Notas iniciais
Ainda tem alguém aqui? É, eu sei... Demorei de novo!
Gomen, meninas. É que as férias chegaram e, bem, eu só tive capacidade de assistir animês curtos, jogar videogame (NARUTOOOOO *-*) e comer... E olha que felicidade:ainda consegui emagrecer!
Então, pulando essa parte "legal", eu também tive um tempo meio tenso na minha vida... Acho que a maior parte das pessoas não leem as notas, mas acho importante deixar-lhes a par da situação.
Eu estava me sentindo muuuuuuuuuito gorda (o que piora quando eu estava perto das minhas amigas, que não passam de ossos -.-' huhasuahsuhas - elas me matam se descobrirem que escrevi isso). E o que eu fiz para resolver o problema? Induzi o vômito... Por quê? Sei lá, pessoas retardadas nunca têm uma resposta decente para isso.
Sou muito preguiçosa, então não tive paciência para praticar esportes. O fato é que eu consegui emagrecer, levei bronca de todo mundo que soube, fui tratada pelas minhas amigas como criança (e elas me obrigaram a comer um bolo de chocolate quase sozinha).
Maaaas, olha só, eu ainda estou saudável :D
De qualquer forma, só queria avisar que isso ajudou para que meu bloqueio voltasse, e até agora não passou direito. Mas espero que me desculpem (de novo -.-')
Kissus nos seus kokoros e agradeçam a Mi-chan, porque foi ela quem me trouxe de volta :D
P.S.: comecei um curso de italiano (um dos meus sonhos) e eu passei num sorteio da USP para fazer japonês *-* weeeee, vou explodir de felicidade!
KISSUS!
-Eu to atrasada! – Gritou descendo as escadas ao mesmo tempo em que colocava a blusa.
-Pelo menos aqui nos Estados Unidos você pode usar o fuso horário como desculpa.
-Engraçadinho... Será que...
-Sim, eu já fiz o seu café da manhã.
-Obrigada, Ryou.
-Eu te levo pra escola hoje, se quiser. – Ela parou o copo com leite perto da boca e olhou para o marido. Já estavam morando havia bons meses nos Estados Unidos e ele nunca se ofereceu para levá-la para a escola. Normalmente ela ia com o ônibus. – Não fique parada, vai se atrasar mais.
Ela virou o resto do liquido na boca e engoliu três torradas, se engasgando no processo. Escovou os dentes e colocou os sapatos. Pegou o material, correu para a garagem e entrou no carro.
-Desculpa te fazer esperar.
-Não precisa se desculpar, digamos que eu já esteja acostumado com seus atrasos.
-Eu também não era tão atrasada assim!
-Vivia chegando tarde ao serviço.
-Só presta atenção na estrada, vamos esquecer o que já passou.
O caminho foi silencioso, mas agradável. Ichigo adorava estar perto do marido. Claro, quando ele não estava enlouquecendo-a de raiva. O humor da ruiva até que não tinha oscilado muito nos últimos dias, ela estava quase normal... Não que algum dia ela realmente tenha sido normal.
-Chegamos.
-Obrigada por me trazer.
Ichigo reparou que várias pessoas ficaram de olho no carro vermelho chamativo que estacionou em frente à escola, e consequentemente era o carro que ela estava.
-Acho que vai ser o centro das atenções.
-Preferia continuar invisível.
Ele sorriu e a puxou para um beijo. Estava quase desistindo de ir trabalhar, só queria passar o dia inteiro perto da ruiva. Ela desgrudou os lábios dos dele e saiu do carro. Acenou vendo-o dar a partida no carro. Foi calma para a sala, conseguiu chegar a tempo graças ao loiro.
Ela usava uma pasta igual a de sua antiga escola no Japão, onde guardava todo o material. Sentia falta do uniforme cinza e bonito, agora usava qualquer roupa que achasse no guarda-roupa, e isso era bastante incomodo para alguém tão acostumada.
-Oi.
-... Oha... Oi. – Ela respondeu ainda pouco acostumada também com a língua. Era tão difícil falar inglês mesmo com os meses naquele país.
