Notas iniciais
É... Então, né... Eu meio que sumi, né, minna? Se soubessem como estou sem graça de voltar aqui agora, o quão envergonhada me sinto de ter deixado essa história parada por tanto tempo. Justo uma história que eu amo tanto! Vocês já cansaram de me ver pedindo desculpas e tentando me justificar. A verdade é que eu sabia, sim, o que escrever. Eu sabia tudo que eu queria que acontecesse, mas eu não conseguia colocar isso no tempo certo. Porém, ontem (30/12/2013), a Liz Urcha me mandou uma MP perguntando sobre essa fic e a Um Lugar Para Nós. Eu me sentia como se tivesse abandonado a fic e me senti muito infeliz, por isso, abri o Word e botei a mente para funcionar. Saio o que eu queria, meio atropelado na minha opinião, rápido demais, sentimental demais, ilógico demais, mas eu, particularmente, gostei do resultado. Para quem não conseguia nada, foi como derrubar uma parede no meio de uma sala. A outra fic eu ainda preciso respirar fundo e voltar a escrever. Como eu usei um dia todo para terminar essa fic aqui e vou passar o Ano Novo num sítio, não sei se vou conseguir escrever ou postá-la tão imediatamente, mas vou me esforçar. Bem, desculpem, de verdade. Obrigada para quem não me abandonou, a quem favoritou, a quem deixou review, quem deixou recomendação, quem me mandou MP cobrando. Isso mostra que vocês gostam do que eu escrevo e isso é o que me deixa mais feliz no mundo todo! Para quem abriu mão de mim, se um dia ver isso aqui, eu sinto muito, sei que foi culpa minha e estou tentando lidar com a minha falta de responsabilidade. Agora, sem mais encher o saco de vocês: BOA LEITURA!

–Ichigo-chan, acorda. – Disse uma voz carinhosa. A ruiva se remexeu debaixo das cobertas. – Você vai se atrasar para a escola.

Ichigo se espreguiçou manhosamente, como uma gata, e sentou na cama. Ficou olhando para o marido no quarto escuro.

–Bom dia! – Disse feliz. – Faz tempo que você acordou?

–Não, o despertador acabou de tocar. Vamos tomar banho?

–Não vou tomar junto com você.

–Eu já imaginava. – Ele disse abaixando a cabeça e suspirando.

–Ryou, pare de ser pervertido!

–Eu sei que você me prefere assim! – Ele disse roubando um selinho dela. Foi tomar banho no quarto onde já estava e Ichigo foi tomar banho em seu próprio quarto.

Ela ainda não entendia o motivo de terem quartos separados se já eram casados e ela sempre dormia com ele. Talvez porque ele sabia que vez ou outra ela precisaria de um refúgio para pensar. Além do mais, agora ela tinha bem mais roupas e precisava de um guarda-roupa só dela.

Sentiu a água quente escorrendo pelo corpo e abriu mais o chuveiro para amorná-la. O verão já se aproximava e o final da primavera indicava isso. Fechou o chuveiro quando terminou de tirar a espuma do sabonete e saiu enrolada na toalha. Pegou uma saia branca de tule e uma blusa de manga comprida azul. Colocou a sapatilha rosa preferida e desceu para preparar café.

Estava terminando de fritar os bacons – algo que virou costume por ver que Ryou gostava – quando o loiro chegou. Ele cheirou o ar e beijou a bochecha da garota.

–Eu adoro os seus bacons!

Ela sorriu feliz. Adorava quando ele elogiava algo que ela fazia. Pena que só se sentia feliz até começar a comer. Aquele gosto de fritura logo de manhã era terrível! Estava tão acostumada com o chá e um pão ou fruta de manhã. Bacons no café da manhã estavam acabando com ela.

Colocou o café da manhã engordurado no prato e deixou na frente de Ryou. Colocou o café para ele e ele pegou açúcar.

–Eu percebi que, agora que estamos nos Estados Unidos, você está tendo uma alimentação um pouco... Não saudável.

–Eu achei que não seria normal comer bacon no café da manhã no Japão, mas aqui é normal e eu posso aproveitar. Você acha que isso não é saudável? É porque ainda não viu o que os adolescentes daqui comem no almoço: só gordura e refrigerante.

Ela suspirou. Sua opinião não mudava, a alimentação de Ryou estava, sim, péssima e ele deveria ter cuidado ao invés de ficar negando.

