A Trindade Mágica

1 Capítulo 1 - Galvia


Em uma região montanhosa, dentro de uma enorme floresta densa, há duas pessoas paradas. Um casal com roupas simples, ajoelhados, fazendo algo bem próximos um do outro. Mais de perto percebe-se que o homem passou para a mulher o que parecia ser uma semente. A moça pegou de dentro de seu bolso um pedaço de madeira bem pequeno e com ele escreveu como pôde a seguinte palavra: “Galvia”. Depois a mulher voltou a guardar o palitinho e, sorrindo, pegou na mão do homem que olhou para ela da mesma forma e então os dois juntos, segurando o grão, cravaram suas mãos no solo onde estavam e depois cobriram aquele buraco com terra, enterrando assim aquele bago.

Após o plantio o casal, ainda de mãos dadas, fechou os olhos e com sorrisos diferentes dos que haviam dado um para o outro antes eles começaram a chorar sobre a semente plantada. Era como se eles estivessem regando aquele plantio com seu choro que parecia conter amor, felicidade e ao mesmo tempo esperança. A choradeira durou pouco tempo com um secando as lágrimas que ainda permaneciam no rosto do outro e após isso o casal ficou observando a área da plantação com atenção, enquanto seus olhos ainda estavam marejados.

Depois de quase um minuto de espera houve um pequeno tremor em uma área abrangente da floresta onde o epicentro parecia ser o local em que o casal estava. Eles obviamente ficaram preocupados e pensaram em se proteger, mas por ter sido um pequeno abalo sísmico eles não precisaram levantar, somente levaram suas mãos ao chão.

Quando a tremedeira cessou o casal teve sua atenção chamada por uma elevação que havia surgido na terra, no local onde eles haviam plantado a semente. Aquela elevação começou a ficar cada vez maior e a se mover até que de repente o casal ouviu primeiramente um choro de criança, depois viram bracinhos e perninhas saindo daquele monte de terra, seguidos por uma cabecinha e uma barriguinha. A mulher se emocionou tanto com aquilo que caiu em prantos, levando a mão ao rosto, tentando se conter, mas não funcionava. Ela obviamente estava muito feliz com o que vira. O homem tentou acalmar a sua companheira no primeiro instante, mas logo percebendo que não adiantava muito se apressou para pegar aquele bebê que acabara de nascer do solo e o embrulhou em suas vestes para limpa-lo de toda aquela terra que estava no seu corpo, além de protegê-lo. A moça finalmente conseguiu conter um pouco de sua emoção e se levantou para ajudar no acolhimento da criança, pegando-a dos panos de seu companheiro e a embrulhando em lençóis limpos que guardava na bolsa que carregava.

Após limparem bem o bebê a mulher o segurou em seu colo e o mesmo parou de chorar deixando o casal perceber melhor a aparência dele. Era uma menina com a pele morena, olhos azuis e alguns fios de cabelo verde. O casal se olhou sorrindo e depois olharam para a criança:

— Que linda que ela é — disse a mulher.

— Sim. Nossa Galvia — disse o homem.

O casal abraçou a criança, mostrando que eles a amavam e que o fato dela estar bem era motivo de alegria.

Depois daquilo, os dois com o bebê em seus braços se afastaram do local do nascimento, saíram da floresta, desceram a montanha e retomaram o caminho para sua casa para continuar com suas vidas, agora como uma família.