A Trindade Mágica
14 Capítulo 14 - A Trindade Mágica
“Eu já venci vocês dois e toda a força policial dessa cidade. Mesmo o espírito virando uma pessoa de carne e osso e se juntando na luta, eu ainda posso acabar com os três juntos num instante” — Pensou o grandão barbudo.
— Ele pensou que já venceu todos os policiais e vocês dois antes. Tem certeza que poderá derrotar nós três juntos.
— Isso é o que veremos — disse Hemógues tão baixo que parecia estar falando mais para si.
O adolescente sentiu aquelas palavras como uma provocação e, por ser muito impulsivo, decidiu iniciar o ataque do trio correndo para cima do invasor, independente do que pudesse acontecer posterior a isso.
— Espera! — Gritou Galvia. — Seria melhor a gente criar um plano.
Suas palavras não alcançaram o mago de sangue, mas alcançaram o mago espiritual, fazendo com que ele se preocupasse em ouvir os pensamentos do grandalhão e do menor.
“Ele é um mago elemental do ar e consegue criar rajadas de vento capazes de empurrar pessoas e destruir pedras. Sem falar que ele parece ter uma força física maior que de um adulto normal. Vou aumentar minha força e resistência pra de três homens adultos e fingir que vou dar um soco nele pela esquerda, quando ele for defender, o surpreendo com um na direita. Se caso ele contra atacar aí eu cancelo os golpes e defendo.”
“Ele é um mago de sangue então com certeza vai se ferir pra depois usar alguma magia. Provavelmente vai começar aumentando a sua força física pra tentar me dar um soco e se caso eu me esquive ou contra ataque, ele vai aumentar sua resistência pra aguentar o meu ataque. Deve focar suas magias nas regiões superiores do corpo então vou atacar as pernas dele. Assim consigo desestabilizá-lo e acabar com ele rápido.”
O espírito transcendente, agora chamado de RoberMarta, ouviu os dois pensamentos. Tanto de Hemógues que corria para cima do mago de ar, quanto do próprio invasor que aguardava o movimento do oponente com um sorriso no rosto.
“Hemógues, eu ouvi os seus pensamentos e o desse homem. Ele já tem uma noção dos seus movimentos. Você não vai conseguir atingir ele e ainda vai ser golpeado nas pernas.”
No mesmo instante em que ouviu essas palavras em sua mente, Hemógues parou de avançar. Ele olhou para trás, em direção a RoberMarta pois sabia que aquela era a habilidade dele.
“E o que eu devo fazer então? Virar saco de pancada dele?” — Pensou Hemógues para RoberMarta.
Antes mesmo que o humano sem gênero pudesse responder ao jovem, o mago do ar correu para Hemógues com o seguinte pensamento:
“Essa é a minha chance. Vou acabar logo com esse garoto e jogar ele contra os dois de trás, assim ficará mais fácil finalizá-los.”
Durante o curto tempo que o invasor tinha para alcançar Hemógues, RoberMarta envia uma ordem para Galvia via pensamento:
“Arremesse o Hemógues pra cima!”
“Que? Como assim?” — perguntou a garota, surpresa em ouvir aquilo em sua mente.
“Faça algo para fazer o Hemógues se impulsionar para cima.”
Pela situação em que estavam, Galvia decide acatar aquele comando. Ela levanta seu braço direito com força e rapidez como se estivesse jogando algo para cima, mas o que foi de fato arremessado aos céus tinha sido o mago de sangue, impulsionado por conta de uma grande plataforma de pedra que se ergueu do chão, bem embaixo de seus pés, tão rápido quanto um pensamento.
“Essa foi a melhor maneira de você escapar do ataque daquele homem sem que fosse ferido” — disse RoberMarta mentalmente para Hemógues.
“Mas como eu vou fazer alguma coisa aqui em cima?” — perguntou Hemógues levemente irritado.
“Com aquela sua estratégia de aumentar sua força e resistência somadas ao impacto da sua queda sobre aquele homem com certeza o dano causado será muito grande para que ele consiga continuar lutando.”
“Hm, acho que vou fazer algo ainda melhor. Distraia ele e o deixe parado no lugar.”
O brutamontes cabeludo percebeu que seu rival foi para o alto e enquanto olhava para cima pensou:
“Ótimo, assim eu posso cuidar dos outros dois antes que aquele garoto volte pro chão”
O espírito transcendente ouviu aquilo e rapidamente se comunicou com a jovem maga da natureza primordial:
“O garoto lá de cima tem um plano. Ele disse que precisa que este homem seja distraído e fique parado no mesmo lugar. Eu vou distraí-lo e quando eu te chamar de novo você para ele.”