Ela terminou o leite que preparou para ela e foi escovar os dentes. Pegou a pasta, o celular e as chaves de casa. Desceu novamente as escadas, deu um beijo no marido e correu para a porta.

–Não quer que eu te leve?

–Chama muita atenção, eu pego o ônibus. Até mais tarde!

O loiro apenas suspirou e pousou a caneca que segurava na mesa. Olhou brevemente pela janela e se pôs a pensar no que faria para entreter os convidados do baile beneficente.

Ichigo sentou no meio, onde ainda havia lugar no ônibus. Mexeu nas mensagens para ver se tinha algo novo. Nada. Resolveu mandar uma igual para todas as amigas.

“Estou com saudades de vocês, me sinto muito ansiosa pelo dia em que nos veremos de novo T.T Quatro meses! Está passando rápido... Vocês virão visitar meus bebês, né?

Kissus nos seus kokoros e mandem beijos para os meninos.” – Escreveu.

Quando estava no meio do caminho, chegou uma mensagem:

“Quarto mês, Ichigo-nii-chan? Que rápido! Já tá com barrigão? Eu quero te ver T.T”

‘Nii-chan’? Com certeza essa resposta era de Pudding, ainda mais com aquela curiosidade...

A segunda resposta chegou quando o ônibus parou para pegar outros alunos:

“Ichigo-san, é claro que vou visitar vocês, fico triste por não poder ir antes, mas sei que você entende. Kissus e até logo.”

Pelo sufixo usado, a ruiva tinha certeza de que era a resposta de Lettuce. Nunca olhava quem mandava as mensagens, sempre tentava descobrir pelo modo como escreviam.

A terceira chegou apenas muitos minutos depois, quando o ônibus já tinha parado na escola:

“Nossa, já faz tanto tempo assim? Estou tão ocupada que nem vejo as semanas passarem. Meu filho disse que está com saudades e que está curioso quanto aos nomes que vocês escolheram.

P.S.: Keiichirou mandou um beijo para você, pede que se cuide e mande um abraço para o Shirogane.”

Eles eram sempre tão doces, e Hayato era uma criança muito amorosa. Sério e frio como a mãe em alguns momentos, mas muito carinhoso e preocupado como o pai. Zakuro tinha melhorado bastante a frieza depois que Hayato nasceu, tornou-se muito preocupada e atenciosa.

Quando Ichigo estava entrando na sala de aula, Caroline aproximou-se dela.

–Então, como foi a reunião ontem? Achou divertida? – Perguntou zombeteira. Duas garotas que estavam com ela ficaram encarando Ichigo de expressão fechada.

–Gostei. – Respondeu emburrada. – O seu pai é um homem muito gentil e foi bom ficar lá com eles. – Virou as costas e entrou na sala, sentando-se em sua carteira.

O professor já estava passando a matéria na lousa quando Ichigo recebeu outra mensagem – provavelmente a última do dia.

“Ichigo inútil! Hoje abrimos o café de manhã e já estamos na correria, você deveria estar aqui ajudando! Você realmente não presta pra nada!

P.S.: O Kisshu disse que não precisa dos seus beijos de falso amor ¬¬”

Ichigo quase não conseguiu controlar a vontade de rir. Era uma das primeiras vezes que Mint descia de seu trono para trabalhar e sofrer um pouquinho. Aquilo era uma gostosa vingança para a ruiva. Guardou o celular e voltou a olhar para o quadro negro...

“Ah, não entendo nada! Eu odeio inglês e terei todos os problemas do mundo nesse país capitalista, complicado e cruel!”

Depois de três aulas massacrantes para Ichigo, chegou o intervalo. Ela olhou novamente no celular, só para ter certeza de que não recebera mais mensagens. Sentiu o estômago roncar. Definitivamente, precisava de uma alimentação saudável, pois sabia que enquanto fritasse bacons para o café da manhã, apenas tomaria uma caneca com leite.

Quase dormiu sentada na raiz de uma árvore. No Japão, provavelmente as pétalas de sakuras estariam caindo por todo o país. O pólen deveria estar espalhado pelo ar e o chão cheio de sedosos pedacinhos rosa de flores.

Que saudade! Mas tinha prometido a si mesma que aguentaria viver ali, por Ryou.

–Então, ruiva, me conta mais sobre você.

–Não há nada para contar sobre mim. – Respondeu Ichigo, tentando soar o mais doce possível.

