A Thousand Years
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Notas iniciais
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A noite passou lentamente para Quinn, mas não pelos motivos que esperava. As malas ficaram prontas antes que ela percebesse e ela então foi para a cama, esperando que o sono chegasse logo. Era mais uma daquelas noites que Quinn pensava demais e não conseguia dormir. Só não sabia o que a atormentava tanto...
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As malas de Rachel já estavam quase prontas há quase uma semana. Faltava colocar apenas as coisas que ainda estava utilizando durante aquele tempo e finalmente estariam prontas.
Não havia conseguido dormir devido a mistura de sentimentos que preenchiam ela. A felicidade de ter passado o dia anterior com Quinn, a ansiedade de estar indo viajar para New York, a satisfação de ter realmente chegado a aquele ponto com a loira...
– Estrelinha, você tem meia hora! – gritou um dos pais do andar de baixo, fazendo sua ansiedade aumentar ainda mais.
Dentro de apenas 1800 segundos estaria saindo de casa, começando sua viagem para a cidade de seus sonhos! Não tinha como ela estar mais feliz...
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Quinn chegou a casa dos Berry alguns minutos depois. Ela estava... Nervosa? O que se passava na sua mente era uma enorme confusão. Faziam poucos meses que havia reencontrado seu amor e já estava deixando-a ir? Se bem que não era bem um “ir”, já que ela estaria com os pais, e Quinn estaria a algumas horas de distância de Rachel caso ela precisasse de qualquer coisa e...
Todos os pensamentos se esvoaçaram quando a porta da casa foi aberta por Rachel. A morena estava simplesmente linda!
– Oi – falou timidamente, percebendo o olhar da loira. – Quer entrar?
– Eu, ahn... Desculpe por isso. Você está linda, amor – disse, deixando um breve beijo nos lábios da namorada.
Entrou na casa e sentou-se ao lado de Rachel, que parecia estar indo ao desfile de moda, e não a New York.
– Pra que toda essa produção? – perguntou, rindo levemente.
– Você acha que está demais?
Quinn passou os olhos pela namorada mais uma vez. O vestido vermelho e branco moldava o torso dela sem apertar muito, abrindo em uma linda saia pouco acima da cintura. A meia-calça a manteria aquecida durante o voo e na chegada a cidade. Uma boina, também vermelha, segurava os cabelos no lugar.
– Você está maravilhosa – disse num sorriso sincero. – Ainda vai por mais um casaco, certo? Não quero que você passe frio.
– Meus pais já fizeram questão de me lembrar disso algumas vezes. Você parece uma mãe, Quinn...
– Só porque eu me preocupo com você, amor...
Ficaram mais alguns minutos conversando, até que Leroy e Hiram desceram com as malas. Quinn tentou ajudá-los a colocá-las no carro, mas eles não deixaram. Ela e Rachel ficaram apenas observando os dois dos bancos da frente da SUV de Quinn.
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A viagem até o aeroporto foi terrivelmente silenciosa, ao menos na parte da frente do carro. Os pais de Rachel passaram o trajeto inteiro conversando entre si, acertando alguns detalhes de última hora da viagem. Rachel e Quinn estavam tristes por se separaram durante aquelas duas semanas, mas ao mesmo tempo, estavam ambas ansiosas pela viagem da morena.
Quinn parou seu carro no estacionamento do aeroporto o mais perto possível do portão de embarque dos Berry. Sua mala estava relativamente leve em comparação com as da família que trazia em seu carro.
Rachel seguiu seus pais até o check-in enquanto Quinn ia fazer o seu. A namorada da morena estava agindo de maneira estranha naquele dia...
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Check-in feito, todos os quatro foram para a sala de embarque.
– Amor, você não tem que ir para o seu portão? – perguntou Rachel.
– Ainda tenho um tempinho com você.
“Atenção passageiros do voo UA 187 com destino a Houston, embarque iniciado no portão 4.”
Quinn pegou sua bolsa do chão e levantou-se.
– Houston? – perguntou a morena novamente.
– Só uma parada. Não tem voo direto daqui para onde eu vou.
– Que seria... – a loira não respondeu. – Ah, Quinn! Você sabe que eu estou indo para New York, e eu não posso saber para onde a minha namorada – ela deu enfoque na última palavra. – está indo?
A mais velha riu e depositou um beijo rápido nos lábios da namorada.
– Rio de Janeiro, amor. Tenho umas coisas para resolver.
– E você volta...
– Dia dois de janeiro, para poder vir buscar vocês aqui.
– Então eu deixo você ir – falou, rindo de leve.
– Obrigada pela permissão, namorada – beijou-a novamente. – Nos vemos em quinze dias.
– Tudo isso? – a morena fez um biquinho.
– Eu poderia voltar a hora que quisesse, você que vai ficar duas semanas viajando.
– E New York, por favor! Broadway, Quinn. Lembre-se desse detalhe.
– Só me lembre mais uma vez quantas peças você vai ver?
– Algumas... – Rachel corou.
– Não eram sete?
– Na verdade são só seis!
