Notas iniciais
Desculpa o atraso again?

Ichigo acordou cedo de novo graças aos enjôos. Ficou de certa forma aliviada que seu namorado não podia ouvi-la por dormir no outro quarto. Isso ficou combinado, dormiram no mesmo quarto apenas depois do casamento. Não que tivesse feito muita diferença...

A ruiva escovou os dentes e desceu até a cozinha para comer alguma coisa. Pegou um mousse de maracujá.

–Desse jeito vou acabar engordando mesmo.

Aproveitou o momento para já tomar o remédio que o médico havia passado e ficou acordada assistindo televisão. Das sete da manhã até as dez, ficou vendo uma maratona de Tom & Jerry.

–Se fosse eu já teria acabado com esse rato! – Disse lembrando da primeira vez em que se transformou... Para salvar Aoyama. Sentiu lágrimas invadirem os olhos. Não chorava por amá-lo, mas sim por estar ainda magoada pelo que ele fez com ela. Era incomodo saber que um dia foi traída pela pessoa a quem entregou a vida. Enxugou o pouco de água que se formou nos olhos e foi acordar o futuro marido.

–Ryou, as férias estão acabando, preciso comprar meu material.

Ele jogou o travesseiro no rosto.

–Eu não acredito que você está me ignorando! Acorda agora mesmo!

–Ichigo, todos os dias eu te dou toda a minha atenção, me deixa dormir um pouco mais só hoje...

–Não, me deixou mal acostumada, agora agüente!

Ele suspirou e levantou. Seus cabelos já acordavam arrumados e a cara mostrava sono, mas não ficava amassada. Como isso era possível?

–Quando suas aulas começam?

–Daqui a uma semana.

–Vai se trocar, eu já vou me arrumar.

Ichigo tomou um banho rápido e se trocou feliz, podia não gostar de estudar, mas adorava comprar o material. Quando voltou para o quarto do loiro, ele estava arrumado e jogado na cama dormindo de novo.

–Ryou, acorda...

–Eu não tava dormindo, apenas descansava os olhos. – Disse levantando e coçando os olhos. – Vamos.

Ryou no começo quase se arrastava, mas quando chegou perto da moto, mudou completamente. Seus olhos brilharam, seu corpo endireitou e todo o sono foi embora.

–Parece que você ama mais essa moto do que eu! – Disse Ichigo sendo ajudada por ele para sentar na moto.

–Você sabe que ela está comigo há mais tempo. Tenho uma história com ela!

–Haha! Muito engraçado, essa lata já me derrubou, lembra?

–Não foi culpa dela, foi daquele louco bêbado! Não põe a culpa na minha moto.

Ichigo riu daquela cena idiota e Ryou deu partida. Logo estavam no centro. Ichigo entrava em tudo quanto era loja de materiais e comprava várias coisas. Em um momento, Ichigo correu para dentro de uma loja, Ryou olhou para o lado e viu uma loja de bebês. Fixou os olhos ali, olhando cadeiras, berços, carrinhos, roupinhas. Era tudo tão pequeno!

–Ryou, vem, não me deixa sozinha!

–Foi você quem correu de mim. – Disse ainda olhando para a loja.

–Para o que você tanto olha? – Ela seguiu os olhos dele. – Ah, uma loja de bebês!

–É tudo tão pequeno... Qual será o tamanho dos nossos filhos? – Ele perguntava mais a si mesmo que para Ichigo.

–Provavelmente bem pequenos, já que são três.

–É, tem razão. – Ele mantinha toda a atenção na loja.

–Você quer ir dar uma olhada lá dentro? – Ela perguntou num tom de voz calmo demais para ela, entendo o que ele sentia.

–Não, vamos terminar de comprar seu material.

–Ryou, eu já tenho tudo que preciso, e hoje é sábado, vamos lá um pouquinho.

Atravessaram a rua e entraram na loja. Logo uma moça veio atendê-los.

–Os senhores estão esperando um bebê? Meus parabéns! Nossa loja é especializada em...

–Nós estamos dando uma olhada, obrigada. – Ichigo cortou-a. A moça percebeu que eles não queriam ninguém informando e se retirou.

–Se precisarem de mim, meu nome é Aya.

–Obrigada, Aya. – A moça sumiu de vista o mais rápido que pôde.

–Você não precisava ser mal educada, Ichigo, ela só queria ser gentil.

–Ela só queria ganhar dinheiro, isso sim! Se comprarmos algo com ela, ela ganha dinheiro, e não gosto que fiquem no meu pé.