–Ah, conte sobre a vida de casada. É tão ruim assim quanto as pessoas dizem?

–As pessoas dizem não, como os ocidentais dizem. Nós, orientais, não temos problemas com casamento.

–Todo mundo tem problema com casamento, até os orientais!

Ichigo suspirou. Por que mesmo que aquela garota a estava seguindo? O que ela queria, infernizar a vida da pobre coitada que já tinha salvado o mundo?

–Vamos, me conta como é! O Ryou é legal? Ele é bonzinho com você? Vocês se dão bem dentro de casa? Você sabe, tem muito casal que fora de casa finge que se ama, e quando estão em casa... O marido até bate na mulher!

–Não, Ryou é um bom marido... Não tem mais o que falar, isso resume tudo. – Respondeu saindo da sala. Recebeu uma mensagem.

Não entra no ônibus, eu estou te esperando no carro.”

A ruiva sorriu e apressou o passo. Logo que o sinal tocou e as portas abriram, os alunos correram para fora, e Ichigo entre eles. Ryou estava encostado no carro e segurou a ruiva quando ela se jogou em seus braços.

–Ai, eu estava morrendo de saudade de você! – Ela disse beijando-o na bochecha.

–Eu também. – Ele sorriu e beijou o cabelo. – Sabe que eu ainda tenho que trabalhar, né?

–Sim. – Ela respondeu chorosa.

– Que ir trabalhar comigo de novo?

–Onde vamos?

–Reservar o salão para o baile, vamos passar numa decoradora para você escolher a decoração, terei que ver umas papeladas e teremos um jantar de negócios, para decidir o entretenimento dos convidados.

–Então teremos um dia cheio.

–Muito. Creio que esse jantar se prolongará até tarde da noite.

–Então é melhor começarmos logo. – Ela respondeu sorrindo.

Os dois entraram no carro com o olhar de Caroline queimando em Ichigo. A mais nova colocou o cinto e Ryou pisou no acelerador.

–Como andam os enjôos?

–Estou melhorando aos poucos. Hoje não senti nada, acho que estão começando a passar.

–E você tomou o remédio?

–Eh? Acho que esqueci... Gomen.

–Toma, tem água no porta-luvas.

–Você é sempre tão preparado. – Ela disse num suspiro.

Pegou a garrafinha ainda fechada e bebeu dois comprimidos que mais pareciam pedras de tão grandes.

–Quer parar para comer primeiro?

–É uma ótima idéia.

Ryou parou num restaurante japonês para o delírio de Ichigo. Ela pedia a comida sem nem olhar no cardápio, era tão bom comer algo que conhecia. Comeu gohan, carne crua e para sobremesa uma caixinha de moti de morango. Tomou chá verde enquanto terminava o doce e sorria para o loiro.

–Estava uma delícia!

–Que bom que gostou. Agora vamos que temos um dia inteiro pela frente.

–Haaai!

Ryou pagou a conta e dirigiu-os para um salão.

–Aqui parece um castelo... – Ela disse boquiaberta.

–Em que posso ajudá-los, senhores? – Perguntou uma mulher de meia-idade. Ela parecia severa e chata, como uma governanta mandona.

–Eu quero alugar esse salão para o fim do mês.

–E para que tipo de atividade?

–Para um baile beneficente que estou organizando com meus sócios.

–Você não é um pouco jovem para este tipo de evento grande?

–Já sou maior de idade. – Ele respondeu com certa decepção.

Ichigo sabia que ele queria parecer mais velho, mas isso nunca aconteceria. Ele tinha a mesma carinha de quinze, dezesseis anos. Um adolescente maduro, mas ainda um adolescente.

Após mostrar o RG, a moça deixou a desconfiança de lado e mostrou tudo que o salão tinha. O espaço para bebidas, o banheiro, o fraldário, o jardim com flores e fontes, as luzes especiais, o palco, os amplificadores espalhados por todo o local e até um parquinho para as crianças brincarem.

–Como podem ver, o salão é extremamente bem equipado e cuidado. Nós o limpamos todos os dias. Depois da festa, vocês não precisarão entregá-lo limpo, nosso serviço de aluguel cobre isso. A única coisa que não cobrimos é danificação do imóvel e dos objetos dentro dele.

Ryou deu mais uma olhada pelo local. As pessoas ficariam bem confortáveis ali e teriam uma noite agradável e cheia de mimos, como elas gostam.