-Normalmente você vem no ônibus da escola.
-Eu acordei atrasada.
Aquela garota de corpo esculpido tinha os olhos verdes e o cabelo loiro com pontas rosa. Usava um top vermelho e uma saia curta preta. Os saltos finos a deixavam ainda mais alta do que já era.
-Seu irmão foi muito gentil em lhe trazer para a escola, mas por que não veio sozinha?
-Eu não tenho carro. Mas quem te disse que ele é meu irmão?
A garota quis responder, mas o professor entrou na sala com mau-humor quase visível e já começou a passar a matéria na lousa.
Ichigo já não era boa nas aulas naturalmente, com exceção de ginástica e educação física, com uma língua que ela quase não entendia ficava ainda mais difícil.
No intervalo ficou vendo algumas mensagens que suas amigas mandaram.
“Espero que tenha aprendido alguma coisa, ouvi dizer que os norte-americanos são muito inteligentes... Claro, não mais que nós japoneses.” – Dizia Mint.
“Ichigo, que saudades, espero que as férias cheguem logo para nos vermos.” – Mandou Lettuce.
“Ichigo-nii-chan, eu quero ver seus filhos! Sua barriga já tá grandona? Eu quero ver fotos, eu quero ver você T.T” – Pudding era tão dramática.
“... Acho que as outras Mews já mandaram todo tipo de mensagem, então fico sem o que mandar... Que tal: como vai? Tudo bem? Como andam as aulas? Acho que é só isso. Kissus!” – Renée nunca tinha realmente o que mandar, mas era engraçado ler as tentativas.
O sinal tocou e a ruiva sentiu as pernas doerem. Ficar tanto tempo na mesma posição era horrível. Uma das coisas que mais sentia falta era ficar andando pela escola com suas duas melhores amigas, Meg e Mimi.
Mais três aulas que iriam enlouquecê-la e depois era só pegar o ônibus e voltar para casa. Infelizmente, ainda teria que agüentar as três aulas.
Ichigo nunca sentiu tanta felicidade ao ouvir algum som estridente na escola. Foi uma das primeiras a sair da sala e correu para pegar o ônibus.
-Konnichiwa, Shirogane Ichigo.
Inicialmente ela se assustou, mas aquela voz maravilhosa e aqueles braços fortes eram inconfundíveis.
-Ryou! – Exclamou feliz. Virou-se e sentiu seus lábios serem capturados.
-Ah, está beijando seu irmão?
A ruiva olhou para a dona da voz e a garota estava tirando foto com o celular.
-Disse para ela que somos irmãos?
-Não sei de onde ela tirou isso. Veja, eu sou casada com ele.
-Mas você só tem dezesseis anos!
-Não sabia que conhecia minha esposa.
-Você não é o homem que está fazendo negócios com o meu pai?
Ichigo processou aquela informação: Ryou estava tratando de negócios com o pai da garota que mais se vestia como alguém sem respeito nenhum por si mesma... Aquela garota estava com um cheiro forte, de quem esteve se atracando com alguém.
A ruiva pôs a mão na boca. O cheiro dela estava deixando Ichigo enjoada. Ryou acenou rapidamente para a garota e levou Ichigo para o carro.
-Ela está com um cheiro forte, não é?
-Cheiro de quem esteve se agarrando com outra pessoa.
Nenhum dos dois falou qualquer coisa, estavam apenas dentro do carro esperando que o enjôo passasse. Ichigo tirou a mão da boca e respirou fundo.
-Até que estou controlando melhor os meus enjôos.
-Isso é bom.
-E por falar em bom, eu acho muito bom que você não esteja muito próximo dessa garota.
-Ichigo, seja mais clara, por favor.
-Acho bom não estar me traindo com ela.
-E por que acha que eu faria isso? – Ele deitou a cabeça no encosto do banco e fechou os olhos. Foi a melhor forma de se manter calmo que ele encontrou, porém Ichigo entendeu isso com um descaso da parte dele.
-Bem, vejamos por partes. Quando ainda estávamos no Japão, você começou a usar palavras carinhosas comigo, e nunca que você faria isso.