–Nós vamos comprar aqui?

–Bem, nós vamos precisar comprar em algum lugar, e eu nem conheço outros.

–Não é melhor comprarmos nos Estados Unidos? – Perguntou com uma sobrancelha erguida.

–Mas não fica muito longe?

–Ichigo, nós vamos morar nos Estados Unidos. A casa dos meus pais é lá.

A menina deu uma batidinha na testa.

–É mesmo, eu esqueci. Mas, Ryou, você não acha que lá é muito longe do Japão?

–Se você não quiser ir, posso comprar uma casa aqui no Japão. – Ele disse suspirando.

A ruiva percebeu o quanto ele queria voltar pra casa. Tudo bem que não eram os mesmos materiais que construíram aquela casa antigamente, nem seriam as mesmas pessoas que morariam lá com ele, mas ele queria que a nova família dele vivesse lá.

–Sem problemas, eu só preciso melhorar meu inglês. Mas e o café? Como fica tudo por aqui? E a minha escola?

–Keiichiro vai ficar com o café, tudo aqui muda pra lá e você pode terminar a escola nos Estados Unidos. Eu te ajudo com a linguagem.

Ichigo suspirou resignada. Sentiria tanta falta daquele país, mas faria aquilo por Ryou, ele tinha feito tanta coisa por ela! Uma mudança não faria tanta diferença na vida dela.

–Vai ser legal morar em outro lugar... – Disse pensativa. – Como os Estados Unidos é?

–Bem diferente do Japão. Lá as pessoas não tiram os sapatos para entrar nas casas, o jeito de organização na escola é diferente, as pessoas e a forma de se vestir são muito diferentes.

–As pessoas não tiram os sapatos? Que coisa feia!

–É que lá não é tradição. Na verdade, lá eles nem mesmo tem tanta fé como aqui no Japão, por isso as tradições são meio raras lá. Pelo menos a ultima vez que estive lá era assim.

–Isso é estranho.

–Você acaba se acostumando. Olha esse berço, não é lindo?

–Ah, é tão fofinho!

Eles olhavam um berço branco com pequenos arabescos em relevo e mosqueteiro branco. No mosqueteiro tinham pequenos pontos prateados brilhando, era lindo!

–Acha que isso é um berço para um menino ou menina?

–Sabe que eu não sei... Deve ser tipo unissex. – Disse sorrindo. Ryou também sorriu.

–Vamos ao parque?

–Não posso ir na montanha russa.

–Por causa dos enjôos? – Ela assentiu. – Sem problemas.

Subiram na moto e chegaram rapidamente no parque.

–Onde você quer ir primeiro? – Perguntou abraçando-a pelos ombros.

–Sei que é infantil, mas quero ir no carrossel.

–Seu desejo é uma ordem, iremos agora mesmo ao carrossel.

A ruiva sorriu e os dois subiram na carruagem que continha no brinquedo. Ela não ria mais igual a quando era criança, mas soltava uns risinhos de vergonha de vez em quando.

–Por que está com vergonha?

–Porque eu vou ter filhos e estou em um brinquedo para crianças de cinco anos.

–Pois é, você é mãe e mães podem tudo!

–Own, obrigada, amor. – Abraçou-o e passou mais um tempo no brinquedo com ele.

Quando saíram do carrossel foram no tiro ao alvo, depois comeram algodão doce e beberam suco de laranja, foram no túnel do amor – que Ryou achou um nojo –, e seguiram para a montanha encantada.

–Sua vez de escolher, Ryou. Onde você quer ir?

–Na casa assombrada.

Não quer ir, não! – Gritou em pânico. Olhou em volta corada. – Você sabe que eu tenho medo!

–Mas é minha vez de escolher. – Disse fazendo careta. – E não quero ir sozinho. Você não precisa ficar com medo, eu vou estar perto de você.

–Ryou, eu tenho medo, não quero ir!

–Vamos, vai ser legal. – Disse arrastando ela. Quando chegaram na porta foram barrados.

–Desculpe, a casa já está fechando, só estamos esperando as últimas pessoas saírem.

–Tenho passe vip para entrar a qualquer momento. – Entregou um bilhetinho para o segurança e este deu passagem.

–Eu preferia que ele tivesse feito o trabalho dele e não nos deixasse entrar.

–Relaxa.