–Eu fico com o lugar. – Respondeu simplesmente e foram para um escritório assinar os papéis. Ichigo preferiu continuar vendo o lugar e pensar em possíveis decorações.

Depois de escolhido o salão, foram até a decoradora. O casal estava vendo o livro de decorações e Ichigo achou que as cores creme e branco ficariam bem no lugar.

–Acho que ficará sóbrio e vai combinar com o mármore do salão.

–Se é o que você quer, é uma ordem. – Ele disse sorrindo. Saíram do edifício e entraram no carro.

–Bem, temos o tempo livre até as oito horas. O que quer fazer?

–Vocês já decidiram o buffet, o som, os barmans?

–Quer fazer tudo hoje?

–Se der tempo... É bom que já ficamos livres da preocupação.

Foram atrás de um buffet que fizessem boa comida e bebida. Seria bom se cuidassem dos dois, dois problemas resolvidos de uma vez. O homem do som mostrou as mixagens que tinha, mas Ryou parecia não ter gostado. Foram conversar do lado de fora do lugar.

–Eu achei criativo.

–O problema é que a alta sociedade está acostumada à música clássica.

–Eu acho meio improvável você encontrar um DJ que tenha música clássica... Talvez você pudesse chamar aquela mulher que tocou piano há alguns anos.

–É uma idéia maravilhosa! Parece que você está começando a pensar!

–Eu sempre pensei, tá legal?

–Tá, tá... Vamos falar com ela.

A ruiva suspirou pesado entrando no carro e o loiro dirigiu o mais rápido que pôde. Parou em frente uma casa muito grande, com uma grande sacada no segundo andar. As paredes eram brancas e tinha um piso de pedra no caminho do portão até a porta. Ryou entrou e Ichigo reparou no lugar. Não parecia ser uma casa – embora não fosse mesmo, era uma mansão -, aquilo era uma escola.

–Eu quero falar com a Mary, ela está?

–O senhor está com hora marcada?

–Eu sou um amigo dela, vim fazer uma proposta.

–Eu vou falar com ela, só um minuto.

A garota ruiva desapareceu num longo corredor e um barulho de porta foi ouvido. Ela conversou brevemente com alguém e voltou acompanhada de uma moça de longos cabelos claros.

–Oh, Ryou! – Ela disse e o abraçou. – Quanto tempo, você está ótimo.

–Obrigada, Mary.

–E você, eu me lembro de você... É a mocinha do café rosa, que não conseguia me entender. – Ela disse sorrindo.

–Ainda não consigo muito bem, mas estou melhorando.

–É muito bom ouvir isso. Como está linda! Deixou o cabelo crescer e está com um rosto perfeito!

Ichigo corou com o comentário, mas agradeceu e a elogiou também.

–Vamos para a minha sala, podemos tomar um pouco de chá. – Convidou.

Ichigo se sentiu feliz, adorava chá. Entraram numa sala clara, com dois sofás pequenos de cor creme, paredes brancas, um tapete que cobria todo o chão, uma janela centralizada ocupando metade de uma parede e cortinas creme com detalhes dourados. Havia ainda um piano branco reluzente, que refletia a luz do sol que entrava pela janela.

–Do segundo andar é possível ver o jardim que há no fundo da escola. – Ela suspirou. – Oh, fico tão feliz em vê-los. Seu casamento estava lindo, pena que eu não consegui falar com vocês. Fiquei muito emocionada por me convidarem e mais emocionada ainda por estar certa em saber que acabariam juntos!

–Demorou, mas eu a convenci. Ahn, mudando de assunto, eu gostaria de lhe pedir algo.

–O que, Ryou? – Perguntou docemente enquanto servia chá de frutas vermelhas para os dois.

–Estou organizando outro baile beneficente e adoraria que você fosse tocar.

–Que notícia maravilhosa! Eu estive preparando uma composição para tocar em um momento especial, se importa se eu tocá-la?

–Eu acho ótimo. – Ele sorriu sincero. – Quanto você quer para passar a noite inteira tocando?

–Você sabe que não cobrarei nada, eu sou incapaz disso.

–Bem, então o mínimo que posso fazer é propaganda de sua escola.

–Ah, posso levar uma aluna minha? A composição deve ser tocada por duas pessoas e foi ela quem me ajudou.

–Por mim tudo bem.

–Ichigo, dê sua opinião, há algo que queira?

–Ah, eu acho melhor o Ryou cuidar disso... Eu ainda não sou muito boa nos negócios.