-O que isso tem a ver com traição?
-Quando um homem fica muito carinhoso, ele pode estar te traindo.
-Pode estar, não significa que ele está!
-Mas você é um bom exemplo para suspeitar.
-Só por que eu não sei demonstrar carinho apenas com palavras? Desculpe, prefiro ações. É por isso que eu não falo nada, porque você estranha.
Ele suspirou e ela ficou em silêncio. Ela sabia que era verdade, mas nunca admitiria nem para si mesma. Ouviram uma batida no vidro, no lado do motorista.
-Hoje você vai lá em casa conversar com o meu pai?
-Sim.
-Será que pode me dar uma carona?
Ryou destravou o carro e Ichigo puxou o cinto.
-Sabe, eu percebi que você está enjoada, acho melhor ir no banco de trás.
-Eu estou bem. – Respondeu seca. Ryou a olhou bravo, como se dissesse ‘não seja mal-educada, vá para o banco de trás’. – Mas talvez tenha razão...
-Caroline, me chamo Caroline.
A ruiva previu a dificuldade que seria falar aquele nome todo enrolado, aquela pronuncia ‘Carolaine’ era terrível e ia acabar destruindo seu japonês.
Trocou de lugar com Caroline e ficou em silencio durante todo o percurso, não queria falar nada. Nem poderia, as janelas estavam abertas e o vento fazia com que o cheiro horrível dela chegasse ao nariz sensível de Ichigo, se abrisse a boca acabaria por vomitar.
Deu graças quando finalmente chegaram em casa. Ela pulou para fora do carro e correu para dentro da mansão. O primeiro cômodo visitado foi o banheiro anexado ao quarto. Colocou o pouco que comeu no café da manhã para dentro da privada.
-Está se sentindo melhor?
-Esteve parado aí por quanto tempo?
-Imaginei que perceberia minha chegada.
-Não tenho usado muito os meus sentidos, com exceção do faro.
Ele esperou que ela lavasse a boca e inclinou a cabeça para o lado direito, olhando-a carinhosamente. Ela o abraçou e afundou o rosto no peito, sentindo o cheiro forte, porém não enjoativo.
-Não estou te traindo, seria incapaz disso.
-Tenho medo, já me aconteceu uma vez com alguém que eu achei que também era incapaz.
-Está me comparando a ele de novo.
-Desculpa.
-Te defendi quando ele fez isso com você, nunca faria o mesmo... – Ele beijou a testa e manteve os lábios fracamente pressionados. – Eu te amo.
-Eu também te amo... Só não quero ser trocada por ninguém, só estou com medo de você enjoar da cor chamativa do meu cabelo, ou dos meus olhos de cor tão comum, ou da minha barriga que vai ficar enorme... Tenho medo até de não gostar dos nossos filhos quando eles nascerem.
-Nunca, nunca em toda a sua vida, pense que eu poderia enjoar de qualquer característica em você! Eu adoro a cor do seu cabelo, adoro seus olhos emotivos e você com barriga de grávida deve ser maravilhosa, passei noites e noites imaginando isso e parece que nunca vou conseguir ver o tamanho, parece que ela nunca cresce. Eu vou amar os nossos filhos, e sabe por quê?
-Não. Por quê?
-Porque são os filhos que vou ter com você, e eu não poderia desejar nada melhor na minha vida.
Ela o abraçou mais e, na ponta dos pés, deu um beijo inocente no pescoço do loiro.
-A Zakuro disse que você abomina a traição.
-Ela está certa. – O silêncio se instalou no cômodo, era tão bom estarem tão perto um do outro. – Hoje tenho que ir na casa da Caroline, falar com o pai dela... Quer ir?
-Não quero passar o dia com essa garota. – Falou baixo, imaginando que ela ainda estava na casa.
-Pode ficar comigo e o senhor Woods.
-Sobre o que vão falar?
-Negócios, mas você não é obrigada a participar, apenas me faça companhia.
-Vou me arrumar. Que tipo de roupa devo usar?
-Gosto quando você usa saia rodada, parece até que ainda tem doze anos.
-Não é o que você gosta, é o que devo usar.