– Tem certeza? – a mais velha tirou um envelope de dentro da sua bolsa. – Meu presente de aniversário para você.
– E tudo aquilo ontem? – disse pegando o envelope das mãos da namorada.
– Também foi um presente, mas esse você vai gostar mais.
– Não tem como eu gostar de alguma coisa mais do que eu gostei de fazer se... – Rachel deixou a voz sumir no ar. – Isso são...
– Ingressos para Wicked. Primeira apresentação do ano, melhores lugares da casa.
– Mas os ingressos estavam esgotados há...
– Eu tenho meus métodos – falou com um sorriso. – Feliz aniversário, amor.
Rachel saltou de seu lugar para um abraço apertado em Quinn. A loira sorriu e beijou a cabeça da namorada lentamente.
– Então, acho melhor eu ir indo – o sorriso em seu rosto murchou. – Boa viagem, amor...
– Boa viagem pra você também.
Quinn virou-se então para os pais da namorada, despediu-se deles e foi para seu portão de embarque. Seria uma longa viagem...
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Mal se passaram cinco minutos desde que Quinn havia partido quando o voo de Rachel foi chamado. A menina estava tão ansiosa que o avião nem tinha decolado quando a menina dormiu.
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– Olá, meu nome é Rachel Berry e eu farei teste para o papel de Elphaba.
– E o que você vai cantar? – uma voz masculina disse, sem olhá-la.
– On My Own, do musical Les Miserables.
As três pessoas riram.
– Você sabe que essa é uma música muito difícil para uma menina de vinte anos, não? – perguntou uma mulher.
– Eu canto ela desde os dezesseis – respondeu séria.
– Muito bem então – disse outro homem. – Pode começar.
Não havia melodia. Apenas ela e o palco.
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On my own
Pretending he's beside me
All alone
I walk with him 'til morning
Without him, I feel his arms around me
And when I lose my way, I close my eyes and he has
found me
In the rain
The pavement shines like silver
All the lights are misty in the river
In the darkness, the trees are full of starlight
And all I see is him and me forever and forever
And I know it's only in my mind
That I'm talking to myself and not to him
And although I know that he is blind
Still I say there's a way for us
I love him
But when the night is over
He is gone
The river's just a river
Without him, the world around me changes
The trees are bare and everywhere the streets are full of strangers
I love him
But every day I'm learning
All my life I've only been pretending
Without me, his world will go on turning
A world that's full of happiness that I have never
known
I love him
I love him
I love him
But only on my own
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Os dois homens e a mulher na sua frente a aplaudiam de pé. O sorriso no rosto dela aumentava a cada segundo que passava.
– Então, senhorita Berry, – falou a mulher. – pode nos contar um pouco sobre as suas referências?
– Bem, eu fui protagonista da montagem de O Mágico de Oz no meu colégio três anos atrás, estou no segundo ano da NYADA, fui escolhida para participar do Winter Showcase no meu primeiro ano...
– Você atua? – a morena assentiu. – Dança? – Rachel repetiu mais uma vez o movimento.
Alguns instantes de silêncio. O coração de Rachel batia cada vez mais rápido e mais forte.
– Está bem, senhorita Berry. Entraremos em contato.
Rachel agradeceu-os e saiu correndo para a parte de trás do palco, onde uma certa loira a esperava.
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– Querida, acorde... – disse Hiram.
Os olhos de Rachel se abriram lentamente, tentando se adaptar a luz da cabine. A menina tirou os fones do ouvido e olhou para os pais.
– Chegamos, estrelinha – falou Leroy.
A morena sorriu e abraçou-os com força. Um dia, aquele simples sonho seria realidade. Ela conseguiria tudo o que buscava. Com ajuda dos pais, dos amigos e, principalmente, de Quinn.
Colocou os fones novamente quando saíram do aeroporto, enquanto esperavam pelo táxi. Uma conhecida melodia soava em seus ouvidos. Barbra. Rachel começou a cantarolar baixinho, acompanhando a música em seus ouvidos.
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Some folks like to get away
For a holiday from the neighborhood
Hop a flight to Miami Beach
Or to Hollywood
But I'm talking a Greyhound
On the Hudson River Line
I'm in a New York state of mind
It was so easy living day by day
Out of touch with the rhythm and blues
But now I need a little give and take
The New York Times, The Daily News
It comes down to reality
And it's fine with me 'cause I've let it slide
Don't care if it's Chinatown or on Riverside
I don't have any reasons
I've left them all behind
I'm in a New York state of mind
I'm just taking a Greyhound on the Hudson River Line
'Cause I'm in a New York state of mind
Ohhhh New York state of mind
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Parou apenas quando a música terminou e descobriu que não estava cantando assim tão baixo. Havia cerca de dez pessoas paradas encarando a morena. Eles de repente, começaram a aplaudi-la, fazendo com que suas bochechas adquirissem um tom de vermelho que combinava com o gorro em sua cabeça.
– Rach, querida, vamos? – perguntou um dos pais.
A menina assentiu e entrou no táxi, sorrindo tanto por fora quanto por dentro. Ela estava em New York...
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