A Thousand Years
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Notas iniciais
PS: Ele ficou meio grandinho pois, como eu disse no último, ele é focado na viagem da Quinn, e MUUUUUUITA coisa vai acontecer!
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Quinn não dormiu em nenhum de seus voos. No percurso rápido de Lima até Houston, a loira ficou simplesmente observando a paisagem. Já no voo para o Rio de Janeiro, aproveitou a insônia para tentar descobrir mais alguma coisa que pudesse ajudá-la em sua missão. Não seria fácil, mas também não seria impossível.
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Quando saiu do aeroporto, a primeira coisa que sentiu foi a brisa quente atingir sue rosto. Uma fila imensa de táxis estava parada do outro lado da rua. Fazia tempo que ela não vinha ao Rio. Alguma coisa entre quarenta e cinquenta anos e...
Esvaziou sua cabeça desses pensamentos e atravessou a rua em direção a um táxi que estava vazio. O motorista ajudou-a a colocar a mala dentro do carro e ela entrou.
– Copacabana Palace, por favor – falou rapidamente num português impecável.
O motorista continuou parado, olhando-a de modo suspeito. Quinn conhecia bem aquele olhar. Era o olhar de “o que uma garota na faixa dos vinte anos está indo fazer num hotel tão chique, e ainda sim sozinha?” Ele continuou encarando-a pelo espelho. Aquilo estava irritando-a.
– O que foi? Eu tenho uma reunião daqui a pouco, vamos!
O homem desviou o olhar e acelerou o carro. Conforme iam se aproximando da beira mar, minutos depois, várias memórias começaram a inundar a cabeça da loira.
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Aconteceu na metade da década de sessenta. A onda de “homossexualismo” estava em alta. Bares e clubes gays estavam sendo abertos por todo o mundo.
Lucy estava pela primeira vez no Brasil para realmente passar alguns anos por lá. Numa noite qualquer, durante o verão, ela decidiu sair para ir a um desses bailes que estavam na moda. Ela queria se divertir um pouco. Aqueles últimos dias estavam sendo muito difíceis para ela, com toda a divulgação do homossexualismo na mídia. Tudo fazia ela se lembrar de Rachel.
Ela entrou no lugar e sentou-se numa mesa. A música alta começou a incomodá-la alguns minutos depois.
– Com licença – disse uma garçonete sorridente, deixando um drinque colorido em sua mesa.
– Eu não pedi isso – falou para a garçonete.
– Foi ela – apontou para uma morena na outra mesa.
A morena acenou com a cabeça para Lucy e tomou um gole de sua bebida. A loira fez o mesmo e levantou-se, indo até a mesa da outra.
– Olá – disse a morena, indicando a cadeira em sua frente.
– Obrigada pela bebida – falou, sentando-se.
– Não tem problema – sorriu. – Samantha Lopez.
– Lucy Fabray.
Ficaram conversando por horas antes de levantarem para dançar. Não demorou muito tempo para que a coisa esquentasse um pouco mais na pista de dança.
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Já haviam se passado três meses desde que Lucy e Samantha estavam juntas. Era a primeira vez desde que perdera Rachel que estava com alguém em uma relação séria, e nunca esteve tão feliz desde que começou a vagar pelo planeta, séculos antes.
– Lucy? – a morena bateu em sua porta.
A loira ainda não havia terminado de se arrumar. Sam estava quinze minutos adiantada, o que resultou numa Lucy abrindo a porta vestindo apenas calcinha e sutiã.
– Eu já venho – disse assim que a namorada entrou no flat.
Voltou para o quarto e terminou de se vestir. Seria a primeira vez que iria a casa da namorada. Voltou para a sala e encontrou a morena sentada no sofá.
– Desculpe – falou sem graça. – Eu deveria ter avisado que vinha mais cedo/
– Sem problemas. Desculpe eu pela demora – sentou-se ao lado da namorada. – Deve ter um motivo para você vir me pegar mais cedo, certo? – disse sorridente.
– Bem, lembra-se que eu te disse que eu morava com a minha avó? – a loira assentiu. – Então, ela não é realmente minha avó, mas considero como se fosse. Ela me adotou quando eu ainda era um bebê, então eu penso nela como a avó que eu nunca tive, já que ela nunca me deixou chama-la de mãe... – havia lágrimas escorrendo pelo rosto dela. – Desculpe, não queria chorar.
– Ei, sem problemas... – sorriu. – Saiba apenas que você sempre pode contar comigo, certo?
Samantha riu e beijou a namorada de leve.
