. Ela sentia a língua dele invadir sua boca, e depois beijos profundos e quentes no pescoço. Não conseguia pensar em como ele teria coragem de traí-la, não com aqueles lábios em sua boca e pescoço.
Teve um surto de memória e empurrou levemente.
–Hum... O que foi agora, Ichigo? – Ele parecia mal-humorado.
–Nós estamos em frente ao café, e ele parece estar cheio, tenho que ir ajudar as meninas. – E saiu correndo do carro.
Ryou apenas suspirou e seguiu a ruiva com passos mais calmos.
A tarde passou muita rápida, as meninas corriam de um lado para o outro, com exceção de Mint que tomava seu chá. De repente uma surpresa:
–Mãe! – Hayato, de três aninhos, entrava eufórico no café. – Pai.
–Quem me chamou? – Perguntou o alien.
–Não, eu to chamando meus pais. Cadê eles? – Perguntou o pequeno de cabelos castanhos e olhos roxos.
–Seu pai está na cozinha e sua mãe foi buscar um pedido. O que você ta fazendo aqui? – Perguntou Ryou.
–Vim visitar, minha babá me trouxe. – Deu de ombros e foi em direção a cozinha. Podia-se ver os mais velhos abraçando a criança, dando beijinhos em seu rosto.
Logo Zakuro, que sempre fora a mais fria e calculista do grupo, tornou-se a mulher perfeita aos olhos de qualquer homem que quisesse uma família. Bela, inteligente, gentil, carinhosa, tinha sucesso na carreira.
–Eu to cansada, quero um banho! – Reclamou Ichigo.
–Duas. – Concordou Lettuce.
–Vocês duas são muito molengas, precisam de mais energia, deveriam começar algum esporte... – E lá se ia o pouco sossego delas, Pudding começara a falar, não pararia mais.
–Ichigo, hoje você foi no hospital, não é? – Perguntou Mint enquanto se trocava.
–Sim. Vocês não vão acreditar!
–O que foi? – Lettuce parecia assustada.
–Estou esperando trigêmeos. – Ichigo suspirava, estava tão cansada que sua boca mau se mexia. Olhou de relance para as amigas. Boquiabertas.
–Parabéns! – E começaram a comemorar.
–Parabéns, nada! Acho que o Ryou pode estar me traindo. – Desabafou a amiga.
–Você achou roupa com marca de batom? – Pudidng não parecia mais a menina alegre, e sim uma adulta preocupada.
–Não, Ryou seria cuidadoso com esse tipo de coisa. É só que ele está muito carinhoso, até mesmo com palavras, e isso não é normal dele. Dizem que quando um homem fica tão carinhoso assim do nada é porque ele pode estar traindo.
–Ichigo, eu não acho que ele faria uma coisa dessas. Ele gosta muito de você e você sabe disso. – A Zakuro fria voltara. – Você lembra muito bem como ele ficou quando o Masaya te traiu, ele abomina isso. Vou sair, tchau meninas. – Deu um abraço apertado em Ichigo, mostrando-se novamente carinhosa – Se cuida, Ichigo, e parabéns!
Olhou para as amigas restantes no vestiário, olhavam meio estranhas para a ruiva.
–Talvez a Zakuro tenha razão... – Disse Mint. Ichigo a fuzilou com o olhar – talvez, só talvez! – Emendou.
A ruiva suspirou pesadamente para as amigas. Sabia que todas tinham a mesma opinião, será que ela estava paranóica?
–Eu vou fechar o café hoje, podem ir mais cedo.
Minutos depois só restavam Ichigo, Keiichiro e Ryou no estabelecimento.
–Achei que você fosse embora com a Zakuro.
–Ela ia para uma sessão de fotos noturnas, não quero ficar sozinho! – Respondeu com um sorriso lindo. – Aliás, fiz um bolo para comemorar sua gravidez, espero que goste.
–É impossível não gostar dos seus doces... Mas não deveríamos comer quando as outras estivessem aqui?
–Não, esse bolo foi feito só pra você.
Keiichiro mostrou o bolo. Chocolate, coberto com cauda de cereja e granulados rosas, sem falas do escrito em glacê vermelho: Parabéns, Ichigo! Serão todos muito bem-vindos à nossa grande família!”em uma letra grande e elegante. Os olhos encheram de lágrimas.
–Que lindo! Own, você é um amor, Keiichiro! – Disse dando um beijo estalado na bochecha do moreno. Ele sorriu docemente e Ryou fechou a cara. Abraçou a ruiva pelas costas e sussurrou:
–Não vai provar o bolo?
Ichigo nem respondeu, colocou uma fatia no prato e comeu com vontade.