Ichigo viu aos sustos fantasmas passando bem no meio dela. Gritava a cada ilusão que aparecia e desaparecia a sua frente. Suas orelhas e o rabo já estavam para fora. Estava muito escuro, e nem com a visão de gata que tinha não conseguia enxergar Ryou.

Sentiu quando algo passou em sua mão. Com certeza não era a mão de Ryou, nem a roupa, nem nada que se referisse a ele. Era gelado, com uma sensação cortante quando entrava em contato com a pele.

–Momomiya-san, me ajuda! – Ela arregalou os olhos.

–Ryou? Onde você tá?

Nada, silencio completo.

–Ichigo, me salva, eu preciso de você.

Aquela voz, era ele, de novo! Quem é vivo sempre aparece, né? Mas ele já não morreu uma vez? O que ele era, um alien ou um gato de cem vidas?

–Ryou, por favor, me responde!

Ela sentiu alguém se aproximando. Viu na escuridão um espectro esverdeado. O coração disparou e suas mãos suaram frio. O espectro se aproximou o suficiente até que ela pudesse ver os olhos azuis brilhando, mas brilhando de verdade!

–Por que você ta fazendo isso comigo? Por que preferiu ele, se eu podia te dar o mundo? O que ele pode te dar? Apenas um monte de filhos! Por que está com ele se amou primeiro a mim? – Ele gritava para ela.

–Para, por favor. – Ele segurou os ombros dela e apertou com força.

–Você deveria estar comigo!

–Você me traiu. Eu fui fiel o tempo todo, eu amei você de verdade e você me traiu! Aaaahhh! – Gritou quando ele apertou com ainda mais força nos ombros. Ela caiu de joelhos no chão. – Ryou,por favor, me escuta. – Ela implorava, os olhos estavam fechados com força.

–Ichigo? Ichigo, me escuta.

–Ryou? – Ela abriu os olhos e se viu agarrada ao braço dele, em pé.

–O que foi?

–O que aconteceu?

–Bem, nós entramos aqui, você fechou os olhos e não abriu nem por um minuto. Você nem me respondia, ficou com raiva de mim?

–Não! Onde está Deep Blue?

–Deep Blue? Ele não deveria estar aqui, você o viu? Mas você nem abriu os olhos. – Ele tinha certa confusão em seu olhar.

–Eu não tenho certeza, acho que foi uma ilusão, mas... Eu não estou ficando louca, nem tenho pensado nele.

–Vai ver ele está te influenciando. – O loiro suspirou. – Tenho que ficar de olho em você, quando eu não puder, outra pessoa ficará.

–Ryou, não quero me sentir uma criança com babá.

–Posso pedir para que Pudding e Taruto fiquem com você, assim você será a babá deles.

–Não sei se seriam de muita ajuda caso algo acontecesse.

–Você só pode estar brincando! Pudding é cheia de energia e nunca desiste de uma luta, e Taruto é um dos únicos aliens no universo que controla as árvores, sem falar das suas habilidades! Com isso você tá feita. Além do mais, é só o tempo que eu estiver na faculdade.

Ela endureceu a expressão. Não queria ser deixada de lado, sentiu muito medo e precisava de todo o apoio dele.

“Ora, mas ele sempre me apóia em tudo! Como posso pensar em tirar o estudo dele, é uma das coisas mais importantes para ele.”

–Tudo bem, eles são bons e qualquer coisa eu chamo as outras meninas.

Ryou sorriu largamente para a menina, isso tinha se tornado mais comum entre eles, embora quando outras pessoas estivessem perto ele continuava sério e irônico.

–Vem cá. – Ele a puxou para um abraço apertado, ela podia sentir o cheiro amadeirado dele. – Eu te amo, você sabe disso, não é?

–Você não é de usar palavras carinhosas comigo, o que está acontecendo com você?

–Só quero que você entenda que te amo de todas as formas. Com ações demonstro que te amo fisicamente, e com palavras mostro que amo seu jeito doce e animado. – Ele apertou mais, se é que era possível.

–Também te amo. – Sussurrou a ruiva.

–Vamos pra casa, você precisa descansar.

–Você também precisa. Além disso, eu não quero te largar.

Ele deu uma risada entre o abraço dos dois.

–Também não quero te largar, mas você tem horário para tomar remédio.

–Benditos sejam esses remédios! – Disse ironicamente jogando as mãos para o alto. Ryou sorriu e a abraçou pela cintura.

Ryou dirigia calmo, mas com um semblante sério. Ichigo se perguntou se ele estava pensando sobre o acontecimento de Deep Blue. Suspirou baixo, Ryou achou melhor não perguntar, aquilo iria acabar deixando o clima pesado.