“Que? Ah… ok.”
Assim que o mago de ar voltou a olhar para frente, deu de cara com Hemógues em sua frente. O barbudo estranhou aquela visão e até olhou novamente para cima, mas não havia nada lá além um céu azul com nuvens brancas. Durante essa distração um forte impacto foi sentido em sua face, fazendo-o até mesmo recuar levemente o corpo para trás. Quando voltou a se endireitar entendeu que havia recebido um forte soco, mas antes que pudesse fazer qualquer ação recebeu outro, e outro, e outro, e outro. Uma sequência de golpes era desferida contra ele de tal maneira que o impedia de sequer se esquivar.
Enquanto o mago da natureza do ar estava apanhando, Galvia, RoberMarta, os policiais e algumas pessoas da cidade que estavam próximas do local da luta assistiam o invasor se movendo de forma estranha. Sua cabeça nunca parava quieta no lugar por muito tempo, sempre fazia um movimento rápido para trás enquanto o rosto virava horas pra direita, horas pra esquerda, enquanto seu corpo se curvava para trás.
— O que tá acontecendo? O que houve com ele? O que ele tá fazendo? — Era o que os duamontanenses se perguntavam ao olhar a estranha cena.
“Agora! Prenda ele!”
Galvia ouviu aquela voz em sua mente, reconhecendo ser do espírito transcendente e sem perder tempo virou-se rapidamente na direção da montanha oeste e esticou os braços para lá. Cerca de um minuto depois, diversas raízes de árvores vinham percorrendo o solo rapidamente, como animais ferozes e famintos por sangue, em direção a cidade até chegarem próximas da garota que, com o movimento de seus membros superiores, guiou aquelas estirpes para o homem invasor, evitando os corpos dos outros brutamontes caídos no chão, amarrando seus braços e pernas ao chão, deixando-o imóvel.
Assim que foi preso, o mago forte e alto parou de enxergar Hemógues dando-lhe socos. O que ele via agora era RoberMarta parado na sua frente e Galvia, um pouco mais atrás, com os braços esticados em sua direção.
“Todos aqueles golpes não eram reais, mas eu senti como se fossem… Esse espírito, além de conseguir entrar na minha mente facilmente ainda criou uma poderosa ilusão. Preciso acabar logo com os outros dois pra depois ir embora daqui. Não conseguirei vencer esse mago espiritual.”
Depois reparou que não conseguia se mexer e ao investigar o motivo percebeu que seus braços e pernas estavam presos por grandes radículas que saiam do chão.
“Raízes? Aqui? Espera…” — Ele olhou diretamente para Galvia — “Aquela garota. Ela é uma maga da natureza que pode usar magias de ar, terra e também vegetais? Isso realmente dificulta o meu trabalho.”
O mago invasor sorriu para os jovens, como se aquilo fosse apenas uma brincadeira de criança para ele e continua seu pensamento:
“Pra minha sorte ela não é muito poderosa como o espírito ali, caso contrário eu não teria durado um minuto após a chegada dela. Vou seguir com meu plano de terminar com essas crianças e terminar o contrato…”
A sensação de algo pingando sobre seu rosto parou o raciocínio do homem. Logo depois, uma voz conhecida vinda de cima disse:
— AÍ. QUERO VER VOCÊ AGUENTAR ESSE.
Aquela combinação fez o invasor levantar a cabeça para olhar para cima e foi então que sua visão mostrou uma grande parte do céu encoberta por um punho gigante com sangue escorrendo vindo em sua direção.
O sorriso no rosto do brutamonte mudou completamente para uma preocupação verdadeira, mas isso foi tudo o que ele pôde fazer, sendo logo atingido em cheio por aquele enorme membro, esmagando-o junto ao solo que também não resistiu a força do impacto e se quebrou, criando uma grande cratera e levantando muita poeira.
Hemógues usou sua enorme mão para se impulsionar para cima e enquanto no ar seu membro diminuía de tamanho para voltar ao estado normal até o jovem pousar tranquilamente em terra, entre Galvia e RoberMarta.
— Ele morreu? — perguntou Galvia preocupada.
— Tomara — exclamou Hemógues enquanto o ferimento de mordida em sua mão se curava sozinho.
— Cruzes garoto — a maga olhou com desaprovação para o adolescente.
— Ele ainda está vivo, mas inconsciente. Igual aos outros dois que já estavam caídos no chão — disse RoberMarta.
— Ah que bom.
— Como você sabe? — Questionou Hemógues.
— Eu sinto as almas deles ali.
— Sente as almas deles? — Dessa vez Galvia fez a pergunta.
— Deve ser coisa da magia espiritual — respondeu Hemógues se virando de costa para a cratera e se afastando do local.
