A Trindade Mágica
4 Capítulo 4 - Magia da Natureza
Oito anos se passaram, aquela criança que nasceu na floresta: Galvia. Ela agora tem oito anos de idade. Uma menina com um longo cabelo verde, olhos azuis, pele morena e lábios avermelhados. A jovenzinha cresceu na cidade de Duamontana, próxima a regiões montanhosas, com dois ótimos pais que cuidaram e a educaram bem para que ela se tornasse uma moça exemplar e ela sempre mostrava que o trabalho deles não era em vão: Galvia era, na maior parte do tempo, gentil e calma, mas quando irritada por algum amiguinho na infância, rapidamente ficava violenta. Mesmo com esses poucos momentos de raiva, a garota ainda era mais conhecida pela sua gentileza, educação e calmaria.
Junto com os ensinamentos mais comuns que seus pais passaram a garota, tinha algo a mais que eles precisavam instruir a ela: o uso da magia. Dentro de casa os pais chamaram por Galvia e juntos tentaram começar a conversa:
— Filha, nós temos uma coisa para te ensinar — começou a dizer o pai.
— Algo que nos é ensinado desde que somos crianças — continuou a mãe.
— Você provavelmente já até viu outras crianças fazendo isso — interrompeu o pai, aparentemente nervoso.
— Quer que eu conte a ela? — perguntou a mulher, compreensiva, vendo que seu companheiro estava nervoso.
— Acho melhor né — o homem sorriu envergonhado e se calou, sentando numa poltrona próxima.
— Então, meu bem. Há muito tempo atrás, enquanto as primeiras cidades estavam sendo construídas, algumas pessoas eram muito apegadas à natureza. Por mais que elas quisessem morar nas vilas, também queriam viver nas florestas, nas montanhas, próximas do mar, conviver bem com os animais. Aquele desejo era tão forte que as pessoas abandonavam suas vidas e suas casas por algum tempo para estar nas florestas, nas montanhas, no oceano ou em meio aos animais. Um dia, uma criança que brincava em uma floresta correu de volta pra casa e mostrou aos seus pais o aprendeu a fazer. Ela conseguia criar ventos como nunca haviam aparecido antes e usou eles para levitar no ar.
— Uau — exclamou Galvia enquanto arregalava os olhos, admirando a história.
— Os pais ficaram espantados com aquilo. Tanto que pegaram no braço da criança fazendo-a descer do ar e a levaram pra fora de casa, para buscar alguma ajuda sobre aquilo e foi justamente do lado de fora de suas casas que eles perceberam que aquilo não era novidade somente para eles. Por toda a cidade tinha alguém que conseguia fazer alguma coisa com os elementos da natureza como se fosse mágica. Várias pessoas estudiosas e importantes foram até essa cidade para entender o que estava acontecendo, mas perceberam que aquilo não acontecia só ali. Outros lugares no mundo também tinham pessoas capazes de fazer coisas parecidas e diferentes daquelas. Depois de muitos anos estudando isso as pessoas descobriram que era sim Magia e que sua fonte era a natureza: a terra, a água, o ar e o fogo. Por isso deram o nome dessa magia de Magia da Natureza.
— Que legal mamãe — exclamou a garotinha muito feliz com a história contada pela sua mãe.
— É sim meu bem, mas com aquela descoberta apareceram muitas pessoas más que usavam a magia pra coisas erradas. Eram tantas que ninguém conseguia derrota-las.
A menina deu um suspiro de espanto e não falou mais nada, deixando a mãe continuar o conto.
— Até que um dia um homem apareceu. Ele tinha um Nível mágico bem alto e conseguia usar a Magia da Natureza de uma forma mais poderosa e única. Uma forma que ninguém mais conseguia. Era como se ele usasse a forma mais primordial dessa magia. E foi assim, sozinho, que ele conseguiu vencer as pessoas malvadas.
— Então acabou a magia má, só restando a magia boa — afirmou Galvia já querendo dar um fim na história da mãe.
— Não é bem assim meu bem. Nessa magia há motivos diferentes para usa-la. Nós chamamos isso de Moralidade.
A menina fez uma cara como se não tivesse entendido aquilo. Sua mãe percebeu isso e tratou de explicar.
— Olha, existem pessoas boas e pessoas más no mundo e elas usam a Magia da Natureza pra fazer várias coisas. Coisas boas e coisas más, mas isso não quer dizer que seja ruim pra todos no mundo.
— Então porque aquele homem apareceu e derrotou todo mundo? — perguntou Galvia
— Porque eram muitas pessoas más usando a Magia da Natureza de forma errada e elas estavam saindo impunes de seus atos. Aquele homem veio para trazer justiça ao mundo.
— Ah então ele é tipo um super-herói? — perguntou a menina.
— Quase isso — respondeu a mãe ainda tentando explicar tudo a filha.