Ryou subiu para tomar banho e Ichigo foi fazer chá para eles. Sorriu ao ver o loiro apenas de calça de moletom na porta da cozinha.

–Você quer chá de que?

–Morango.

–Morango? – Perguntou meio decepcionada.

–O que tem demais com o morango?

–Você me ama tanto que tudo o que quer é de morango. – Disse fazendo bico.

–Como se você não gostasse disso. – Ele sorriu e se aproximou. – Eu sei que adora quando eu faço isso, quando tudo que faço é baseado no meu amor por você. – Ele a abraçou pela cintura e beijou o pescoço.

–Sim, eu gosto um pouquinho... Mas eu tenho que terminar o nosso chá! – Se afastou abruptamente sorrindo, virando para a pia e colocando a água quente em duas xícaras. Colocou o saquinho com pó de morango em uma xícara e hortelã em outra. – Aqui está a sua.

–Achei que iria pegar de morango também.

–Hortelã me lembra você.

–Eu? Tem mais haver com a Mint.

–Aquelazinha também, mas gosto de como você cheira a hortelã. – Ela sorriu.

–Assim meu ego vai ficar inflado.

–Você quer dizer mais, né?

Ele fechou a cara e ignorou o comentário dela, embora concordasse por dentro. Ela sorriu feliz novamente e tomou um gole. Ele imitou o gesto.

Passaram um bom tempo tomando chá, mesmo depois dele já ter esfriado. Apreciavam a companhia um do outro, precisavam aproveitar o tempo que tinham juntos.

–Acho que vou dormir. – Disse o loiro levantando da cadeira.

–Já? Mas ainda está tão cedo.

–Você também precisa descansar. – Ele estava na porta. – E não esquece de tomar o remédio!

Ela suspirou quando ele desapareceu e levantou. Depois de colocar toda a louça na pia, subiu para o quarto e tomou um banho. Deitou na cama, sentindo o colchão macio sob seu peso e o travesseiro afundar com os cabelos espalhados por ele.

Aquela sensação fria e cortante apareceu de novo. Algo segurou a cintura dela.

–Ryou? – Perguntou apertando os olhos numa esperança positiva... E em vão! A mão apertou com força descomunal sua pele coberta pela camisa do pijama. – Ryou... Não brinca! – Pediu manhosamente.

–Ichigo-chan! Senti saudades! – Sussurrou Deep Blue.

Ichigo abriu os olhos assustada e pulou da cama. Fechou a porta do quarto e correu para o de Ryou.

–Ichigo? O que você tá fazendo aqui? – Ele perguntou preocupado e sonolento.

–Deep Blue! Ele apareceu de novo, no meu quarto. – Murmurou em desespero.

–Eu vou dar um jeito nisso agora.

Ele levantou furioso da cama e ela tentou agarrar o braço dele, que escorregou e gerou um arranhão. Ele olhou confuso para a ruiva.

–Não vai lá, por favor.

–Qual é o problema? Me deixa resolver logo isso.

–Não! Eu tenho medo, não quero que te aconteça nada.

–Não vai me acontecer nada. – Ele andou até a porta. – Você não vem?

Ela piscou um pouco e correu até ele.

–Ele só aparece quando eu to com medo ou sozinha, não vou me arriscar! – Ele riu e os dois se encaminharam para o quarto.

Ryou checou todo o lugar. Apagou a luz, saiu do quarto deixando Ichigo sozinha, com uma frestinha da porta aberta para que pudesse espiar.

Nada aconteceu. Ele entrou frustrado e Ichigo tinha um olhar confuso.

–Era pra ele ter aparecido!

–Acho que isso é tudo da sua mente. Em nenhuma das vezes que você viu ele, eu não vi.

–Está me chamando de louca? Eu vi ele!

–Eu não disse que não viu, só disse que sua mente pode estar pregando peças em você.

–Ryou, você tem que acreditar em mim, você sabe que ele é poderoso, pode estar se ocultando de você.

Ele suspirou e olhou novamente para o quarto. Fitou demoradamente o rosto da noiva.

–Vem dormir comigo, você vai descansar melhor.

–Se você me deixar descansar.

–Ichigo, não me provoca. – Ele sorriu e a guiou pelo ombro até o quarto.

Notas finais
Gostaram? Agradeçam a claubaptista, ela que me mandou um e-mail e me incentivou a continuar escrevendo e postando!