A Vampira, A Loba E A Bruxa

8 Capítulo 8: Onde está o corpo de Juliane?


Emily's Point of View:

–- Agora? Não. Daqui a pouco vamos para a escola. — eu disse.

–- Eu sei, mas, não podemos faltar? — perguntou Vitória suplicante.

–- Você está louca? Ainda é o segundo dia de aula, e nem em sonho eu falto na escola.

–- Ok, quando nós chegarmos, vamos todas jogar. — Vitória disse determinada.

Gleyce voltou para a casa dela e nós ficamos para nos arrumarmos.

–- Achei que minha mãe teria um ataque cardíaco por eu ter saído de casa. Será que ela sabe que eu estou aqui?

–- Provavelmente. — disse Vitória levando o copo de café à boca.

–- Eu vou me arrumar. — eu disse.

–- Ok. — ela concordou. — Eu vou daqui a pouco.

Subi as escadas e entrei no banheiro da suíte em que eu estava. Tomei um banho e quinze minutos depois voltei e me deparei com a mala. Respirei fundo, e revirei a mala em busca de alguma coisa. Peguei um sapato de salto vermelho, uma legging preta, uma camisa xadrez vermelha e verde e um cinto fino preto. Não sou muito boa para "criar" looks. Desci as escadas segurando-me no corrimão e na parede, bem devagar, degrau por degrau, não queria me dar ao luxo de cair e torcer o tornozelo, já que eu estava com salto alto. Quando terminei de descer todos os degraus da escada, me dei conta de que eu havia esquecido de pegar a minha mochila.

Me lembrei, então, que era mais fácil tirar o salto para subir as escadas de novo, e foi o que eu fiz. Peguei a mochila e desci as escadas pulando os degraus como eu sempre fazia. Vesti os sapatos de novo e sentei no sofá para esperar Vitória.

–- Finalmente! — exclamei. — Conseguiu sair do ralo? — perguntei sarcasticamente.

–- Como assim? — ela perguntou desentendida.

–- Você demorou.

–- Eu só não entendi a parte em que você citou o ralo.

–- Esqueça. Só os fortes entenderão. — Eu disse, saindo na frente. Ela me deu um tapa no braço. — Por que motivo você fez isso? Você sabe que seus tapas doem. — Ela deu um sorriso e abriu a porta do carro.

–- Vamos esperar Gleyce no carro.

–- Ok.

Não deu nem dez minutos e Gleyce chegou.

–- Desculpem a demora. Minha mãe me deu uma bronca.

–- Cale a boca. — eu disse ao ver a reação de Gleyce, quando ela viu minhas roupas.

Gleyce's Point of View:

Quando chegamos na escola, soube exatamente o que iria acontecer.

–- Me escondam, meninas! — Emily disse para nós duas.

Formamos uma "fila" com Emily na minha frente e atrás de Vitória. Mas não adiantou muita coisa, pois ouvimos comentários como:

"Será que a barraqueira ficou delicada?"

Para começar, Emily não era barraqueira, ela só não era delicada. É uma péssima explicação, eu sei.

Entramos o mais rápido possível, mas, não deu para deixar de notar um par de olhos verdes seguirem Emily. Esses olhos eram de Gregory, um garoto que gostava de Emily, mas ela não gostava dele, só como amigo, nada mais. Eu tinha dó dele, pois ele é "fofo", eu sei que a maioria dos caras não gostam desse adjetivo, mas ele é fofo sim.

Durante o intervalo, Emily tropeçou, mais ou menos, sete vezes. Por pouco não torceu o tornozelo enquanto subia as escadas, eu me segurei para não dar risada daquela garota que antes tão determinada ao pisar no chão, agora desengonçada, se eu dissesse isso para ela, eu perderia um dente, por isso não comentei nada.

***

Depois da aula, fomos para casa. Com o coração na mão, agora eram cinco e meia da tarde, entramos todas na casa de Vitória, para fazer perguntas aos espíritos. Emilly quase jogou os sapatos longe, mas eu não deixei.

–- Só tire os sapatos não precisa quebrá-los ou jogá-los no lixo. Ok?

–- Ok. — ela disse suspirando.

–- Pegue logo este Tabuleiro.

Vitória tirou o Tabuleiro do papel pardo.

–- Me ajude a fechar todas as cortinas da sala, Gleyce. Emily, busque uma vela para mim.

–- Ok. — disse Emily.

