A Trindade Mágica
13 Capítulo 13 - O nascimento de RoberMarta
Aquele grande homem branco, cabeludo e barbudo começou a caminhar até a população com a cara fechada, séria, mas após dois passos uma estranha presença apareceu na frente do invasor: uma forma espectral de um humano, mas sem traços específicos e com olhos brilhantes simplesmente apareceu do nada na frente dos cidadãos de Duamontana, virado para o estrangeiro delinquente. No mesmo momento, todos presentes se assustaram, incluindo Hemógues e Galvia que embora bem machucados conseguiram se sentar e observar o que acontecia.
“Mas que porra é essa?”
— O que é uma “porra”? — Perguntou calmamente aquele ser, olhando para o invasor.
Não houve uma única pessoa que não tenha reagido de forma confusa para o ouviu. Alguns até mesmo perguntavam as pessoas ao lado para saber se aquela frase realmente foi dita.
“Que?”
— É que você disse “Que porra é essa?”. Eu já estudei muitas coisas do mundo de vocês, mas nunca tinha lido ou ouvido essa palavra antes. “Porra”. O que é isso?
Novamente os duamontanenses não entenderam nada do que estava acontecendo. Do porquê um espírito apareceu do nada na cidade, naquele exato momento, e começou a questionar um homem sobre o significado da palavra “porra”.
“Ah, chega disso.”
De repente o mago do ar tenta dar um soco naquela alma, mas seu punho atravessa onde seria o rosto do espectro. Isso deixa o homem irritado que começa a desferir outros golpes, mas agora em áreas diferentes do ser. Todos os ataques atravessam, mas o homem não desiste. As pessoas observavam aquilo sem entender nada.
— Você é um espírito, mas não como qualquer um. Provavelmente não deveria estar aqui. O que você faz aqui? — disse o policial que socorria Hemógues e Galvia.
O espírito vira seu olhar para ele e responde:
— Mais cedo eu encontrei dois homens que estavam destruindo um templo desta cidade como forma de trabalho.
O mago do ar invasor arregala os olhos, surpreso com o que ouviu e para de tentar atacar o espírito. Ele está nitidamente exausto de dar tantos golpes em vão e fica ali, parado, tentando retomar o fôlego enquanto presta atenção na conversa.
— Eu conversei com um deles e então ambos decidiram parar com a destruição e irem embora.
— Então você está aqui para nos ajudar?
— Sim. Senti algo muito pior do que naqueles homens de antes e vi o que ocorria aqui então decidi descer para tentar ajudar. — Respondeu o espírito transcendente ainda olhando para a policial.
A agente da lei sorri, mas logo depois se preocupa porque vê Hemógues e Galvia se levantarem.
— Você me atrapalhou sabia? — Reclamou Galvia para Hemógues.
— Eu te atrapalhei? Você tava claramente precisando de ajuda. Tava perdendo pra ele. Se eu não entrasse no meio tu ia morrer com certeza. — Respondeu Hemógues, debochando da garota.
— Claro que não. Eu poderia mantê-lo ocupado e você poderia ter tirado as pessoas daqui, ajudado com o delegado, sei lá.
Os garotos estavam mais preocupados em discutirem entre si do que voltarem a ajudar a cidade até que uma voz é ouvida em suas mentes:
“Vocês estão bem?”
“Quem é você? E porque tá na minha mente?” — Perguntaram os dois jovens magos, cada um em sua própria mente.
“Eu sou …” — A alma respondeu ao mesmo tempo os dois.
“Que? Como se fala isso?” — Novamente tanto o mago de sangue quanto a maga da natureza questionaram o espírito transcendente.
“Enfim, eu ouvi que você tá aqui pra ajudar, mas você é só uma alma. O que pode fazer pra ajudar?” — Isso veio de Hemógues.
“Eu não sei exatamente, mas como eu conversei com um dos homens que destruía o templo mais cedo e mostrei pra ele meu conhecimento, talvez eu possa fazer o mesmo com este também.” — O espírito respondeu o garoto.
“Contanto que isso nos ajude.”
“Deixa isso pra lá. Talvez você possa nos ajudar lendo a mente daquele homem e passando essas informações pra gente.” — Disse Galvia, ao mesmo tempo que Hemógues fez sua pergunta.
“Se isso ajudar vocês e a cidade então farei.” — Afirmou a alma para Galvia, ao mesmo tempo que respondia Hemógues.
“Seria mais fácil pra mim, e pra todos da cidade, se você tivesse uma aparência humana, ou ao menos se parecesse com uma. Além de um nome que desse pra falar.” — Tanto Hemógues quanto Galvia falaram aquilo para o espírito transcendente.
“E como deveria ser essa minha aparência humana e meu nome?”
“Um garoto humano, mais ou menos da minha idade. E usa o nome de… Roberto.” — Respondeu Hemógues.
“Uma garota humana, mais ou menos da minha idade. E usa o nome de… Marta.” — Respondeu Galvia.
“Tudo bem. Farei isso” — Respondeu o ser espiritual.
Embora as conversas parecessem de certa forma longa, isso durou na verdade cinco segundos.
A alma em si não mudou de forma alguma, porém para todos aqueles que a viam ela se transformou em uma pessoa jovem, com cerca de dezesseis anos de idade; com cabelo curto; olhos castanhos; nariz, boca e corpo sem nenhum traço específico. Aos olhos de todos o espírito transcendente transformou-se em uma pessoa normal, mas sem definição clara se era um garoto ou uma garota.
“O que é você?” — Pensou o mago invasor.
Aquela pessoa jovem se virou novamente e respondeu com uma voz calma:
— Eu segui o conselho do Hemógues e da Galvia e fiz com que todos me vissem como um garoto e uma garota, além de adotar os nomes de Roberto e Marta.
— Não foi exatamente isso que eu imaginei — reclamou Galvia, confusa com aquela aparência.
— Mas tá melhor do que antes — esbravejou Hemógues.
Galvia concordou, mas depois retrucou o espírito:
— Mas o seu nome vai ser literalmente “Roberto e Marta”?
— Bem, você quer me chamar de Marta e ele — o espírito apontou para Hemógues — quer me chamar de Roberto, então parece lógico eu adotar os dois nomes para que eu consiga agradar vocês dois.
— Mas assim fica estranho…
Galvia começou a pensar em nomes que se enquadrassem melhor ao ser espiritual com aparência humana e sem um gênero nitidamente definido.
— Chama logo ele de RoberMarta. — Hemógues soltou essa por estar de saco cheio daquela conversa. Como se quisesse logo voltar a lutar.
— É… pode ser. Tudo bem pra você?
— Sim. Assim como eu mesclei os gêneros humanos, mesclar esses nomes também me parece correto por essa lógica.
Após o espírito transcendente aceitar aquele nome mundano, Galvia e Hemógues se posicionaram de frente para o mago do ar invasor, mostrando a ele que estavam prontos para repetir o combate, determinados a vencê-lo. O ser espiritual, agora com a aparência humana, percebeu que algo aconteceu atrás dele e quando viu os jovens com posturas diferenciadas ele pensou que devesse fazer o mesmo e então tentou criar seu próprio gesto de batalha.
— O que ele tá fazendo? — Galvia, sem se mexer, cochichou para Hemógues.
— Acho que ele tá imitando a gente. — Hemógues, também imóvel, cochichou de volta para Galvia.
Ela entendeu então o comportamento do espírito e se contentou em saber que teria mais uma pessoa para ajudar na proteção a cidade.
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