A Trindade Mágica
2 Capítulo 2 - Hemógues
Em uma região montanhosa, há uma área onde tem diversas pedras com tamanhos e formas variados. Não há árvores, nem grama ali. Naquele lugar havia um altar rochoso com uma espécie de bacia nele e várias pessoas formando um círculo ao redor — como se fosse um culto.
Todos ali vestiam couro e alguns tinham marcas em seus rostos. Uma única pessoa vestia uma túnica leve, de cor vermelho escuro, com capuz. Este se aproximou do altar e chamou por duas pessoas, um homem e uma mulher, que caminharam juntos em direção ao sacerdote, mostrando determinação em seus rostos como se aquilo fosse algo de grande desejo deles e enorme responsabilidade para qualquer um.
Em um lado do altar o homem encapuzado pediu que o casal estendesse suas mãos acima da bacia. Os convocados fizeram o que foi solicitado.
Calmamente o sacerdote retira um punhal que guardava em sua túnica, encosta ele em uma das mãos, aplica uma pressão e segue fazendo uma linha reta de corte até o final da outra mão, formando assim uma linha única de sangramento de uma pessoa a outra.
Durante o corte, o casal fez uma pequena careta de dor, mas logo voltaram a mostrar a determinação em suas faces.
Após aquele ato do clérigo, o homem e a mulher, juntos, fecharam seus punhos e pressionaram com força para que suas mãos sangrassem bastante e o mesmo escorresse, caindo direto naquela bandeja funda.
Depois de alguns segundos, com o sangramento parando, o sacerdote olhou para dentro do recipiente. Vendo que a quantidade despejada não é necessária ele informa ao casal que precisa de mais líquidos vitais vindo deles. Os dois entendem o que o homem quer dizer e acenam positivamente com a cabeça, sem dizer uma palavra, ainda deixando claro suas determinações. O clérigo então faz cortes profundos nos braços do casal e estes, enquanto aguentavam a dor, pressionaram a área envolta do ferimento com o mesmo intuito de antes.
Novos segundos se passaram e novamente o homem encapuzado conferiu o recipiente, mas diferentemente agora ele sinalizou aos dois na sua frente que era o bastante. O casal então recuou de volta as suas posições originais naquele círculo formado por outras pessoas. O sacerdote também se afastou, mas este apenas dando um passo para trás.
Com o sangue derramado naquele altar e os responsáveis terem retornado as suas posições anteriores, todas aquelas pessoas no culto fizeram uma espécie de pedido coletivo em um tom alto, firme e forte. Um coro sem ritmo, apenas falando seu desejo com a força de suas determinações.
Enquanto o culto repetia aquele desejo algo no altar acontecia. O sacerdote reparou na ocorrência e decidiu olhar dentro da bacia enquanto fazia o pedido coletivo como os outros. Em meio a todo aquele sangue formas foram aparecendo: bracinhos, perninhas, uma cabecinha e uma barriguinha. Não demorou muitas repetições para que logo todo o grupo ouvisse um choro de criança e assim parasse seu pedido.
O sacerdote vendo aquele bebê recém-formado e banhado em sangue naquela bacia chamou pelo casal de antes. O homem e a mulher, agora sem ferimentos, se aproximaram do sacerdote e o mesmo pegou a criança do recipiente e entregou-a para os braços deles. O casal acenou respeitosamente com a cabeça para o encapuzado, se olhou e ali finalmente mudaram suas feições para felicidade, seguindo de um abraço caloroso no bebê.
Os pais são os primeiros a se retirarem daquele local, levando consigo o neném para a casa deles. Depois, o restante das pessoas vestindo couro também foi embora e por último ficou o clérigo que antes de sair deu uma última olhada para o altar e depois se virou, seguindo seu caminho de volta para a cidade.
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