Emily foi buscar a vela. Eu fechei as últimas cortinas e Vitória colocou o Tabuleiro no chão. Emily desceu com três velas na mão e uma caixa de palitos de fósforo. Acendeu as três velas, deu uma a mim, para Vitória e ficou com uma para ela. Vitória colocou uma peça, que tinha um buraco no meio, sobre o tabuleiro.

–- Coloquem o dedo indicador na borda desta peça. — disse Vitória.

–- Nós sabemos o que fazer. — disse Emily.

Assim que nós três colocamos o dedo indicador na peça, ouvimos um trovão e barulho de chuva do lado de fora da casa. Emily estremeceu.

–- Estão nos ouvindo, eu acho. — disse Vitória. — O que perguntar?

–- Juliane está morta? — Emily perguntou. A peça do tabuleiro se mexeu até a palavra "sim". — Vocês empurraram?

–- Não. — eu e Vitória respondemos, tão assustadas quanto ela.

–- O quê, ou quem matou Juliane? — eu perguntei. A peça se mexeu de novo, formando os dizeres: "Não falaremos, estão muito próximas de descobrirem."

–- Se ela está morta, — disse Vitória — onde está o corpo de Juliane? — A peça se moveu novamente formando os dizeres: "No cemitério, atrás do denso bosque em que Emily estava, na base da montanha."

–- Eu tenho mais uma pergunta. — disse Emily. Eu prometo não contar a ninguém, se me responderem. Aquilo que eu vi no bosque é o que eu estou pensando que seja? — A peça se moveu até o "sim".

–- O que é, Emily? — eu perguntei, ao ver a expressão dela, parecia que ela ia desmaiar.

–- Amanhã, às três da manhã, vamos todas para o cemitério, na base da montanha, eu sei onde fica. — Emily disse.

Vitória's Point Of View:

Gleyce foi embora quinze minutos depois que fizemos perguntas ao Tabuleiro, eu e Emily resolvemos dormir mais cedo, já que iríamos acordar bem cedo.

Meu despertador começou a pular na mesinha, como todos os dias, só que hoje, às duas horas da manhã, me arrumei quinze minutos depois, desci, vi Emily na cozinha, estava fritando bacon, enquanto o café coava. Sentei na cadeira que estava na frente do balcão.

–- Boa madrugada! — ela disse de costas para mim, pegou três copos descartáveis de café e colocou café dentro dos três, colocou as fatias de bacon dentro de um pote, e encheu três garrafas de água. — Me empreste um tênis?

–- Claro! — subi para pegar um par de tênis. Achei um All Star preto, que não cabia mais no meu pé, ele estava velho e surrado, mas tenho certeza que ela iria querer do mesmo jeito. Desci as escadas. — Fique com eles. Não servem mais em mim.

–- Obrigada mesmo. — ela disse calçando o tênis. — Se quiser tomar o seu café agora, já que você que vai dirigir. — Ela tirou de dentro da bolsa um copo com café. Eu bebi de uma vez.

Ouvi alguém bater na porta, abri e Gleyce entrou.

–- Então? Vamos?

–- Vamos.

Enquanto eu dirigia, Emily e Gleyce dormiam no banco de trás. estava caindo uma garoa fina, e quando estávamos quase chegando, a estrada começou a ficar lamacenta. Ainda bem que meu carro era 4X4. Estacionei o carro no gramado, onde a fogueira foi montada.

–- Acordem, nós chegamos. — eu disse.

Elas acordaram e saímos do carro.

–- Vamos! — Emily disse. Adentramos a floresta, seguindo Emily.

–- Vou dizer uma coisa: o lugar é sinistro.

Caminhamos por mais ou menos meia hora. Tropeçando, rasgando roupas, escorregando e ficando sujas de lama. Mas continuamos em frente. Finalmente chegamos. As lápides estavam cobertas de musgo, e a maioria quebradas, havia pontas de caixão que começaram a aparecer e uma igreja completamente danificada e coberta de hera, só era possível saber que era uma igreja, pois havia uma cruz encima. Ali era muito frio e ventava muito. Emily congelou, encarava fixamente para uma coisa atrás de uma lápide, sim, o corpo de Juliane.

–- Ah, meu Deus! Por favor, meninas, vamos sair daqui. — suplicou Gleyce. O corpo estava começando a entrar em decomposição, com muitos rasgos profundos de garras. Ouvimos um barulho de longe, por impulso, começamos a correr para fora daquele cemitério. Em quinze minutos chegamos ao local em que o carro estava, mas fomos surpreendidas.

–- Voltando a cena do crime, hein? Rendam-se. Vocês estão presas.