A Trindade Mágica
3 Capítulo 3 - O Espírito Transcendente
Em uma cidade, próxima a áreas montanhosas, há um templo com bancos de madeira unilaterais formando colunas de assentos virados para frente, em direção a um pequeno palco de pedra com uma mesa cheia de velas acesas nos fundos e na parte da frente um palanque de madeira com um livro aberto em cima dele.
Dentro daquele local sagrado haviam várias pessoas vestindo apenas uma peça de roupa, que cobria o corpo inteiro como se fosse uma túnica e dentre essa gente um homem caminhou em direção ao altar e se apoiou com uma mão no palanque enquanto que a outra estava escondida, atrás das suas costas. Ele parecia ser uma espécie de padre, bispo, um representante religioso maior naquele grupo.
Aquela pessoa perguntou ao grupo se todos estavam de acordo com o que fariam. Se todos acreditavam na força espiritual de si mesmos. As pessoas ali presentes responderam positivamente à pergunta de seu líder.
O representante religioso revelou o que mantinha escondido atrás de si: um punhal com escritas gravadas na lâmina. Agora, com aquela arma a vista de todos, o homem segurou-a firmemente com as duas mãos e a elevou o mais alto e distante possível de seu corpo.
Seus discípulos fizeram exatamente o mesmo que aquele presbítero: mostraram que tinham um punhal com escritas cravadas nas lâminas, seguraram o item com as duas mãos firmemente e a afastaram de seus corpos o quanto podiam.
Poucos instantes depois, todos naquele templo, incluindo o próprio prior, cravaram os punhais em seus corpos, na altura dos seus corações. Enquanto sentiam a tremenda dor do golpe dado em si mesmos aquela gente toda conseguiu ainda fazer uma espécie de reza até o fim e com a conclusão dela eles faleceram.
As almas das pessoas que morreram saíram de seus corpos e subiram ao céu, ficando paradas lá, imóveis, por um tempo. Após todos os espíritos estarem finalmente juntos no céu elas começaram a se mover para ficarem mais perto uma da outra. As almas ficaram se aproximando cada vez mais até que passaram a se unir e por fim todas elas formaram um único espírito.
A alma criada por aquela união era maior que aquelas que a formaram e não possuía feições ou aparência que lembrasse algo físico. Não havia cabelo ou outros pelos faciais, nem nariz, orelha, lábios. Só dava para ver seus olhos porque no lugar dos globos oculares eram feixes de luz embranquecidas. O espírito também não possuía braços ou pernas, apenas uma cabeça que se ligava ao pescoço, ligado a um tronco que se afinava até formar uma ponta curvada.
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