Emily's Point Of View:

–- Presas?! Do que estão falando? — tentei protestar, mas os policiais nos forçaram a entrar no carro do mesmo jeito.

–- Nós podemos explicar! — disse Gleyce.

–- Vão explicar para o juíz.

Entramos no carro sem dizer nenhuma palavra a mais. Chegamos à delegacia e eles nos colocaram em uma "cela temporária". Sentamos no chão e esperamos passar os mais longos quinze minutos das nossas vidas, até um policial chegar.

–- Vão ligar para alguém para poder pagar a fiança, talvez. Quem vai ser a primeira?

Ergui a mão e me levantei saí da cela e fui até a mesa do delegado, peguei o telefone e apertei a primeira tecla.

–- Quem chegou aí? — perguntou o delegado. Virei-me, e, para minha surpresa, Dante Black estava lá.

–- Eu pago a fiança. Das três. Pago um pouco a mais, se elas puderem sair como se nada tivesse acontecido, afinal, elas não mataram a amiga delas. — ele disse. Ele estava ajudando à pessoas que ele mal conhecia.

–- A desaparecida era sua amiga? — O delegado perguntou para mim.

–- Sim.

–- Gostaria de perguntar uma coisa, caso você tenha interesses nisso. — Ele apontou para Dante.

–- O quê? — Dante perguntou.

–- Ela é da sua família?

–- Por que o interesse?

–- Não vou dizer, só responda.

–- Não. — eu disse assim que ele acabou a frase.

–- Ela ainda é minha namorada, não tocamos no assunto de nos casarmos. Podemos fazer isso quando chegarmos em casa? — Ele disse. Me virei, e olhei-o, incrédula. Levantei uma sombracelha, parecia que ele se divertia com isso.

–- Vocês têm casa? — o delegado perguntou.

–- Só não moramos juntos, porque ela ainda é menor de idade. — Minha raiva foi aumentando, como se tivessem colocado fermento.

–- Menor de idade?

–- Sim, mas não se preocupe, ainda não fizemos nada de mais. — Filho da mãe! Que ódio! Eu ainda mato esse desgraçado. Ele me puxou pela cintura para perto dele. E eu continuava a me segurar para não cometer um assassinato na frente de um delegado.

–- Mas e as outras duas? — perguntou o delegado.

–- São quase irmãs da minha namorada. — Eu me segurei para não gritar.

–- Sendo assim... Mas e o dinheiro? — o delegado perguntou.

–- À vista! — ele tirou o dinheiro da carteira e deixou na mesa do delegado.

–- Mas, para ter certeza, vou chamá-las para ver se o que você fala é verdade, Sr...?

–- Sr. Black.

O delegado tirou-as da cela.

–- Vocês o conhecem?

Por trás do delegado, acenei para elas falarem "sim", ainda bem que elas viram.

–- Então, Sr. Black, você, sua namorada, e as amigas de sua namorada podem ir. — Elas abriram a boca para falar, mas eu lancei meu olhar: "fale,-que-eu-as-mato", que fizeram-nas fecharem a boca.

Saí à frente com Dante na minha cola.

–- Você só pode estar de brincadeira! — eu disse furiosa. — Sua namorada? Nós mal nos conhecemos!

–- E se eu tivesse dito que não somos parentes? Talvez ele não tivesse deixado eu pagar a fiança.

–- Tá, obrigada, mas '' não tocamos no assunto de nos casarmos"? Aí já foi exagero!

–- Eu queria deixar mais real. — Consegui vê-lo se esforçando para esconder um sorriso.

–- Ok, mas me puxar pela cintura? Explique-se, vai, exlique isso!

–- Ainda estamos aqui! E queremos ir embora!

–- Eu ainda não acabei com você!

–- De nada.

–- Muito obrigada, Dante! Minha mãe acabaria comigo! — disse Gleyce.

–- Obrigada. — disse Vitória. — E a minha mãe me faria voltar para Georgia.

Enquanto esperava aquelas minhas amigas, pensava em como nós voltaríamos para casa.

–- Carona? — Dante parou ao meu lado.

–- É o único jeito? — Por incrível que pareça, eu estava mais calma.

–- Pelo visto, é.

–- Droga — falei baixinho para mim mesma.

Ele abriu a porta de seu carro. Ele era tão jovem, como poderia ser tão rico? Eu sentei no banco do passageiro. Gleyce e Vitória sentaram-se no banco de trás. Ele pareceu não se importar com o fato de que nós estamos sujas. Não trocamos uma única palavra durante o percurso. Ainda estava muito brava com ele. Nós chegamos em casa. As meninas entraram para dentro. Eu me virei para ele.

–- Muito obrigada. — Eu disse.

–- De nada. — ele sorriu para mim.

–- Isso não significa que eu não estou brava com você. — Retribuí o sorriso e dei as costas. Ele me puxou pelo braço e me beijou, me prendia pela cintura com seu braço, ou seja, estava colada à ele. Tentei me livrar, empurrei-o, mas não adiantou, empurrei com mais força e ele me soltou. Demos um passo para trás. Dei um tapa em seu rosto.

–- Idiota! — Entrei para dentro, subindo as escadas, e fechei a porta sem olhar para ele. Levei os dedos aos lábios, afastei um pouquinho a cortina. Ele ainda estava lá.