-Ponha saia rodada, eu acho que deve usar isso porque eu gosto.
Ela revirou os olhos e colocou uma saia rodada branca e uma blusa de mangas compridas azul, com babados rosa no punho e decote. Uma sapatilha branca com tiras até pouco abaixo do joelho e os cabelos presos em marias-chiquinhas com fitas rosa.
-Realmente parece ter doze anos, principalmente com o cabelo preso desse jeito... Me pergunto o motivo de você ter deixado o cabelo crescer, sempre achei que gostasse dele curto.
-Uma vez você disse que me imaginava com o cabelo nas costas, então deixei crescer.
-Fez isso só por mim?
-Hai. Por que gosta de cabelo longo?
-Minha mãe tinha o cabelo longo, acabei me acostumando, já que o Keiichirou também deixou crescer.
Ela desceu com o loiro em seu encalço e logo sua visão foi tomada por uma loira de olhos verdes. Respirou fundo e desceu com a maior classe que conseguiu aprender. Ela percebeu que Caroline prendeu o riso ao vê-la com a roupa tão infantil.
-Imagino que vá se divertir enquanto o marido trabalha. – Ela sorriu falsamente.
-Hoje irei com ele, para conhecer o trabalho.
-Mas eles irão falar de negócios, isso não é nem um pouco interessante.
-Não vejo problema algum nisso, vou para acompanhar meu marido.
Caroline se mostrou desgostosa com a notícia, mas nada podia fazer.
Ryou deixou que Ichigo fosse na frente, não queria dar a ela mais motivos para pensar que ele a estava traindo. O caminho era longo e a ruiva ficou o tempo todo com os fones de ouvido, apenas aproveitando suas músicas japonesas. Sorriu ao ouvir a voz da amiga.
-Chegamos. – Caroline resmungou com falso entusiasmo. Foi a primeira a entrar na Mansão Woods, e deu a mochila para uma empregada. – Quero vitamina de mamão, tem cinco minutos.
Subiu para o quarto sem ao menos se despedir.
-O que posso fazer pelos senhores?
-Quero ver o senhor Woods, sou Ryou Shirogane.
Ichigo estranhou ouvir primeiro o nome e depois o sobrenome, mas aquilo era muito comum no ocidente.
-O patrão estava esperando pelo senhor, acompanhe-me, por favor.
A empregada levou o casal até a porta de madeira rústica do escritório.
-Gostaria que eu fizesse algo por sua irmã?
-Na verdade é minha esposa, ela ficará junto de nós.
A mulher parecia surpresa e Ichigo riu um pouco.
-Gostariam de beber algo?
-Quero apenas um café.
-Será que eu poderia tomar uma vitamina de morango?
-Logo trago suas bebidas. Com licença. – Ela pediu, batendo na porta e se retirando.
-Entre. – Disse uma voz já um pouco velha. – Oh, Ryou Shirogane, que bom vê-lo!
-Olá, senhor. Como vai?
-Maravilhoso, com exceção de alguns problemas que minha filha continua me arrumando, isso é típico dos adolescentes.
“Não da minha adolescente, ela é completamente diferente!” – Pensou Ryou.
-Imagino que seja a namorada do Ryou.
-É o primeiro a achar isso, todos pensam que somos irmãos, mas na verdade somos casados.
-Vocês parecem novos.
-Tenho dezesseis anos e Ryou tem dezenove. – Ela sorriu docemente para o velho.
-É um prazer, senhorita.
-Sou Shi... Ichigo Shirogane.
-Minha filha tem a mesma idade que você, gostaria de conhecê-la?
-Tenho algumas aulas junto com ela. Caroline, não?
-Gostaria de ficar com ela? Vamos falar sobre assuntos chatos e entediantes para uma adolescente.
-Hoje, ela veio especialmente para me acompanhar. – Respondeu o loiro pela esposa.
-Então, sinta-se à vontade.
Ryou puxou uma das poltronas para que a esposa sentasse. Os dois conversavam seriamente sobre algum baile beneficente, que também ajudaria a promover ajuda para a tal causa.
A empregada bateu na porta e entregou o café e a vitamina solicitada.