– Vamos, vovó está te esperando.
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– Abuela? – disse Samantha, ao entrarem na casa. – Vovó é porto-riquenha, por isso costumamos falar em espanhol em casa.
Uma figura pálida passou pela porta que dividia a sala da cozinha. Quando Lucy encontrou os olhos da senhora, sua cor se esvaiu de seu corpo e ela quase desmaiou.
– Lucy, céus! Você está bem? – perguntou a namorada, ajudando-a a chegar no sofá.
– Sim, sim... – assentiu de leve. – Acho que minha pressão deu uma caída, só isso.
– Samantha, hija... Vá pegar um pouco de sal para a sua namorada. Aproveite e tire a massa do forno. Cuidado para não se queimar.
A morena saiu rapidamente em direção a cozinha, deixando as duas sozinhas.
– Há quanto tempo, Lucy. Fazem o quê, seiscentos anos?
– Um pouco mais que isso – riu sarcasticamente. – Você não mudou nada, sua...
– Olhe o que fala, querida. Posso dizer o mesmo de você.
– O que você quer com ela? – Lucy soltou rapidamente, antes que a namorada voltasse. – Ela me disse que mora com você desde que era pequena. Isso não pode ser coisa boa.
– Digamos que as coisas mudaram um pouco nesses últimos séculos, depois que você partiu. Sabe, não somos as únicas passeando pela Terra há algum tempo.
– Você quer dizer que Sam...
– Ela é bem mais jovem que você, sabe? Há uns trinta anos, ela veio trabalhar numa boutique comigo. Ela descobriu sobre mim e, bem... Ela acidentalmente também se transformou em uma de nós.
– Ela sabe sobre mim?
– Não, querida! Achei melhor deixá-la descobrir por si mesma o monstro que eu criei em você tanto tempo atrás...
– Eu não sou um monstro!
– Tem certeza, Lucy? Então por que a sua querida... Rachel? Sim. Sua querida Rachel morreu na fogueira? Por que você ainda está aqui na Terra?
Lucy estava espumando de raiva. Tanta raiva que nem viu a namorada se aproximar e quebrar um vaso na cabeça da velha. O impacto fez com que ela caísse no chão.
– Sa-samantha?
– Lucy, eu sinto muito. Eu juro que eu não sabia...
– Não tem problema, eu prometo.
– Vamos embora daqui. Eu não quero mais ver a cara dessa vadia.
– Certo, vamos embora então, Sam...
– Não! – a morena cortou-a. – Não me chame mais pelo nome que aquela vadia me deu. Eu vou tornar a vida dela um inferno, vou ser o demônio pessoal dela se ela aparecer na minha vida de novo. Me chame de Santana. Santana Lopez.
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– Cinquenta reais, senhorita – falou o taxista emburrado.
Quinn deu o dinheiro ao homem e desceu do carro. Um funcionário do hotel já tirava as coisas dela de dentro do veículo.
Ela odiava ter que voltar ao Brasil. Ela fizera Santana sofrer por ela. Tudo que a velha queria era caçar Quinn, e estava criando cada vez mais vítimas para isso.
Toda a coisa com Santana terminou naquele mesmo dia, meio século antes. A latina nunca mais foi a mesma.
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Já era tarde da noite quando Quinn saiu do hotel, alguns dias depois. Ela tinha passado o tempo todo trancada no quarto, pesquisando. E finalmente tinha conseguido o que queria.
Caminhou durante alguns minutos até chegar no seu destino. Tinha certeza que o local era aquele, conseguia sentir a energia saindo daquela casa. Tocou a campainha e esperou poucos segundos para que alguém viesse abrir a porta.
– Pois não? – perguntou um homem corpulento.
– Eu vim falar com Mara – respondeu seca.
– Tem hora marcada?
– Não. Diga apenas que Lucy está aqui.
O homem bateu a porta e deixou Quinn parada sozinha do lado de fora. Alguns minutos depois, a porta se abriu novamente.
– Eu sabia que você ia voltar, Lucy. Você sempre volta... — a velha riu. – Você não mudou nada nos últimos...
– Sem esse papo – cortou-a. – Temos assuntos sérios para tratar.
– Nossa, o que é tão sério assim para evitar algumas piadinhas?
Quinn tirou a mão do bolso e mostrou-a para a mulher. Havia um corte profundo nela, quase cicatrizando.
– Tem alguma coisa errada. Isso não acontecia antes.
– E o que pode ter mudado? – a velha riu novamente.
– Ela voltou.
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