–Se continuar trabalhando com o Ryou, em breve será!

Todos beberem um gole do chá.

–O baile será no último sábado do mês, e um dia antes eu estarei ajudando a organizar tudo, então... Bem, se precisar de ajuda para alguma coisa, pode falar comigo.

–Bem, nós temos que ir, obrigado por tudo, Mary.

–Sou eu quem agradeço. Arigatou.

Ichigo fez uma reverência a ela e agradeceu pelo chá. Logo o casal estava no banco do carro novamente.

–O que eu devo vestir hoje? Uma roupa de gala?

–Eu gosto mais quando você usa saias rodadas. Vestido tubinho fica bom em você, mas marca todas as suas curvas e tira o ar infantil do seu rosto, vestidos rodados apenas aumentavam essa infantilidade.

–Bom, agora sou um mulher casada e futura mãe, tenho que perder esse ar infantil.

–Não enquanto eu puder evitar. Você só tem dezesseis anos, quero que mantenha esse rosto de criança pelo maior tempo possível. Quero que hoje você use uma saia rodada e maria-chiquinhas.

Ela suspirou. Achava estranho um homem preferir um rostinho de garota ao invés de uma expressão de mulher adulta. Porém, agradecia por ele ser assim, ela não queria perder aquilo, sabia que ainda era só uma garotinha.

Quando chegaram em casa, foram tomar banho. Ichigo se esfregou com tanta força que a esponja deixava um rastro vermelho por onde passava. Lavou o cabelo com delicadeza, penteando com o creme de enxaguar. Saiu com uma toalha enrolada no corpo e outra no cabelo. Abriu as portas do guarda-roupa e ficou encarando as pilhas de roupas.

–Ai, o que eu visto? Eu tenho tanta saia rodada que nem sei o que vestir... Ah! – Exclamou ao imaginar a roupa perfeita.

Pegou uma blusa com manga curta bufante – como de princesa -, uma saia rodada branca de tule até a metade da coxa, uma sapatilha azul de tiras até os joelhos e uma bolsinha transversal azul clara. Guardou os documentos ali junto com um gloss. Passou sombra rosa com glitter e prendeu o cabelo no famoso penteado.

Olhou para o relógio. Já eram oito horas! Parecia que tinha acabado de sair da escola...

–Você está linda! – Ele sussurrou após um breve beijo.

–Como se você ficasse atrás!

Realmente... Ele usava calça social preta e uma camisa branca. Ele olhou para si e fez uma careta.

–Prefiro minhas roupas diárias...

–Tipo uma blusa preta agarrada, calça skinny branca e uma coleira no pescoço? – Perguntou numa risadinha.

–Não era uma coleira... – Murmurou bicudo. Ela riu.

–Vamos logo, se não chegaremos atrasados.

Caminharam para o carro entre brincadeiras. Ryou empurrava Ichigo levemente, enquanto ela empurrava com força e nem o tirava do lugar.

–Fracota! – Ele riu. – Tá precisando de vitaminas, olha o tamanhozinho desse braço. – Segurou rindo dela. Ela puxou o braço de volta e colocou o cinto.

–Seu besta!

Ele riu mais e ficou o resto do caminho com um sorriso no rosto. Demoraram um pouco para chegar e isso preocupou Ichigo.

–Será que estamos muito atrasados?

–Não se preocupe, eles sabem que moramos fora da cidade.

–Então deveríamos ter saído mais cedo.

–Mas fomos nos arrumar na hora que chegamos em casa!

–Tem razão, passamos o dia acertando as coisas. – Ela colocou o dedo no queixo. – O que falta ainda?

–Precisamos de um entretenimento.

–Deveríamos chamar a Pudding! – Ela riu.

–Sabe que é uma boa ideia... Zakuro e Mint também podem dançar... Será que aceitariam?

–A Mint, recusando atenção? Mas nem que fosse meu maior desejo! Posso falar com elas amanhã, mando uma mensagem.

–Obrigado, mas também temos que pensar em outras coisas.

Os dois foram o resto do caminho pensando no que contratar, as meninas não ficariam divertindo os convidados o tempo todo. Ele parou o carro em frente a uma mansão iluminada pelas luzes externas. Um empregado abriu a porta para Ichigo.