O tempo foi passando entediante, e só estavam ali há 40 minutos. Ichigo olhou pela janela e um estábulo gigantesco era visto.
-O que acha de nossos planos, senhora Shirogane?
-Acho ótima a idéia do baile e é muito generoso de sua parte.
-Gosta de decoração?
-Bem, poucas vezes decorei lugares para festas...
-Mas minha esposa é ótima em tudo que se pede. – Respondeu Ryou de forma orgulhosa.
-Poderia decidir a decoração por nós, isso nos pouparia muito trabalho.
-O farei com o maior prazer, senhor Woods.
O homem sorriu e voltou a conversar com Ryou. Ichigo sabia que o loiro só a tinha chamado para ir para que visse que não acontecia nada demais e que não estava mentindo. Será que os hormônios da gravidez estavam afetando-a e fazendo-a achar que ele a traía? Rezava internamente para que fosse isso.
Três horas de conversa e o casal já podia ir embora.
-Foi um prazer conhecê-la, Senhora. Nos veremos no baile, não?
-Com toda certeza. O prazer foi todo meu.
-Até mais, Ryou.
-Até a semana que vem, senhor Woods.
Ichigo viu Caroline com uma roupa ainda mais curta que a da escola, se é que isso era possível, assistindo televisão. Ela sorriu tentando ser sedutora e Ichigo virou o rosto, tocando-o no braço de Ryou.
-Pare de se preocupar.
Ela assentiu e ficou feliz ao entrarem no carro.
-Imagino que tenha lição para fazer.
-Posso fazer mais tarde.
-Só tenho aula à noite, podemos fazer algo durante o dia.
Os olhos castanhos brilharam com a frase.
-Tipo o que?
-O que quiser.
-Tem uma coisa que eu quero fazer, mas é um pouco arriscado.
-E o que seria?
-Gostaria de me transformar na Neko Ichigo de novo, faz tanto tempo.
Ele dirigiu para um parque perto de onde moravam e arrastou Ichigo para um local com árvores grandes, que tapavam a maior parte da luz do sol.
Ele a beijou, segurando firmemente na cintura feminina. Massageou o local, ela agarrou a nuca e brincou com alguns fios.
-Abre os olhos. – Pediu durante o beijo.
Ela abriu e ele a encarava. Era tão profundo o olhar, tão misterioso e... Envergonhava tanto! Ela sentiu algo se remexer dentro dela. Estava ficando pequena perto de Ryou, menor do que era.
-Yo, Neko Ichigo-chan.
-Meow.
-Eu sei, vamos brincar.
Ryou fez um breve carinho nas orelhinhas peludas e brincou com uma folha. A gatinha logo se animou graças aos instintos felinos. Durante minutos brincou com Ryou e a folha, até sentir vertigem.
-Ichigo, o que está sentindo?
Ele a beijou novamente e a trouxe para a forma humana.
-Senti vertigem.
-Deve ser pela gravidez, vamos descansar um pouco.
Ela se aninhou no colo da Ryou, ficando no meio de suas pernas. Ele fazia carinho em seu cabelo e contornava os lábios dela com o dedo indicador da mão direita.
-Está com fome?
-Sim. Quero comer macarronada.
-Então vamos comer macarronada.
Foram para o restaurante do parque e pediram macarronada com frango.
-Eu quase tenho dó de comer esse frango, ele já foi uma ave viva, mas meu lado gata é mais forte!
Ryou sorriu para a esposa e provou a comida.
-Você tem tomado os remédios?
-Hai... Menos hoje de manhã, acordei atrasada demais para lembrar.
Ele suspirou e tirou um comprimido muito bem embrulhado.
-O que é isso? – Perguntou de cara emburrada.
-Seu remédio. – Respondeu estendendo o comprimido.
-Você é muito preparado, não gosto disso. – Pegou e engoliu com suco.
-Alguém tem que ser.
-Não começa!
O loiro riu e voltou a comer. Passaram o dia rindo do que acontecia ao redor. Ele riu quando a ruiva gritou.
-Mas é um cachorro!
-Como se ele fosse te matar.