O pai se levantou da poltrona, se aproximou mais das duas, ajoelhando ao lado da mãe, e falou:
— Um tempo, atrás não tinham muitos coleguinhas da sua escola implicando com você por causa da cor do seu cabelo e da sua pele e que você não conseguia fazer eles pararem? Você até nos disse que falou com a tia da escola, mas que mesmo assim eles continuavam. Aí a gente foi lá falar com a diretora e com os pais das crianças e que agora eles não implicam mais contigo. Lembra disso?
— Uhum — respondeu ela.
— Então, a gente fez o mesmo que aquele homem fez antigamente.
— Falou com os pais daqueles que faziam coisa errada? — A garota perguntou aquilo tentando entender o que o pai queria dizer.
— Não amor — começou a responder o pai, rindo um pouco da resposta da filha — a gente foi lá pra fazer com que os culpados pagassem pelas coisas que fizeram. Por mais que aquelas crianças quisessem implicar contigo eles se juntaram pra fazer isso, te deixando sem poder se defender ou revidar…
A mãe moveu seu corpo um pouco mais à frente do homem, em direção a filha, como se quisesse impedi-lo de prosseguir com sua fala. Talvez por achar que aquelas palavras estavam um pouco pesadas para uma criança.
— O que seu pai quer dizer amor é que a gente correu atrás de justiça pra você. Fomos pedir para que os pais das crianças fizessem seus filhos pararem de implicar com você se não tomaríamos medidas legais contra eles.
— Ah, mas ainda tem alguns que implicam comigo — advertiu a menina ainda um pouco confusa sobre o assunto.
— Mas agora é só um né? Nunca vem mais de um implicar contigo né? — perguntou a mãe um pouco irritada ao ouvir aquilo.
— Sim e nem sempre é o mesmo.
— Então minha filha, foi isso que aquele homem fez no passado. Ele viu a injustiça naquele tanto de gente ruim fazendo coisas horríveis, prejudicando outras pessoas, que decidiu agir pra ajudar as outras pessoas.
— Ah tá, entendi — disse Galvia finalmente compreendendo a história como um todo.
Os pais fecharam os olhos, suspiraram e relaxaram seus músculos. Aparentemente eles estavam aliviados por finalmente terem conseguido fazer a filha entender aquela história. Depois disso o homem olhou para mulher e disse a ela:
— Faz pra ela ver.
Galvia não entendeu aquilo.
A mulher olhou pro seu companheiro, sorriu e disse:
— Tá!
Logo depois ela o beijou e se levantou do chão, ficando em pé próxima a janela da casa onde tinha um vaso de planta com uma flor nele. A garota olhava atenta para a mãe, tentando entender o que ela faria. De repente, aquela flor no vaso começou a se mover sozinha. O pai pegou seu celular e colocou uma música para tocar e com o som rolando a mãe começou a dançar, sendo copiada pela planta que se movia seguindo o ritmo da música, da mesma forma que a mulher.
Dava para ver o brilho de admiração no olhar de Galvia. Ela até se aproximou de seus pais para dançar junto e ali ficaram eles quatro dançando: Galvia, seus pais e a flor.
Ao fim da música a mãe parou de dançar e a flor também parou de se mover. O pai guardou o celular e Galvia resmungou, querendo mais. Foi aí que seus pais novamente se agacharam para falar com sua filha:
— Amor, há algo que chamamos de Custo pra usar magia. A pessoa que queira usar a Magia da Natureza precisa estar perto ou até mesmo tocar no elemento que quer controlar. Por isso a mamãe ficou aqui perto dessa plantinha.
— Ah tá. Mas e o papai? O que ele vai fazer? — Perguntou Galvia com um sorriso inocente, pensando que veria algo tão impressionante quanto a flor dançante.
— Meu bem… nem todos no mundo conseguem usar essa ou outra forma de magia. Seu pai é uma dessas pessoas.
Galvia olhou com tristeza para seu pai, que correspondeu com um sorriso de felicidade, mostrando a ela que estava tudo bem. Sua mãe virou o rostinho da filha de volta para si e continuou a falar
— Tá tudo bem meu amor. Isso não quer dizer que ele é esquisito ou menor que eu. É que nem a gente te contou sobre seu nascimento e te explicou sobre a sua aparência: isso não define o que você é e nem te torna melhor ou pior que ninguém, apenas te faz ser um pouco diferente deles.
A garotinha se lembrou da educação que recebeu e melhorou sua cara, ficando animada novamente e foi assim que sua mãe continuou:
— Querida, você também pode usar a Magia da Natureza.
— Igual você mamãe? — Perguntou a garotinha.
— Não, melhor. Você nasceu da Magia da Natureza e por isso pode fazer muito mais. Só precisa praticar e não esquecer de quem você é.
Galvia ficou superanimada ao ouvir aquilo. Tanto que gritou, sorriu e correu pela casa toda até que parou de repente, fechando a cara e depois parou em frente a sua mãe e disse:
— Me ensina a usar a Magia da Natureza mamãe?
— Ensino sim meu bem. E o papai vai te ensinar a se defender sem precisar usar a magia porque não será sempre que você vai poder utiliza-la.
— Tá bom.
E assim aquela família continuou com suas vidas, agora com a mudança de ensinarem a filha a usar magia e a se defender sem o uso dela.
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