Vitória's Point of View:

Gleyce já tinha ido embora. Emily ainda espiava a janela. Fui ver o que acontecia.

–- O que há de errado? — perguntei, olhando pela janela também.

–- Prometa guardar segredo! — Ela disse arregalando seus olhos verdes, em súplica.

–- Ok — eu me assustei. — Me conte.

–- Ele... Eu... Como eu vou dizer isso? — ela fechou os olhos e contou algo bem rápido, de modo que eu não pude entender nada, e abriu um olho para ver como eu reagiria.

–- Repita, por favor, eu não entendi.

–- Ele me beijou! — ela disse.

–- Uau! — eu sorri — Emily beijou um rapaz!

–- Arrependo-me, agora, de ter contado isso para você. — ela fez cara feia. — E ele me beijou.

–- O que você fez depois?

–- Não é óbvio?! Dei um tapa na cara dele.

–- Burra! Por que você fez isso? — eu fiquei indignada.

–- Porque ele fez isso repentinamente, eu achei estranho, dei um tapa na cara dele e xinguei-o de idiota.

–- Você é o ser mais estranho deste planeta! O que ele fez mais?

–- Ele me segurou pela cintura, de modo que eu não poderia me soltar, foi só isso, mas foi muita coisa ao mesmo tempo. — Ela explicou.

–- Ohhhh! Que fofo! Você deveria ter deixado rolar! Foi bom?

–- Eu não sei, mas eu mal o conheço, e eu não quero que isso vire chantagem contra mim!

–- Pode ter certeza que não vai. — ironizei.

–- Nossa, Vitória! Você é uma ótima amiga! — ela ironizou também.

–- Sou mesmo! Me ame!

Nós duas começamos a rir.

Subimos e ela entrou no seu quarto e eu entrei no meu. Achei melhor tomar banho, depois de quinze minutos, me vesti. Olhei no calendário: três de setembro. Caramba! O aniversário da Emily! Como eu pude me esquecer? Eu acho que nem ela se lembrou. Afinal, estávamos incrivelmente cansadas. Então faltaríamos na escola.

Desci e resolvi pedir yakisoba, por mais que ainda fossem onze horas da manhã. Quando ouvi alguém bater na porta, deduzi que fosse Gleyce, afinal, ninguém mais nos visita. Mas me surpreendi:

–- Sra. Osbourne? Que surpresa boa! — Forcei um sorriso.

–- Olá, Vitória! Emily está? — pelo tom de voz da mãe de Emily, minha amiga estava numa fria.

–- Eu vou chamá-la! Quer esperar aqui dentro?

–- Não, querida, obrigada. Emily voltará para casa. — Sim, Emily estava no aperto.

Subi as escadas e bati na porta do quarto.

–- O que foi?

–- Sua mãe. À propósito, feliz aniversário.

Ela contraiu os lábios, olhou para mim e desceu. Eu desci junto à ela.

–- Muito ousada, você, não é? — Emily não entendeu o que a mãe quis dizer. — Foi só eu soltá-la, um pouco, que você já sai vadiando por aí, beijando a todos...

–- Mãe! Eu não fiz isso!

–- Ah, é? Então por que eu vi você beijando um rapaz? Nesse... Nesse... Nesse agarramento todo. Vamos embora.

–- Mãe, eu não fiz isso foi ele que me beijou! Eu acho que você não viu a parte do tapa, certo?

–- Você deu um tapa nele?

–- Sim.

–- É isso aí, filha, mostra quem é que manda! Agora, vamos embora. — o humor dela mudou novamente. Agora eu sei de onde vem as características psicológicas de Emily.

Depois de uma infindável discussão, Emily, infelizmente, teve que voltar para a casa dela. E eu, sozinha novamente.

Gleyce's Point Of View:

Eu fui para minha casa, quinze minutos depois de chegar na casa de Vitória. Emily estava estranha, acho que ela nem me ouviu quando eu disse "tchau". Mas tudo bem.

Subi as escadas que levavam aos quartos, antes que minha mãe pudesse ver minha situação precária. Entrei em meu quarto, tomei um bom banho, e, joguei fora aquelas roupas rasgadas. Não dava mais para usar. Resolvi me deitar um pouco, mas meu descanso foi interrompido.

–- Gleyce? Você está aí?

–- Não. — eu respondi. — Entre logo.

Ele entrou e se sentou na minha poltrona cor-de-rosa.

–- Gleyce, eu preciso te contar uma coisa.

–- O quê?

Ele começou a se mexer desconfortavelmente.

–- Fale logo! — eu disse

–- É que... É que...

–- Desembucha! — perdi a paciência.

–- Lembra daquela coisa sobre o lobisomem?

–- Fale baixo, imbecil, eles podem ouvir. — Me levantei e fechei a porta.

–- Então, lembra daquela parte que falava "se você matasse acidentalmente"?

–- Sim, e para quê o drama?

–- Eu matei alguém, acidentalmente.

–- Isso significa que...

–- Eu me tornei um lobisomem, eu ativei a Maldição. Eu me transformei pela primeira vez na segunda-feira, resolvi ir para um lugar deserto, no Bosque dos Pinheiros, mas eu esqueci da Festa da Fogueira. Só sei que eu me transformei de forma muito dolorosa, e depois eu não sei o que aconteceu. Quando acordei, estava em um cemitério... — eu o interrompi.

–- Foi você?