–Obrigada. – Ela agradeceu quase fazendo uma reverência, mas lembrou do país que estava. Ryou estendeu o braço para ela e caminharam até a entrada da mansão. Ryou olhou rapidamente para trás, só para ver seu carro sumindo para o estacionamento.

Um homem abriu a porta e os encaminhou para a sala de jantar.

–Boa noite, senhor e senhora. Estão esperando por vocês.

Entraram na sala e todos se levantaram para saudar Ryou. Ichigo era a única mulher e parecia ser ignorada ou não vista na sala.

–Boa noite, senhores. – Ryou cumprimentou. – Gostaria de lhes apresentar minha esposa. – Ele puxou Ichigo para seu lado e a abraçou pela cintura.

Houve um momento de silêncio constrangedor para Ichigo. Todos a encaravam, pareciam... Desaprovadores.

–Perdoem-me se a pergunta parecer muito indiscreta, mas quantos anos vocês têm?

–Eu tenho 19 e ela, 16.

–São um pouco novos, não?

–Não, senhor. Já namoramos há muito tempo. Além disso, Ichigo está grávida.

–Então se casaram por causa da gravidez? – Perguntou um senhor de cabelos pretos – com alguns fios grisalhos -, terno escuro e olhar interesseiro. Ele praticamente cuspia veneno.

–Não, apenas achamos que parecia dar sorte casar com ela grávida. Foi só mais um motivo para convencê-la. – Ele sorriu e lhe beijou a testa. – Mas o assunto hoje é sobre o baile beneficente, e não minha adorável esposa.

Com olhares nada discretos, todos sentaram. Ichigo sentou ao lado direito de Ryou e o homem que insinuou o casamento por causa da gravidez, estava ao seu lado. Ichigo não se sentia muito confortável, mas nada podia fazer.

–Para a entrada temos salada de tomate, com favas, queijo feta e endro. Teremos um jantar típico da Grécia. – Disse um senhor. Provavelmente dono da mansão e anfitrião da noite.

“É realmente um prato muito bonito...” – Pensou Ichigo. Colorido, com boa cara e aroma agradável... Mas será que o sabor era tudo isso? Nunca tinha ouvido falar desse queijo feta e nem de endro.

–Não seja tímida, senhorita, pode comer à vontade! – Sorriu senhor Woods. Ichigo ainda não tinha reparado na presença dele, mas se sentiu bem ao saber que havia uma alma conhecida ali – e que não parecia querer algo dela. Ela sorriu e assentiu.

Engoliu seco. Droga, do que era feita aquela comida? O que é endro? Ela pegou o garfo e espetou um tomate. Levou-o a boca e mastigou devagar. Não sabia se por medo, se por ser ruim ou por querer aproveitar o sabor desconhecido. Tinha algo nele... Algum tempero, provavelmente, que o deixava saboroso. Foi comendo devagar e prestando atenção no que o grupo de homens conversava. Logo, todos tinham terminado a entrada.

–Encham com vinho as taças de meus convidados. – Ordenou o senhor dono da mansão. – Menos o dela. – Ele disse quando o empregado foi servir vinho para Ichigo. – Senhora Shirogane, escolha outra bebida, por favor.

–Não se preocupem com isso. Ichigo está sob minha responsabilidade, não me importo que ela beba. – Ryou defendeu-a.

–Não acha arriscado ela beber mesmo estando grávida?

–Ainda está no começo, não há qualquer problema.

Ichigo sorriu para o marido, era bom vê-lo permitindo-a a fazer tudo que quisesse. Ele estava deixando que ela se sentisse adulta. Ichigo sorriu agradecendo ao empregado que lhe servira o vinho. Era realmente saboroso.

–Agora que o jantar já começou, podemos iniciar o assunto principal. – Um homem sorriu. – O que falta para o baile?

–Apenas mais algumas atrações. – Todos olharam surpresos para Ryou. Os olhos arregalados. – Ichigo e eu já resolvemos tudo.

–Vejo que a mocinha é talentosa. – O homem ao lado de Ichigo sorriu maliciosamente. Ela engoliu seco e, percebendo a sede que sentia, tomou metade do vinho que tinha em sua taça.

Ryou olhou preocupado e Ichigo desviou o olhar. A conversa voltou e quando todos estavam distraídos, inclusive Ichigo, o homem ao seu lado colocou a mão em sua coxa. Ela arregalou os olhos e virou-se para o homem. Ele continuava olhando para frente e conversando como se nada tivesse acontecido. Olhou para Ryou, procurando suporte, mas ele também fazia parte da conversa calorosa.