O tempo que Galvia levou para compreender a resposta dada e Hemógues dar dois passos, se afastando do local, foi o mesmo que o brutamontes teve para recobrar a consciência. Ele tossiu duas vezes devido ao tanto de poeira de terra dentro da cratera e depois tentou se levantar, mas percebeu que seus músculos estavam doloridos demais para exercer qualquer força.
O som da tosse fez Galvia se assustar e temer uma nova luta. Hemógues virou o rosto preocupado e raivoso para trás enquanto levava sua mão até a boca para se caso fosse necessário sangrar e usar novamente sua magia.
“Você está bem?” — RoberMarta entrou novamente na mente do invasor, mas agora para saber sobre seu estado.
“Você consegue transmitir o pensamento de uma pessoa para outra?” — Perguntou o mago da natureza de ar.
“Sim. Consigo.”
“Então me deixe falar algo para aqueles dois também.”
“Que outros dois?” — Questionou RoberMarta sem saber de quem realmente aquele homem falava já que haviam muitas pessoas acima da cratera.
“Os outros magos que me derrotaram.”
“Ah sim. Ok.”
Um minuto e meio depois da tosse, o espírito transcendente entra na mente de Galvia e Hemógues e lhes diz:
“Está tudo bem. Aquele homem não está com forças para se mexer e ele disse que quer falar algo para nós três então vou transmitir a mensagem mental dele diretamente pra vocês também.”
“Ok.” — disse Galvia mais tranquila por saber que aquele homem, mesmo ter invadido a cidade e ferido tantas pessoas, estava bem.
“Hm. Tá bom” — disse Hemógues, se virando em direção a cratera para dar mais atenção ao que fosse dito.
“Pronto senhor. Pode falar o que deseja. Nós três ouviremos diretamente em nossas mentes.” — disse RoberMarta para a pessoa dentro do buraco no chão.
“Parabéns. Vocês três foram os únicos que conseguiram me vencer em toda a minha vida. Por isso eu os nomeio como A Trindade Mágica.”
“Obrigada… eu acho” — respondeu Galvia.
“Hm” — Hemógues pareceu não ligar muito para tal elogio e depois se virou para ir embora.
“Isso é um elogio Galvia?” — Perguntou RoberMarta.
“Ham… De certa forma sim.”
“Ah então agradeço por ter dito isso” — o espírito agora direcionou aquela mensagem mental par ao adulto caído.
— Muito bem homens. Vamos prender esse desgraçado e os outros dois caídos ali também. Depois vamos interrogar todos e jogá-los atrás das grades, juntos com aquele que a garota Galvia nos entregou. — Gritou o delegado.
— Mas senhor, nós não conseguimos entrar na mente daquele mago antes. — Retrucou uma policial enquanto ajudava um colega de profissão a levantar.
— Hm, verdade. Ei, você aí, espírito.
RoberMarta não olhou para o delegado da cidade pois entendeu que estavam falando dele, mas não necessariamente com ele, mas Galvia notou que o chefe de polícia estava chamando pela alma e então falou com ela:
— RoberMarta, o delegado está te chamando.
— Ah então eu devo responder a este tipo de comunicação? — RoberMarta realmente não sabia que aquilo era uma maneira de chamar alguém.
— Sim — respondeu Galvia sorrindo disfarçadamente para esconder a sua estranheza do comportamento do espírito.
A alma então se vira para o capitão, caminha até ele e lhe diz:
— Pois não senhor?
— Nos ajude a interrogar aquele criminoso que vocês derrotaram a pouco. Precisamos saber quem ele é, o que veio fazer aquilo, qual a ligação dele com os outros homens que atacaram a cidade entre outras coisas.
— Ajudo sim.
RoberMarta então começa a se dirigir para a cratera.
— Droga — resmungou o senhor policial.
O delegado se move rapidamente para sua frente como se quisesse impedir sua passagem. Aquela atitude fez o espírito parar e fazer uma cara de confuso.
— Primeiro precisamos tirá-los de lá. Meus homens farão isso e os levarão para a delegacia. Lá nós faremos os interrogatórios.
— Ah sim. Compreendi.
— Fique por aqui, aguardando levarmos eles para dentro. Depois te chamaremos para vir até a delegacia para ajudar no processo.
— Devo ficar por aqui onde exatamente?
— Qualquer lugar. Apenas fique visível, próximo a delegacia para que possamos te localizar e chama-lo.
— Então ficarei exatamente aqui onde estou.
— Hm, ok, como queira. — O capitão estranhou aquele comportamento, mas achou melhor encerrar a conversa e voltar ao trabalho do que ficar ali conversando.
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