-E se matar? Você sabe que ele tem motivos!
-Calma, moça, ele é bonzinho. – Disse um garotinho.
-Desculpa, ele escapou da coleira. – Contou uma moça, provavelmente mãe do menino.
-Ela é um pouquinho exagerada, está tudo bem.
Mãe e filho sorriram. Ichigo só largou Ryou quando o pequeno filhote já estava bem longe.
-Ele sentiu meu cheiro.
-É só um filhote, e esse negócio de que cães e gatos se odeiam é pura mentira.
-E se não for?
-Já está ficando tarde, tenho que ir pra faculdade.
Ela pulou do banco onde estavam sentados e se pôs a caminhar ao lado do amado. O carro logo estava estacionando na grande mansão.
-Já decorou todos os caminhos daqui?
-Como se eu pudesse, esse lugar é enorme! Está realmente igual a quando você era criança?
-Até os pisos tem os mesmo detalhes.
-Você tem uma memória incrível.
Ele beijou o topo da cabeça dela e subiu as escadas para tomar banho. Ichigo fez chá verde e dangos.
-Faz tanto tempo que não como dangos, nem me lembro qual foi a última vez.
-Não dá tempo de fazer algo que sustente mais.
Ele sentou e comeu com vontade, Ichigo cozinhava muito bem. O chá verde ainda estava bem quente e Ryou se forçou a levantar da cadeira para ir à faculdade.
-Até mais, Ichigo.
-Boa aula.
Eles se beijaram rapidamente e logo a ruiva estava sozinha, fazendo sua lição no quarto. Aprender inglês no Japão era mais difícil que nos EUA, pelo menos no último era obrigada a praticar.
-Nunca pensei que sairia do Japão... Odeio escrever em inglês! – Ela gritou e jogou a cabeça no encosto da cadeira. – Tomara que meus professores morram!
Ela riu um pouco com o pensamento tão impróprio dela e voltou a fazer a lição. Desceu para tomar mais chá quando ouviu a voz de Masaya.
-Isso não pode estar acontecendo comigo, ele não morre nunca! Mew Mew Ichigo Metamorphosis! – A roupa marcou a pequena barriga e ela respirou com dificuldade. – Pelo menos agora eu estou preparada.
-Você nunca vai estar realmente preparada.
-Então vem lutar comigo!
Um murro acertou o rosto e ela caiu no chão. Sentiu um pé pressionando a barriga.
-Pára! Enlouqueceu? – Ela se debateu.
-Não estou louco, apenas quero matá-los. – Respondeu monótono. – Você é minha e eles não são meus filhos.
-Não são mesmo, são do homem que eu amo.
-Não pode amá-lo, você é minha.
-Eu já fui apaixonada pelo Masaya, mas nunca por você.
-Masaya Aoyama nada mais é que uma parte de mim, apenas tem uma aparência diferente.
-Não interessa, eu me apaixonei por um garoto doce e bondoso, pela sua parte boa, não quero saber da ruim. Eu não sou sua.
-A partir do momento em que você amou uma parte minha, foi condenada a amar todas as outras... Isso não foi difícil, você também se apaixonou por Blue Knight, só faltou amar à mim, a parte monstruosa.
-Se sabe que é monstruoso, por que continua?
-Os humanos foram nossos inimigos primeiro, só quero o que pertence ao meu povo por direito.
-Vocês já têm outro planeta e usaram a Água Azul.
-Isso não basta, eu quero vingança pelo erro cometido.
-Isso é ridículo! Aaahh! – Gritou quando ele pressionou mais o pé contra a barriga.
-Quer que eu pare? – Ela assentiu chorosa. – Então fique comigo e me deixe destruir essas crianças.
-Não, eu amo elas e nunca deixaria o Ryou.
Ela mordeu o lábio inferior com força e ele encarou-a.
-Por que quer que eu fique com você? Você não é o Aoyama, não me ama.
-Mas você é a Mew Mew mais forte, portanto me daria muito poder.
Ele pisou mais fortemente e ela gemeu de dor. Grudou as unhas das duas mãos na canela dele e furou.