Engoliu seco quando o sentiu subindo a mão numa carícia indesejada. Ela procurou, discretamente, a mão de Ryou embaixo da mesa. Ele olhou sorridente para ela quando as mãos se encontraram num aperto, mas logo desfez o sorriso ao vê-la de cabeça abaixada. Ele acariciou a mão dela, chamando sua atenção. Ela ficou movendo os olhos para o homem ao seu lado. Ryou não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que, para Ichigo estar daquela forma, era sério.

–Senhores, me perdoem, mas eu realmente preciso ir. – Ryou anunciou, parando toda e qualquer conversa. O homem apertou a coxa de Ichigo e ela engasgou. – Amanhã, minha esposa e eu acordaremos cedo. – Outro apertão, agora mais em cima. Ichigo, surpresa, apertou mais a mão do marido e este se voltou revoltado para o homem. Se aproximou do ouvido dele e sussurrou de forma que apenas os três pudessem ouvir. – Estou lhe poupando porque sei que minha esposa não quer passar vergonha, mas toque novamente nela e eu lhe matarei.

Eles se levantaram e, com uma despedida educada, se foram.

–O que ele estava fazendo, Ichigo?

–Aquele nojento ficou acariciando minha coxa! – Ela se exaltou e, logo em seguida, tapou a boca. – Desculpe, deveria ter me controlado.

–Eu entendo que esteja nervosa. Se quiser, posso voltar e dar um jeito nisso.

–Não! Por favor, não arrume confusão. Ele é seu sócio, me sentiria mal se desse algum problema entre vocês e o baile fosse prejudicado.

Voltaram em completo silêncio para casa. Ichigo se jogou no sofá assim que entrou. Ryou sentou ao seu lado, ele parecia tenso.

–Ryou, o que foi?

–Por que não me deixou resolver isso? – Ele perguntou baixo, porém era perceptível sua raiva. – Por acaso estava gostando?

–Ficou louco? De onde tirou essa ideia?

–Você desconfiou de mim. Você desconfia de alguém quando faz a mesma coisa!

–Oh, Ryou, por favor, não vamos brigar por isso. Eu só não queria que seu projeto fosse prejudicado. Você sabe que...

–Estou indo dormir. – Ele a cortou. Levantou-se e subiu as escadas.

Ichigo subiu também, alguns minutos depois, e entrou no quarto que tinha sido feito para ela.Trocou-se para um pijama e soltou o cabelo. Penteou-os até tirar as marcas que os prendedores haviam deixado. Tirou toda a maquiagem e escovou os dentes. Ainda estava cedo, não conseguiria dormir. Passou muito tempo rolando na cama, até decidir onde ficaria naquela noite.

Caminhou lentamente até a porta do quarto de seu marido. Ficou alguns minutos parada, tomando coragem para entrar. Empurrou a porta devagar e espiou. Tudo escuro e silencioso. Caminhou lentamente até a borda da cama, torcendo para não tropeçar em nada. Sentou no chão e cochilou. Acordou quando sentiu alguém acariciando seus cabelos.

–Há quanto tempo está aí?

–Eu não sei, acabei cochilando.

–Por que não deitou na cama?

–Você está bravo comigo.

Ele suspirou.

–Eu sei que você estava acordado esse tempo todo. Quanto tempo faz que estou dormindo?

–Apenas uma meia hora. – Ele sussurrou. Puxou-a até que ela estivesse deitada em cima dele. – Desculpe. – Sussurrou novamente. Sua voz pesava. – Eu não deveria ter falado daquela forma com você e jamais deveria insinuar que você me trairia.

–Acho que estamos nos sentindo muito pressionados.

–Sim. – Ele murmurou. A beijou ferozmente e, quando parou, abraçou forte para dormirem.

Notas finais
Gostaram? Sim? Não? Vou levar uma surra? Querem que eu faça um vídeo pedindo perdão? Certo, se quiserem eu faço isso hahahaha Eu espero que tenham gostado desse capítulo e que não me odeiem porque eu amo muito vocês, minhas leitoras fofas e pacientes! Espero que o Natal de vocês tenha sido muito divertido e que vocês tenham se empanturrado de comida! E espero que o Ano Novo de vocês seja tão divertido quanto e que vocês vejam fogos! Vejam por mim, acho que não terei fogos esse ano T.T Kissus nos seus kokoros! ~^.^~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.