–Hum... Ixo ta ótximo! – Elogiou de boca cheia. Keiichiro e Ryou deram risada. Ela engoliu. – Desculpa.
Passaram duas horas conversando sobre os bebês, os nomes que gostariam de dar. Ichigo não tinha certeza se queria um nome japonês, queria colocar nomes americanos em homenagem ao namorado que cresceu nos Estados Unidos.
–Não, colocaremos nomes japoneses, vamos manter a tradição! – Discordou o loiro.
–Quero nomes fortes, com bastante significado. Fico me perguntando se serão todos do mesmo sexo, assim é difícil escolher nomes! – Ichigo se mostrava meio brava.
–Calma, ainda estamos no começo da gravidez, teremos muito tempo para pensar nisso. Bem que o pessoal podia ir dando idéias...
–Vocês poderiam homenagear os pais da Ichigo, eles têm belos nomes.
A ruiva olhou de relance para Keiichiro, os olhos marejaram com a lembrança dos pais.
–Desculpa, Ichigo, eu não tinha a intenção de entristecê-la. – Pediu o moreno. Ela olhou fixamente para ele com um sorriso triste.
–Tudo bem, eu já me acostumei mesmo. Você tem razão, eles tinham nomes bonitos... Mas quero algo ainda mais forte... Podíamos homenagear seus pais, Ryou.
–Não sei se é uma boa idéia... Li uma vez que se você coloca nos seus filhos o nome de seu marido ou de seus pais, é porque, inconscientemente, espera que seus filhos sejam iguais a pessoa de mesmo nome.
–Hum, então não vamos homenagear ninguém? – Perguntou Ichigo na dúvida.
–Melhor não, mas sei lá, você quem decide.
–Nunca achei que escolher nomes fosse tão difícil! Sem falar do casamento, ainda não decidimos praticamente nada sobre isso!
–Precisam pensar logo sobre isso se querem casar na primavera, em algumas semanas as flores vão começar a se abrir.
–Você nos ajuda, Keiichiro-kun? – Ichigo fez sua melhor cara de cão sem dono, opa, gato sem dono para convencer o moreno.
–Você sabe que não precisa fazer essa expressão, eu ajudaria de qualquer forma.
–Ah, obrigada, Keii-kun!
–Keii-kun? Que tipo de apelido é esse? – Ryou estava com ciúme da cena fofa entre o amigo e a namorada.
–Ah, seu bobo, eu te amo, não pensa besteira!
–Vamos pensar nesse casamento logo. Você quer a decoração rosa, Ichigo?
–Não sei, estava pensando que ia ficar feminino demais e também deveria ter uma cor pro noivo. Vermelho e azul combinam com você.
–Você acha? Essas são as cores que mais combinam comigo?
–Não, a cor que mais combina com você é preto, porque todas as suas roupas tem alguma coisa preta. Infelizmente, preto num casamento fica muito velório.
–Podiam fazer rosa e vermelho. – Propôs Keiichiro. Ichigo ficou olhando o nada, séria.
–Ichigo, o que você tem? Ta se sentindo mal?
–Não, eu só estava imaginando uma decoração rosa e vermelha... Até que fica bonita, mas acho que rosa e azul combina mais com a gente.
–As cores já estão decididas, o local também, os convidados serão apenas as pessoas mais próximas e só falta escolhermos os convites e roupas.
–Eu estava pensando, tem algum problema se eu falar com minhas amigas da escola?
–Você ainda fala com aquelas duas garotas? Nunca mais te vi conversando com elas... – Ryou disse pensativo.
–Falo sim, é que eu prefiro ficar sozinha pra te esperar. – Mentiu a ruiva. Keiichiro bocejou.
–Certo, gente, eu acho que já posso ir pra casa, to com sono. Boa noite, nos vemos amanhã. – Disse beijando carinhosamente a mão da ruiva e foi embora.
–Ele não perde essa mania de beijar sua mão. – Ryou disse com um sorriso mínimo no rosto.
–Ele é um cavalheiro desde o primeiro dia em que nos vimos, gosto disso nele.
–É claro que gosta. Acha que eu não sei que você gostou primeiro dele que de mim quando nos conhecemos.
–Você me empurrou de uma árvore! – Disse emburrando e virando o rosto. Ryou depositou um beijo suave na bochecha dela.
–Te amo!
Ichigo sentiu o corpo amolecer e o coração esquentar com aquela declaração. Lembrou das suspeitas que tinha, talvez Zakuro tivesse razão, Ryou abominava a traição.
–Eu também te amo, muito! – Abraçou o namorado e sorriu com o cheiro de menta, como gostava dele!
–Vamos embora, já está tarde.
Ichigo trancou o café e acompanhou o namorado até o carro.
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