-Isso dói, mas saber que estou sendo rejeitado dói mais... Talvez seja só a dor de Aoyama Masaya... Eu quero vê-la sofrendo aos poucos, e você vai implorar por mim. Até mais, Ichigo-chan.
Ele sumiu e ela pressionou a barriga de forma confortável e protetora.
-Vocês estão bem? Eu não vou deixar ele fazer mal à vocês, eu prometo que vou ficar com vocês e o Ryou, eu prometo.
Ela sentia as lágrimas de dor rolarem pelo rosto. Secou e sorriu olhando para a barriga, acariciando levemente.
Mais três horas e meia se passaram até que Ryou estivesse em casa.
-Ichigo? – Perguntou ao atravessar a porta.
-Okaeri, Ryou!
Ela pulou para o colo dele com um sorriso, ele a segurou e sorriu terno, brincando com as marias-chiquinhas dela.
-Ficou tudo bem na minha ausência? – Ele se separou um pouco para olhá-la.
-H-hai. – Ela respondeu desviando o olhar.
-Conte a verdade! – Ele franziu o cenho.
-Deep Blue esteve aqui de novo.
-Como assim de novo? – Ela ficou em silêncio e ele logo entendeu. – Quando você ficou com medo, durante a cerimônia de casamento, você ouviu ele, não é?
-Ouvi, mas acho que era a personalidade do Masaya. Ele foi contra o nosso casamento.
-E o que ele falou agora?
-Ela não só falou... Eu me transformei, mas infelizmente fui golpeada e feita de refém, só pudemos conversar. Ele queria que eu ficasse ao lado dele e queria matar nossos filhos.
-Só faltava essa, agora ele também é apaixonado por você!
-Não! Não é isso, ele só quer o meu poder.
-Ah!
Um silêncio doloroso se instalou no cômodo.
-Eu não aceitei, nunca aceitaria. Ele é o inimigo e quer matar quem eu amo, inclusive você, jamais vou deixar isso acontecer.
-Eu deveria estar cuidando de você, e não te preocupando. – Ela sorriu tranqüilizando-o. – Não quero mais que fique sozinha, vou contratar uma governanta ou empregadas que durmam aqui.
-Nem pensar! É perigoso o Deep Blue aparecer aqui e colocar outras pessoas em perigo.
-E então você vai ficar em perigo no meio do nada? Lembre-se que moramos muito longe da cidade.
-Talvez eu possa fazer algum curso durante a noite.
-Posso ver perto da faculdade, se quiser.
-Pra mim está ótimo.
-Que curso quer fazer?
-Talvez um de mãe, ou de babá... Ou eu poderia fazer aulas de inglês, para melhorar.
-Eu não quero que você melhore em inglês, gosto de você falando em japonês, acho engraçado o jeito como a sua língua enrola ao falar uma língua praticamente desconhecida pra você.
-Eu diria que isso foi fofo, se não tivesse sido idiota e egoísta!
-Eu ainda prefiro que você faça algum outro curso.
-Tipo o que?
-Tipo pintura, dança ou canto.
-São todas aulas para garotas nobres.
-E agora você é uma.
-Não de nascença, então não conta.
-Achei que gostasse de cantar.
-Não achei que fosse má cantora para que você me mandasse fazer aulas.
-Você não canta mal, apenas quero aproveitar ao máximo os seus talentos.
-Sei... Posso fazer qualquer uma dessas aulas, mas por hora só quero escolher qual pijama vou colocar.
-Tivemos um dia animado, não?
-Nem me fale!
Os dois subiram, com Ryou brincando e fazendo cócegas na esposa e Ichigo fugindo. Ela trocou a roupa de ficar em casa que colocou depois do banho por uma de dormir.
-Você fica bonita com pijama de babados.
-Você fica perfeito apenas com calça de moletom.
-E ainda se faz de inocente. – Ele balançou a cabeça negativamente.
Ela o puxou para a cama e se beijaram demoradamente. Adormeceram abraçados, com o nariz de Ichigo no pescoço de Ryou, sendo impregnado pelo cheiro amadeirado.
Notas finais
Ja ne!
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